quarta-feira, janeiro 30, 2013

Impresiones


Ayer hubo temporal: el aire azotaba con fiereza los cristales del Taller de Electricidad en el instituto y la lluvia trazaba arabescos en su caída de relámpago contra las piedras del patio. En un impás de silencio, una pausa, un sí es no es: las gotas de agua rodaban lentas, formando cúmulos efímeros para caer entre las rendijas de una alcantarilla; y al golpear en el fondo generaban un eco, un suave compás, una hermosa armonía que ya se perdió para siempre.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

As sardinhas há uma década... (Crastos, 2003)


Finados Santo António e São João, julho e agosto, trazem consigo peregrinações a santuários de sardinhas (mesmo que alguns digam que fora da época devida para tal entranhável romaria de odor digital). A minha família nunca foi excepção. Apesar de tarde me ter dado conta que este peixe gregário, até no derradeiro final em cima de uma fatia pão húmida (uma espécie de caixão de centeio a céu aberto para uma incineradora digestiva), é um dos meus pequenos prazeres, que na realidade talvez não seja assim tão pequeno...
Sempre pude sentir este cheiro sazonal banhado de mar, mesmo nascido  num sequeiro relativo à sombra de uma azinheira, a escassos 20 km da científica Azaruja. Também eu plantaria sardinhas só para ter o mar para mim e para os meus... podem ter a certeza!
O braseiro improvisado numa jante da sucata serve. As brasas de carvão não se confundem com "barbecues" americanados. Apenas somos nós a esfumarmo-nos dos e para os elementos, levando connosco um pouco mais de sal.
Estas foram as sardinhas de há uma década. E por aqui continuarão, à espera que vá buscar a jante improvisada, escondida entre as estações, e, de repente, traga comigo o verão... já o verão.

domingo, janeiro 20, 2013

Mapas de outrora

Geografia de Portugal, de Amorim Girão, Portucalense Editora, Porto, 1960


Ó Luís, lembras-te deste mapa? As palavras que o acompanhavam no livro de Amorim Girão eram estas:

"A nossa Fig. 208 mostra como Portugal estaria para a Europa, se à superfície da Metrópole acrescentássemos a das Ilhas Adjacentes e Províncias Ultramarinas. E as vantagens de ordem geográfica que nos apresenta no seu conjunto o Ultramar Português não resultam apenas da sua distribuição e extensão: resultam ainda da diversidade de condições de solo e clima das partes que o constituem, bem susceptíveis de formar um todo económico, como formam um todo político."


Agora encontrei por acaso este outro mapa no blogue Arpose:




Fiat 127 (na série "E Depois do Adeus" na RTP1), in Revista "Visão" nº1037

Um clássico popular a contextualizar uma época histórica marcante da sociedade portuguesa. Os "retornados" que retornam a um país que muitos nem conheciam.
De uma África ex-colonial à metrópole de outrora, a uma pátria que só existia no papel.
Tenho muita curiosidade para ver esta série...

terça-feira, janeiro 15, 2013

Gamasutra - Mia Couto


"Gamasutra , a infinita arte do gamanço"

 O Kamasutra não seria a prenda mais apropriada para a presente quadra. Nem sequer seria oferta original. Se é para dar um presente que seja algo que fale do gosto de nos darmos, da identidade de quem dá. Por isso, este Natal vou dar um livro que traduza a nossa originalidade e que, sendo publicação recente, cedo rivalizará com o célebre livro sobre os prazeres do amor. A longa lista de tentadoras posições sexuais do Kamasutra cedo ficará esquecida perante o rasgão criativo desta outra obra. Falo, é claro, do “Gamasutra, a infinita arte do gamanço”. Um manual ilustrado sobre a roubalheira como modo de viver. Começo deste modo, fazendo paródia junto à fronteira do solene e do sagrado. Não o faço gratuitamente. Tenho uma intenção. Entenderão ao lerem, se assim tiverem paciência. O melhor do Natal é a festa, a família, a sugestão de um mundo solidário. O tempo do verbo terá que ser, no entanto, alterado: o melhor do Natal já foi o Natal. Porque uma descarada subversão do espírito natalício foi convertendo em mercadoria e comércio aquilo que parecia ser generosidade pura e simples: darmo-nos nós, como somos, e tornarmo-nos mais próximos dos outros. Se ressuscitasse hoje, Cristo não teria que abordar apenas os vendilhões de um templo. O mundo inteiro é um bazar onde tudo se compra e se vende. Incluindo o chamado espírito natalício. Rectifico o início desta crónica: o melhor do Natal é o espírito do Natal. Esse espírito não resiste à manipulação oportunista que a imagem de um simpático mas estafado Pai Natal, vestido com as cores da Coca Cola, apenas confirma a lógica de lucro a que nem os mitos escaparam. Um dos piores tormentos dos novos tempos de Natal são as mensagens feitas a metro. Por via de email, de telefone celular, as mensagenzinhas entopem as caixas de correio e obrigam-nos a um exercício penoso de as apagar às dúzias. Corro o risco de ser ingrato. Mas eu peço aos meus amigos: não me enviem mensagens natalícias. Mandem-mas ao longo do ano, sobretudo, mandem-nas sem necessidade de data especial, com a originalidade e a graça que a verdadeira amizade requerem. A obrigação de trocar mensagens com amigos é algo de nobre. Mas também aqui aconteceu a banalização. Fórmulas repetidas, clichés sem gosto, fizeram da humana troca de emoções aquilo que os maus políticos fizeram ao discurso oficial: um desfile de frases feitas, em construção previsível, vazio de ideias, incapaz de comunicar ou de comover o mais ingénuo dos cidadãos.
Pediram-me há dias, num programa de televisão, que formulasse um desejo para o nosso país. A dificuldade primeira é escolher um único desejo quando os votos que trazemos são sempre múltiplos. Sentado ante a câmara de filmar demorei um tempo, navegando entre brumas e luzes. Acabei escolhendo uma meia fórmula, optei pelo seguro. Fiz mal. Porque o que mais queria ter formulado era uma espécie de anti-voto. Ou seja, eu devia ter falado daquilo que eu não queria que acontecesse. Seria o meu voto pela negativa. Disse o que todos dizemos: que o ano próximo seja um momento de construção de riqueza. Mas de riqueza nacional. E não de uns poucos. A miséria é, infelizmente, fértil nesse paradoxo: em vez de produzirmos riqueza, produzimos ricos. Antes fossem ricos. Porque são apenas endinheirados. E endinheirados que não produzem. Faço aqui, pois, o voto pela via da negação: o que eu mais queria que deixássemos de ser. E escolho: que virássemos costas ao roubo. Já não falo da prática generalizada que tomou conta das colunas dos jornais. Não falo apenas desse roubo que se estende dos medicamentos, aos cabos de fibra óptica, dos passaportes ao carris de comboio, das condutas de combustível a painéis solares para fontes de água. Não falo só do furto que causa milhões de dólares de prejuízo a companhias de electricidade, telefone e águas. E que nos torna mais pobres a todos nós. Não falo sequer desse outro espantoso roubo que faz com que, na berma das estradas, se comece por roubar os pertences dos sinistrados em lugar de lhes prestar socorro. Falo de outra roubalheira que se infiltrou no tutano do nosso corpo enquanto nação: a ideia que roubar é legítimo por causa da pobreza. Ou por causa da escassez de tempo que o político tem por mandato. Ou por causa de qualquer outra razão.
Falo de outros níveis de roubo: o roubo da esperança pelos políticos, o roubo da propriedade pública pelo gestor, o roubo da História e da memória por aqueles que se acham a geração de estreia nacional. Falo dessa roubalheira que é a corrupção, lenta hemorragia que nos pede insidiosa habituação. Falo do roubo do pensamento crítico por aqueles que fazem uso da ameaça velada, da censura subtil ou da arrogância e desprezo pelo debate aberto. Numa palavra, o roubo no nosso país já não é um simples somatório de casos policiais, uma onda crescente que se destaca de um mar são. O furto tornou-se numa cultura, num sistema. Tornou-se regra. Somos hoje um país em permanente assalto a si mesmo.
E nenhuma nação, por mais bem que esteja no caminho do progresso, pode conviver com uma doença assim.

Mia Couto,    in "Sábado, 01 Janeiro 2011"

No Blogue WebClub da Wind

domingo, janeiro 13, 2013

These are the hands that prepares the future


A new beginning has come.
We have to prepare it
with our own empty hands...

La preparación del Mochi en el Kagami Biraki del Kenshinkan Dojo

Fue con mucho placer que hemos podido presenciar el "Kagami Biraki" del Dojo Kenshinkan en Badajoz este domingo.
Que sea un año fantástico para todos y para el Dojo en especial.
Muchas gracias Pedro por la invitación y a todos con los que hemos compartido este momento único.
Santi no se acordará, pero aquí quedará constancia que ha ayudado en la elaboración del "Mochi" junto a la ilusión de otros niños, o mejor, pequeños budokas.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Just a piece of forgotten wood. Ready to burn.


A dry dead spider died.














A dry dead spider died.
Doomed, trying to enter
The door of no perception.  

Comercios del Barrio

Que bolsa más original.
Me gusta. "I like it!"

Como diria o Eça...


Como diria o Eça, estavas “fumando um longo e pensativo cigarro”.
Esperarias o comboio? Antes vi a chama do isqueiro a aquecer-te a palma da mão solitária. Também tinha, tenho as mão frias. Talvez as aquecêssemos com dois dedos de conversa silenciosa.

O Anjo de Ferro e a Senhora das Castanhas (Braga)


Fumega o início do inverno. É recém-nascido, tu não.
No alto, um anjo pesado vigia-te
com a austeridade do metal
das suas asas impregnadas
do cheiro a castanha assada.

De mão dada por Braga…


No final de Dezembro, rumámos até ao norte de Portugal, a Braga e a Vila Verde (onde visitámos os nossos amigos António e Júlia). Por terras "bracarenses", passeámos e tomámos um excelente, mas “birrento”, pequeno-almoço. Finalmente, tudo acalmou com “chão”, de mão dada, a descer uma bela rua… perguntavas constantemente: "Ques esto?".