segunda-feira, setembro 28, 2026

Uns versos de Tassos Denegris

 

Uns versos do poeta e tradutor grego Tassos Denegris / Τάσος Δενέγρης (Atenas, 1934 - 2009)


Tenho a liberdade de cair
Esta queda
é minha
e me pertence.





domingo, setembro 27, 2026

Vitorino - Lindo ramo verde escuro




LINDO RAMO VERDE ESCURO

Estavam dois passarinhos
Cantando ao desafio
Um no tronco empoleirado
O outro nas margens do rio

Lindo ramo verde escuro
Ó casa dos passarinhos
Onde cantam docemente
Poisados nesse raminho

Poisados nesse raminho
Cantam sempre ao ar puro
Ó casa dos passarinhos
Lindo ramo verde escuro

Alentejo dos trigais
Suas vermelhas papoilas
Arrancadas com amor
Por lindas e belas moçoilas




Da época em que...

1/XI/2025: Da época em que o Pinto se usava mais do que o Leal, quando os Alfa, em Évora, eram o meu pequeno "Cinema Paraíso", e o Luis guardava religiosamente todas as entradas num molho de papelinhos amarrotados na gaveta da escrivaninha, reencontrei hoje esta velha bobine que o meu estimado amigo Pacó (de quem há tanto tempo nada sei) me ofereceu, por conhecer o meu fascínio pelo grande ecrã. O metal gasto, o rótulo da Lusomundo, a caligrafia da dedicatória, tudo respira essa época em que o cinema da minha cidade natal era um palco de devoção aos sonhos projetados, com uma luz que ainda vou vislumbrando com profundo amor.
1/XI/2025: De la época en que Pinto se usaba más que Leal, cuando los Alfa, en Évora, eran mi pequeño "Cine Paraíso", y Luis guardaba religiosamente todas las entradas en un manojo de papelitos arrugados en el cajón de su escritorio, reencontré hoy una vieja bobina que mi estimado amigo Pacó (de quien hace tanto tiempo que no sé nada) me regaló, por conocer mi fascinación por la gran pantalla. El metal desgastado, la etiqueta de Lusomundo, la caligrafía de la dedicatoria: todo respira aquella época en que el cine de mi ciudad natal era un escenario de devoción a los sueños proyectados, con una luz que todavía vislumbro con profundo amor.

"entre 2 t(i)erras" para além da fronteira do Caia...

O "entre 2 t(i)erras" passou para o lado português mais além da fronteira do Caia e, depois do Verão, apresentar-se-á em Évora, esse belo lugar que viu nascer o seu Leal autor...
Quando tivermos mais pormenores, é com gosto que serão partilhados. Até lá, este território íntimo, vai chegando, pouco a pouco, a outras "t(i)erras" que têm a amabilidade de recebê-lo...

El "entre 2 t(i)erras" pasó al lado portugués más allá de la frontera del Caia y, después del verano, se presentará en Évora, ese bello lugar que vio nacer a su Leal autor...
Cuando tengamos más detalles, será un placer compartirlos. Hasta entonces, este territorio íntimo va llegando, poco a poco, a otras "t(i)erras" que tienen la amabilidad de recibirlo...

Olho para ele e penso...

27/IX/2026: Olho para ele e penso: "Que teimosia (e lealdade) tem o nosso livre-pensador... É coisa de família."

27/IX/2026: Lo miro y pienso: "Qué cabezonería (y lealtad) tiene nuestro librepensador... Es cosa de familia."

terça-feira, setembro 22, 2026

Jorge Palma (1950-2026)

22/IX/2026: Não quis ir a aplicações nem a formatos digitais, quis tocar o que tivesse à mão e, de quase 100% da sua produção discográfica que tenho, foi este "Com Todo o Respeito" que me veio parar às mãos. Estou a ouvi-lo e sei que continuarei a emocionar-me ao piano de "Só", a visitar "O Bairro do Amor", a ir de "Viagem na Palma da Mão" ou a questionar este e outro Portugal à boa maneira do Palma's Gang...

O Jorge Palma, como o enorme artista que foi, passou pelas nossas vidas, deixando generosamente que muitos se encostassem a ele. Eu fi-lo principalmente nos anos 90, em que a minha banda sonora existencial me dizia tantas vezes, talvez para me reduzir à minha insignificância, "Deixa-me rir, essa história não é tua"... E não era.

(P.S. Ó 2026, se faz favor, por este ano já chega. Não nos leves mais gente que embeleza o mundo... Não te quero fazer sugestões, mas acho que não andas a ouvir o Karma, que te pode aconselhar um bocadinho melhor...)

22/IX/2026: No he querido recurrir a aplicaciones ni a formatos digitales, he querido tocar lo que tuviera a mano y, de casi el 100% de su producción discográfica que tengo, ha sido este "Com Todo o Respeito" el que ha venido a parar a mis manos. Lo estoy escuchando y sé que seguiré emocionándome con el piano de "Só", visitando "O Bairro do Amor', yéndome de "Viagem na Palma da Mão" o cuestionando este y otro Portugal a la buena manera de Palma's Gang...

Jorge Palma, como el enorme artista que fue, pasó por nuestras vidas, dejando generosamente que muchos se arrimasen a él. Yo lo hice principalmente en los años 90, cuando mi banda sonora existencial me decía tantas veces, quizá para reducirme a mi insignificancia: "Deixa-me rir, essa história não é tua"... Y no lo era.

(P. D. Ay, 2026, por favor, por este año ya basta. No te lleves a más gente que embellece el mundo... No quiero hacerte sugerencias, pero creo que no estás escuchando al Karma, que quizá pueda aconsejarte un poquito mejor...)




domingo, setembro 20, 2026

Nunca tinha sido nomeado para um prémio, mas também nunca tinha perdido um prémio.

19/IX/2026: Nunca tinha sido nomeado para um prémio, mas também nunca tinha perdido um prémio. Assim foi como vivi esta Gala dos Prémios Alentejo 2026, bem vestido, ainda melhor acompanhado, sentado, calmo, a ver gente ser nomeada e alguns subirem ao palco para serem laureados. Quando ouvi o meu nome, os meus rins sentiram um pico de adrenalina que rapidamente se dissipou pelo resto do corpo até chegar aos meus pés, bem assentes na terra.
Com mais ou menos literatura, com ou sem prémios, este serão foi de reconhecimento da alma alentejana que tantos partilhamos e que, em alguns casos, incluindo o meu, atinge uma dimensão ibérica, havendo mesmo uns poucos em que esse carácter transatlântico alcança uma grandeza ibero-americana.
Há anos que vejo e participo neste evento de um projeto jornalístico que me dá voz, e penso no seu diretor, António Sancho (uma personagem que, se não existisse, teria de ser inventada), e em como esta pessoa tem tido a capacidade e o poder de convocatória para dignificar o Alentejo de uma maneira que muitos políticos e instituições, com meios para tal, nunca conseguiram e que me parece que jamais conseguirão.
19/IX/2026: Nunca había sido nominado a un premio, pero tampoco nunca había perdido un premio. Así fue como viví esta Gala de los Premios Alentejo 2026, bien vestido, aún mejor acompañado, sentado, tranquilo, viendo cómo nominaban a gente y cómo algunos subían al escenario para ser galardonados. Cuando escuché mi nombre, mis riñones sintieron un pico de adrenalina que rápidamente se disipó por el resto del cuerpo hasta llegar a mis pies, bien asentados en la tierra.
Con más o menos literatura, con o sin premios, esta velada fue un reconocimiento del alma alentejana que tantos compartimos y que, en algunos casos, incluido el mío, alcanza una dimensión ibérica, habiendo incluso unos pocos en los que ese carácter transatlántico adquiere una grandeza iberoamericana.
Hace años que veo y participo en este evento de un proyecto periodístico que me da voz, y pienso en su director, António Sancho (un personaje que, de no existir, habría que inventarlo), y en cómo esta persona ha tenido la capacidad y el poder de convocatoria para dignificar el Alentejo de una manera que muchos políticos e instituciones, contando con medios para ello, nunca han conseguido y que me parece que jamás conseguirán.

quinta-feira, setembro 17, 2026

Entre clássicos

 



Richard Avedon photographed Simon & Garfunkel on March 1, 1967, and the iconic portrait was published in 1968 on the cover of their fourth studio album, Bookends (1968)



sexta-feira, setembro 11, 2026

El enemigo lucha por un Dios equivocado, por la Patria equivocada y por la Familia equivocada...

10/IX/2026: La serie es divertida y un spin-off agradable, aunque distante de la brillantez de la original, pero, aun así, nos brinda diálogos del tipo:
— Mi comandante, pero ¿por qué luchamos en esta guerra?
— Hijo, luchamos por Dios, por la Patria y por la Familia.
— Y, mi comandante, ¿el enemigo por qué lucha?
— El enemigo lucha por un Dios equivocado, por la Patria equivocada y por la Familia equivocada.
(Yo voy luchando para que Dios no me quite la capacidad de sonreír de la cara, para que las patrias se rían de sí mismas y para que las familias no se decanten por un humor fácil en estos tiempos con tan poca gracia.)

10/IX/2026: A série é engraçada e um spin-off agradável, contudo distante do brilhantismo da original, mas, mesmo assim, brinda-nos com diálogos do tipo:
— Meu comandante, mas porque é que lutamos nesta guerra?
— Filho, lutamos por Deus, pela Pátria e pela Família.
— E, meu comandante, o inimigo porque é que luta?
— O inimigo luta por um Deus errado, pela Pátria errada e pela Família errada.
(Eu vou lutando para que Deus não me tire a capacidade de sorrir da cara, para que as pátrias se riam de si mesmas e para que as famílias não se decantem por um humor fácil nestes tempos com tão pouca graça.)

"A Colina d'Courela" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 171, p. 80

A Colina d'Courela

Um mastim espanhol, naturalizado rafeiro alentejano, caminha devagar pelo alto da colina. A sua sombra larga e lobeira acompanha-o neste fim de tarde, quando o sol do Alentejo, cansado de calor, se inclina a poente. Conheceu o abandono quando era apenas um cachorro e, talvez por isso, os seus olhos guardem uma gravidade serena. Com a ferida do desamparo cicatrizada pela sua família adotiva, encontrou na Colina d'Courela a paz que ainda se pode reconhecer no campo.

Da sua matilha destaca-se um elemento sem genes caninos: um burro. Não é um asno qualquer, nasceu em Itália e atravessou, ainda pequeno, a Europa dentro da bagageira de um carro, num périplo digno de um filme de ação, contrabando e comédia. Talvez por isso pareça mais cosmopolita, mais aberto ao humor das coisas, e se ria das voltas do mundo (que deveria, mais do que ele, ter orelhas de burro). Aqui encontrou o seu lugar e uma planície aberta à sua graça filosófica e absurda, que arranca gargalhadas ao seu velho amigo.

A diferença fez com que ambos se tornassem inseparáveis, como se o destino lhes tivesse concedido a missão de olhar o mundo a partir daquele alto, onde o horizonte se estende até Espanha e a timidez das serras e dos rios se mostra alheia a quaisquer fronteiras. Ali conversam entre o ladrar e o zurrar, entendendo-se mais pelos silêncios e pelas pausas. O cão (atento e prudente) e o burro (divertido e observador) formam uma dupla improvável, mas profundamente harmoniosa.

O correr do tempo e a cadência das estações trouxeram outro tipo de silêncio, que parece ensurdecer os humanos. Antes, lembrava-se o rafeiro, ouviam-se vozes a atravessar os campos, vizinhos a chamar uns pelos outros, crianças a inventar jogos nos montes. Agora, parece que o diálogo (mesmo entre quem fala a mesma língua) se extingue lentamente, como o fogo que se apaga sem lenha. O ouvido atento do burro notava que os poucos sons da freguesia já não eram conversas, sim sinais curtos, toques de dedos em aparelhos brilhantes nas mãos dos homens.

A voragem, essa pressa febril e fabril, também quer subir à colina. Veem-se carros cada vez mais velozes e chegam notícias como relâmpagos. Até o vento parece querer imitar essa rapidez, levando consigo, de rajada, palavras mal começadas a dialogar.

“Sabes, os homens nunca foram grande coisa, mas agora acho que ainda estão mais aparvalhados”, disse o burro, coçando-se contra uma azinheira.

O cão abanou as orelhas, afastando de si a afirmação do amigo (e uma mosca chata). Não precisava de responder. Ambos sabiam: a pressa e a distração roubam aos humanos estas colinas mundo fora, onde o espaço é encontro e oportunidade entre o si e o outro.

Cão e burro ainda veem pequenas exceções. Algumas crianças, curiosas por essência, continuam a subir à colina, observam formigas, riem-se com as cócegas de uma borboleta, constroem refúgios secretos no meio do pasto (que já nem repasto é de ovelhas). Mas até mesmo tais criaturas de um Deus benévolo e desconhecido parecem ameaçadas de extinção. Os adultos oferecem-lhes os aparelhos brilhantes, essas caixas de luz e som artificial, que lhes sequestram a imaginação e os sonhos, para os capitalizarem nesses mesmos aparatos. O burro viu uma dessas caixas e ficou intrigado: era como um espelho sem reflexo, a sugar a alma de quem o olhava. Teve receio, mas não chegou a medo. O mastim, que aprendera a confiar apenas no que podia cheirar e tocar, desconfiava ainda mais, aquele brilho roubava o vagar que antes pertencia ao verdadeiro silêncio e ao jogo livre.

Mas a colina, erguida em paciência sedimentada, persiste em esperança e traz outra companhia ao duo de amigos. Um menino de quatro anos, membro da família adotiva do cão, subiu até ao cimo. Não trouxe nenhuma caixa luminosa nem pediu nada. Sentou-se, como de costume, entre o rafeiro e o burro e, com um pauzinho, começou a riscar a terra seca e arenosa. Desenha linhas sem forma, animais circulares, casas imaginárias, talvez algum rio navegável em sonhos. Não fala, apenas sorri enquanto inventa pequenos mundos com um simples gesto.

O cão deitou-se a seu lado, guardando aquele instante apenas com um pensamento: “Estou a ver o meu menino crescer.” Não lhe faltava mais, não necessitava de mais. O burro inclinou a cabeça e soltou um zurro baixo, risonho, como quem se reconhece desajeitado e arredondado  num desenho infantil.

Todos habitam a Colina d'Courela: o rafeiro, o burro e a criança. Todos contemplam algo. O sol desce devagar e a tarde parece prometer qualquer coisa no risco leve de um pauzinho na terra. 




"A Colina d'Courela" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 171, p. 80

O que podem ter em comum um mastim espanhol, naturalizado rafeiro alentejano, um burro italiano e um menino de quatro anos? Talvez um fragmento do tempo que se tornou um pequeno espaço que alguns conhecem como Colina d’Courela… e um dos lugares onde a natureza nos ensina que não precisa de adjetivos. Se puderem, miúdos e graúdos, tinha muito gosto que lessem e partilhassem este lugar que se encontra nas páginas da “Mais Alentejo”. 

¿Qué pueden tener en común un mastín español, naturalizado como “rafeiro alentejano”, un burro italiano y un niño de cuatro años? Tal vez un fragmento del tiempo que se convirtió en un pequeño espacio que algunos conocen como Colina d’Courela… y uno de esos lugares donde la naturaleza nos enseña que no necesita adjetivos. Si podéis, pequeños y mayores, me gustaría mucho que lo leyerais y compartierais este lugar que se encuentra en las páginas de “Mais Alentejo”. 

 

quarta-feira, setembro 02, 2026

Un recorte de prensa... un privilegio de recortes...

2/IX/2026: Es un privilegio tener a un amigo que siempre se acuerda de ti y te recorta un artículo de un periódico o de una revista (y no es que no te mande también una buena sugerencia por WhatsApp o por e-mail). Es un acto de gran aprecio que merece mi total gratitud. Tengo carpetas y libros llenos de recortes con los que D. Pedro L. Cuadrado me obsequia, con la sensibilidad del hermano mayor que no quiere que me despiste, que me desentienda de un mundo que pensamos que se está muriendo, cuyo vaticinio es la extinción, pero que, en realidad, únicamente se está reconfigurando, como es propio del mundo.
Acabo de leer un montón de recortes que tenía atrasados (tengo un lugar favorito para hacerlo que, también gracias a Pedro, me recuerda esa escena mítica de la película "1 franco, 14 pesetas") y me siento muy a gusto, muy bien acompañado en la lectura y en las intenciones. Algunos me encantan, otros no tanto, pero todos me aportan ese placer de leer la prensa física que, a la par de las molestias oftalmológicas de la pantalla, es el mayor acto de resistencia a la inmaterialidad del algoritmo, que no puede monetizar ni controlar tu atención fuera del mundo online.
(¿Cómo va esta red social a promover esta divagación? ¿Los "me gusta" le traerán algún retorno a la casa madre o mis palabras sobre estos recortes y recuerdos se quedarán en el olvido algorítmico?)

2/IX/2026: É um privilégio ter um amigo que se lembra sempre de ti e te recorta um artigo de um jornal ou de uma revista (e não é que não te envie também uma boa sugestão por WhatsApp ou por e-mail). É um ato de grande apreço que merece a minha total gratidão. Tenho pastas e livros cheios de recortes com que o Sr. Pedro L. Cuadrado me presenteia, com a sensibilidade do irmão mais velho que não quer que me distraia, que me desinteresse de um mundo que pensamos estar a morrer, cujo vaticínio é a extinção, mas que, na realidade, apenas se está a reconfigurar, como é próprio do mundo.
Acabo de ler um monte de recortes que tinha atrasados (tenho um lugar favorito para o fazer que, também graças ao Pedro, me recorda aquela cena mítica do filme '1 Franco, 14 Pesetas") e sinto-me muito à vontade, muito bem acompanhado na leitura e nas intenções. Gosto muitíssimo de alguns, outros nem tanto, mas todos me proporcionam esse prazer de ler a imprensa em papel que, a par dos incómodos oftalmológicos do ecrã, é o maior ato de resistência à imaterialidade do algoritmo, que não pode monetizar nem controlar a tua atenção fora do mundo online.
(Como é que esta rede social vai promover esta divagação? Os "gostos" trarão algum retorno à casa-mãe ou as minhas palavras sobre estes recortes e recordações ficarão no esquecimento algorítmico?)

La vulgaridad y la envidia

2/IX/2026: Aya Kōda está considerada una de las mejores, si no la mejor, novelista y ensayista japonesa del siglo XX. Al leer sus palabras traducidas al español, me doy cuenta de su sensibilidad poco común y alejada de lo vulgar, concepto este alejado de cualquier pedantería. ¿Qué es la vulgaridad? Quizás sea algo de largo espectro, de escala benigna hasta niveles dañinos. (Desconozco mi grado de vulgaridad, me parece que hay momentos en que es considerable, no obstante, me doy cuenta de que en otros es difícil de encontrar y me empequeñece).
Kōda asocia la vulgaridad a la envidia, enunciando que "la envidia convive con frecuencia con los corazones vulgares". Es posible, como también es posible que la vulgaridad de uno no dé ninguna importancia a lo que está fuera de sí mismo, sea aún más ignota que envidiosa. ¿Qué será más frecuente: la vulgaridad que envidia o la que ignora todo aquello que queda fuera de sí misma? Lo que me parece cierto es que la vulgaridad convive con tantas cosas... Convive, ese verbo que no me apetece ignorar.
2/IX/2026: Aya Kōda é considerada uma das melhores, senão a melhor, romancista e ensaísta japonesa do século XX. Ao ler as suas palavras traduzidas para espanhol, apercebo-me da sua sensibilidade pouco comum e afastada do vulgar, conceito este afastado de qualquer pedantismo. O que é a vulgaridade? Talvez seja algo de largo espectro, de uma escala benigna até níveis danosos. (Desconheço o meu grau de vulgaridade, parece-me que há momentos em que é considerável, não obstante, dou-me conta de que noutros é difícil de encontrar e isso me empequenece).
Kōda associa a vulgaridade à inveja, enunciando que "a inveja convive frequentemente com os corações vulgares". É possível, como também é possível que a vulgaridade de alguém não dê qualquer importância ao que está fora de si mesmo, seja ainda mais ignota do que invejosa. O que será mais frequente: a vulgaridade que inveja ou aquela que ignora tudo aquilo que fica fora de si mesma? O que me parece certo é que a vulgaridade convive com tantas coisas... Convive, esse verbo que não me apetece ignorar.

domingo, agosto 30, 2026

"Los años de carne y hueso" - Antonio Rivero Machina

29/VIII/2026: Em alguns âmbitos, os estudos ibéricos são uma cadeira que leva a comparativismos históricos, culturais, linguísticos, literários... No meu âmbito, bastante geral, é o prazer de estudar, e o rigor académico e a prosa agradável de Antonio Rivero Machina, neste "Los años de carne y hueso - Estudios comparados de literatura ibérica (1930-1960)", são uma das melhores companhias deste final de agosto para quem gosta de aprender e compreender o porquê de alguns falarmos deste sentimento de sermos peninsulares.
29/VIII/2026: En algunos ámbitos, los estudios ibéricos son una asignatura que lleva a comparatismos históricos, culturales, lingüísticos, literarios... En mi ámbito, bastante general, es el placer de estudiar, y el rigor académico y la prosa agradable de Antonio Rivero Machina, en este "Los años de carne y hueso - Estudios comparados de literatura ibérica (1930-1960)", son una de las mejores compañías de este final de agosto para quienes gustan de aprender y comprender el porqué de que algunos hablemos de este sentimiento de ser peninsulares.

A deriva de escrever...

29/VIII/2026: A deriva de escrever por linhas incertas de sentido, vocação, leva à pulsão da necessidade, cujo rasto é difícil ou impossível de encontrar, por mais atenção, crítica ou análise de que seja alvo. Mencionar maiores ou menores, de primeira, segunda ou terceira linha, reconhecidos ou recatados na obra e no pensamento, é passar ao lado do principal traço identitário do que define a arte, tão diferente do concretismo de outras manifestações do "Homo sapiens". A literatura está inscrita nesse risco que pode levar à palavra, à ideia, à narração, ao verso, porém indiferente a qualquer tipo de absolutismos, principalmente ao da certeza.
29/VIII/2026: La deriva de escribir por líneas inciertas de sentido, vocación, conduce a la pulsión de la necesidad, cuyo rastro es difícil o imposible de encontrar, por mucha atención, crítica o análisis de que sea objeto. Mencionar a mayores o menores, de primera, segunda o tercera linea, reconocidos o discretos en la obra y en el pensamiento, es pasar por alto el principal rasgo identitario de lo que define el arte, tan diferente del concretismo de otras manifestaciones del "Homo sapiens". La literatura está inscrita en ese trazo que puede conducir a la palabra, a la idea, a la narración, al verso, pero indiferente a cualquier tipo de absolutismos, principalmente al de la certeza.

quarta-feira, agosto 26, 2026

Fazer a cama e ter respeito...

26/VIII/2026: Há um capítulo neste novo ensaio de Byung-Chul Han que, a meu ver, vale pelo livro inteiro e me fez pensar bastante e recordar pormenores que já estavam na gaveta do esquecimento: "A Atenção para com o Outro".
"O respeito é devido ao outro" e a nós próprios, com níveis mínimos de "libido narcisista", dado que a sua acumulação excessiva é uma evidência de o "respeito, enquanto elemento de coesão social, [estar] a deteriorar-se". Eis uma síntese sintomática do presente que podemos justificar com vários exemplos tristemente massificados no dia-a-dia. Han equivale a irresponsabilidade à falta de respeito, e a minha forma de ver o mundo leva-me a concordar com este filósofo, com o qual discordo frequentemente, e, sim, "a responsabilidade, respeito e atenção são interdependentes".
Neste ponto, lembro-me do polémico Jordan B. Peterson dizer aos jovens que o primeiro passo para assumirem a sua responsabilidade perante a vida é fazerem a sua própria cama. É provável que saber fazer a cama nos ajude a entender a nossa responsabilidade nas pequenas rotinas controláveis e não nos faça mal nenhum quando as variáveis cósmicas nos arrastam a cama ou alguém nos queima os lençóis, sem que a nossa responsabilidade tenha nada a ver com o facto de todos sermos potenciais vítimas da maldade de outrem.
Há pouco tempo, o meu irmão José Antonio Santiago e eu estávamos a falar noite dentro e lembrámo-nos de que os nossos pais, ambos da mesma geração, mas os seus "extremeños" e os meus alentejanos, quando iam a um hotel ou dormiam nalguma pensão, sempre deixavam a cama feita. Quantos de nós vimos as gerações anteriores à nossa fazerem isso e, como eu, ficámos com essa imagem no subconsciente?
À luz do século XXI, é possível ver-se tal comportamento como um ato desnecessário, inútil, que impede os lençóis de arejarem, para não dizer que é um comportamento servil e de perdedor. Houve uma época em que pensei que fosse uma herança do feudalismo do latifúndio, até que conheci uma herança comportamental semelhante noutras latitudes, o que me levou a compreender que esse gesto rotineiro de deixar a cama feita fora de casa, além de fora de tempo, talvez primasse pelo respeito, respeito pelo outro e por eles mesmos.
Todos os dias, quando me levanto, não faço logo a cama, não estou na tropa, deixo-a a arejar. É raro deixá-la por fazer, mas pode acontecer. Aprendi que é minha responsabilidade fazê-la e uma forma de respeito pelos outros e por mim mesmo, que sou consciente de me deitar na cama que eu próprio faço.

26/VIII/2026: Hay un capítulo en este nuevo ensayo de Byung-Chul Han que, a mi parecer, vale por el libro entero y me ha hecho pensar bastante y recordar detalles que ya estaban en el cajón del olvido: "La atención hacia el otro".
"El respeto se debe al otro" y a nosotros mismos, con niveles mínimos de "libido narcisista", dado que su acumulación excesiva es una evidencia de que "el respeto, como elemento de cohesión social, [se está] deteriorando". Aquí tenemos una síntesis sintomática del presente que podemos justificar con varios ejemplos tristemente masificados en el día a día. Han equipara la irresponsabilidad con la falta de respeto, y mi forma de ver el mundo me lleva a estar de acuerdo con este filósofo, con el que discrepo frecuentemente, y, sí, "la responsabilidad, el respeto y la atención son interdependientes".
En este punto, recuerdo al polémico Jordan B. Peterson diciendo a los jóvenes que el primer paso para asumir su responsabilidad ante la vida es hacerse su propia cama. Es probable que saber hacer la cama nos ayude a entender nuestra responsabilidad en las pequeñas rutinas controlables y no nos venga nada mal cuando las variables cósmicas nos arrastran la cama o alguien nos quema las sábanas, sin que nuestra responsabilidad tenga nada que ver con el hecho de que todos seamos víctimas potenciales de la maldad ajena.
Hace poco, mi hermano José Antonio Santiago y yo estábamos hablando hasta bien entrada la noche y recordamos que nuestros padres, ambos de la misma generación, pero los suyos extremeños y los míos alentejanos, cuando iban a un hotel o dormían en alguna pensión, siempre dejaban la cama hecha. ¿Cuántos de nosotros vimos a las generaciones anteriores a la nuestra hacer eso y, como yo, nos quedamos con esa imagen en el subconsciente?
A luz del siglo XXI, quizá se vea dicho comportamiento como un acto innecesario, inútil, que impide que las sábanas se aireen, por no decir que es un comportamiento servil y de perdedor. Hubo una época en la que pensé que sería una herencia del feudalismo del latifundio, hasta que conocí una herencia de comportamiento semejante en otras latitudes, lo que me llevó a comprender que ese gesto rutinario de dejar la cama hecha fuera de casa, además de estar fuera de época, quizá primase por el respeto, respeto por el otro y por ellos mismos.
Todos los días, cuando me levanto, no hago inmediatamente la cama, no estoy en la mili, la dejo airearse. Es raro que la deje sin hacer, pero puede ocurrir. Aprendí que es mi responsabilidad hacerla y una forma de respeto hacia los demás y hacia mí mismo, que soy muy consciente de que me acostaré en la cama que yo mismo hago.

sábado, agosto 22, 2026

Nomeações Prémio Mais Literatura (2026)

21/VIII/2026: Nunca fui muito dado a competições e a prémios para além de mim mesmo (admito uma existência a oscilar entre o medo à rejeição e uma autoconfiança a marimbar-se para o que os outros pensam), no entanto, a equipa da Mais Alentejo (da qual faço parte, mas, em abono da verdade, não tive qualquer voto na matéria) achou que o meu trabalho no âmbito da escrita merece ser nomeado para o Prémio Mais Literatura da Gala da nossa revista. O que é que eu posso dizer? Obrigado.
Não estava à espera e se sou digno de se lembrarem que vou escrevendo é principalmente graças a esses dois territórios que me têm dado horizonte, o Alentejo e a "Extremadura", e essas duas línguas que albergo dentro de mim mas, a realidade é que são elas que me dão guarida, o português e o espanhol.
Atente-se que as votações são online (www.galapremiosalentejo.net) e os restantes nomeados são digníssimos representantes da literatura e da cultura contemporânea portuguesa. Apesar de me sentir estranho, não me sinto um intruso graças à foto que o meu sobrinho, o fotógrafo Simão Lopes, tirou ao seu tio e nem sequer se vêem os cabelos brancos.

21/VIII/2026: Nunca he sido muy dado a las  competiciones y a los premios más allá de mí mismo (admito una existencia que oscila entre el miedo al rechazo y una autoconfianza a la que le importa un bledo lo que piensen los demás), sin embargo, el equipo de Mais Alentejo (del que formo parte, pero, en honor a la verdad, no tuve voz ni voto en el asunto) consideró que mi trabajo en el ámbito de la escritura merece ser nominado al Premio Mais Literatura de la Gala de nuestra revista. ¿Qué puedo decir? Gracias.
No me lo esperaba y, si soy digno de que se acuerden de que voy escribiendo, es principalmente gracias a esos dos territorios que me han dado horizonte, el Alentejo y Extremadura, y a esas dos lenguas que albergo dentro de mí pero, en realidad, son ellas las que me dan cobijo, el portugués y el español.
Téngase en cuenta que las votaciones son online (www.galapremiosalentejo.net) y los demás nominados son dignísimos representantes de la literatura y de la cultura contemporánea portuguesa. A pesar de sentirme extraño, no me siento un intruso gracias a la foto que mi sobrino, el fotógrafo Simão Lopes, le hizo a su tío y ni siquiera se ven las canas.

quinta-feira, agosto 20, 2026

"Sobrevivência através da excelência" - Dozie Kanu

20/VIII/2026: Admitindo um presente bastante complexo e a tender para subníveis de mediocridade, salva-nos gente como Dozie Kanu, oriundo de Houston (EUA), descendente de nigerianos, a viver em Portugal e a desenvolver a sua arte a partir da Europa. Rejeitando as categorias identitárias rígidas, Kanu recorda o exemplo da sua família, que lhe deu "disciplina, pressão, expectativa, espiritualidade, hierarquia e uma consciência profunda da sobrevivência através da excelência".
Da sua entrevista, sublinho "sobrevivência através da excelência" e "uma sucata ensina o potencial daquilo que foi descartado". Enquanto a caneta desliza por debaixo das palavras, lembro-me de este tipo de sobrevivência ser tão típico daqueles que necessitam de migrar, quer seja de uma região do mundo a outra, quer seja para subir degraus na escada (cada vez melhor escondida) das classes sociais.
Sublinho mais uma vez "sobrevivência através da excelência". Porquê? Pergunto-me. Talvez porque, como ouvi um dia a alguém, "arte é fazer as coisas bem", ou porque me pareça que estas anotações ajudam alguém a resistir um pouco mais, a não sucumbir ao desleixe. Eu não sou excepção.
20/VIII/2026: Admitiendo un presente bastante complejo y con tendencia hacia subniveles de mediocridad, nos salva gente como Dozie Kanu, oriundo de Houston (EE. UU.), descendiente de nigerianos, que vive en Portugal y desarrolla su arte desde Europa. Rechazando las categorías identitarias rígidas, Kanu recuerda el ejemplo de su familia, que le dio "disciplina, presión, expectativa, espiritualidad, jerarquía y una profunda conciencia de la supervivencia a través de la excelencia".
De su entrevista, subrayo "supervivencia a través de la excelencia" y "una chatarra enseña el potencial de aquello que fue descartado". Mientras el boli se desliza por debajo de las palabras, recuerdo que este tipo de supervivencia es tan típico de quienes necesitan migrar, ya sea de una región del mundo a otra, ya sea para subir escalones en la escalera (cada vez mejor escondida) de las clases sociales.
Subrayo una vez más "supervivencia a través de la excelencia". ¿Por qué?, me pregunto. Tal vez porque, como le oí decir un día a alguien, "arte es hacer bien las cosas", o porque me parezca que estas anotaciones ayudan a alguien a resistir un poco más, a no sucumbir a la dejadez. Yo no soy una excepción.

sábado, agosto 08, 2026

Uma fotografia de Pierre Saïah

 


Pierre Saïah - 35 GT : Kodak Portra 400 // Campeche, Yucatan, Mexico 2022




domingo, julho 26, 2026

L'Odyssée

26/VII/2026: A malta farta-se de escrever e de comentar "A Odisseia" do Nolan, mas optei por manter-me alheio a essas leituras e vi o filme como gosto, isto é, com gosto e com uma contaminação mínima dos "gostos" ou "não gostos" de gente que até pode saber muito ou nada sobre a obra de Homero.
E, como gosto de gente imperfeita, outros Odisseus perdidos nesses mares de vidas únicas, com tanta dificuldade em atracar em portos seguros, tenho este "L'Odyssée" à espera de ser visto em cima do móvel da sala após ser adquirida por 0'80€. Submergir-me-ei nele com o mesmo gosto com que vi o do Nolan? Não sei. Sei, sim, que o Cousteau me levou em viagens mar adentro muito antes de eu saber que existiu um Odisseu (ou Ulisses) e de me atrever a pretender saber de cultura clássica...

26/VII/2026: La gente no se harta de escribir y comentar "La Odisea" de Nolan, pero opté por mantenerme al margen de esas lecturas y vi la película como me gusta, es decir, con gusto y con una contaminación mínima de los "me gusta" o "no me gusta" de gente que puede saber mucho o nada sobre la obra de Homero.
Y, como me gusta la gente imperfecta, otros Odiseos perdidos en esos mares de vidas únicas, con tanta dificultad para atracar en puertos seguros, tengo esta "L'Odyssée" esperando a ser vista encima del mueble del salón tras adquirirla por 0'80€. ¿Me sumergiré en ella con el mismo gusto con el que vi la de Nolan? No lo sé. Lo que sí sé es que Cousteau me llevó mar adentro mucho antes de que yo supiera que existió un Odiseo (o Ulises) y de atreverme a pretender saber de cultura clásica...

segunda-feira, julho 13, 2026

Toda resistencia a la pluralidad étnica, religiosa y cultural de la nación acabará en barbarie

13/VII/2026: Regresé de Francia a la Península Ibérica hace dos días por uno de los ejes viarios que se remontan al empedrado romano y que son vertebrales para una Europa que se yergue de Norte a Sur y se ensancha de Este a Oeste. El tráfico impresiona, al igual que me impresionan las declaraciones de figuras públicas que confunden patria, nación, identidad cultural colectiva e individual y, la más importante para la coexistencia democrática, ciudadanía. Como ciudadano bicéfalo que soy, suscribo las palabras de Daniel Oliveira, hace una semana en el "Expresso", y si tuviese que elegir una selección sería la de la dignidad del ser humano:
"No existe una identidad nacional original. La nacionalidad es ciudadanía —derechos y deberes compartidos—, no una etnia, religión o cultura homogéneas. La nación es un proceso, no un retrato: hecha de capas, exclusiones e invenciones. Y toda resistencia a la pluralidad étnica, religiosa y cultural de la nación acabará en barbarie". 

13/VII/2026: Regressei de França, há dois dias, por um dos eixos rodoviários que remontam ao empedrado romano e são vertebrais para uma Europa que se ergue de Norte a Sul e se alarga de Este a Oeste. O trânsito impressiona, tal como me impressionam as declarações de figuras públicas que confundem pátria, nação, identidade cultural colectiva, individual e, a mais importante para a coexistência democrática, cidadania. Como cidadão bicéfalo que sou, subscrevo as palavras de Daniel Oliveira no "Expresso" de há uma semana, e se tivesse que escolher uma selecção seria a da dignidade do ser humano: 
"Não existe uma identidade nacional original. Nacionalidade é cidadania — direitos e deveres partilhados —, não etnia, religião ou cultura homogéneas. A nação é um processo, não um retrato: feita de camadas, exclusões e invenções. E toda a resistência à pluralidade étnica, religiosa e cultural da nação acabará em barbárie". 


domingo, julho 12, 2026

Amigo Corto

Angoulême, 9/VII/2026: De todos os amigos (imaginários) que um gajo tem, este é o que mais admiro. Alguém capaz de desenhar, com a ponta da navalha, na palma da mão, a linha do destino e escolher ser observador em vez de protagonista num mundo sempre em mudança.
Angoulême, 9/VII/2026: De todos los amigos (imaginarios) que uno tiene, este es el que más admiro. Alguien capaz de dibujar, con la punta de una navaja, en la palma de la mano, la línea del destino y elegir ser observador en lugar de protagonista en un mundo siempre cambiante.

segunda-feira, junho 08, 2026

quarta-feira, junho 03, 2026

3/VI/2026

3/VI/2026 – World Bicycle Day
"Se tens tanto orgulho nele, porque não o trazes mais vezes a arejar?", perguntas-te. "Talvez porque, para manter o equilíbrio, não olhe muito para trás", respondo-me. Mas deveria. E hoje é um desses dias.
3/VI/2026 – World Bicycle Day
"Si estás tan orgulloso de él, ¿por qué no lo sacas más a menudo para que le dé el aire?", te preguntas. "Tal vez porque, para mantener el equilibrio, no mire demasiado hacia atrás", me respondo. Pero debería hacerlo. Y hoy es uno de esos días.

A PRIMEIRA CICATRIZ - Luis Leal ("pedal(e)ar", 2018)

A primeira cicatriz
a marcar-lhe a cara
foi uma queda fora
da velha Órbita

Quis a bicicleta
da sua meninice
que tivesse
um buraquinho
na bochecha direita
sempre que os dias
o fazem
sorrir.

terça-feira, junho 02, 2026

"Una casa portuguesa" de Ximena Maier (Lumen, 2026)

2/VI/2026: Puede que el título nos recuerde la canción de Amália (yo tiro más para la versión de mi "primo" Roberto Leal), pero "Una casa portuguesa", escrito e ilustrado por Ximena Maier, no es la típica mudanza del urbanita al campo ni el tópico de volver a empezar en una casa destartalada en las afueras de Évora. Es muchísimo más.
De este libro tuve noticia hace poco más de un día y lo he leído recién llegado, entre sonrisas constantes y el placer de la palabra, unido a las preciosas ilustraciones. De vez en cuando, se me humedecían los ojos. Esta finca, hoy de Ximena y de su preciosa familia, se encuentra también en mi vida, pues fue la casa de mis tíos y donde yo viví muchos momentos basilares de mi infancia y juventud. Los detalles y las palabras que dedica a mis tíos Manuel y Gertrudes, y a mi tío Manuel Leal en particular, a lo que sumo la nueva alma española de la quinta, constituyen una de las más bellas casualidades de mi vida... Jamás me lo imaginaría, igual que, habiendo tenido este libro precioso en mis manos, no imagino su versión en portugués hecha por otras manos que no sean las mías. ¿Porqué?
Ximena sabe que mi tío es un maestro con la azada, y yo lo aprendí de mi abuelo y de él, pero también me enseñaron a apoyarme en el mango, a limpiar el sudor de la frente con la honestidad de quien encuentra consuelo en la tierra y cuya inspiración necesita ese aire de arte que ambos respiramos... 
2/VI/2026: Pode ser que o título nos recorde a canção da Amália (eu gosto mais da versão do meu"primo" Roberto Leal), mas "Una casa portuguesa', escrito e ilustrado por Ximena Maier, não é a típica mudança do citadino para o campo nem o lugar-comum de recomeçar a vida numa casa a precisar de obras nos arredores de Évora. É muito mais do que isso.
Tive conhecimento deste livro há pouco mais de um dia e li-o mal chegou às minhas mãos, entre sorrisos constantes e o prazer da palavra, acompanhado pelas belíssimas ilustrações. De vez em quando, os olhos humedeciam-se-me. Esta quinta, hoje da Ximena e da sua bonita família, também faz parte da minha vida, pois foi a casa dos meus tios e o lugar onde vivi muitos momentos basilares da minha infância e juventude. Os pormenores e as palavras que dedica aos meus tios Manuel e Gertrudes, e ao meu tio Manuel Leal em particular, ao que junto a nova alma espanhola da quinta, constituem uma das mais belas casualidades da minha vida... Nunca o teria imaginado, tal como, tendo agora este precioso livro nas minhas mãos, não consigo imaginar a sua versão portuguesa feita por outras mãos que não as minhas. Porquê?
A Ximena sabe que o meu tio é um mestre da enxada, e eu aprendi com o meu avô e com ele, mas também me ensinaram a apoiar-me no seu cabo, a limpar o suor da testa com a honestidade de quem encontra consolo na terra e cuja inspiração necessita desse ar de arte que ambos respiramos...

segunda-feira, junho 01, 2026

Edgar Morin morreu

30/V/2026: Entro nas redes e apercebo-me de que Edgar Morin morreu. Creio que só li um livro seu, acho que nos tempos da licenciatura, e também foi nos tempos da licenciatura que, graças a uma professora simpatiquíssima de Pedagogia (acho que se chamava Teresa — é chato quando um gajo não se lembra do nome de boa gente), sublinhei a primeira citação e me debrucei sobre a sua ideia, tão atual quanto vigente, de vivermos na era da "opinionite", isto é, somos contemporâneos de um tempo em que elevámos opiniões (respeitáveis e execráveis) ao estatuto de ciência. Como podem comprovar, ainda hoje guardo religiosamente esse artigo, bem sublinhado numa velha fotocópia. À parte desse contacto, apenas fui acompanhando as suas entrevistas na imprensa, que me impressionavam pela lucidez e pela longevidade da mesma. Todos os dias ficamos a perder, é assim, mas este esteve por aqui bastante tempo, se não lhe prestámos mais atenção foi por outro motivo, não por falta de oportunidade.


30/V/2026: Entro en las redes y me doy cuenta de que Edgar Morin ha muerto. Creo que solo leí un libro suyo, probablemente en la época de la licenciatura, y también fue entonces cuando, gracias a una profesora de Pedagogía simpatiquísima (creo que se llamaba Teresa — es una pena cuando uno no recuerda el nombre de la buena gente), subrayé la primera cita y me detuve en su idea, tan actual como vigente, de que vivimos en la era de la "opinionitis", es decir, somos contemporáneos de un tiempo en el que hemos elevado las opiniones (respetables y execrables) a la categoría de ciencia. Como podéis comprobar, ún hoy conservo religiosamente aquel artículo, profusamente subrayado en una vieja fotocopia. Aparte de ese contacto, me limité a seguir sus entrevistas en la prensa, que me impresionaban por su lucidez y por la longevidad de esta. Todos los días salimos perdiendo, así es, pero este estuvo por aquí durante mucho tiempo, si no le prestamos más atención fue por otro motivo, no por falta de oportunidad.

quarta-feira, maio 27, 2026

Momento "National Geographic"...

27/V/2026: Eis o mais próximo que estive de uma potencial capa da "National Geographic": numa avenida da minha cidade.

27/V/2026: Esto es lo más cerca que he estado de una posible portada de "National Geographic": en una avenida de mi ciudad.


quinta-feira, maio 21, 2026

"entre 2 t(i)erras" en la Fundación CB (20/V/2026)

"entre 2 t(i)erras” se materializó en esta edición y pudo compartirse ayer por primera vez gracias a la Fundación CB (un agradecimiento especial a Vanesa por su atención y amabilidad interminables), al gran José M. Paulette, al maestro prologuista Antonio Sáez, al amigo traductor y revisor Adolfo Rodríguez y al ilustre presentador Luis Sáez, que lo hizo tan magníficamente que podíamos prescindir del autor.
Gracias también a los amigos y lectores que ya tienen en sus manos este territorio íntimo que los necesita para seguir escribiéndose.
(Las fotos son de la Fundación CB y de varios amigos presentes en un auditorio lleno y que me llena de gratitud).
“entre 2 t(i)erras” materializou-se nesta edição e pôde ser partilhado ontem pela primeira vez graças à Fundação CB (um agradecimento especial à Vanesa pela sua atenção e amabilidade intermináveis), ao grande José M. Paulette, ao mestre prefaciador Antonio Sáez, ao amigo tradutor e revisor Adolfo Rodríguez e ao ilustre apresentador Luis Sáez, que o fez de forma tão magnífica que podíamos prescindir do autor.
Obrigado também aos amigos e leitores que já têm nas mãos este território íntimo que precisa deles para continuar a escrever-se.