quinta-feira, maio 06, 2021

A Escala do Exercício Físico – “Desde o acordar até um triatleta” (Segundo Matthew McConaughey em Greenligths - 2020)

Desde que vi a série True Detective fiquei rendido ao talento do actor Matthew McConaughey, por isso quando vi que lançou Greenlights (2020), uma espécie de autobiografia misturada com a sua filosofia de vida, fiquei curioso e, mal tive oportunidade, li-a com o objetivo de uma total forma de evasão. E não é que o livro me pôs a pensar e a rir! E não é que este maluco tanto medita com os monges do deserto (e lê Thomas Merton) como é um escatológico de primeira, a rir-se à gargalhada de si próprio, mas fiel a uma ética de trabalho férrea e comprometida com a sua arte (e com os seus semelhantes)!
Por vezes, ao pensarmos estar perante algo superficial é quando mais aprofundamos a nossa visão própria como seres humanos. Assim foi com Greenligths, do qual partilho um resumo da perspectiva original de McConaughey sobre exercício físico e “vida saudável”, com a qual me identifico, exceptuando os “Dardos no cu”, pois não sou fã de agulhas...   

A Escala do Exercício Físico – “Desde o acordar até um triatleta” (Segundo Matthew McConaughey em Greenligths - 2020)

- Acordar/Despertarse; 
- Beber um copo de água/Beber un vaso de agua;
- Mandar um fax/Plantar un pino;
- Lavar os pratos/Fregar los platos;
- Apenas planificar/Simplemente planificar;
- Masturbação/Masturbación;
- Cortar o cabelo/Cortar el pelo;
- Adquirir um espelho estreito/Comprar un espejo estrecho;
- Bronzear-te/Broncearte;
- Nada de maionese, se faz favor/Nada de mayonesa, por favor;
- Sem batatas fritas/Sin patatas fritas;
- Uma cerveja menos/Una cerveza menos;
- Vapor;
- Substituir o garfo por pauzinhos/Sustituir el tenedor por los palitos;
- Sexo;
- Dardos no cu e Exercícios Pliométricos/Dardos en el culo y Ejercícios Pliométricos;
- Tomar conta dos miúdos/Cuidar de los peques;
- Ir pelas escadas/Ir por las escaleras;
- Dançar/Bailar;
- Caminhar/Caminar;
- Yoga;
- Jogging;
- Correr;
- Ginásio/Gimnasio;
- Um treinador/Un entrenador;
- Maratona/Maratón;
- Triatlo/Triatlón.



terça-feira, maio 04, 2021

Uma resenha, muito pessoal, de “O Quanto Amei” de Sara Rodi

Ouvi durante muito tempo falar deste O Quanto Amei – Fernando Pessoa e as mulheres da sua vida à Sara Rodi e, apesar de ter demorado sete anos (um número cheio de personalidade e carácter), nunca duvidei de a sua autora o terminar mais cedo ou mais tarde. Não sendo eu propriamente um “pessoano” (adjetivo estranho se nos pusermos a pensar como merece), considero-me um estudante avançado do Modernismo português e, mal abri este livro, fiquei com outra certeza: estamos perante um trabalho de investigação notável, suportado por uma bibliografia rigorosa, cuja prosa de Sara Rodi romanceou sem abandonar os alicerces da verosimilhança. 

Desde a infância de Pessoa, a sua passagem por Durban (gosto da perspectiva de o poeta dos heterónimos haver sido uma potencial vítima de “bullying” durante a sua formação anglófona), à sua vida adulta e criadora, até ao derradeiro dia do I know not what tomorrow will bring, encontramos a presença feminina, de dentro e de fora do seu espectro familiar, algo que, ao longo dos vários anos em que a sua obra saiu de fora do âmbito da arca, não associamos ao autor, cientes mesmo de, por vezes, haver sido acusado (quem sabe injustamente) de misoginia. 
Outro apontamento de interesse da minha parte, leva-me para o vigésimo segundo capítulo, ambientado a 15 de Outubro de 1905, dia em que supostamente Fernando Pessoa privou com Augusto Gil e com outro poeta, oriundo do Marão, que estimo particularmente, Teixeira de Pascoaes. Entre misticismo, messianismo, o que concilia a presença destes dois grandes da literatura é a polémica de então inerente ao sufrágio feminino e à luta encabeçada por mulheres como Ana de Castro Osório.

E ainda temos Évora, também presente no livro, e que nos faz conjeturar que Pessoa não se circunscreveu simplesmente à sua Lisboa (omitamos Durban, propositadamente) onde podia ouvir o desassossego dos sinos da [sua] aldeia.

Não me alongarei nestas palavras pois não sou crítico literário e, se o fosse, seria logo alvo de suspeita, pois une-me à Sara uma amizade antiga. Pensando bem, a verdade é que desde que tenho memória me lembro da Sarita, da sua irmã Ana, dos seus pais (que tanto estimo) e dos seus tios que, de certa maneira, também foram meus. Lembro-me de brincarmos juntos na Rua Reguengos de Monsaraz, de a ver escrever na sua casa, no jornal dos escuteiros e de ouvir com ela um disco de vinyl dos “Scorpions”! Nessa época, os escassos anos que temos de diferença faziam com que a Sara já fosse uma mulherzinha e eu um puto, no entanto sempre lhe tive um carinho especial (nada de paixonetas – e olhem só que a Sarita é “guapísima”!), talvez porque já sentia que a minha amiga tinha nascido comprometida em melhorar este mundo e fá-lo de diversas maneiras, uma delas é através da literatura.

Passou o tempo, os estudos e os trabalhos levaram-nos para fora da nossa cidade, porém, a “Mais Alentejo” juntou-nos de novo e a escrita também. Eu sem qualquer tipo de criatividade, ao contrário da escritora de “O Quanto Amei”, com umas crónicas soltas por aí e uns versos sem saberem de que terra são. Quando decidi exibir essa minha lacuna, quando saí do armário (ou da gaveta) e reconheci as minhas intenções de expressar-me através do verbo, a Sara Rodi estava aí, como essa amiga de sempre a estimular-me a continuar por esta senda. 

Em fim, amizade e apreço à parte, tenho na minha biblioteca mais um romance da escritora Sara Rodi que se lê (e relê, sublinhando-se) com prazer e emoção. Só tenho pena de as circunstâncias não me terem permitido estar em Évora, na sua companhia, da Carmo Miranda Machado, do Antonio Sáez e dos nossos para assistir à sua apresentação. Consola-me a certeza que este livro vai cruzar fronteiras e a espanhola apanha-me de caminho!


segunda-feira, maio 03, 2021

Uma casa não se constrói pelo telhado...

Uma casa não se constrói pelo telhado, no entanto, se fores tu quem lhe constrói o telhado, abrigar-te-ás nessa memória e parte de ti estará protegido da intempérie de todo tipo de temporada.

sexta-feira, abril 30, 2021

Tertulia. Conversatorio sobre la vida y obra de Ángel Campos Pámpano (30 de abril de 2021 - 18:00)

Para uma pessoa como eu, que pouco (ou nada) privou pessoalmente com Ángel Campos Pámpano, é uma honra poder estar entre este grupo notável de pessoas que continuam a zelar pelo seu legado. 

Para una persona como yo, que a penas (o nada) tuvo relación personal con Ángel Campos Pámpano, es un honor poder estar entre este grupo notable de personas que siguen cuidando su legado. 

Si queréis asistir a esta iniciativa de la “I Feria iberoamericana del libro y la lectura” os podéis inscribir a través del siguiente enlace: https://www.fiberlibro.com/.../tertulia-conversatorio.../...

Tertulia. Conversatorio sobre la vida y obra de Ángel Campos Pámpano


domingo, abril 25, 2021

Three Little Birds - Red

 



Admito a liberdade como um combate interior, mas a democracia não. (25 de Abril Sempre! Fascismo nunca mais!"

Admito a liberdade como um combate interior, mas a democracia não. Acredito que a frágil democracia é a mais humana forma de equidade e representatividade política, assim como nas artes marciais em que a suavidade de uma técnica pode imobilizar a agressividade nas suas mais variadas formas.
Eis uma fotografia pouco conhecida do nosso Capitão Salgueiro Maia, o rosto mais puro da Revolução dos Cravos, a executar um “juji gatame”, em 1967. Também creio que o seu espírito de “budoka” é bem evidente na forma como o seu inesperado protagonismo acabou por marcar o 25 de Abril. Ele “que na hora da vitória respeitou o vencido”, ele que “deu tudo e não pediu a paga”, ele “que na hora da ganância perdeu o apetite”, ele “que amou os outros e por isso não colaborou com a sua ignorância ou vício”, ele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»...
Como a democracia, há muito que constato que a honra está em perigo sempre que o medo se apodera de nós. Contudo, mantenho a fé em que haverá sempre alguém, algum Maia, cuja luta pela liberdade sairá de dentro do seu peito e enfrentará, olhos nos olhos e desinteressadamente, qualquer tirano que, fruto da imperfeição dos tempos, por aí apareça. 25 de Abril Sempre! Fascismo nunca mais!

Admito la libertad como un combate interior, pero, la democracia no. Creo que la frágil democracia es la más humana forma de equidad y representatividad política, así como en las artes marciales en que la suavidad de una técnica puede inmovilizar la agresividad en sus más diversas formas.
Aquí tenéis una fotografía poco conocida de nuestro Capitán Salgueiro Maia, el rostro más puro de la Revolución de los Claveles, ejecutando un “juji gatame”, en 1967. También creo que su espíritu de “budoka” es bastante evidente en la manera como su inesperado protagonismo marcó el 25 de Abril. Él “que en la hora de la victoria respetó al vencido”, él que “lo dio todo y no pidió la paga”, él “que en la hora de la ganancia perdió el apetito”, él “que amó a los demás y por eso no colaboró con su ignorancia o vicio”, él que fue «Fiel a la palabra dada a la idea tenida»...
Como la democracia, hace mucho que constato que el honor peligra siempre que el miedo se apodera de nosotros. Sin embargo, mantengo la fe de que habrá siempre alguien, algún Maia, cuya lucha por la libertad saldrá fuera de su pecho y se enfrentará, ojos en los ojos y desinteresadamente, cualquier tirano que, fruto de la imperfección de los tiempos, por aquí aparezca. ¡25 de Abril Siempre! ¡Fascismo nunca más!

Fernando José Salgueiro Maia, numa competição de judo, em 1967.