segunda-feira, julho 31, 2006

A importância dos PRIMEIROS SOCORROS (parte 2)!


Já postei um artigo sobre este tema, que, apesar de não parecer pertinente, acredito que é sempre pertinente, quanto mais num espaço plural como este!
Na semana passada, quinta-feira, participei numa actividade na Barragem do Divor dinamizada pela Associação Casa das Artes de Arraiolos. A par das actividades de lazer, típicas de um espaço outdoor, as crianças tiveram acesso a uma demonstração de 1ºsocorros, e o material utilizado, por parte de dois elementos dos Bombeiros Voluntários de Arraiolos, demonstração essa bastante entusiasta e contagiante.
Confesso que tenho algum preconceito relativamente a alguns destes voluntários, devido a uma experiência pessoal que evidenciou a falta de formação de alguns soldados da paz (que iam prestar serviços com os "copos"), mas neste caso fiquei deveras satisfeito e com vontade de divulgar o que se passou na actividade. Estes dois elementos, tal como a sua corporação, estão de parabéns pela forma como encaram esta nobre actividade!
Para eles e para a equipa pedagógica das Associação Casa das Artes um grande bem-haja!

A missão das folhas

Obrigado, Luís, pelo convite. Eu gosto de poesia, e queria deixar neste blogue, para começar, um brevíssimo poema do Ruy Belo, mas tão grande pelo que diz…

A MISSÃO DAS FOLHAS

Naquela tarde quebrada

contra o meu ouvido atento

eu soube que a missão das folhas

é definir o vento.

Mais um amigo...


Vamos fazer o convite ao nosso amigo Pedro! Mais um para os "senderos"...

domingo, julho 30, 2006

Desafio à leitura 2


O meu primeiro post neste Blog foi sobre os amigos e a amizade.
"O Princepezinho" foi-me oferecido há algum tempo, li-o e na altura não me transmitiu nada especial, passados alguns anos voltei a lê-lo e o significado foi completamente diferente e compreendi porque é um dos livros mais vendidos de sempre.
Aqui fica mais um desafio à leitura.

"O princepezinho
... Julgava-me muito rico por ter uma flor única no mundo e, afinal só tenho uma rosa vulgar...
Foi então que apareceu uma raposa .
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o princepezinho...
-Anda brincar comigo - pediu o princepezinho. Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...
Andas á procura de galinhas? (diz a raposa)
Não... Ando á procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
... Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
Laços?
Sim, laços - disse a raposa. - ...
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...
(raposa) Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
... Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo.
O princepesinho lá foi... - vocês não são nada disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês... - não se pode morrer por vocês...
... A minha rosa sozinha. vale mais do que vocês todas juntar, porque foi a ela que eu reguei, que eu abriguei... Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, ás vezes calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para ao pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - vou-te contar o tal segredo. É muito simples:
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
Antoine De Saint-Exupery "O Princepezinho"

Aos meus AMIGOS.

Memórias


Num destes dias (enquanto o Bernardo dormia), fui revolver uma caixa em que guardo algumas recordações (fotos,revistas,livros,etc) quando dei com uma velha cassete VHS com o filme "TOP GUN".
O "TOP GUN" realizado em 86 com Tom Cruise, foi a minha primeira obsessão cinematográfica. Um filme que rodava em volta de aviões de caça F 14, recentemente abatidos ao activo pelos Estados Unidos da América, fazia vibrar qualquer jovem na altura, tinha uma banda sonora espectacular da qual também tenho o CD e que ainda hoje me acompanha no carro. Músicas como "Danger Zone", "Great Bolls of Fire" ou "Playing With The Boys", foram recordadas não há muito tempo num MP3 a caminho de Fátima com o amigo Luís.
Curiosamente este filme nunca foi uma influência para o meu ingresso na Força Aérea 10 anos depois, mas admito que ainda hoje quando vejo o filme sei de cor todas as falas dos actores, tantas não foram as vezes que o meu velho leitor VHS teve de "ler" aquela fita.

sexta-feira, julho 28, 2006

Bom fim-de-semana...


Gostei bastante desta imagem e apropriei-me dela para o nosso blog... A internet tem destas coisas! acrescento apenas uns versos de outra amante do mar... a nossa Sophia de Mello Breyner...
"O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida."
Inicial, p. 47

quarta-feira, julho 26, 2006

Oi

...

Sou sola de chinelo havaianas
Borracha gasta
Com o dedão do pé esquerdo
Arrastando no asfalto

Sou um daqueles que caminha

A propósito da sugestão do amigo Filipe...


Subscrevo o que o nosso companheiro enunciou no post anterior. Apenas acrescento a capa do filme que nos mostra uma crua e dura realidade brasileira. Uns guetos, tipicamente brasileiros, denominados favelas... impera a segregação e a violência.

terça-feira, julho 25, 2006

Cidade de Deus

Amigo Luis Pinto antes de mais obrigado por tão iluste convite. Sinto-me lisonjeado.
Bom, mas deixemos de parte os elogios, e deixa-me ir um bocadinho ao encontro do que tens postado no teu blog, nomeadamente o cinema (e a musica) uma das minhas imensas paixões. E deixa-me falar de um filme que marcou imenso a minha "carreira" de cinéfilo: a Cidade de Deus.
um retrato fiel, nu e cru da realidade brasileira e do que é a miséria humana de uma das maiores favelas do mundo.
Uma história de coragem e de perseverança de alguém que não quer seguir por aquele caminho, porque é por aí que todos seguem...
Um elenco fantástico ainda que ilustre desconhecido, do qual destaco o não menos ilustre Seu Jorge. No papel de mané Galinha, prova que o talento ou se tem, ou...não se compra! hehe
recomendo vivamente para quem não viu (apesar de ja ter uns anos) e recomento igualmente o cd de Seu Jorge " the Life Aquatic studio Sessions"...

Filipe Pastor

segunda-feira, julho 24, 2006


El Sendero de la Mano Izquierda: Para empezar, y por si acaso, ríete de todo, porque nada importa nada. En El sendero de la mano izquierda, dicta Fernando Sánchez Dragó su primer testamento vital -muy vital-, aunque forzosamente provisional, porque el viaje de su existencia aún no ha terminado. El autor resume su personalísima filosofía -el arte de vivir (y también el de morir)- en ciento ochenta y un preceptos basados en el sentido común, en la cultura y, sobre todo, en la experiencia. Lo que aquí se nos brinda es un código de conducta subversivo, nietzscheano, pagano, más oriental que occidental, transgresor, liberador, heterodoxo y radicalmente opuesto al discurso de la modernidad. Algunos de sus mandamientos no necesitan de explicación alguna; otros van acompañados e ilustrados por sugerentes estampas poéticas, filosóficas y narrativas.
Este foi o livro que inspirou o nome deste blogue! Já cá fazia falta areferência! Conheci-o através da minha família e achei interessante. Gostava de saber mais acerca desta personagem peculiar que o redigiu... Recomendo aos leitores de espírito aberto!

Pessoal do Blog...


Amigos, não sei se ultimamente têm lido o nosso blog? Este trata-se de um projecto plural, de partilha de experiências, pelo menos era essa a ideia destes "vagabundos do Dharma"!
Gostaria que participassem com mais frequência, pois tenho mantido o blog para que não caia no esquecimento. Nem só de política ou de conversa fiada são feitos os diários pessoais da net... não deixem este projecto dissolver-se nos meandros da rede...
Um abraço a todos vós!

Diários de Motocicleta


Os veículos de duas rodas, a par dos todo-o-terreno, para mim, são objectos de carácter e de carisma, incluso o reflexo dos seus donos. Assim era "la Poderosa"...
A figura histórica de Ernesto Guevara, controversa e polémica há mais de meio século, é mostrada neste filme com uma sensibilidade digna de nota. De facto, o mundo muda-nos muito... mas talvez tenhamos mais hipóteses de mudar o mundo do que aquelas que pensamos ter...
Recomendo com prazer e amizade... A história bela de dois jovens a quem ainda não interessava direitas e esquerdas...

125 Azul - Trovante


Foi sem mais nem menos
Que um dia selei a 125 Azul
Foi sem mais nem menos
Que me deu para arrancar
Sem destino nenhum.

Foi sem graça nem pensando
Na desgraça que entrei pelo calor
Sem pendura que a vida já me foi dura
Para insistir na companhia.

O tempo não me diz nada
Nem o homem da portagem
À entrada da auto-estrada
A ponte ficou deserta nem sei mesmo
Se Lisboa não partiu para parte incerta.

Viva o espaço que me fica pela frente
E não me deixa recuar
Sem paredes sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar.


Talvez, um dia me encontre.
Sim, talvez me encontre.


Curiosamente, dou por mim pensando
Onde isto tudo me vai levar
De uma forma ou de outra há-de haver
Uma hora para a vontade de parar

Só que à frente o bailado do calor
Vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara vou sentindo
Desafios que nunca ninguém sentiu.

Entre as dúvidas do que sou
E onde quero chegar
Um ponto preto quebra-me
A solidão no olhar.

Será que existe em mim
Um passaporte para sonhar
E a fúria de viver
É a mesma fúria de acabar.

Foi sem mais nem menos
Que selei a 125 Azul
Foi sem mais nem menos
Que partiu sem destino nenhum

Foi com esperança
Sem ligar muita importância
Aquilo que a vida quer
Foi com força acabar por se encontrar
Naquilo que ninguém quer.


Mas Deus leva os que quer
Só Deus tem os que ama.

On the Road



Kerouac acompanha-me há já alguns anos. Ao ler "On the Road" desperta em mim uma vontade extrema de agarrar numa "125 azul" e partir sem destino nenhum. Kerouac é o derradeiro argonauta... que me relembra "Navegar é preciso, viver não é preciso".
A escrita de Kerouac é simples. Linear, directa, sem demasiados floreados. No entanto, nesta simplicidade, neste estilo directo, existe a vibração intensa dos viagens pela América, de costa a costa, dos bares do jazz e do bop, de toda a turbulência intelectual que viria a culminar nos anos de ouro da chamada Beat Generation. Se nomes como Allen Ginsberg ou William Burroughs aparecem como referências incontornáveis deste movimento, a verdade é que o nome de Kerouac é o maior de todos, e "On the Road / Pela EstradaFora" o livro emblemático de toda essa geração.
Franco-americano, Jack Kerouac nasceu como Jean-Louis Lebris de Kerouac, no dia 12 de Março de 1922, em Lowell, no Massachussets, filho de emigrantes franco-canadianos, não tendo falado inglês até aos seis anos de idade.
Na sua juventude, foi um promissor atleta de futebol americano, tendo, por via desse facto, ganho uma bolsa de estudo para a Universidade de Columbia. Porém, após uma grave lesão e um desentendimento com o seu treinador, abandona o futebol e a universidade, regressando à sua terra-natal. Aí chegado, durante alguns meses, Kerouac torna-se repórter desportivo no jornal Lowell Sun. Chegando à conclusão que não é isso o que quer fazer da sua vida, parte para Washington DC e depois para Boston onde, durante alguns meses, sobrevive graças a vários trabalhos ocasionais.
Com a entrada dos EUA na Segunda guerra Mundial, Kerouac alista-se na Marinha, passando à reserva, poucos meses depois, com base em motivos psiquiátricos. Kerouac foi considerado mentalmente inapto pela dificuldade que revelava em se submeter à autoridade dos seus superiores militares.
De regresso ao seu país, Kerouac conhece Ginsberg, Burroghs e Neil Cassady (retratado como Dean Moriarty em "On The Road / Pela Estrada Fora"). Este círculo de amigos viria, mais tarde, a formar o núcleo duro da chamada geração beat.
Em 1944, casa-se com Eddie Parker, separando-se poucos meses depois.
É em 1949 que efectua, na companhia de Neil Cassady e da ex-mulher deste, Luanne, uma viagem desde a Costa Leste americana até San Francisco, Califórnia, viagem esta que se viria a revelar a força motriz de "On The Road / Pela Estrada Fora". Durante a década seguinte, Kerouac viajaria vezes conta pelos EUA e méxico, ora na companhia de Cassady, ora sozinho, à boleia.
Em 1950, casa-se com Joan Haverty, com quem tem uma filha, tendo, porém, uma vez mais, se separado após apenas alguns meses de vida em comum.
"On the Road / Pela Estrada Fora" foi escrito em 1951, em apenas três semanas, sob o efeito de benzedrina. No entanto, só seria publicado em 1957. Aquando da sua publicação, este livro torna-se, imediatamente, um sucesso editorial espantoso. Aos 35 anos de idade, Kerouac conhece a fama e, subitamente, vê-se no papel de porta-voz de uma geração. Kerouac não se dá bem com essa fama nem com esse papel, uma vez que o mesmo, muitas vezes, o torna no representante máximo de muitos comportamentos que nada lhe dizem. Subitamente, compreende o vazio da fama, compreende que essa geração que o elevou a seu estandarte máximo, nada sabe dele e, provavelmente, retira dos seus livros leituras demasiadamente superficiais.
Tenta afastar-se desse papel, ao mesmo tempo que se torna alcoólico. Em 1961muda-se para Big Sur, na Califórnia, onde escreve um romance intitulado, precisamente, "Big Sur". Trata-se de uma obra autobiográfica em que é bem patente o estado de degradação emocional e intelectual que o álcool, já nessa altura, provoca nele. Casa uma última vez, em 1966, com a sua amiga de infância, Stella Sampas.
No dia 20 de Outubro de 1969, aos 47 anos de idade, Jack Kerouac morre em consequência de uma hemorragia interna, provocada por uma cirrose hepática.
Na história da literatura, deixa uma obra de importância inquestionável, de onde se destaca, naturalmente, "On the Road / Pela Estrada Fora". Este livro, relatando várias viagens através dos EUA e México, acaba por ser um manifesto de uma forma de viver intensa, vibrante, contagiante. Como se, apenas pela voz de Kerouac, a América tivesse descoberto que muita da sua identidade cultural múltipla, diversa, vive, precisamente, pelas suas estradas fora...

domingo, julho 16, 2006

"World Press Photo"


Esta foto foi a grande vencedora do grande prémio de fotografia mundial "World Press Photo". A foto ilustra um pouco da sensibilidade que ocorre no continente africano. Não quero aqui fazer demagogia enunciando que são uns coitadinhos, mas, neste continente esquecido e negro de tristeza, morre uma criança de 30 em 30 minutos. Um pouco de reflexão sobre o que se passa no Sudão, em especial no Darfour, dá-nos mais um pouco de alegria na vida em que temos. Queixamo-nos por tudo e por nada, mas aquelas crianças, em que o simples copo de leite é quase uma utopia, fazem-nos pensar que realmente nem sabemos a sorte que temos.

Palavras de Sabedoria e Verdade