sexta-feira, março 20, 2026

O Chuck Norris não Morreu, foi ter com o Bruce Lee ao além para fazer a depilação.

20/III/2026: O Chuck Norris não morreu, foi ter com o Bruce Lee ao além para fazer a depilação. 
Chuck Norris (e o Bruce Lee) não é um gajo da porrada, é o filósofo de barba rija com o qual aprendi o que era filosofia antes de saber que existiam outros filósofos barbudos por essa história fora.
(Este livro custou-me um euro no Wallapop e foi um dos livros que mais gostei de ler em 2025.)


20/III/2026: Chuck Norris no murió, se fue al más allá con Bruce Lee para depilarse.
Chuck Norris (y Bruce Lee) no es un repartidor de hostias, es el filósofo de barba dura con el que aprendí lo que era la filosofía antes de saber que existían otros filósofos barbudos a lo largo de la historia.
(Este libro me costó un euro en Wallapop y fue uno de los libros que más me gustó leer en 2025.)


quinta-feira, março 19, 2026

"Determinismo Tóxico" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 170, p. 86

"Determinismo Tóxico" - Luis Leal 


Comecei cedo a prestar atenção a todo o tipo de classes, quero dizer, apercebi-me do mundo tender à classificação, à categorização, à agrupação de características de todo o tipo, segundo determinados critérios. Quando dedicamos algum tempo à escrita, o adjetivo impõe-se como um bom exemplo deste classificar, remetendo o texto ora para territórios de simplificação, onde escasseiam estes vocábulos, ora para a jurisdição do exagero, onde a abundância adjetival é passível de ser acusada de barroca. Gosto de adjetivos, de atribuírem qualidades ao substantivo, da sua flexão de género (masculino e feminino), número (singular ou plural) e grau (diminutivo e aumentativo), e dei por mim a refletir sobre "tóxico", um adjetivo há algum tempo anda nas bocas do mundo para caracterizar um sem fim de coisas materiais ou imateriais susceptíveis de serem contaminadas por elementos nocivos. Gases e substâncias tóxicas, família, amizades e relacionamentos tóxicos, ou na cultura e na sociedade, a política tóxica (proclive à polarização) e a tão falada masculinidade tóxica, devido a uma série (que não é moda, é tendência - remeto para a subtil diferença), homónima à sua problemática: a adolescência. 

Não sou alheio a tendências e assisti a este fenómeno de quatro episódios com a certeza de ser uma excelente produção "sign of the times", merecedora de atenção e para nada redutora à temática da acefalia "incel" ou a uma suposta toxicidade atribuída a características masculinas. Poder-se-ia substituir a frustração dos "celibatários involuntários" por outra qualquer reacção odiosa perpetrada por adolescentes que a série seria igualmente pertinente. Mas voltemos à raiz desta minha reflexão: o adjetivo e o seu uso. A banalização, o uso descontextualizado e sem critério do que quer que seja leva à frivolidade e da frivolidade é um passinho até à vacuidade. Ao descontexto somemos-lhe a ignorância e a carência de vocabulário, que, em vez de terminar no silêncio (“em boca fechada não entra mosca”), cada vez mais desemboca num papaguear de propaganda desconcertante para qualquer que etimologicamente creia nos valores de igualdade, dignidade e liberdade, esse anacronismo ético e não a actual perversão mercantilista.

As primeiras pinceladas desta crónica nasceram no barbeiro, devo dizer, recostado enquanto desfrutava do pequeno prazer que é cortar a barba à navalha. Recordo-me de pensar “fazer a barba é um elemento da masculinidade” ao que de imediato repliquei “nah, a barba e o bigode não são apanágio dos homens”. Tão-pouco a toxicidade é um atributo da masculinidade, ao contrário do que vi, no meu ambiente laboral, ser transmitido por alguém, cujo cargo deveria honrar com mais prudência, sem cair em generalizações perigosíssimas. A pessoa em causa (o meu caríssimo leitor já identificou a indiferença de género) afirmou, melhor exclamou, para uma plateia repleta de adolescentes de ambos sexos, que a condição de se nascer homem é sinónimo de "ser agressor". Não sou de grandes indignações, prefiro a calma, às vezes até me calo, não por medo, sim porque sei identificar perdas de tempo, contudo desta vez tive de intervir, não é que os rapazes e raparigas da plateia necessitassem, acredito que o surrealismo da situação os fizesse refletir (continuo a ter esperança no pensamento dos jovens - apesar do “brain rot” recém-diagnosticado), e manifestei o meu  desacordo com o que acabara de afirmar, mesmo recorrendo a estatísticas óbvias de os homens serem mais proclives à violência do que a mulher. Estamos perante um total determinismo biológico [e tóxico] da agressividade e da violência que se desarticula com um olhar atento e honesto para a realidade. O seu contra-argumento foi uma acusação: “Não és feminista!”. Aí sim optei pelo silêncio, acabara qualquer tipo de argumentação, fomos derrotados (a pessoa em questão também, apesar de sentir-se vitoriosa) pela ausência de complexidade nos tempos tão complexos que vivemos. Restou-me a retirada de cabeça erguida, amparada por alguns adolescentes, rapazes e raparigas, sabedores de o livre pensamento ir para além dos “ismos”, e uma boa memória de uma verdadeira feminista, a saudosa Ana Luísa Amaral, ao dizer-me, olhos nos olhos, com uma sinceridade indiferente a cromossomas, “Luis, o feminismo é uma questão de direitos humanos”. 

Se queremos neutralizar os elementos tóxicos que proliferam pelas nossas sociedades, se queremos proteger-nos desses energúmenos ressabiados com o sexo oposto (ou com o mesmo sexo, para ser inclusivo), não seria mais fácil parar para pensar? Entristece-me a constatação do óbvio, mas nos dias de hoje isso é pedir muito... talvez o que esteja intoxicado seja a razão.



segunda-feira, março 16, 2026

Phoebe (2006-2026)

15/III/2026: ¿Veinte años no es nada o es mucho tiempo? Me lo pregunto a menudo y, según el día, cambia la respuesta. Como tu “hermana” (con la cual nunca te has llevado bien), también tenías veinte años. Quizás sea mucho tiempo en vuestro caso, en el nuestro, posiblemente no. Reconozco que en los últimos tiempos nuestra relación no ha sido la misma que en los primeros años. Nuestra complicidad de carácter se fue alejando por esos maullidos nocturnos que no ayudan a quienes vislumbramos el peligro del insomnio crónico y de los demonios que este libera (es verdad: los míos son muy malhablados y siempre van munidos de muchos tacos). Otras cosas también empezaron a alejar nuestros mundos, en los que ambos nos reconocíamos algo pesados, pero con ganas de mantener el buen rollo necesario entre especies.
No es baladí que te llamaras como la que cantaba “Smelly Cat” en “Friends”, y jamás podré decir que no fuiste ambas cosas: apestosa y amiga. Y tampoco se te podía aplicar la teoría de las siete vidas, porque la señora de la guadaña ha sido tantas veces engañada por ti que ya ni siquiera te hacía caso. Al final tuvimos que ser nosotros quienes le recordáramos que cumpliera con su trabajo, para que siguieras teniendo en nuestra memoria esa agilidad felina, con habilidades ninja, capaz de cazar moscas en pleno vuelo (tuyo, no de las moscas).
Y lo más importante: has sido la mejor amiga que nuestros hijos han podido tener, y por eso les ha costado tanto (especialmente a X.) despedirse de ti. Llevas una semana muerta y todavía, cuando entro en casa, tengo cuidado de no pisarte y voy a ver si tu rinconcito está limpio. Es normal: somos cabezones y animales de costumbres. Quizás no te eche de menos como se suele echar de menos la leal amistad canina (lo sabías bien, por más perruno que fuera tu gen siamés). Pero me da la sensación de que, si existe un lugar para las almas de los animales, la tuya estará por allí haciéndose notar con una energía única e irrepetible. Porque, siendo sinceros, nunca fuiste un animal discreto.
Gracias, Phoebe. Estés donde estés, vas a formar siempre parte de nuestra familia. (Y, no te olvides, si sigues maullando por la noche, siempre habrá alguien, como yo, que te ofenda y te llame de todo. Pero, en el fondo, tú sabes que te quería).

15/III/2026 Vinte anos não são nada ou são muito tempo? Pergunto-me muitas vezes e, consoante o dia, a resposta muda. Tal como a tua “irmã” (com quem nunca te deste bem), também tinhas vinte anos. Talvez seja muito tempo no vosso caso, no nosso, talvez não. Reconheço que, nos últimos tempos, a nossa relação já não era a mesma dos primeiros anos. A nossa cumplicidade foi-se afastando por causa desse miar nocturno que não ajuda quem vislumbra o perigo da insónia crónica e dos demónios que a mesma liberta (é verdade: os meus são muito mal-educados e vêm sempre munidos de muitos palavrões). Outras coisas também começaram a afastar os nossos mundos, nos quais ambos nos reconhecemos um bocado chatos, mas com vontade de manter o bom ambiente necessário entre espécies.
Não é por acaso que te chamavas como aquela que cantava “Smelly Cat” nos “Friends”, e nunca poderei dizer que não foste ambas as coisas: malcheirosa e amiga. E tão-pouco se te podia aplicar a teoria das sete vidas, porque a senhora da gadanha foi tantas vezes enganada por ti que já nem sequer te ligava. No fim, tivemos de ser nós a lembrá-la de fazer o seu trabalho, para que continuasses a ter, na nossa memória, essa agilidade felina, com habilidades de ninja, capaz de caçar moscas em pleno voo (teu, não das moscas).
E o mais importante: foste a melhor amiga que os nossos filhos puderam ter, e por isso lhes custou tanto (sobretudo ao X.) despedirem-se de ti. Estás morta há uma semana e, ainda hoje, quando entro em casa, tenho cuidado para não te pisar e vou ver se o teu cantinho está limpo. É normal, somos teimosos e animais de hábitos. Talvez não sinta a tua falta como se sente a falta da leal amizade canina (tu sabias bem disso, por mais canino que fosse o teu gene siamês). Mas tenho a sensação de que, se existir um lugar para as almas dos animais, a tua andará por lá a fazer-se notar com uma energia única e irrepetível. Porque, sejamos sinceros, nunca foste um animal discreto.
Obrigado, Phoebe. Estejas onde estiveres, vais fazer sempre parte da nossa família. (E não te esqueças: se continuares a miar durante a noite, haverá sempre alguém, como eu, que te ofenda e te chame de tudo. Mas, no fundo, tu sabes que até gostava muito de ti.)

domingo, março 15, 2026

"El Zen y montar en bicicleta" - Luis Leal (in "Shibumi"

Aquí tenéis esta crónica-ensayo ("El Zen y montar en bicicleta"), que ya existía en portugués y que ahora se comparte en español gracias a las páginas de la revista Shibumi, bajo la excelsa dirección de Pedro Martín González y de Juanma Zarzo, responsable del tratamiento artístico de la misma.

Aqui têm esta crónica-ensaio ("O Zen e Andar de Bicicleta"), que já existia em português e que agora se partilha em espanhol graças às páginas da revista Shibumi, sob a excelsa direção de Pedro Martín González e de Juanma Zarzo, responsável pelo tratamento artístico da mesma.






sexta-feira, março 13, 2026

quarta-feira, março 11, 2026

sábado, março 07, 2026

Não é difícil imaginar...

7/III/2026: Não é difícil imaginar que se o monge poeta Ryōkan tivesse estado connosco hoje n'aCourela, talvez lhe tivesse ocorrido este haiku:

"Quando florescem,
já sabemos que cairão:
amendoeiras."

Ryōkan, tal como Bashô, Tolentino Mendonça e Joaquín Bohórquez Sánchez, físicamente não esteve, mas esteve nas páginas vividas por todos os que dedicaram o seu tempo ao Zazen "com a Primavera no horizonte". 

Finda a jornada, ecoa o brincar das crianças, o alimento partilhado, a companhia canina, o diálogo fructífero e a atenção voluntária através do silêncio. "Gassho"


7/III/2026: No es difícil imaginar que, si el monje poeta Ryōkan hubiera estado hoy con nosotros en aCourela, quizá se le habría ocurrido este haiku:

"Cuando florecen,
ya sabemos que caerán:
almendros".

Ryōkan, al igual que Bashō, Tolentino Mendonça y Joaquín Bohórquez Sánchez, físicamente no estuvo, pero estuvo en las páginas vividas por todos los que dedicaron su tiempo al Zazen, "con la primavera en el horizonte".

Terminada la jornada, resuenan el juego de los niños, el alimento compartido, la compañía canina, el diálogo fructífero y la atención voluntaria a través del silencio. "Gassho".

(Fotos de Alex Gaspar - Dojo Via Autêntica - e d'aCourela do Alentejo)