20/VIII/2026: Admitindo um presente bastante complexo e a tender para subníveis de mediocridade, salva-nos gente como Dozie Kanu, oriundo de Houston (EUA), descendente de nigerianos, a viver em Portugal e a desenvolver a sua arte a partir da Europa. Rejeitando as categorias identitárias rígidas, Kanu recorda o exemplo da sua família, que lhe deu "disciplina, pressão, expectativa, espiritualidade, hierarquia e uma consciência profunda da sobrevivência através da excelência".
Da sua entrevista, sublinho "sobrevivência através da excelência" e "uma sucata ensina o potencial daquilo que foi descartado". Enquanto a caneta desliza por debaixo das palavras, lembro-me de este tipo de sobrevivência ser tão típico daqueles que necessitam de migrar, quer seja de uma região do mundo a outra, quer seja para subir degraus na escada (cada vez melhor escondida) das classes sociais.
Sublinho mais uma vez "sobrevivência através da excelência". Porquê? Pergunto-me. Talvez porque, como ouvi um dia a alguém, "arte é fazer as coisas bem", ou porque me pareça que estas anotações ajudam alguém a resistir um pouco mais, a não sucumbir ao desleixe. Eu não sou excepção.
20/VIII/2026: Admitiendo un presente bastante complejo y con tendencia hacia subniveles de mediocridad, nos salva gente como Dozie Kanu, oriundo de Houston (EE. UU.), descendiente de nigerianos, que vive en Portugal y desarrolla su arte desde Europa. Rechazando las categorías identitarias rígidas, Kanu recuerda el ejemplo de su familia, que le dio "disciplina, presión, expectativa, espiritualidad, jerarquía y una profunda conciencia de la supervivencia a través de la excelencia".
De su entrevista, subrayo "supervivencia a través de la excelencia" y "una chatarra enseña el potencial de aquello que fue descartado". Mientras el boli se desliza por debajo de las palabras, recuerdo que este tipo de supervivencia es tan típico de quienes necesitan migrar, ya sea de una región del mundo a otra, ya sea para subir escalones en la escalera (cada vez mejor escondida) de las clases sociales.
Subrayo una vez más "supervivencia a través de la excelencia". ¿Por qué?, me pregunto. Tal vez porque, como le oí decir un día a alguien, "arte es hacer bien las cosas", o porque me parezca que estas anotaciones ayudan a alguien a resistir un poco más, a no sucumbir a la dejadez. Yo no soy una excepción.
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