quinta-feira, abril 09, 2026

Coexistencia tecnológica...

9/IV/2026: No estoy seguro de si fue en 2003, pero sé que ahorré durante meses para poder comprarlo. Quería sustituir mi lector de CD portátil, sin renunciar a la calidad del audio, y poder llevarlo conmigo, sobre todo al hacer deporte. Recuerdo haber ido expresamente a la ciudad en la que hoy vivo para hacerme con él, y recuerdo también, con cierta nitidez, la satisfacción de haber reunido el dinero necesario y traerlo conmigo a casa.
Hoy lo contemplo como una especie de marca temporal, un pequeño hito entre una cierta materialidad y esa velocidad intangible, siempre en proceso de obsolescencia, que se manifiesta en la sucesión casi inagotable de lectores de MP3, móviles, smartphones, nubes, aplicaciones y, ahora también, en esa IA que se nos presenta como el último estado del arte.
Resulta curioso que algunos sostengan que la verdadera revolución es analógica, que la resistencia no pasa por estar conectados ni “online”, sino por una forma de reconexión con lo humano, en particular con esa capacidad de pensar a través de las manos. No estoy seguro, aunque intuyo que hay en ello algo que merece atención y reflexión. Al fin y al cabo, quienes seguimos utilizando objetos de otro tiempo que todavía funcionan, estén o no conectados al ordenador (como mi Minidisc o mis viejas cintas de audio), encontramos en su uso continuado, y en su diálogo con las tecnologías más recientes, una forma discreta pero eficaz de resistir la obsolescencia programada que varios intereses, y no la vorágine cronológica, nos quieren imponer.
Además de revolución o resistencia, yo le encuentro principalmente belleza y veo ya a algunos jóvenes fascinados por estos objetos... este fascinación los aleja del fascismo y de los totalitarismos inhumanos y insensibles a lo bello, a lo agradable y a cualquier residuo de amabilidad desinteresada.
Tal vez esa coexistencia de tecnologías no sea solo una cuestión práctica, sino también el reflejo, e incluso la posibilidad, de otras formas de coexistencia.
9/IV/2026: Não tenho a certeza se foi em 2003, mas sei que poupei durante meses para o poder comprar. Queria substituir o meu leitor de CD portátil, sem abdicar da qualidade do áudio, e poder levá-lo comigo, sobretudo quando fazia desporto. Lembro-me de ter ido propositadamente à cidade onde hoje vivo para o adquirir, e lembro-me também, com alguma nitidez, da satisfação de ter conseguido juntar o dinheiro necessário para trazê-lo comigo para casa.
Hoje contemplo-o como uma espécie de marca temporal, um pequeno marco entre uma certa materialidade e essa velocidade intangível, sempre em processo de obsolescência, que se manifesta na sucessão quase inesgotável de leitores de MP3, telemóveis, smartphones, nuvens, aplicações e, agora também, nessa IA que nos é apresentada como o mais recente estado da arte.
É curioso que alguns defendam que a verdadeira revolução é analógica, que a resistência não passa por estar ligado nem “online”, mas por uma forma de reconexão com o humano, em particular com essa capacidade de pensar através das mãos. Não tenho a certeza, embora intua que há nisso algo que merece atenção e reflexão. Ao fim ao cabo, aqueles de nós que continuamos a utilizar objetos de outros tempos que ainda funcionam, estejam ou não ligados ao computador (como o meu Minidisc ou as minhas velhas cassetes de áudio), encontramos no seu uso continuado, e no seu diálogo com as tecnologias mais recentes, uma forma discreta, mas eficaz, de resistir à obsolescência programada que vários interesses, e não a voragem cronológica, nos querem impor.
Para além de revolução ou resistência, encontro sobretudo beleza nisso e vejo já alguns jovens fascinados por estes objetos... esta fascínio afasta-os do fascismo e dos totalitarismos desumanos, insensíveis ao belo, ao agradável e a qualquer resíduo de amabilidade desinteressada.
Talvez essa coexistência de tecnologias não seja apenas uma questão prática, mas também o reflexo, e até a possibilidade, de outras formas de coexistência.

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