sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Pequenina - Antero


Depois desse Palácio da Ventura, um Antero mais intimo para estes Senderos...

Pequenina

Eu bem sei que te chamam pequenina
E ténue como o véu solto na dança,
Que és no juizo apenas a criança,
Pouco mais, nos vestidos, que a menina...

Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina...

Mas, filha, lá nos montes onde andei,
Tanto me enchi de angústia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,

Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E súbditos, criança, em teus bonecos!


quinta-feira, fevereiro 24, 2011

La dieta Okinawa, ¡el régimen para durar!

Okinawa es una pequeña isla del archipiélago japonés, reputada por la longevidad de sus habitantes. La esperanza de vida es de 82 años, tanto en los hombres como en las mujeres y el número de centenarios es de 54 por cada 100000 habitantes, lo que significa que el 15 por ciento de todos los centenarios del mundo ¡viven es esta isla! Pero lo más importante es que envejecen en plena forma.

Puntos clave de la dieta Okinawa

¿Cuál es el secreto de esta longevidad? Según Jean-Paul Curtay, autor de un libro sobre Okinawa, podemos distinguir varios factores que podrían explicar esta salud excepcional:
  • La cantidad: no es necesario comer hasta llenarse. La gente de Okinawa deja de comer cuando se ha saciado en un 80 por ciento. La idea es no sentirse pesado al levantarse de la mesa.
  • Las verduras: éstas representan el 70 por ciento de la alimentación. El resto la compone el pescado. Además, se consume soja en todas las comidas, cinco tipos de verduras por día, arroz, té y especias. En cambio, las frutas son un producto de lujo y apenas se consumen.
  • Más pescado que carne: además de aprovechar las virtudes del pescado, esta dieta busca limitar los aportes elevados de hierro, que aumentan el riesgo de oxidación.
  • Movimiento: los habitantes de Okinawa caminan mucho y trabajan hasta que son muy mayores. Hacen Tai Chi Chuan, juegan al croquet… ¡Aquí se inventó el karate!
  • Serenidad: la población de la isla se toma el tiempo para descansar, y una vez a la semana van a la playa sólo para agradecerle a la vida el seguir viviendo. Para Curtay es importante “saber parar” porque nuestra sociedad nos sobreestimula. Pero ¿cómo hacer una pausa? “Antes de comer podemos parar y respirar profundamente para sentir nuestro cuerpo. Así abordaremos el almuerzo o la cena sin estrés y evitaremos llenarnos”, propone el experto.
  • La vida comunitaria: los habitantes de Okinawa están rodeados de gente. No sólo se implican en la vida del pueblo sino que pertenecen a clubes de barrio donde todos muestran su solidaridad.

Precauciones

Como todas las dietas, la de Okinawa no es perfecta y debe adaptarse a cada uno, puesto que no hay régimen que sea conveniente para todo el mundo. Así, el hecho de reducir las carnes rojas, aunque suele ser beneficioso para la mayoría de las personas, puede producir carencias en las mujeres embarazadas o en aquellas cuyas reglas son muy abundantes.
Hay que recordar igualmente que el régimen de Okinawa no contiene productos lácteos y para evitar las carencias deberían consumirse productos enriquecidos con calcio.
En cualquier caso, no te pases a la dieta Okinawa de la noche a la mañana; es mejor que introduzcas los cambios poco a poco.

A. Sousa

terça-feira, fevereiro 22, 2011

O Palácio da Ventura - Antero de Quental

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

Antero de Quental

"A Boa Vida Segundo Hemingway"

Sempre me senti atraído pela personalidade deste escritor americano e acho, quanto mais velho o tempo me faz, cada vez me identifico mais com a sua forma de ver o mundo peculiar e politicamente incorrecta.
Hotchner foi um grande amigo de Hemingway e pôs em livro alguns dos seus pontos de vistas, frases polémicas, pensamentos e mesmo aforismos. Este livro figurava esquecido no meio de magotes de papel numa feira do livro de um hipermercado de electrodomésticos, um local onde eu nunca imaginaria encontrar algo deste Nobel, mas eis a ironia das casualidades...

"O mundo é um local fantástico pelo qual vale a pena lutar, e eu detesto ter de o deixar" (curioso tendo em conta a morte do escritor...).

"O meu objectivo é colocar no papel o que vejo e o que sinto da forma mais simples e melhor". (E quem disse que não há complexidade na simplicidade?).

Oh, Hemingway! Pode ser que um dia destes nos encontremos e possamos ir à caça juntos!

domingo, fevereiro 20, 2011

"Up in the air"



E se a nossa existência coubesse numa mochila? Quantas vezes já sentimos (senti) isso? 
Gostei particularmente deste filme por isso, pela reflexao nómada de quem é de um sítio, sendo na realidade de muitos.
As imagens da elegância vazia das solitárias malas de viagem ilustram bem o que referi. 
Bom filme, bom momento e boa companhia caseira!
Have a nice weekend!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Franklin

Obrigado ao Pedro Luis e para o meu amigo Luís Neves (que sei que gostará)

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu, depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.


Poema: José Luis Peixoto

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Desenrascado

Foi o meu avô, o “Ti João” para os amigos, que me introduziu na dependência alentejana das navalhas. Esta é a sua, que guardo religiosamente.
Usar navalha, verdade que é um canivete suíço e não a negra e oxidada lâmina tradicional, faz-me sentir “desenrascado” (talvez a palavra que mais gosto da língua portuguesa), quem sabe, até mesmo, um espírito à “la MacGuyver” que, com uma “naifa”, fita isoladora, uns elásticos e uns clips, livrava o mundo de terroristas e malfeitores.
Na realidade, isto não passa de uma divagação solitária, fora de horas, que me fez lembrar que já que tens a montanha no teu caminho e não a podes escalar, aprende a contorná-la…
Boa noite.  

Desafiamos a gravidade do porvir
















(Texto escrito a propósito da importância do "toque" nos primeiros meses de existência do Bebé, a pedido de uma pessoa muito querida...)

Desafiamos a gravidade do porvir,
Nas palmas firmes das minhas mãos.
Serenamente sinto o passado, num futuro que meu não será
Mas no qual ecoará o timbre do meu existir.

Há palavras que teimam rebentar dum grito inato
Vindo ao mundo leve de carga, cristalino, intacto…
Que a tacto percorre e aprende as minhas cicatrizes,
Como se de um mapa se tratasse…

O instinto agarra forte o meu dedo,
Nada lhe indica. Apenas me responsabiliza.
A agulha de uma bússola orienta
Para o norte magnético de um amparo apenas …
Sussurra-me ao ouvido o azimute do cúmplice
Olhar do destino que, no plural, me interceptou …

E assim,
Num peito, feito porto,
Atraco o meu filho às amarras da minha vontade.
Fecho os olhos. Aceito e em silêncio agradeço,
A qualquer Deus que possa existir,
As pequenas coisas que fazem grande esta minha,
Nossa, madrugada
De mãos, alvas,
Dadas ao mundo.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

“Adiós” Ramal de Cáceres

131 anos por esses carris e travessas de história não foram argumento suficiente. O ramal de Cáceres foi suprimido no primeiro e derradeiro dia de Fevereiro. Para trás ficou o eco serrano da indignação popular e autarquias do norte alentejano que pouco, na realidade nada, pôde fazer contra a posição impassível da CP.
                Por este ramal passava o serviço regional, um comboio fundamental para estas localidades da raia, numa velocidade que nada tem a ver com as siglas do TGV, no entanto bastante digna dos locais que percorria até à sua final entrada em território espanhol.
                Este itinerário entra em Espanha através do Parque Natural da Serra de S. Mamede, deixando para trás localidades tão belas como Castelo de Vide e Marvão, servido pela última estação lusa da Beirã, e enclave fronteiriço com a estação espanhola de Valencia de Alcántara.
Como antes referi, os números não foram significativos para a CP, argumentando que a média diária de três passageiros não justificava o serviço. Houvera já há escassos anos um prenúncio da morte desta linha férrea, durante os meses de inactividade para uma suposta melhoria na via, mas será que o património cultural, histórico e humano não poderiam ser uma mais-valia ater em conta? Um argumento a considerar e a potenciar pelos Caminhos de Ferro Portugueses? Utilizando e explorando as característica e especificidades dos vários ramais implementados desde o século XIX em Portugal?
                Claro que não. Se o mesmo aconteceu com a mediática linha do Tua (em pleno Douro, património mundial vinhateiro), como é que o sotaque do norte Alentejo se faria ouvir? Ainda por cima no despovoado distrito de Portalegre?! Sem dúvida é, e será sempre, mais fácil suprimir que correr o risco de solucionar.
                Ao poder central é-lhe efectivamente indiferente o que se passa nesta região. Quer lá saber que por esta ferrovia, durante anos, passaram vidas, negócios e histórias às quais esta indiferença votou, de maneira economicista, a “reles” memória de quem por lá, literalmente, resiste. O prejuízo não está nos cofres da CP, está no descontentamento desta região que acena desde o alto da serra ao país vizinho.
                Tenho a certeza que se o Capitão Salgueiro Maia estivesse entre nós - um homem de princípios e moral, como a história atestou num ideal puro, desinteressado e apolítico da Revolução dos Cravos -, estaria na frente do protesto, no grito da indignação, ao ver a sua região natal e o ramal da sua vida, no qual o seu pai trabalhou, continuando saudoso numa reminiscência ainda viva entre habitantes, ex-funcionários da CP e, mesmo, da RENFE espanhola, caírem no esquecimento de lucros a apresentar em reuniões de conselhos de gerência.
                Será que se tem em conta que por esta linha ainda passa um comboio diário fundamental na acessibilidade ferroviária ibérica? Será que o “Lusitânia Comboio Hotel” também está votado às mesmas medidas? Se já se pondera o mesmo para o “SudExpress”… não seria uma surpresa certamente.
Enfim, utilizando linguagem ferroviária, só o futuro sabe se os nossos decisores continuarão a optar pela bitola mais fácil e comum, a da supressão…