Senderos da Mão Esquerda
segunda-feira, março 16, 2026
Phoebe (2006-2026)
15/III/2026: ¿Veinte años no es nada o es mucho tiempo? Me lo pregunto a menudo y, según el día, cambia la respuesta. Como tu “hermana” (con la cual nunca te has llevado bien), también tenías veinte años. Quizás sea mucho tiempo en vuestro caso, en el nuestro, posiblemente no. Reconozco que en los últimos tiempos nuestra relación no ha sido la misma que en los primeros años. Nuestra complicidad de carácter se fue alejando por esos maullidos nocturnos que no ayudan a quienes vislumbramos el peligro del insomnio crónico y de los demonios que este libera (es verdad: los míos son muy malhablados y siempre van munidos de muchos tacos). Otras cosas también empezaron a alejar nuestros mundos, en los que ambos nos reconocíamos algo pesados, pero con ganas de mantener el buen rollo necesario entre especies.
No es baladí que te llamaras como la que cantaba “Smelly Cat” en “Friends”, y jamás podré decir que no fuiste ambas cosas: apestosa y amiga. Y tampoco se te podía aplicar la teoría de las siete vidas, porque la señora de la guadaña ha sido tantas veces engañada por ti que ya ni siquiera te hacía caso. Al final tuvimos que ser nosotros quienes le recordáramos que cumpliera con su trabajo, para que siguieras teniendo en nuestra memoria esa agilidad felina, con habilidades ninja, capaz de cazar moscas en pleno vuelo (tuyo, no de las moscas).
Y lo más importante: has sido la mejor amiga que nuestros hijos han podido tener, y por eso les ha costado tanto (especialmente a X.) despedirse de ti. Llevas una semana muerta y todavía, cuando entro en casa, tengo cuidado de no pisarte y voy a ver si tu rinconcito está limpio. Es normal: somos cabezones y animales de costumbres. Quizás no te eche de menos como se suele echar de menos la leal amistad canina (lo sabías bien, por más perruno que fuera tu gen siamés). Pero me da la sensación de que, si existe un lugar para las almas de los animales, la tuya estará por allí haciéndose notar con una energía única e irrepetible. Porque, siendo sinceros, nunca fuiste un animal discreto.
Gracias, Phoebe. Estés donde estés, vas a formar siempre parte de nuestra familia. (Y, no te olvides, si sigues maullando por la noche, siempre habrá alguien, como yo, que te ofenda y te llame de todo. Pero, en el fondo, tú sabes que te quería).
15/III/2026 Vinte anos não são nada ou são muito tempo? Pergunto-me muitas vezes e, consoante o dia, a resposta muda. Tal como a tua “irmã” (com quem nunca te deste bem), também tinhas vinte anos. Talvez seja muito tempo no vosso caso, no nosso, talvez não. Reconheço que, nos últimos tempos, a nossa relação já não era a mesma dos primeiros anos. A nossa cumplicidade foi-se afastando por causa desse miar nocturno que não ajuda quem vislumbra o perigo da insónia crónica e dos demónios que a mesma liberta (é verdade: os meus são muito mal-educados e vêm sempre munidos de muitos palavrões). Outras coisas também começaram a afastar os nossos mundos, nos quais ambos nos reconhecemos um bocado chatos, mas com vontade de manter o bom ambiente necessário entre espécies.
Não é por acaso que te chamavas como aquela que cantava “Smelly Cat” nos “Friends”, e nunca poderei dizer que não foste ambas as coisas: malcheirosa e amiga. E tão-pouco se te podia aplicar a teoria das sete vidas, porque a senhora da gadanha foi tantas vezes enganada por ti que já nem sequer te ligava. No fim, tivemos de ser nós a lembrá-la de fazer o seu trabalho, para que continuasses a ter, na nossa memória, essa agilidade felina, com habilidades de ninja, capaz de caçar moscas em pleno voo (teu, não das moscas).
E o mais importante: foste a melhor amiga que os nossos filhos puderam ter, e por isso lhes custou tanto (sobretudo ao X.) despedirem-se de ti. Estás morta há uma semana e, ainda hoje, quando entro em casa, tenho cuidado para não te pisar e vou ver se o teu cantinho está limpo. É normal, somos teimosos e animais de hábitos. Talvez não sinta a tua falta como se sente a falta da leal amizade canina (tu sabias bem disso, por mais canino que fosse o teu gene siamês). Mas tenho a sensação de que, se existir um lugar para as almas dos animais, a tua andará por lá a fazer-se notar com uma energia única e irrepetível. Porque, sejamos sinceros, nunca foste um animal discreto.
Obrigado, Phoebe. Estejas onde estiveres, vais fazer sempre parte da nossa família. (E não te esqueças: se continuares a miar durante a noite, haverá sempre alguém, como eu, que te ofenda e te chame de tudo. Mas, no fundo, tu sabes que até gostava muito de ti.)
domingo, março 15, 2026
"El Zen y montar en bicicleta" - Luis Leal (in "Shibumi"
Aquí tenéis esta crónica-ensayo ("El Zen y montar en bicicleta"), que ya existía en portugués y que ahora se comparte en español gracias a las páginas de la revista Shibumi, bajo la excelsa dirección de Pedro Martín González y de Juanma Zarzo, responsable del tratamiento artístico de la misma.
Aqui têm esta crónica-ensaio ("O Zen e Andar de Bicicleta"), que já existia em português e que agora se partilha em espanhol graças às páginas da revista Shibumi, sob a excelsa direção de Pedro Martín González e de Juanma Zarzo, responsável pelo tratamento artístico da mesma.
sexta-feira, março 13, 2026
Uma fotografia de Theodor Hensolt
quarta-feira, março 11, 2026
A trabalhar com as mãos
sábado, março 07, 2026
Não é difícil imaginar...
7/III/2026: Não é difícil imaginar que se o monge poeta Ryōkan tivesse estado connosco hoje n'aCourela, talvez lhe tivesse ocorrido este haiku:
"Quando florescem,
já sabemos que cairão:
amendoeiras."
Ryōkan, tal como Bashô, Tolentino Mendonça e Joaquín Bohórquez Sánchez, físicamente não esteve, mas esteve nas páginas vividas por todos os que dedicaram o seu tempo ao Zazen "com a Primavera no horizonte".
Finda a jornada, ecoa o brincar das crianças, o alimento partilhado, a companhia canina, o diálogo fructífero e a atenção voluntária através do silêncio. "Gassho"
7/III/2026: No es difícil imaginar que, si el monje poeta Ryōkan hubiera estado hoy con nosotros en aCourela, quizá se le habría ocurrido este haiku:
"Cuando florecen,
ya sabemos que caerán:
almendros".
Ryōkan, al igual que Bashō, Tolentino Mendonça y Joaquín Bohórquez Sánchez, físicamente no estuvo, pero estuvo en las páginas vividas por todos los que dedicaron su tiempo al Zazen, "con la primavera en el horizonte".
Terminada la jornada, resuenan el juego de los niños, el alimento compartido, la compañía canina, el diálogo fructífero y la atención voluntaria a través del silencio. "Gassho".
(Fotos de Alex Gaspar - Dojo Via Autêntica - e d'aCourela do Alentejo)
quinta-feira, março 05, 2026
Morreu o António Lobo Antunes
5/III/2026: Morreu o António Lobo Antunes. Morreu o escritor de quem mais crónicas li, "ex aequo" com o Manuel António Pina. As novelas, nem tanto. O seu "Fado Alexandrino" ecoará para sempre nos meus paradoxos existenciais, tal como a sua personagem literária, controversa, a dar para o maldito, que não se coibia de afirmar que “Saramago masturbava os seus leitores” (disse-o num anfiteatro cheio de gente, no qual também me senti tocado pelo mencionado onanismo) e que “só dava autógrafos a quem tinha as pernas bonitas”. Eu, literalmente, mostrei-lhe as minhas com 20 anitos e acho que gostou, pois devolveu-me a sua firma, alertando-me para não entrar tão depressa nessa noite escura. Ainda hoje, se puder evitar entrar, não entro.
5/III/2026: Murió António Lobo Antunes. Murió el escritor del que más crónicas he leído, "ex aequo" con Manuel António Pina. Las novelas, no tanto. Su "Fado Alexandrino" resonará para siempre en mis paradojas existenciales, al igual que su personaje literario, controvertido, con tendencia a lo maldito, que no se cohibía de afirmar que "Saramago masturbaba a sus lectores" (lo dijo en un anfiteatro lleno de gente, en el que yo también me sentí tocado por el mencionado onanismo) y que «solo daba autógrafos a quien tenía las piernas bonitas». Yo, literalmente, le mostré las mías con 20 añitos y creo que le gustaron, pues me devolvió su firma, advirtiéndome de que no entrara tan deprisa en esa noche oscura. Aún hoy, si puedo evitar entrar, no entro.
(António Lobo Antunes, 1997, foto de João Francisco Vilhena, in revista "Ler")
terça-feira, março 03, 2026
Alfredo Cunha - Deolinda de Jesus, Mãe de António Variações
Temáticas:
Fotografia,
Música,
Portugal
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