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segunda-feira, abril 06, 2026

5/IV/2026

5/IV/2026: Ao longo das nossas vidas, de uma forma ou de outra, todos nos preocupamos com as nossas famílias, com os nossos filhos, com o trabalho, com a saúde, com o estado do mundo, com o futuro... E aqueles de nós que conhecemos a ansiedade temos de nos esforçar para aceitar a ondulação agitada e incontrolável do exterior, para serenarmos outro oceano: o da nossa mente. 

A minha mente tem demasiadas ondas (algumas gigantes, estilo Nazaré), mas ao contrário das ondas do mar, e da minha falta de equilíbrio na prancha, estas já as vou sabendo surfar.


5/IV/2026: A lo largo de nuestras vidas, de una forma u otra, todos nos preocupamos por nuestras familias, por nuestros hijos, por el trabajo, por la salud, por el estado del mundo, por el futuro... Y aquellos de nosotros que conocemos la ansiedad tenemos que esforzarnos por aceptar la ondulación agitada e incontrolable del exterior, para serenar otro océano: el de nuestra mente.

Mi mente tiene demasiadas olas (algunas gigantes, al estilo de Nazaré), pero, a diferencia de las del mar y de mi falta de equilibrio sobre la tabla, estas ya empiezo a saber cómo surfearlas.



sexta-feira, março 20, 2026

O Chuck Norris não Morreu, foi ter com o Bruce Lee ao além para fazer a depilação.

20/III/2026: O Chuck Norris não morreu, foi ter com o Bruce Lee ao além para fazer a depilação. 
Chuck Norris (e o Bruce Lee) não é um gajo da porrada, é o filósofo de barba rija com o qual aprendi o que era filosofia antes de saber que existiam outros filósofos barbudos por essa história fora.
(Este livro custou-me um euro no Wallapop e foi um dos livros que mais gostei de ler em 2025.)


20/III/2026: Chuck Norris no murió, se fue al más allá con Bruce Lee para depilarse.
Chuck Norris (y Bruce Lee) no es un repartidor de hostias, es el filósofo de barba dura con el que aprendí lo que era la filosofía antes de saber que existían otros filósofos barbudos a lo largo de la historia.
(Este libro me costó un euro en Wallapop y fue uno de los libros que más me gustó leer en 2025.)


domingo, março 15, 2026

"El Zen y montar en bicicleta" - Luis Leal (in "Shibumi"

Aquí tenéis esta crónica-ensayo ("El Zen y montar en bicicleta"), que ya existía en portugués y que ahora se comparte en español gracias a las páginas de la revista Shibumi, bajo la excelsa dirección de Pedro Martín González y de Juanma Zarzo, responsable del tratamiento artístico de la misma.

Aqui têm esta crónica-ensaio ("O Zen e Andar de Bicicleta"), que já existia em português e que agora se partilha em espanhol graças às páginas da revista Shibumi, sob a excelsa direção de Pedro Martín González e de Juanma Zarzo, responsável pelo tratamento artístico da mesma.






terça-feira, setembro 09, 2025

"O Zen e Andar de Bicicleta" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 169, p. 102

"O Zen e Andar de Bicicleta" por Luis Leal

Sempre que me dirijo ao quiosque, tanto ao que resiste físico como ao que está instalado nos nossos dispositivos, lembro-me das palavras de Alejandro Jodorowsky e assumo a minha dependência: “Cada manhã, como um drogado, injecto uma dose de angústia: leio o jornal”. Necessitar física e/ou psicologicamente de determinada substância, objeto ou atividade não é o mais propício à verdadeira criatividade, ou, no meu caso, a um olhar minimamente desintoxicado. Portanto, desde há uns anos que abdiquei de informar-me através da televisão, fazendo-o apenas pela rádio e por algumas publicações tidas como de referência. Esta terapia opcional tem-me ajudado, sinto-me mais sóbrio e não tenho tido fortes recaídas. Este vício, agravado pela minha profissão e pela minha condição de progenitor, tende a levar-me a uma introspecção fronteiriça com a depressão, o que faz com que se olhem de soslaio com demasiada frequência. Admitir este facto ajuda-me e também é um dos motivos pelos quais sempre que me agarro à caneta tendo a pensar em temas sociais, políticos e até de economia! O caríssimo leitor sabe que, às vezes, caio na esparrela e, ao ler quem sabe, penso: “para que é que te pões a escrever sobre estes assuntos?”. Hoje espero não cometer esse erro e ser fiel à rubrica que o António Sancho me confia e versa sobre “Trabalhos&Paixões”. 

A significativa falta de atenção do mundo contemporâneo (agudizada pelas armas de destruição massiva que trazemos nos bolsos, os nossos smartphones, e com um mercado emergente da concentração, mas esse não é o tema) há muito fez interessar-me por filosofias como o Zen, ou seja, essa perspectiva nada religiosa da existência com um foco particular no cultivo da atenção, na vacuidade, no não fazer propositado, na higiene de pensamento, na plena presença e na sua consequente correlação de tudo o enunciado com uma maior compaixão, a qual nos leva indefectivelmente a uma sensação de paz e bem-estar. Não sou nenhum guru, muitíssimo menos iluminado, mas a verdade é que esta filosofia oriental, celebrizada através da cultura japonesa, já me pôs no meu sítio ao recordar-me um simples mantra “quando comes, comes, quando dormes, dormes” (ao qual juntei  “quando escreves, escreves”). 

    Contudo o Zen chegou quando já tinha, sem saber, uma velha filosofia de infância, o simples andar de bicicleta. Comecei relativamente cedo, numa velha Órbita, e a bicicleta mostrou-me ser o meio de transporte mais propício para a receptividade dos nossos sentidos. Se pensarmos bem, o que melhor se adapta ao “aqui” e ao “agora” são os cinco sentidos. O vento na cara, o frio nas mãos, o calor nas costas, por vezes transformado em suor, ou o sol e a sombra só possível de contemplar no Alentejo. Todo o contrário da nossa mente, entidade fundamental para a identidade, mas que teima a vaguear pelo passado e pelo futuro, arrasando a experiência do momento, esse “Carpe Diem”, derivado da visão, da audição, do olfacto, do tacto e do paladar.

    Em tempos olhei para a bicicleta desde uma perspectiva desportiva, cheguei a comprar calções de licra almofadados para a austeridade do selim e “camelbacks” para a hidratação, mas não sou pessoa de performances, vi que a roupa ajustada mostra-me ainda mais ridículo do que sou, e, naturalmente, agarrei-me a este belo velocípede sem esperar outra coisa que a mera circunstância de pôr-me em movimento contrariando algumas imposições sociais, tendências sedentárias, ou apenas ir a um determinado lugar de maneira económica, convertendo o seu uso numa forma de prática introspectiva. Há quem diga que isso é Zen puro e eu acredito. Portanto, tal como o ciclismo centrado no acto de pedalar apenas para manter o equilíbrio, o Zen não é um método, nem um dogma e, repito, não é uma religião. É um modo de encarar a vida, é uma experiência sensorial difícil de verbalizar, permitindo estabelecer um maior contacto connosco próprios e recuperar alguma da atenção perdida pelo caminho. Não elimina temores, ansiedades, reacções, hábitos, enfim, não é a panaceia, tem sim a capacidade de nos mostrar como tantas coisas alheias a nós próprios obstruem a nossa essência, tudo isto com um modesto recordatório: “Quando andas de bicicleta, andas de bicicleta”.  

Luis Leal, "Zen Fixie Guadiana I"


Luis Leal, "Zen Fixie Guadiana II"






segunda-feira, agosto 19, 2024

"Zen" - Harold Alvarado Tenorio

ZEN

La sombra sigue al cuerpo
condenado a viajar

Tendrás mi piel
tendrás mi carne
tendrás mis huesos

Pero el último guardó silencio
Tendrás mi medula -dijo-

Con el polvo del camino
la mano sostenía una sandalia.