sábado, maio 02, 2020
Epístola de um Quarentão em Quarentena
domingo, abril 19, 2020
O Quintal
Ainda sinto a tua voz. O timbre com que me chamavas para sentar-me ao teu lado.
quarta-feira, abril 01, 2020
Notas de insónia...
sábado, março 21, 2020
Contagio de ruído
segunda-feira, dezembro 09, 2019
sexta-feira, setembro 06, 2019
...
Sei que dizer-te amo-te não satisfaz o infinito a habitar em tudo o que te digo e no que sinto. Talvez por isso tenha abandonado os poemas e canções de amor na gaveta da adolescência, protegidos em cadernos de palavras minhas escritas pelo teu punho e letra.
Na época, não sabia que jamais saberia escrever sobre amor, apesar do tentar ao lançar-me do sentimento para a palavra. Emulava poetas para transcrever-te o meu coração. Aceitei a tradição, os versos, mas o meu coração ultrapassava a métrica e só não entrou em síncope porque o aceitaste tão acelerado quanto frágil. Fizeste-me poeta sem ter lido suficientemente a vida para o ser. Só de ti aceito esse destino, porque todos os dias sei que dizer-te amo-te não satisfazará o infinito a habitar em tudo o que não te poderei dizer e em tudo o que a mortalidade do meu corpo não me permitirá sentir. A minha alma diz-me que não o sou, porém a tua contradi-la. Só sou e serei teu. Poeta.
segunda-feira, maio 06, 2019
Se encontrar...
Se encontrar nesta terra,
bruta de sol e rija de pedra,
uma gota esquecida de água,
saberei que a minha sede não
aumentou em vão, escorrendo
em suor herdado da frente de
quem me criou esperançado
numa vida sem calos nas mãos.
Se encontrar nesta terra,
iludida de que é minha,
uma sombra de nada,
verei como se erguem as
árvores outrora plantadas
em solo agreste de sonhos
verdejantes em campo e num
qualquer porvir possível.
Se encontrar nesta terra
tudo aquilo que perdi
aceitarei tornar-me torrão
vermelho, barrento, costurado
por grama opressora, mas
quieto não vá em mim nascer
uma simples flor.
sexta-feira, abril 05, 2019
Alfredo
e vê como cresci menino de mim.
Passa-me a mão na cara
e vê como ela se foi para sempre
sem nunca deixar de pensar em ti,
nela e tudo aquilo que jamais vivi.
Passa-me a mão na cara
e derruba-me a máscara
imposta pela arte que nos deu vida
e nos projetou naquela noite de Verão
em que a chuva me trouxe o amor
verdadeiro pela última vez.
Passa-me a mão na cara
e sente a água das lágrimas
da criança que te salvou do fogo
com a pele enrugada de quem
acompanha o rasto do carro funerário.
Passa-me a mão na cara, Alfredo.
Sou eu, o Toto. Confessaste-te por mim
Deus e deixaste-me a eternidade em pedaços de fotogramas.
Não sei se irás para o paraíso.
Seja para onde fores,
de certeza,
alguém te deixará copiar.
quarta-feira, março 13, 2019
Coimbra
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| Postal de Coimbra, anos 80 (autor desconhecido) |
Houve uma época em que estive a ponto de para lá ir viver. Sei-o graças aos meus pais e à circunstância do meu pai poder ter o seu «Posto de Tracção» no local de residência, em vez de andar de lancheira atrás e de dormitório em dormitório.
quinta-feira, janeiro 17, 2019
segunda-feira, dezembro 31, 2018
Última nota de 2018
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| 2018 no estandal |
quarta-feira, dezembro 19, 2018
terça-feira, novembro 27, 2018
Luar na rua
Joelhos esfolados.
Eu em menino.
onde fui menino.
Calções e Verão.
sábado, outubro 13, 2018
A mão pousada
no sofá
lembrou-se
como era
a sua pele
e afagou o tecido
da sua memória
sábado, setembro 22, 2018
Fossa
domingo, setembro 02, 2018
Amor à alva
assomar-se pelos espaços
que a persiana lhe permite
e acordar-me o corpo
para o desejo do presente
amarrotado dos lençóis do passado
das nossas manhãs
a lua não domina a noite
como os satélites que pusemos
no nosso espaço e os quais vigíamos
com a atenção telescópica



