segunda-feira, outubro 19, 2026

"General Truth" - "Verdad(e) Ge(ne)ral"

19/X/2026: Ouço alguém mencionar o conceito de "uma verdade geral" e penso de imediato: "Qual será a verdade específica desta alma?". Agora, ao recordar o que ouvi, a verdade é que só a encontramos quando nos deixamos de mentiras gerais e aceitamos a especificidade da mentira... Que seja, pelo menos, piedosa, como quando eu falo comigo mesmo e digo: "Tu não és nada parvo...".

19/X/2026: Oigo a alguien mencionar el concepto de 'una verdad general" y pienso de inmediato: "¿cuál será la verdad específica de esta alma?'. Ahora, al recordar lo que he oído, la verdad es cuando dejamos atrás las mentiras generales y aceptamos la especificidad de la mentira... Que sea, al menos, piadosa, como cuando yo hablo conmigo mismo: "Tú no eres nada tonto...".



domingo, outubro 18, 2026

Lembro-me bem dele...

17/X/2026: Lembro-me bem dele, simpático, agradável, mas um bocado doente por uma equipa de futebol, algo desculpado pelo fervor adolescente. Há anos que não sabia nada dele, pois, como eu, muita gente saiu do bairro, mas hoje o algoritmo levou-me a encontrá-lo num perfil de uma rede social totalmente radicalizado. Li um bocado para tentar compreender por que razão um ser humano cuja simpatia outrora primava aos olhos reais hoje verte tanto ódio nos meandros digitais. Acho que, na época, me considerava um conhecido a roçar o estatuto de amigo, mas hoje não sei se, pelo facto de acreditar na dignidade de todo o ser humano, me poderá considerar um inimigo e se, por estar de acordo com manifestações pacíficas a favor do pão, trabalho, educação, saúde e habitação, sou um potencial agitador que deve ser reprimido com violência física, particularmente por um Estado com aparelhos institucionalizados de repressão, onde primeiro se agride e depois se pergunta, ou não.

Perfis assim dão-me medo. Tornou-se impossível o diálogo, mas não me vão impedir de questionar o porquê desta impossibilidade e, enquanto a democracia mo permitir, não me vão demover de continuar a lutar pela dignidade que todo o ser humano, até mesmo os que se deixam radicalizar pelo ódio, merece.

16/X/2026: Lo recuerdo bien, simpático, agradable, pero un poco enfermo por un equipo de fútbol, algo disculpable por el fervor adolescente. Hacía años que no sabía nada de él, pues, como yo, mucha gente se marchó del barrio, pero hoy el algoritmo me ha llevado a encontrarlo en un perfil de una red social totalmente radicalizado. He leído un poco para intentar comprender por qué un ser humano cuya simpatía destacaba antaño ante los ojos reales hoy vierte tanto odio en los entresijos digitales. Creo que, por aquel entonces, me consideraba un conocido que rozaba la categoría de amigo, pero hoy no sé si, por el hecho de creer en la dignidad de todo ser humano, podrá considerarme un enemigo y si, porque estoy de acuerdo con las manifestaciones pacíficas a favor del pan, el trabajo, la educación, la sanidad y la vivienda, soy un potencial agitador que debe ser reprimido y silenciado con violencia física, particularmente por un Estado con aparatos institucionalizados de represión, donde primero se agrede y después se pregunta, o no.

Perfiles así me dan miedo. El diálogo se ha vuelto imposible, pero no van a impedirme cuestionar el porqué de esta imposibilidad y, mientras la democracia me lo permita, no van a disuadirme de seguir luchando por la dignidad que todo ser humano, incluso quienes se dejan radicalizar por el odio, merece.


quinta-feira, outubro 15, 2026

"entre 2 t(i)erras" de Luis Leal em Évora

Anteontem, graças à Fundación CB e à Câmara Municipal de Évora, pudemos obsequiar este "entre 2 t(i)erras" no meu território de origem. Tal não seria possível sem o Antonio Sáez e todos os presentes que me ajudam a manter-me Leal a esta cidade e a tentar honrar o que ela significa para mim e para muitos: uma herança de diálogo entre culturas, de tolerância e de sentido de comunidade.
Feita esta última apresentação, e sempre consciente deste meu malabarismo existencial, quero afastar-me desta fronteira e entregar-me aos meus "Trabalhos&Paixões", muitos dos quais acabam por encontrar na literatura o seu lugar.
Anteayer, gracias a la Fundación CB y al Ayuntamiento de Évora, pudimos obsequiar este "entre 2 t(i)erras" en mi tierra de origen. Esto no habría sido posible sin Antonio Sáez y todos los presentes que me ayudan a mantenerme Leal a esta ciudad y a intentar honrar lo que representa para mí y para muchos: una herencia de diálogo entre culturas, de tolerancia y de sentido de comunidad.
Concluida esta última presentación, y siempre consciente de este malabarismo existencial mío, quiero alejarme de esta frontera y entregarme a mis "Trabajos&Pasiones", muchos de los cuales acaban encontrando en la literatura su lugar.

segunda-feira, outubro 12, 2026

12/X/2026: Me da igual de dónde era Cristóbal Colón, la hispanidad o cualquier otra de esas palabras de carácter genérico que terminan en “-dad”

12/X/2026: Me da igual de dónde era Cristóbal Colón, la hispanidad o cualquier otra de esas palabras de carácter genérico que terminan en “-dad”. Si son plurales y no se imponen sobre la dignidad humana, son siempre positivas. No obstante, la hispanidad es una parte fundamental de este librito y de lo que constituye mi existencia. Se celebra siempre que uno “es” en español. El próximo 14 de octubre, una parte de esta hispanidad se comparte, con mucho orgullo, en un ambiente de plena portugalidad. ¡Feliz día!

12/X/2026: Pouco me importa de onde era o Cristóvão Colombo, a hispanidade ou quaisquer outras palavras de carácter genérico terminadas em “-dade”. Se forem plurais e não se impuserem à dignidade humana, serão sempre positivas. Não obstante, a hispanidade é uma parte fundamental deste livrinho e daquilo que constitui a minha existência. Celebra-se sempre que alguém “é” em espanhol. No próximo dia 14 de outubro, uma parte desta hispanidade será partilhada, com muito orgulho, num ambiente de plena portugalidade. Feliz dia!




domingo, outubro 11, 2026

Postureo para la fotografia

10/X/2026: ¿Es postureo para la fotografía? Es, sí señor. Pero el escenario lo exigía. El sol se despedía y este atardecer invitaba a detener este momento deslizante...
(El arte fotográfico es de mi X. que me sigue estimulando a este tipo de movimiento).
10/X/2026: É uma pose para a fotografia? É, sim senhor. Mas o cenário assim o exigia. O sol despedia-se e este pôr do sol convidava a eternizar este instante deslizante.
(A arte fotográfica é do meu X. que continua a estimular-me para este tipo de movimento).

Um serão com Simona Chiusolo

11/X/2026: Criar uma residência artística com os próprios meios e sem apoios externos é um verdadeiro ato de amor à arte e uma das mais belas formas de mecenato que conheço. É esse o caso da nossa amiga (e vizinha) Shermin Voshmgir, que, no seu Labirinto Ecléctico (Varche/Elvas), acolhe e promove a arte em território raiano. É um orgulho e um prazer poder acompanhá-la, no próximo dia 15 de outubro, na apresentação do mais recente trabalho literário da escritora italiana Simona Chiusolo, também ela já parte desta paisagem lírica que não se importa com fronteiras, sejam elas físicas ou de géneros...
Para assistir a este evento, consultem os links disponíveis nos comentários.

11/X/2026: Crear una residencia artística con medios propios y sin apoyos externos es un verdadero acto de amor al arte y una de las formas más hermosas de mecenazgo que conozco. Es el caso de nuestra amiga (y vecina) Shermin Voshmgir, que, en su Labirinto Ecléctico (Varche/Elvas), acoge y promueve el arte en territorio rayano. Es un orgullo y un placer poder acompañarla, el próximo 15 de octubre, en la presentación del más reciente trabajo literario de la escritora italiana Simona Chiusolo, también ella ya parte de este paisaje lírico al que no le importan las fronteras, sean físicas o de géneros... 
Para asistir a este evento, consultad la información disponible en los enlaces de los comentarios.

sexta-feira, outubro 09, 2026

quinta-feira, outubro 08, 2026

Anne Carson

8/10/2026: Hablando con mi amigo Ruy Ventura, que sabe que no conozco a casi nadie que sea muy conocido (y que me pone al día de la actualidad), me doy cuenta de que había leído (y conocía) algo de la nueva Nobel de Literatura, la poeta Anne Carson. Es una buena sorpresa, principalmente porque vuelvo a este "Tipos de agua", comprado en 2020, y veo que lo tengo bastante subrayado y con las puntas de las páginas dobladas (símbolo de que me doblegué ante el talento o la importancia de lo escrito). Es agradable volver a páginas anotadas del pasado que recobran algún sentido en el presente y, en el caso de Anne Carson, también en el porvenir.
8/10/2026: À conversa com o meu amigo Ruy Ventura, que sabe que não conheço quase ninguém que seja muito conhecido (e que me põe a par da actualidade), apercebo-me de que já tinha lido (e conhecia) alguma coisa da nova Nobel da Literatura, a poeta Anne Carson. É uma boa surpresa, principalmente porque volto a este "Tipos de Água", comprado em 2020, e vejo que o tenho bastante sublinhado e com os cantos das páginas dobrados (sinal de que me dobrei perante o talento ou a importância do que estava escrito). É agradável voltar a páginas anotadas do passado que recuperam algum sentido no presente e, no caso de Anne Carson, também no porvir.

quarta-feira, outubro 07, 2026

SGodinho, por Daniel Blaufuks

 


Daniel Blaufuks - SGodinho.  Foto da capa do álbum "Ligação Directa", de 2006



"entre2t(i)erras" de Luis Leal (Évora, 14 de Outubro, 18h, CME)

Esta publicação parece um marca-páginas, mas é apenas um recordatório para marcarem na agenda: dia 14 de outubro, às 18h, encontramo-nos em Évora para a apresentação de "entre2t(i)erras". Falta uma semana. Até lá! Abraços!
Esta publicación parece un marcapáginas, pero es solo un recordatorio para que lo apuntéis en vuestra agenda: el 14 de octubre, a las 18:00 h, nos encontramos en Évora para la presentación de "entre2t(i)erras". Falta una semana. ¡Hasta entonces! ¡Abrazos!

quinta-feira, outubro 01, 2026

Apresentação de "entre2t(i)erras" de Luis Leal em Évora, 14 de Outubro de 2026, 18h

Quando se nasce numa cidade com três culturas, a romana, a árabe e a cristã, talvez seja mais fácil existir entre duas terras, duas línguas... Dia 14 de Outubro, voltarei à cidade onde nasci, a Évora, na excelente companhia do Antonio Sáez Delgado, para partilhar este "entre2t(i)erras" com quem quiser aparecer na Câmara Municipal de Évora, às 18h. Se puderem, será um prazer desfrutar da vossa presença.
Cuando se nace en una ciudad con tres culturas, la romana, la árabe y la cristiana, quizá sea más fácil existir entre dos tierras, dos lenguas... El 14 de octubre volveré a la ciudad donde nací, Évora, en la excelente compañía de Antonio Sáez Delgado, para compartir este "entre2t(i)erras" con quienes quieran acercarse al Ayuntamiento de Évora, a las 18 h. Si podéis, será un placer disfrutar de vuestra presencia.

domingo, setembro 27, 2026

Vitorino - Lindo ramo verde escuro




LINDO RAMO VERDE ESCURO

Estavam dois passarinhos
Cantando ao desafio
Um no tronco empoleirado
O outro nas margens do rio

Lindo ramo verde escuro
Ó casa dos passarinhos
Onde cantam docemente
Poisados nesse raminho

Poisados nesse raminho
Cantam sempre ao ar puro
Ó casa dos passarinhos
Lindo ramo verde escuro

Alentejo dos trigais
Suas vermelhas papoilas
Arrancadas com amor
Por lindas e belas moçoilas




Da época em que...

1/XI/2025: Da época em que o Pinto se usava mais do que o Leal, quando os Alfa, em Évora, eram o meu pequeno "Cinema Paraíso", e o Luis guardava religiosamente todas as entradas num molho de papelinhos amarrotados na gaveta da escrivaninha, reencontrei hoje esta velha bobine que o meu estimado amigo Pacó (de quem há tanto tempo nada sei) me ofereceu, por conhecer o meu fascínio pelo grande ecrã. O metal gasto, o rótulo da Lusomundo, a caligrafia da dedicatória, tudo respira essa época em que o cinema da minha cidade natal era um palco de devoção aos sonhos projetados, com uma luz que ainda vou vislumbrando com profundo amor.
1/XI/2025: De la época en que Pinto se usaba más que Leal, cuando los Alfa, en Évora, eran mi pequeño "Cine Paraíso", y Luis guardaba religiosamente todas las entradas en un manojo de papelitos arrugados en el cajón de su escritorio, reencontré hoy una vieja bobina que mi estimado amigo Pacó (de quien hace tanto tiempo que no sé nada) me regaló, por conocer mi fascinación por la gran pantalla. El metal desgastado, la etiqueta de Lusomundo, la caligrafía de la dedicatoria: todo respira aquella época en que el cine de mi ciudad natal era un escenario de devoción a los sueños proyectados, con una luz que todavía vislumbro con profundo amor.

"entre 2 t(i)erras" para além da fronteira do Caia...

O "entre 2 t(i)erras" passou para o lado português mais além da fronteira do Caia e, depois do Verão, apresentar-se-á em Évora, esse belo lugar que viu nascer o seu Leal autor...
Quando tivermos mais pormenores, é com gosto que serão partilhados. Até lá, este território íntimo, vai chegando, pouco a pouco, a outras "t(i)erras" que têm a amabilidade de recebê-lo...

El "entre 2 t(i)erras" pasó al lado portugués más allá de la frontera del Caia y, después del verano, se presentará en Évora, ese bello lugar que vio nacer a su Leal autor...
Cuando tengamos más detalles, será un placer compartirlos. Hasta entonces, este territorio íntimo va llegando, poco a poco, a otras "t(i)erras" que tienen la amabilidad de recibirlo...

Olho para ele e penso...

27/IX/2026: Olho para ele e penso: "Que teimosia (e lealdade) tem o nosso livre-pensador... É coisa de família."

27/IX/2026: Lo miro y pienso: "Qué cabezonería (y lealtad) tiene nuestro librepensador... Es cosa de familia."

terça-feira, setembro 22, 2026

Jorge Palma (1950-2026)

22/IX/2026: Não quis ir a aplicações nem a formatos digitais, quis tocar o que tivesse à mão e, de quase 100% da sua produção discográfica que tenho, foi este "Com Todo o Respeito" que me veio parar às mãos. Estou a ouvi-lo e sei que continuarei a emocionar-me ao piano de "Só", a visitar "O Bairro do Amor", a ir de "Viagem na Palma da Mão" ou a questionar este e outro Portugal à boa maneira do Palma's Gang...

O Jorge Palma, como o enorme artista que foi, passou pelas nossas vidas, deixando generosamente que muitos se encostassem a ele. Eu fi-lo principalmente nos anos 90, em que a minha banda sonora existencial me dizia tantas vezes, talvez para me reduzir à minha insignificância, "Deixa-me rir, essa história não é tua"... E não era.

(P.S. Ó 2026, se faz favor, por este ano já chega. Não nos leves mais gente que embeleza o mundo... Não te quero fazer sugestões, mas acho que não andas a ouvir o Karma, que te pode aconselhar um bocadinho melhor...)

22/IX/2026: No he querido recurrir a aplicaciones ni a formatos digitales, he querido tocar lo que tuviera a mano y, de casi el 100% de su producción discográfica que tengo, ha sido este "Com Todo o Respeito" el que ha venido a parar a mis manos. Lo estoy escuchando y sé que seguiré emocionándome con el piano de "Só", visitando "O Bairro do Amor', yéndome de "Viagem na Palma da Mão" o cuestionando este y otro Portugal a la buena manera de Palma's Gang...

Jorge Palma, como el enorme artista que fue, pasó por nuestras vidas, dejando generosamente que muchos se arrimasen a él. Yo lo hice principalmente en los años 90, cuando mi banda sonora existencial me decía tantas veces, quizá para reducirme a mi insignificancia: "Deixa-me rir, essa história não é tua"... Y no lo era.

(P. D. Ay, 2026, por favor, por este año ya basta. No te lleves a más gente que embellece el mundo... No quiero hacerte sugerencias, pero creo que no estás escuchando al Karma, que quizá pueda aconsejarte un poquito mejor...)




domingo, setembro 20, 2026

Nunca tinha sido nomeado para um prémio, mas também nunca tinha perdido um prémio.

19/IX/2026: Nunca tinha sido nomeado para um prémio, mas também nunca tinha perdido um prémio. Assim foi como vivi esta Gala dos Prémios Alentejo 2026, bem vestido, ainda melhor acompanhado, sentado, calmo, a ver gente ser nomeada e alguns subirem ao palco para serem laureados. Quando ouvi o meu nome, os meus rins sentiram um pico de adrenalina que rapidamente se dissipou pelo resto do corpo até chegar aos meus pés, bem assentes na terra.
Com mais ou menos literatura, com ou sem prémios, este serão foi de reconhecimento da alma alentejana que tantos partilhamos e que, em alguns casos, incluindo o meu, atinge uma dimensão ibérica, havendo mesmo uns poucos em que esse carácter transatlântico alcança uma grandeza ibero-americana.
Há anos que vejo e participo neste evento de um projeto jornalístico que me dá voz, e penso no seu diretor, António Sancho (uma personagem que, se não existisse, teria de ser inventada), e em como esta pessoa tem tido a capacidade e o poder de convocatória para dignificar o Alentejo de uma maneira que muitos políticos e instituições, com meios para tal, nunca conseguiram e que me parece que jamais conseguirão.
19/IX/2026: Nunca había sido nominado a un premio, pero tampoco nunca había perdido un premio. Así fue como viví esta Gala de los Premios Alentejo 2026, bien vestido, aún mejor acompañado, sentado, tranquilo, viendo cómo nominaban a gente y cómo algunos subían al escenario para ser galardonados. Cuando escuché mi nombre, mis riñones sintieron un pico de adrenalina que rápidamente se disipó por el resto del cuerpo hasta llegar a mis pies, bien asentados en la tierra.
Con más o menos literatura, con o sin premios, esta velada fue un reconocimiento del alma alentejana que tantos compartimos y que, en algunos casos, incluido el mío, alcanza una dimensión ibérica, habiendo incluso unos pocos en los que ese carácter transatlántico adquiere una grandeza iberoamericana.
Hace años que veo y participo en este evento de un proyecto periodístico que me da voz, y pienso en su director, António Sancho (un personaje que, de no existir, habría que inventarlo), y en cómo esta persona ha tenido la capacidad y el poder de convocatoria para dignificar el Alentejo de una manera que muchos políticos e instituciones, contando con medios para ello, nunca han conseguido y que me parece que jamás conseguirán.

quinta-feira, setembro 17, 2026

Entre clássicos

 



Richard Avedon photographed Simon & Garfunkel on March 1, 1967, and the iconic portrait was published in 1968 on the cover of their fourth studio album, Bookends (1968)



sexta-feira, setembro 11, 2026

El enemigo lucha por un Dios equivocado, por la Patria equivocada y por la Familia equivocada...

10/IX/2026: La serie es divertida y un spin-off agradable, aunque distante de la brillantez de la original, pero, aun así, nos brinda diálogos del tipo:
— Mi comandante, pero ¿por qué luchamos en esta guerra?
— Hijo, luchamos por Dios, por la Patria y por la Familia.
— Y, mi comandante, ¿el enemigo por qué lucha?
— El enemigo lucha por un Dios equivocado, por la Patria equivocada y por la Familia equivocada.
(Yo voy luchando para que Dios no me quite la capacidad de sonreír de la cara, para que las patrias se rían de sí mismas y para que las familias no se decanten por un humor fácil en estos tiempos con tan poca gracia.)

10/IX/2026: A série é engraçada e um spin-off agradável, contudo distante do brilhantismo da original, mas, mesmo assim, brinda-nos com diálogos do tipo:
— Meu comandante, mas porque é que lutamos nesta guerra?
— Filho, lutamos por Deus, pela Pátria e pela Família.
— E, meu comandante, o inimigo porque é que luta?
— O inimigo luta por um Deus errado, pela Pátria errada e pela Família errada.
(Eu vou lutando para que Deus não me tire a capacidade de sorrir da cara, para que as pátrias se riam de si mesmas e para que as famílias não se decantem por um humor fácil nestes tempos com tão pouca graça.)

"A Colina d'Courela" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 171, p. 80

A Colina d'Courela

Um mastim espanhol, naturalizado rafeiro alentejano, caminha devagar pelo alto da colina. A sua sombra larga e lobeira acompanha-o neste fim de tarde, quando o sol do Alentejo, cansado de calor, se inclina a poente. Conheceu o abandono quando era apenas um cachorro e, talvez por isso, os seus olhos guardem uma gravidade serena. Com a ferida do desamparo cicatrizada pela sua família adotiva, encontrou na Colina d'Courela a paz que ainda se pode reconhecer no campo.

Da sua matilha destaca-se um elemento sem genes caninos: um burro. Não é um asno qualquer, nasceu em Itália e atravessou, ainda pequeno, a Europa dentro da bagageira de um carro, num périplo digno de um filme de ação, contrabando e comédia. Talvez por isso pareça mais cosmopolita, mais aberto ao humor das coisas, e se ria das voltas do mundo (que deveria, mais do que ele, ter orelhas de burro). Aqui encontrou o seu lugar e uma planície aberta à sua graça filosófica e absurda, que arranca gargalhadas ao seu velho amigo.

A diferença fez com que ambos se tornassem inseparáveis, como se o destino lhes tivesse concedido a missão de olhar o mundo a partir daquele alto, onde o horizonte se estende até Espanha e a timidez das serras e dos rios se mostra alheia a quaisquer fronteiras. Ali conversam entre o ladrar e o zurrar, entendendo-se mais pelos silêncios e pelas pausas. O cão (atento e prudente) e o burro (divertido e observador) formam uma dupla improvável, mas profundamente harmoniosa.

O correr do tempo e a cadência das estações trouxeram outro tipo de silêncio, que parece ensurdecer os humanos. Antes, lembrava-se o rafeiro, ouviam-se vozes a atravessar os campos, vizinhos a chamar uns pelos outros, crianças a inventar jogos nos montes. Agora, parece que o diálogo (mesmo entre quem fala a mesma língua) se extingue lentamente, como o fogo que se apaga sem lenha. O ouvido atento do burro notava que os poucos sons da freguesia já não eram conversas, sim sinais curtos, toques de dedos em aparelhos brilhantes nas mãos dos homens.

A voragem, essa pressa febril e fabril, também quer subir à colina. Veem-se carros cada vez mais velozes e chegam notícias como relâmpagos. Até o vento parece querer imitar essa rapidez, levando consigo, de rajada, palavras mal começadas a dialogar.

“Sabes, os homens nunca foram grande coisa, mas agora acho que ainda estão mais aparvalhados”, disse o burro, coçando-se contra uma azinheira.

O cão abanou as orelhas, afastando de si a afirmação do amigo (e uma mosca chata). Não precisava de responder. Ambos sabiam: a pressa e a distração roubam aos humanos estas colinas mundo fora, onde o espaço é encontro e oportunidade entre o si e o outro.

Cão e burro ainda veem pequenas exceções. Algumas crianças, curiosas por essência, continuam a subir à colina, observam formigas, riem-se com as cócegas de uma borboleta, constroem refúgios secretos no meio do pasto (que já nem repasto é de ovelhas). Mas até mesmo tais criaturas de um Deus benévolo e desconhecido parecem ameaçadas de extinção. Os adultos oferecem-lhes os aparelhos brilhantes, essas caixas de luz e som artificial, que lhes sequestram a imaginação e os sonhos, para os capitalizarem nesses mesmos aparatos. O burro viu uma dessas caixas e ficou intrigado: era como um espelho sem reflexo, a sugar a alma de quem o olhava. Teve receio, mas não chegou a medo. O mastim, que aprendera a confiar apenas no que podia cheirar e tocar, desconfiava ainda mais, aquele brilho roubava o vagar que antes pertencia ao verdadeiro silêncio e ao jogo livre.

Mas a colina, erguida em paciência sedimentada, persiste em esperança e traz outra companhia ao duo de amigos. Um menino de quatro anos, membro da família adotiva do cão, subiu até ao cimo. Não trouxe nenhuma caixa luminosa nem pediu nada. Sentou-se, como de costume, entre o rafeiro e o burro e, com um pauzinho, começou a riscar a terra seca e arenosa. Desenha linhas sem forma, animais circulares, casas imaginárias, talvez algum rio navegável em sonhos. Não fala, apenas sorri enquanto inventa pequenos mundos com um simples gesto.

O cão deitou-se a seu lado, guardando aquele instante apenas com um pensamento: “Estou a ver o meu menino crescer.” Não lhe faltava mais, não necessitava de mais. O burro inclinou a cabeça e soltou um zurro baixo, risonho, como quem se reconhece desajeitado e arredondado  num desenho infantil.

Todos habitam a Colina d'Courela: o rafeiro, o burro e a criança. Todos contemplam algo. O sol desce devagar e a tarde parece prometer qualquer coisa no risco leve de um pauzinho na terra. 




"A Colina d'Courela" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 171, p. 80

O que podem ter em comum um mastim espanhol, naturalizado rafeiro alentejano, um burro italiano e um menino de quatro anos? Talvez um fragmento do tempo que se tornou um pequeno espaço que alguns conhecem como Colina d’Courela… e um dos lugares onde a natureza nos ensina que não precisa de adjetivos. Se puderem, miúdos e graúdos, tinha muito gosto que lessem e partilhassem este lugar que se encontra nas páginas da “Mais Alentejo”. 

¿Qué pueden tener en común un mastín español, naturalizado como “rafeiro alentejano”, un burro italiano y un niño de cuatro años? Tal vez un fragmento del tiempo que se convirtió en un pequeño espacio que algunos conocen como Colina d’Courela… y uno de esos lugares donde la naturaleza nos enseña que no necesita adjetivos. Si podéis, pequeños y mayores, me gustaría mucho que lo leyerais y compartierais este lugar que se encuentra en las páginas de “Mais Alentejo”. 

 

quarta-feira, setembro 02, 2026

Un recorte de prensa... un privilegio de recortes...

2/IX/2026: Es un privilegio tener a un amigo que siempre se acuerda de ti y te recorta un artículo de un periódico o de una revista (y no es que no te mande también una buena sugerencia por WhatsApp o por e-mail). Es un acto de gran aprecio que merece mi total gratitud. Tengo carpetas y libros llenos de recortes con los que D. Pedro L. Cuadrado me obsequia, con la sensibilidad del hermano mayor que no quiere que me despiste, que me desentienda de un mundo que pensamos que se está muriendo, cuyo vaticinio es la extinción, pero que, en realidad, únicamente se está reconfigurando, como es propio del mundo.
Acabo de leer un montón de recortes que tenía atrasados (tengo un lugar favorito para hacerlo que, también gracias a Pedro, me recuerda esa escena mítica de la película "1 franco, 14 pesetas") y me siento muy a gusto, muy bien acompañado en la lectura y en las intenciones. Algunos me encantan, otros no tanto, pero todos me aportan ese placer de leer la prensa física que, a la par de las molestias oftalmológicas de la pantalla, es el mayor acto de resistencia a la inmaterialidad del algoritmo, que no puede monetizar ni controlar tu atención fuera del mundo online.
(¿Cómo va esta red social a promover esta divagación? ¿Los "me gusta" le traerán algún retorno a la casa madre o mis palabras sobre estos recortes y recuerdos se quedarán en el olvido algorítmico?)

2/IX/2026: É um privilégio ter um amigo que se lembra sempre de ti e te recorta um artigo de um jornal ou de uma revista (e não é que não te envie também uma boa sugestão por WhatsApp ou por e-mail). É um ato de grande apreço que merece a minha total gratidão. Tenho pastas e livros cheios de recortes com que o Sr. Pedro L. Cuadrado me presenteia, com a sensibilidade do irmão mais velho que não quer que me distraia, que me desinteresse de um mundo que pensamos estar a morrer, cujo vaticínio é a extinção, mas que, na realidade, apenas se está a reconfigurar, como é próprio do mundo.
Acabo de ler um monte de recortes que tinha atrasados (tenho um lugar favorito para o fazer que, também graças ao Pedro, me recorda aquela cena mítica do filme '1 Franco, 14 Pesetas") e sinto-me muito à vontade, muito bem acompanhado na leitura e nas intenções. Gosto muitíssimo de alguns, outros nem tanto, mas todos me proporcionam esse prazer de ler a imprensa em papel que, a par dos incómodos oftalmológicos do ecrã, é o maior ato de resistência à imaterialidade do algoritmo, que não pode monetizar nem controlar a tua atenção fora do mundo online.
(Como é que esta rede social vai promover esta divagação? Os "gostos" trarão algum retorno à casa-mãe ou as minhas palavras sobre estes recortes e recordações ficarão no esquecimento algorítmico?)

La vulgaridad y la envidia

2/IX/2026: Aya Kōda está considerada una de las mejores, si no la mejor, novelista y ensayista japonesa del siglo XX. Al leer sus palabras traducidas al español, me doy cuenta de su sensibilidad poco común y alejada de lo vulgar, concepto este alejado de cualquier pedantería. ¿Qué es la vulgaridad? Quizás sea algo de largo espectro, de escala benigna hasta niveles dañinos. (Desconozco mi grado de vulgaridad, me parece que hay momentos en que es considerable, no obstante, me doy cuenta de que en otros es difícil de encontrar y me empequeñece).
Kōda asocia la vulgaridad a la envidia, enunciando que "la envidia convive con frecuencia con los corazones vulgares". Es posible, como también es posible que la vulgaridad de uno no dé ninguna importancia a lo que está fuera de sí mismo, sea aún más ignota que envidiosa. ¿Qué será más frecuente: la vulgaridad que envidia o la que ignora todo aquello que queda fuera de sí misma? Lo que me parece cierto es que la vulgaridad convive con tantas cosas... Convive, ese verbo que no me apetece ignorar.
2/IX/2026: Aya Kōda é considerada uma das melhores, senão a melhor, romancista e ensaísta japonesa do século XX. Ao ler as suas palavras traduzidas para espanhol, apercebo-me da sua sensibilidade pouco comum e afastada do vulgar, conceito este afastado de qualquer pedantismo. O que é a vulgaridade? Talvez seja algo de largo espectro, de uma escala benigna até níveis danosos. (Desconheço o meu grau de vulgaridade, parece-me que há momentos em que é considerável, não obstante, dou-me conta de que noutros é difícil de encontrar e isso me empequenece).
Kōda associa a vulgaridade à inveja, enunciando que "a inveja convive frequentemente com os corações vulgares". É possível, como também é possível que a vulgaridade de alguém não dê qualquer importância ao que está fora de si mesmo, seja ainda mais ignota do que invejosa. O que será mais frequente: a vulgaridade que inveja ou aquela que ignora tudo aquilo que fica fora de si mesma? O que me parece certo é que a vulgaridade convive com tantas coisas... Convive, esse verbo que não me apetece ignorar.

domingo, agosto 30, 2026

"Los años de carne y hueso" - Antonio Rivero Machina

29/VIII/2026: Em alguns âmbitos, os estudos ibéricos são uma cadeira que leva a comparativismos históricos, culturais, linguísticos, literários... No meu âmbito, bastante geral, é o prazer de estudar, e o rigor académico e a prosa agradável de Antonio Rivero Machina, neste "Los años de carne y hueso - Estudios comparados de literatura ibérica (1930-1960)", são uma das melhores companhias deste final de agosto para quem gosta de aprender e compreender o porquê de alguns falarmos deste sentimento de sermos peninsulares.
29/VIII/2026: En algunos ámbitos, los estudios ibéricos son una asignatura que lleva a comparatismos históricos, culturales, lingüísticos, literarios... En mi ámbito, bastante general, es el placer de estudiar, y el rigor académico y la prosa agradable de Antonio Rivero Machina, en este "Los años de carne y hueso - Estudios comparados de literatura ibérica (1930-1960)", son una de las mejores compañías de este final de agosto para quienes gustan de aprender y comprender el porqué de que algunos hablemos de este sentimiento de ser peninsulares.

A deriva de escrever...

29/VIII/2026: A deriva de escrever por linhas incertas de sentido, vocação, leva à pulsão da necessidade, cujo rasto é difícil ou impossível de encontrar, por mais atenção, crítica ou análise de que seja alvo. Mencionar maiores ou menores, de primeira, segunda ou terceira linha, reconhecidos ou recatados na obra e no pensamento, é passar ao lado do principal traço identitário do que define a arte, tão diferente do concretismo de outras manifestações do "Homo sapiens". A literatura está inscrita nesse risco que pode levar à palavra, à ideia, à narração, ao verso, porém indiferente a qualquer tipo de absolutismos, principalmente ao da certeza.
29/VIII/2026: La deriva de escribir por líneas inciertas de sentido, vocación, conduce a la pulsión de la necesidad, cuyo rastro es difícil o imposible de encontrar, por mucha atención, crítica o análisis de que sea objeto. Mencionar a mayores o menores, de primera, segunda o tercera linea, reconocidos o discretos en la obra y en el pensamiento, es pasar por alto el principal rasgo identitario de lo que define el arte, tan diferente del concretismo de otras manifestaciones del "Homo sapiens". La literatura está inscrita en ese trazo que puede conducir a la palabra, a la idea, a la narración, al verso, pero indiferente a cualquier tipo de absolutismos, principalmente al de la certeza.

quarta-feira, agosto 26, 2026

Fazer a cama e ter respeito...

26/VIII/2026: Há um capítulo neste novo ensaio de Byung-Chul Han que, a meu ver, vale pelo livro inteiro e me fez pensar bastante e recordar pormenores que já estavam na gaveta do esquecimento: "A Atenção para com o Outro".
"O respeito é devido ao outro" e a nós próprios, com níveis mínimos de "libido narcisista", dado que a sua acumulação excessiva é uma evidência de o "respeito, enquanto elemento de coesão social, [estar] a deteriorar-se". Eis uma síntese sintomática do presente que podemos justificar com vários exemplos tristemente massificados no dia-a-dia. Han equivale a irresponsabilidade à falta de respeito, e a minha forma de ver o mundo leva-me a concordar com este filósofo, com o qual discordo frequentemente, e, sim, "a responsabilidade, respeito e atenção são interdependentes".
Neste ponto, lembro-me do polémico Jordan B. Peterson dizer aos jovens que o primeiro passo para assumirem a sua responsabilidade perante a vida é fazerem a sua própria cama. É provável que saber fazer a cama nos ajude a entender a nossa responsabilidade nas pequenas rotinas controláveis e não nos faça mal nenhum quando as variáveis cósmicas nos arrastam a cama ou alguém nos queima os lençóis, sem que a nossa responsabilidade tenha nada a ver com o facto de todos sermos potenciais vítimas da maldade de outrem.
Há pouco tempo, o meu irmão José Antonio Santiago e eu estávamos a falar noite dentro e lembrámo-nos de que os nossos pais, ambos da mesma geração, mas os seus "extremeños" e os meus alentejanos, quando iam a um hotel ou dormiam nalguma pensão, sempre deixavam a cama feita. Quantos de nós vimos as gerações anteriores à nossa fazerem isso e, como eu, ficámos com essa imagem no subconsciente?
À luz do século XXI, é possível ver-se tal comportamento como um ato desnecessário, inútil, que impede os lençóis de arejarem, para não dizer que é um comportamento servil e de perdedor. Houve uma época em que pensei que fosse uma herança do feudalismo do latifúndio, até que conheci uma herança comportamental semelhante noutras latitudes, o que me levou a compreender que esse gesto rotineiro de deixar a cama feita fora de casa, além de fora de tempo, talvez primasse pelo respeito, respeito pelo outro e por eles mesmos.
Todos os dias, quando me levanto, não faço logo a cama, não estou na tropa, deixo-a a arejar. É raro deixá-la por fazer, mas pode acontecer. Aprendi que é minha responsabilidade fazê-la e uma forma de respeito pelos outros e por mim mesmo, que sou consciente de me deitar na cama que eu próprio faço.

26/VIII/2026: Hay un capítulo en este nuevo ensayo de Byung-Chul Han que, a mi parecer, vale por el libro entero y me ha hecho pensar bastante y recordar detalles que ya estaban en el cajón del olvido: "La atención hacia el otro".
"El respeto se debe al otro" y a nosotros mismos, con niveles mínimos de "libido narcisista", dado que su acumulación excesiva es una evidencia de que "el respeto, como elemento de cohesión social, [se está] deteriorando". Aquí tenemos una síntesis sintomática del presente que podemos justificar con varios ejemplos tristemente masificados en el día a día. Han equipara la irresponsabilidad con la falta de respeto, y mi forma de ver el mundo me lleva a estar de acuerdo con este filósofo, con el que discrepo frecuentemente, y, sí, "la responsabilidad, el respeto y la atención son interdependientes".
En este punto, recuerdo al polémico Jordan B. Peterson diciendo a los jóvenes que el primer paso para asumir su responsabilidad ante la vida es hacerse su propia cama. Es probable que saber hacer la cama nos ayude a entender nuestra responsabilidad en las pequeñas rutinas controlables y no nos venga nada mal cuando las variables cósmicas nos arrastran la cama o alguien nos quema las sábanas, sin que nuestra responsabilidad tenga nada que ver con el hecho de que todos seamos víctimas potenciales de la maldad ajena.
Hace poco, mi hermano José Antonio Santiago y yo estábamos hablando hasta bien entrada la noche y recordamos que nuestros padres, ambos de la misma generación, pero los suyos extremeños y los míos alentejanos, cuando iban a un hotel o dormían en alguna pensión, siempre dejaban la cama hecha. ¿Cuántos de nosotros vimos a las generaciones anteriores a la nuestra hacer eso y, como yo, nos quedamos con esa imagen en el subconsciente?
A luz del siglo XXI, quizá se vea dicho comportamiento como un acto innecesario, inútil, que impide que las sábanas se aireen, por no decir que es un comportamiento servil y de perdedor. Hubo una época en la que pensé que sería una herencia del feudalismo del latifundio, hasta que conocí una herencia de comportamiento semejante en otras latitudes, lo que me llevó a comprender que ese gesto rutinario de dejar la cama hecha fuera de casa, además de estar fuera de época, quizá primase por el respeto, respeto por el otro y por ellos mismos.
Todos los días, cuando me levanto, no hago inmediatamente la cama, no estoy en la mili, la dejo airearse. Es raro que la deje sin hacer, pero puede ocurrir. Aprendí que es mi responsabilidad hacerla y una forma de respeto hacia los demás y hacia mí mismo, que soy muy consciente de que me acostaré en la cama que yo mismo hago.