quinta-feira, outubro 22, 2026

É uma tenda portuguesa e espanhola...

22/X/2026: Há mais de 20 anos, o Boss AC já perguntava, na sua emblemática canção "É Sexta-feira": "Onde vou arranjar dinheiro para uma renda?/Não tenho condições nem para alugar uma tenda!". Durante estes anos, principalmente a Decathlon (passo a publicidade) democratizou o acesso às tendas. O mesmo não se pode dizer das políticas de habitação (mesmo em tenda ou barraca) da nossa Península, onde o metro quadrado apenas parece estar ao alcance de investimentos cujos interesses se protegem à bastonada...

Há quem diga que estes acampados são uns falhados (e uns abandeirados), que não souberam investir depois da crise de 2008 (apesar de alguns terem sido desalojados ou ainda andarem na primária, na creche ou nem sequer terem nascido nessa altura). Eu pergunto-me como será daqui a vinte anos (ou a vinte meses). Cantar-se-á "Onde vou arranjar dinheiro para uma tenda?/Não tenho nem talento para dormir ao relento..."? 

Mas, citando o meu pai, a necessidade é mestra de engenho, e a malta a quem começa a faltar tudo, até a comunidade, aprende a sobreviver da melhor e da pior maneira. Isso pode levá-la a procurar abrigo em soluções que tanto nos poderão conduzir a novas formas de habitação, de preferência com amor e uma cabana [tenda], como a um regresso às cavernas...

22/X/2026: Hace más de 20 años, Boss AC ya se preguntaba, en su emblemática canción "É Sexta-feira": "¿Dónde voy a conseguir dinero para pagar un alquiler? / ¡No tengo condiciones ni siquiera para alquilar una tienda de campaña!". Durante estos años, principalmente Decathlon (perdón por la publicidad) ha democratizado el acceso a las tiendas de campaña. No puede decirse lo mismo de las políticas de vivienda (ni siquiera en tiendas de campaña o chabolas) de nuestra Península, donde el metro cuadrado parece estar únicamente al alcance de inversiones cuyos intereses se protegen a porrazos...

Hay quien dice que estos acampados son unos fracasados (y unos abanderados), que no supieron invertir después de la crisis de 2008 (a pesar de que algunos fueron desalojados o todavía iban a primaria, a la guardería o ni siquiera habían nacido por aquel entonces). Me pregunto cómo será la situación dentro de veinte años (o de veinte meses). ¿Se cantará "¿Dónde voy a conseguir dinero para una tienda de campaña? / No tengo ni talento para dormir al raso..."?

Pero, citando a mi padre, la necesidad agudiza el ingenio, y la gente a la que empieza a faltarle de todo, incluso el sentido de comunidad, aprende a sobrevivir de la mejor y de la peor manera. Eso puede llevarla a buscar refugio en soluciones que tanto podrían conducirnos a nuevas formas de habitar, preferiblemente con amor y una cabaña [tienda de campaña], como a un regreso a las cavernas...


segunda-feira, outubro 19, 2026

"General Truth" - "Verdad(e) Ge(ne)ral"

19/X/2026: Ouço alguém mencionar o conceito de "uma verdade geral" e penso de imediato: "Qual será a verdade específica desta alma?". Agora, ao recordar o que ouvi, a verdade é que só a encontramos quando nos deixamos de mentiras gerais e aceitamos a especificidade da mentira... Que seja, pelo menos, piedosa, como quando eu falo comigo mesmo e digo: "Tu não és nada parvo...".

19/X/2026: Oigo a alguien mencionar el concepto de 'una verdad general" y pienso de inmediato: "¿cuál será la verdad específica de esta alma?'. Ahora, al recordar lo que he oído, la verdad es cuando dejamos atrás las mentiras generales y aceptamos la especificidad de la mentira... Que sea, al menos, piadosa, como cuando yo hablo conmigo mismo: "Tú no eres nada tonto...".



domingo, outubro 18, 2026

Lembro-me bem dele...

17/X/2026: Lembro-me bem dele, simpático, agradável, mas um bocado doente por uma equipa de futebol, algo desculpado pelo fervor adolescente. Há anos que não sabia nada dele, pois, como eu, muita gente saiu do bairro, mas hoje o algoritmo levou-me a encontrá-lo num perfil de uma rede social totalmente radicalizado. Li um bocado para tentar compreender por que razão um ser humano cuja simpatia outrora primava aos olhos reais hoje verte tanto ódio nos meandros digitais. Acho que, na época, me considerava um conhecido a roçar o estatuto de amigo, mas hoje não sei se, pelo facto de acreditar na dignidade de todo o ser humano, me poderá considerar um inimigo e se, por estar de acordo com manifestações pacíficas a favor do pão, trabalho, educação, saúde e habitação, sou um potencial agitador que deve ser reprimido com violência física, particularmente por um Estado com aparelhos institucionalizados de repressão, onde primeiro se agride e depois se pergunta, ou não.

Perfis assim dão-me medo. Tornou-se impossível o diálogo, mas não me vão impedir de questionar o porquê desta impossibilidade e, enquanto a democracia mo permitir, não me vão demover de continuar a lutar pela dignidade que todo o ser humano, até mesmo os que se deixam radicalizar pelo ódio, merece.

16/X/2026: Lo recuerdo bien, simpático, agradable, pero un poco enfermo por un equipo de fútbol, algo disculpable por el fervor adolescente. Hacía años que no sabía nada de él, pues, como yo, mucha gente se marchó del barrio, pero hoy el algoritmo me ha llevado a encontrarlo en un perfil de una red social totalmente radicalizado. He leído un poco para intentar comprender por qué un ser humano cuya simpatía destacaba antaño ante los ojos reales hoy vierte tanto odio en los entresijos digitales. Creo que, por aquel entonces, me consideraba un conocido que rozaba la categoría de amigo, pero hoy no sé si, por el hecho de creer en la dignidad de todo ser humano, podrá considerarme un enemigo y si, porque estoy de acuerdo con las manifestaciones pacíficas a favor del pan, el trabajo, la educación, la sanidad y la vivienda, soy un potencial agitador que debe ser reprimido y silenciado con violencia física, particularmente por un Estado con aparatos institucionalizados de represión, donde primero se agrede y después se pregunta, o no.

Perfiles así me dan miedo. El diálogo se ha vuelto imposible, pero no van a impedirme cuestionar el porqué de esta imposibilidad y, mientras la democracia me lo permita, no van a disuadirme de seguir luchando por la dignidad que todo ser humano, incluso quienes se dejan radicalizar por el odio, merece.


quinta-feira, outubro 15, 2026

"entre 2 t(i)erras" de Luis Leal em Évora

Anteontem, graças à Fundación CB e à Câmara Municipal de Évora, pudemos obsequiar este "entre 2 t(i)erras" no meu território de origem. Tal não seria possível sem o Antonio Sáez e todos os presentes que me ajudam a manter-me Leal a esta cidade e a tentar honrar o que ela significa para mim e para muitos: uma herança de diálogo entre culturas, de tolerância e de sentido de comunidade.
Feita esta última apresentação, e sempre consciente deste meu malabarismo existencial, quero afastar-me desta fronteira e entregar-me aos meus "Trabalhos&Paixões", muitos dos quais acabam por encontrar na literatura o seu lugar.
Anteayer, gracias a la Fundación CB y al Ayuntamiento de Évora, pudimos obsequiar este "entre 2 t(i)erras" en mi tierra de origen. Esto no habría sido posible sin Antonio Sáez y todos los presentes que me ayudan a mantenerme Leal a esta ciudad y a intentar honrar lo que representa para mí y para muchos: una herencia de diálogo entre culturas, de tolerancia y de sentido de comunidad.
Concluida esta última presentación, y siempre consciente de este malabarismo existencial mío, quiero alejarme de esta frontera y entregarme a mis "Trabajos&Pasiones", muchos de los cuales acaban encontrando en la literatura su lugar.

segunda-feira, outubro 12, 2026

12/X/2026: Me da igual de dónde era Cristóbal Colón, la hispanidad o cualquier otra de esas palabras de carácter genérico que terminan en “-dad”

12/X/2026: Me da igual de dónde era Cristóbal Colón, la hispanidad o cualquier otra de esas palabras de carácter genérico que terminan en “-dad”. Si son plurales y no se imponen sobre la dignidad humana, son siempre positivas. No obstante, la hispanidad es una parte fundamental de este librito y de lo que constituye mi existencia. Se celebra siempre que uno “es” en español. El próximo 14 de octubre, una parte de esta hispanidad se comparte, con mucho orgullo, en un ambiente de plena portugalidad. ¡Feliz día!

12/X/2026: Pouco me importa de onde era o Cristóvão Colombo, a hispanidade ou quaisquer outras palavras de carácter genérico terminadas em “-dade”. Se forem plurais e não se impuserem à dignidade humana, serão sempre positivas. Não obstante, a hispanidade é uma parte fundamental deste livrinho e daquilo que constitui a minha existência. Celebra-se sempre que alguém “é” em espanhol. No próximo dia 14 de outubro, uma parte desta hispanidade será partilhada, com muito orgulho, num ambiente de plena portugalidade. Feliz dia!




domingo, outubro 11, 2026

Postureo para la fotografia

10/X/2026: ¿Es postureo para la fotografía? Es, sí señor. Pero el escenario lo exigía. El sol se despedía y este atardecer invitaba a detener este momento deslizante...
(El arte fotográfico es de mi X. que me sigue estimulando a este tipo de movimiento).
10/X/2026: É uma pose para a fotografia? É, sim senhor. Mas o cenário assim o exigia. O sol despedia-se e este pôr do sol convidava a eternizar este instante deslizante.
(A arte fotográfica é do meu X. que continua a estimular-me para este tipo de movimento).

Um serão com Simona Chiusolo

11/X/2026: Criar uma residência artística com os próprios meios e sem apoios externos é um verdadeiro ato de amor à arte e uma das mais belas formas de mecenato que conheço. É esse o caso da nossa amiga (e vizinha) Shermin Voshmgir, que, no seu Labirinto Ecléctico (Varche/Elvas), acolhe e promove a arte em território raiano. É um orgulho e um prazer poder acompanhá-la, no próximo dia 15 de outubro, na apresentação do mais recente trabalho literário da escritora italiana Simona Chiusolo, também ela já parte desta paisagem lírica que não se importa com fronteiras, sejam elas físicas ou de géneros...
Para assistir a este evento, consultem os links disponíveis nos comentários.

11/X/2026: Crear una residencia artística con medios propios y sin apoyos externos es un verdadero acto de amor al arte y una de las formas más hermosas de mecenazgo que conozco. Es el caso de nuestra amiga (y vecina) Shermin Voshmgir, que, en su Labirinto Ecléctico (Varche/Elvas), acoge y promueve el arte en territorio rayano. Es un orgullo y un placer poder acompañarla, el próximo 15 de octubre, en la presentación del más reciente trabajo literario de la escritora italiana Simona Chiusolo, también ella ya parte de este paisaje lírico al que no le importan las fronteras, sean físicas o de géneros... 
Para asistir a este evento, consultad la información disponible en los enlaces de los comentarios.