sábado, outubro 22, 2011

Manhãs (II)

Outra manhã no mundo. Percorrendo a serra com o matutino sol de outubro que queima como se de junho fora...
Do outro lado está Alegrete, com uma vista privilegiada sobre a vastidão do Alentejo e da Extremadura... numa fronteira natural de humanidade que vale a pena conhecer...
Pergunto-me: Será bom Lisboa desconhecer os tesouros do seu interior? Sinceramente, fico-me por um rotundo talvez. 

Manhãs (I)

"Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela..."


José Régio

sexta-feira, outubro 21, 2011

Ensinamento (Adélia Prado)



É sempre um prazer, mesmo que doloroso às vezes, ler os versos da brasileira Adélia Prado, nascida en Divinópolis (Minas Gerais) em 1935. Eu conheci-a por este poema que já sei de cor.


ENSINAMENTO

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


quinta-feira, outubro 13, 2011

Salário digno, quando? - Beto


Salário digno, quando? é o título deste quadrinho ou quadradinho publicado no seu blogue, alaialaica,  por Beto, em Londrina, Brasil.





terça-feira, setembro 27, 2011

segunda-feira, setembro 26, 2011

"Viagem" de Miguel Torga (até me apetece "roubar" esta VW e pôr-me à estrada!)



É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga, in 'Diário XII'

O mocho e o macaco (Fernando Assis Pacheco)

Fotografia de Rosa Gambóias

Gosto muito da poesia de Fernando Assis Pacheco, leio e releio. Sente-se muitas vezes um estremecimento, um calafrio, como neste poema, "O mocho e o macaco", do seu livro Variações em Sousa (1987), que encontramos em A Musa Irregular (Assírio & Alvim, 2006), onde se recolhe a maioria dos versos escritos por Assis Pacheco. Há mais um livro, Respiração Assistida. Fica para outro dia.


O MOCHO E O MACACO

Ora uma vez um mocho diz o meu filho
que sabe todas as histórias do mundo

uma vez um mocho
o macaquinho pergunta-lhe
o que é quando se morre?
pois nada diz o mocho
morre-se praí

o macaquinho insiste
mocho e quando tu morreres?
morro nada diz o mocho
hás-de morrer tu primeiro

mas veio uma zorra e comeu o mocho
que foi para um buraco muito fundo
ninguém cantava nesse buraco
só os morcegos e mesmo esses
só se a gente lhes batesse
com uma vassoura da cozinha

o macaquinho come bananas
escapa-se ao jacaré do Amazonas
que lhe quer dar uma dentada
salta nas árvores
uma daquelas era onde estava o mocho

coitado do mocho
não viu a zorra ao pé da carvalheira
morre-se praí
morre-se num instantemente de nada

morre-se a morte mocha
sem a gente dizer ai



quinta-feira, setembro 22, 2011

"A dark cloud over Évora..."

Já não me lembro se choveu... pena a foto ser de telemóvel, pois a luz e os contrastes ao vivo eram impressionantes...

terça-feira, setembro 20, 2011

"O bom filho a casa retorna..."

Depois de algum tempo longe dos "senderos", que o nosso amigo Pedro teve sempre a gentileza de não esquecer, volto a divagar com vista para a Serra da Srª. da Penha, onde contemplo este atardecer.
Sabe bem voltar a casa, mesmo que tenha um telhado virtual...

quinta-feira, setembro 01, 2011

O ciclista (1916) - Mario Sironi


Eu não ando à par da nossa Volta a Espanha, mas sei que nós já estamos de volta mais uma vez, e estamos entendidos, Luís. É por isso que chega aqui ao blogue esta obra do pintor italiano Mario Sironi (1885-1961), intitulada O ciclista.  Para além de pintor, Sironi foi também escultor, ilustrador e designer.



terça-feira, agosto 09, 2011

Dois sorrisos e um olhar desconfiado


Esse é que é o título desta fotografia do brasileiro Juca Filho, que costuma assinar como Juca Fii.

Boas férias (ainda)!


quarta-feira, junho 29, 2011

terça-feira, junho 21, 2011

Mais bicicletas

Vita di Milano - Ready to leave


Fortunato Depero - Ciclisti (1922)


Frederico Zandomeneghi - In bicicletta al Bois



segunda-feira, maio 23, 2011

The Twilight Samurai


A nomeação para o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro de 2004 atesta a qualidade desta película de época realizada por Yoji Yamada. “The Twilight Samurai” é um filme que vai para além do género e introduz-nos a uma personagem cuja ausência de ambição material é substituída pela sua humilde dedicação à família…
A história de um samurai de classe social inferior que roça a miséria ao ponto de vender a “Katana”, herdada de seu pai, para pagar as dívidas e poder ver crescer as suas filhas, “dia após dia, é como ver crescer sementeiras ou ver florescer flores num campo”…
Há anos que o tinha visto (e guardado na minha videoteca), mas já não me lembrava que, para além de uma narrativa interessantíssima, também tem uma fotografia elegantíssima com o sereno Monte Fuji em plano de fundo.

sexta-feira, maio 20, 2011

Exposição Sardinhas Festas de Lisboa’11 -


Exposição Sardinhas Festas de Lisboa’11
Até ao final de Agosto em exposição nas instalações do Millennium BCP da Rua Augusta, Lisboa.

A autora deste desenho é Susana Carvalhinhos.

quinta-feira, maio 19, 2011

"Rainbow" - Long Live Rock 'n' Roll

Mi amigo Jorge suele dejarme discos de su colección para que después podamos discutir la calidad y sonido de algunos grupos que probablemente ya son de la edad de la piedra para algunos. Además de un excelente músico (con su grupo “Tierrakemá”) y muy buena gente, Jorge es un melómano como conozco pocos (sólo superado por José Luis y nuestro Pedro). No os estoy mintiendo, si os digo que me siento un inculto cuando hablamos de esta pasión común que es el “Metal” y el “Rock”…
Es lo que pasa con este álbum de “Rainbow” con su emblemático cantante, ya desaparecido, Ronnie Dio. Con Jorge, y su hermano David, he redescubierto que en 1978 los “strings” y “riffs” de las guitarras de este grupo ya merecían la atención del público.
Para quien le gusta el género, os garantizo que merece la pena. Por ahora es lo que se escucha por aquí.