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sexta-feira, outubro 09, 2026

segunda-feira, junho 08, 2026

sábado, setembro 20, 2025

terça-feira, julho 08, 2025

Shiko

 



O ilustrador Shiko nasceu em João Pessoa, capital do estado brasileiro da Paraíba.



sexta-feira, junho 27, 2025

terça-feira, maio 20, 2025

Manuel Bandeira - Poema tirado de uma notícia de jornal




POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Manuel Bandeira


Libertinagem (1930)





sexta-feira, fevereiro 07, 2025

Música de Dilermando Reis

 



Matthew Marshall interpreta a peça Alma apaixonada, do violonista e compositor brasileiro Dilermando Reis (1916 - 1977)


terça-feira, dezembro 10, 2024

De uma entrevista dada por Clarice Lispector



[De uma entrevista dada por Clarice Lispector à Marisa Raja Gabaglia] 


-Você tem paz, Clarice?

-Nem pai nem mãe.

-Eu disse “paz”.

-Que estranho, pensei que tivesse dito “pais”. Estava pensando em minha mãe alguns segundos antes. Pensei - mamãe - e então não ouvi mais nada. Paz? Quem é que tem?



(Fonte: Pensador)



terça-feira, novembro 12, 2024

Manoel de Barros - Olhos parados




OLHOS PARADOS

Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.
Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.
Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.
Lembrar que estão longe e ter saudades deles…
Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.
Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.
Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.
Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.
Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.
Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.
Saber que a gente tem amigos de fato!
Tirar uma folha de árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto…
Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas.
Gostar de estar ali caminhando. Gostar de estar assim esquecido.
Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.

Manoel de Barros



(Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 — Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014)


quinta-feira, julho 18, 2024

terça-feira, julho 09, 2024

Vinicius de Moraes - Balada das meninas de bicicleta

  


BALADA DAS MENINAS DE BICICLETA 

Meninas de bicicleta 
Que fagueiras pedalais 
Quero ser vosso poeta! 
Ó transitórias estátuas 
Esfuziantes de azul 
Louras com peles mulatas 
Princesas da zona sul: 
As vossas jovens figuras 
Retesadas nos selins 
Me prendem, com serem puras 
Em redondilhas afins. 
Que lindas são vossas quilhas 
Quando as praias abordais! 
E as nervosas panturrilhas 
Na rotação dos pedais: 
Que douradas maravilhas! 
Bicicletai, meninada 
Aos ventos do Arpoador 
Solta a flâmula agitada 
Das cabeleiras em flor 
Uma correndo à gandaia 
Outra com jeito de séria 
Mostrando as pernas sem saia 
Feitas da mesma matéria. 
Permanecei! vós que sois 
O que o mundo não tem mais 
Juventude de maiôs 
Sobre máquinas da paz 
Enxames de namoradas 
Ao sol de Copacabana 
Centauresas transpiradas 
Que o leque do mar abana! 
A vós o canto que inflama 
Os meus trint'anos, meninas 
Velozes massas em chama 
Explodindo em vitaminas. 
Bem haja a vossa saúde 
À humanidade inquieta 
Vós cuja ardente virtude 
Preservais muito amiúde 
Com um selim de bicicleta 
Vós que levais tantas raças 
Nos corpos firmes e crus: 
Meninas, soltai as alças 
Bicicletai seios nus! 
No vosso rastro persiste 
O mesmo eterno poeta 
Um poeta - essa coisa triste 
Escravizada à beleza 
Que em vosso rastro persiste, 
Levando a sua tristeza 
No quadro da bicicleta.


                     Rio de Janeiro, 1946

Vinicius de Moraes 



(Fotografia de Christian Roland no Brasil)

sábado, novembro 18, 2023

Adélia Prado - Poema falado

Fotografia de Luísa Macedo


POEMA FALADO

O amor me fere é debaixo do braço
de um vão entre as costelas.
Atinge o meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco, macero ele.
Faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida.

Adélia Prado



terça-feira, abril 04, 2023

Casimiro de Abreu - Meus oito anos




MEUS OITO ANOS 

Oh! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias de minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu

(1837 - 1860)



(Fotografia de Xavier Donat  em Baía Formosa, Rio Grande do Norte, Brasil)