domingo, julho 26, 2026

L'Odyssée

26/VII/2026: A malta farta-se de escrever e de comentar "A Odisseia" do Nolan, mas optei por manter-me alheio a essas leituras e vi o filme como gosto, isto é, com gosto e com uma contaminação mínima dos "gostos" ou "não gostos" de gente que até pode saber muito ou nada sobre a obra de Homero.
E, como gosto de gente imperfeita, outros Odisseus perdidos nesses mares de vidas únicas, com tanta dificuldade em atracar em portos seguros, tenho este "L'Odyssée" à espera de ser visto em cima do móvel da sala após ser adquirida por 0'80€. Submergir-me-ei nele com o mesmo gosto com que vi o do Nolan? Não sei. Sei, sim, que o Cousteau me levou em viagens mar adentro muito antes de eu saber que existiu um Odisseu (ou Ulisses) e de me atrever a pretender saber de cultura clássica...

26/VII/2026: La gente no se harta de escribir y comentar "La Odisea" de Nolan, pero opté por mantenerme al margen de esas lecturas y vi la película como me gusta, es decir, con gusto y con una contaminación mínima de los "me gusta" o "no me gusta" de gente que puede saber mucho o nada sobre la obra de Homero.
Y, como me gusta la gente imperfecta, otros Odiseos perdidos en esos mares de vidas únicas, con tanta dificultad para atracar en puertos seguros, tengo esta "L'Odyssée" esperando a ser vista encima del mueble del salón tras adquirirla por 0'80€. ¿Me sumergiré en ella con el mismo gusto con el que vi la de Nolan? No lo sé. Lo que sí sé es que Cousteau me llevó mar adentro mucho antes de que yo supiera que existió un Odiseo (o Ulises) y de atreverme a pretender saber de cultura clásica...

segunda-feira, julho 13, 2026

Toda resistencia a la pluralidad étnica, religiosa y cultural de la nación acabará en barbarie

13/VII/2026: Regresé de Francia a la Península Ibérica hace dos días por uno de los ejes viarios que se remontan al empedrado romano y que son vertebrales para una Europa que se yergue de Norte a Sur y se ensancha de Este a Oeste. El tráfico impresiona, al igual que me impresionan las declaraciones de figuras públicas que confunden patria, nación, identidad cultural colectiva e individual y, la más importante para la coexistencia democrática, ciudadanía. Como ciudadano bicéfalo que soy, suscribo las palabras de Daniel Oliveira, hace una semana en el "Expresso", y si tuviese que elegir una selección sería la de la dignidad del ser humano:
"No existe una identidad nacional original. La nacionalidad es ciudadanía —derechos y deberes compartidos—, no una etnia, religión o cultura homogéneas. La nación es un proceso, no un retrato: hecha de capas, exclusiones e invenciones. Y toda resistencia a la pluralidad étnica, religiosa y cultural de la nación acabará en barbarie". 

13/VII/2026: Regressei de França, há dois dias, por um dos eixos rodoviários que remontam ao empedrado romano e são vertebrais para uma Europa que se ergue de Norte a Sul e se alarga de Este a Oeste. O trânsito impressiona, tal como me impressionam as declarações de figuras públicas que confundem pátria, nação, identidade cultural colectiva, individual e, a mais importante para a coexistência democrática, cidadania. Como cidadão bicéfalo que sou, subscrevo as palavras de Daniel Oliveira no "Expresso" de há uma semana, e se tivesse que escolher uma selecção seria a da dignidade do ser humano: 
"Não existe uma identidade nacional original. Nacionalidade é cidadania — direitos e deveres partilhados —, não etnia, religião ou cultura homogéneas. A nação é um processo, não um retrato: feita de camadas, exclusões e invenções. E toda a resistência à pluralidade étnica, religiosa e cultural da nação acabará em barbárie". 


domingo, julho 12, 2026

Amigo Corto

Angoulême, 9/VII/2026: De todos os amigos (imaginários) que um gajo tem, este é o que mais admiro. Alguém capaz de desenhar, com a ponta da navalha, na palma da mão, a linha do destino e escolher ser observador em vez de protagonista num mundo sempre em mudança.
Angoulême, 9/VII/2026: De todos los amigos (imaginarios) que uno tiene, este es el que más admiro. Alguien capaz de dibujar, con la punta de una navaja, en la palma de la mano, la línea del destino y elegir ser observador en lugar de protagonista en un mundo siempre cambiante.

segunda-feira, junho 08, 2026

quarta-feira, junho 03, 2026

3/VI/2026

3/VI/2026 – World Bicycle Day
"Se tens tanto orgulho nele, porque não o trazes mais vezes a arejar?", perguntas-te. "Talvez porque, para manter o equilíbrio, não olhe muito para trás", respondo-me. Mas deveria. E hoje é um desses dias.
3/VI/2026 – World Bicycle Day
"Si estás tan orgulloso de él, ¿por qué no lo sacas más a menudo para que le dé el aire?", te preguntas. "Tal vez porque, para mantener el equilibrio, no mire demasiado hacia atrás", me respondo. Pero debería hacerlo. Y hoy es uno de esos días.

A PRIMEIRA CICATRIZ - Luis Leal ("pedal(e)ar", 2018)

A primeira cicatriz
a marcar-lhe a cara
foi uma queda fora
da velha Órbita

Quis a bicicleta
da sua meninice
que tivesse
um buraquinho
na bochecha direita
sempre que os dias
o fazem
sorrir.

terça-feira, junho 02, 2026

"Una casa portuguesa" de Ximena Maier (Lumen, 2026)

2/VI/2026: Puede que el título nos recuerde la canción de Amália (yo tiro más para la versión de mi "primo" Roberto Leal), pero "Una casa portuguesa", escrito e ilustrado por Ximena Maier, no es la típica mudanza del urbanita al campo ni el tópico de volver a empezar en una casa destartalada en las afueras de Évora. Es muchísimo más.
De este libro tuve noticia hace poco más de un día y lo he leído recién llegado, entre sonrisas constantes y el placer de la palabra, unido a las preciosas ilustraciones. De vez en cuando, se me humedecían los ojos. Esta finca, hoy de Ximena y de su preciosa familia, se encuentra también en mi vida, pues fue la casa de mis tíos y donde yo viví muchos momentos basilares de mi infancia y juventud. Los detalles y las palabras que dedica a mis tíos Manuel y Gertrudes, y a mi tío Manuel Leal en particular, a lo que sumo la nueva alma española de la quinta, constituyen una de las más bellas casualidades de mi vida... Jamás me lo imaginaría, igual que, habiendo tenido este libro precioso en mis manos, no imagino su versión en portugués hecha por otras manos que no sean las mías. ¿Porqué?
Ximena sabe que mi tío es un maestro con la azada, y yo lo aprendí de mi abuelo y de él, pero también me enseñaron a apoyarme en el mango, a limpiar el sudor de la frente con la honestidad de quien encuentra consuelo en la tierra y cuya inspiración necesita ese aire de arte que ambos respiramos... 
2/VI/2026: Pode ser que o título nos recorde a canção da Amália (eu gosto mais da versão do meu"primo" Roberto Leal), mas "Una casa portuguesa', escrito e ilustrado por Ximena Maier, não é a típica mudança do citadino para o campo nem o lugar-comum de recomeçar a vida numa casa a precisar de obras nos arredores de Évora. É muito mais do que isso.
Tive conhecimento deste livro há pouco mais de um dia e li-o mal chegou às minhas mãos, entre sorrisos constantes e o prazer da palavra, acompanhado pelas belíssimas ilustrações. De vez em quando, os olhos humedeciam-se-me. Esta quinta, hoje da Ximena e da sua bonita família, também faz parte da minha vida, pois foi a casa dos meus tios e o lugar onde vivi muitos momentos basilares da minha infância e juventude. Os pormenores e as palavras que dedica aos meus tios Manuel e Gertrudes, e ao meu tio Manuel Leal em particular, ao que junto a nova alma espanhola da quinta, constituem uma das mais belas casualidades da minha vida... Nunca o teria imaginado, tal como, tendo agora este precioso livro nas minhas mãos, não consigo imaginar a sua versão portuguesa feita por outras mãos que não as minhas. Porquê?
A Ximena sabe que o meu tio é um mestre da enxada, e eu aprendi com o meu avô e com ele, mas também me ensinaram a apoiar-me no seu cabo, a limpar o suor da testa com a honestidade de quem encontra consolo na terra e cuja inspiração necessita desse ar de arte que ambos respiramos...

segunda-feira, junho 01, 2026

Edgar Morin morreu

30/V/2026: Entro nas redes e apercebo-me de que Edgar Morin morreu. Creio que só li um livro seu, acho que nos tempos da licenciatura, e também foi nos tempos da licenciatura que, graças a uma professora simpatiquíssima de Pedagogia (acho que se chamava Teresa — é chato quando um gajo não se lembra do nome de boa gente), sublinhei a primeira citação e me debrucei sobre a sua ideia, tão atual quanto vigente, de vivermos na era da "opinionite", isto é, somos contemporâneos de um tempo em que elevámos opiniões (respeitáveis e execráveis) ao estatuto de ciência. Como podem comprovar, ainda hoje guardo religiosamente esse artigo, bem sublinhado numa velha fotocópia. À parte desse contacto, apenas fui acompanhando as suas entrevistas na imprensa, que me impressionavam pela lucidez e pela longevidade da mesma. Todos os dias ficamos a perder, é assim, mas este esteve por aqui bastante tempo, se não lhe prestámos mais atenção foi por outro motivo, não por falta de oportunidade.


30/V/2026: Entro en las redes y me doy cuenta de que Edgar Morin ha muerto. Creo que solo leí un libro suyo, probablemente en la época de la licenciatura, y también fue entonces cuando, gracias a una profesora de Pedagogía simpatiquísima (creo que se llamaba Teresa — es una pena cuando uno no recuerda el nombre de la buena gente), subrayé la primera cita y me detuve en su idea, tan actual como vigente, de que vivimos en la era de la "opinionitis", es decir, somos contemporáneos de un tiempo en el que hemos elevado las opiniones (respetables y execrables) a la categoría de ciencia. Como podéis comprobar, ún hoy conservo religiosamente aquel artículo, profusamente subrayado en una vieja fotocopia. Aparte de ese contacto, me limité a seguir sus entrevistas en la prensa, que me impresionaban por su lucidez y por la longevidad de esta. Todos los días salimos perdiendo, así es, pero este estuvo por aquí durante mucho tiempo, si no le prestamos más atención fue por otro motivo, no por falta de oportunidad.

quarta-feira, maio 27, 2026

Momento "National Geographic"...

27/V/2026: Eis o mais próximo que estive de uma potencial capa da "National Geographic": numa avenida da minha cidade.

27/V/2026: Esto es lo más cerca que he estado de una posible portada de "National Geographic": en una avenida de mi ciudad.


quinta-feira, maio 21, 2026

"entre 2 t(i)erras" en la Fundación CB (20/V/2026)

"entre 2 t(i)erras” se materializó en esta edición y pudo compartirse ayer por primera vez gracias a la Fundación CB (un agradecimiento especial a Vanesa por su atención y amabilidad interminables), al gran José M. Paulette, al maestro prologuista Antonio Sáez, al amigo traductor y revisor Adolfo Rodríguez y al ilustre presentador Luis Sáez, que lo hizo tan magníficamente que podíamos prescindir del autor.
Gracias también a los amigos y lectores que ya tienen en sus manos este territorio íntimo que los necesita para seguir escribiéndose.
(Las fotos son de la Fundación CB y de varios amigos presentes en un auditorio lleno y que me llena de gratitud).
“entre 2 t(i)erras” materializou-se nesta edição e pôde ser partilhado ontem pela primeira vez graças à Fundação CB (um agradecimento especial à Vanesa pela sua atenção e amabilidade intermináveis), ao grande José M. Paulette, ao mestre prefaciador Antonio Sáez, ao amigo tradutor e revisor Adolfo Rodríguez e ao ilustre apresentador Luis Sáez, que o fez de forma tão magnífica que podíamos prescindir do autor.
Obrigado também aos amigos e leitores que já têm nas mãos este território íntimo que precisa deles para continuar a escrever-se.

terça-feira, maio 12, 2026

La mejor forma de conocerme es conocer al otro...

12/V/2026: La mejor forma de conocerme es conocer al otro, y este Luis Leal era bastante interesante. Luis Leal (Martínez), con quien Google (normal o académico) y las IA de este mundo me confunden, fue un crítico, bibliógrafo, editor, ensayista y estudioso de la literatura latinoamericana, principalmente de la mexicana y chicana, además de profesor universitario en EE. UU. y merecedor de la Medalla Nacional de Humanidades, otorgada por ese presidente americano bastante amigo de becarias, como Monica Lewinsky.
Por su parte, vuestro amigo Luis Leal (que también es confundido, ahora en portugués, con un futbolista santomense) está resignado a las confusiones de los motores de búsqueda y se alegra de que aquello que va escribiendo llegue por ahí, hasta donde sea posible...
Pero, aunque el otro Luis Leal (1907-2010) vivió entre México y EE. UU., este “entre 2 t(i)erras” es aquí del menda... (y estará disponible a partir del 20 de mayo, a las 19:00 h, en la Fundación CB, en Badajoz).
12/V/2026: A melhor forma de me conhecer é conhecer o outro, e este Luis Leal era bem interessante. Luis Leal (Martínez), com quem o Google (normal ou académico) e as IA desse mundo me confundem, foi um crítico, bibliógrafo, editor, ensaísta e estudioso da literatura latino-americana, principalmente da mexicana e chicana, para além de professor universitário nos EUA e merecedor da Medalha Nacional de Humanidades, outorgada por esse presidente americano bastante amigo de estagiárias, como Monica Lewinsky.
Já o vosso amigo Luis Leal (que também é confundido, agora em português, com um jogador de futebol santomense) está resignado às confusões dos motores de busca e fica contente por aquilo que vai escrevendo ir chegando por aí, onde for possível...
Mas, apesar do outro Luis Leal (1907-2010), ter vivido entre o México e os EUA, este "entre 2 t(i)erras" é cá do mangas... (e estará disponível a partir de dia 20 de maio, às 19h, Fundación CB, em Badajoz).

segunda-feira, maio 11, 2026

"Os Amigos do Gaspar" conhecem o Sérgio

10/V/2026: Se é um privilégio criá-los com a sua obra a fazer parte da sua infância, foi ainda maior o privilégio de apresentar pessoalmente os meus “Amigos do Gaspar” ao seu criador: o grande Sérgio Godinho. Grato, amigo Sérgio, por este bocadinho com o teu Leal amigo e família. (Temos de passar mais coisas tuas para a língua de Cervantes, tu que, desde há muito, deverias ganhar o Prémio Camões!)

10/V/2026: Si es un privilegio criarlos con su obra formando parte de su infancia, aún mayor fue el privilegio de presentar personalmente a mis “Amigos do Gaspar” a su creador: el gran Sérgio Godinho. Gracias, amigo Sérgio, por este ratito con tu Leal amigo y su familia. (¡Tenemos que traducir más cosas tuyas a la lengua de Cervantes, tú, que desde hace mucho tiempo deberías haber ganado el Premio Camões!)



sábado, maio 09, 2026

Neurodivergente...

9/5/2026: Está na moda ser neurodivergente na idade adulta e cada vez há mais declarações públicas de adultos a afirmarem ter tal condição. Vejo que a maioria o faz, e se autodiagnostica, para possivelmente mostrar o seu carácter distintivo entre os demais, às vezes a sua genialidade (o caso do Musk), ou outras vezes a justificação para as suas poucas habilidades sociais e até défice de urbanidade e civilidade.
Eu divirjo pouco de um velho pediatra catedrático (hoje jubilado, mas com um “olho clínico” como poucos) que me dava a sua perspectiva sobre os imensos diagnósticos, às vezes desmesurados, de hiperactividade: “Existe hiperactividade, e há que intervir muitas vezes com terapia e medicação, mas o que mais existe é falta de regras e má educação.
Este tipo de modas frivoliza assuntos sérios. É triste, mas justifica a conduta injustificada de muita gente, o que dá imenso jeito. Principalmente os pseudogurús da IA que vaticinam um futuro apenas para os que têm habilidades técnicas (principalmente manuais) e para os neurodivergentes. Já eu que sou muito normalito, a dar para o médio das massas, possivelmente neuroconvergente, isto dá-me que pensar...

9/5/2026: Está de moda ser neurodivergente en la edad adulta y cada vez hay más declaraciones públicas de adultos que afirman tener tal condición. Veo que la mayoría lo hace, y se autodiagnostica, posiblemente para mostrar su carácter distintivo entre los demás, a veces su genialidad (el caso de Musk), u otras veces como justificación de sus escasas habilidades sociales e incluso de su déficit de urbanidad y civismo.
Difiero poco de un viejo pediatra catedrático (hoy jubilado, pero con un “ojo clínico” como pocos) que me daba su perspectiva sobre los innumerables diagnósticos, a veces desmesurados, de hiperactividad: «Existe la hiperactividad y muchas veces hay que intervenir con terapia y medicación, pero lo que más existe es falta de normas y mala educación».
Este tipo de modas frivoliza asuntos serios. Es triste, pero justifica la conducta injustificable de mucha gente, lo cual viene muy bien. A mí, que soy muy normalito, más bien del mediano de las masas, posiblemente neuroconvergente, esto me da mucho que pensar...



quarta-feira, maio 06, 2026

Presentación de "entre 2 t(i)erras" de Luis Leal (20 de mayo, 19h, Badajoz)

Gracias a la Fundación CB, el próximo 20 de mayo, a las 19h, presentaré mi "entre 2 t(i)erras", nacido entre dos países y dos lenguas, pero hijo de esa mera existencia circunstancial que es la mía. Será un encuentro ajeno a fronteras, en un territorio íntimo que se concibe a través de dos tierras y se materializa en una perspectiva. Para no perderme, me acompañará el gran Luis Sáez Delgado, a quien desde ya agradezco su disponibilidad y buena compañía. Ahora solo faltáis vosotros.

Graças à Fundación CB, no próximo dia 20 de maio, às 19h, apresentarei o meu "entre 2 t(i)erras", nascido entre dois países e duas línguas, mas filho dessa mera existência circunstancial que é a minha.
Será um encontro alheio a fronteiras, num território íntimo que se concebe através de duas terras e se materializa numa perspetiva.

Para não me perder, acompanhar-me-á o grande Luis Sáez Delgado, a quem desde já agradeço a disponibilidade e a boa companhia. Agora, só faltam vocês.

sexta-feira, maio 01, 2026

1°de Maio/Mayo

1/V/2026: Na minha genética corre o ADN de gente que foi impedida de aprender a escrever e cujas mãos apenas conheceram as ferramentas do campo ou da fábrica. Gente como o meu avô que, com um pé possivelmente partido, teve de continuar a carregar sacas de 50 kg à base de unguentos, mezinhas e benzeduras, sendo um milagre não ter ficado coxo para o resto da vida. Sei cavar, e as minhas mãos conhecem bem a terra e o cabo da enxada, mas, graças a esses antepassados que conheceram a exploração laboral, com ecos feudais e próxima da escravidão, assim como a proibição de celebrarem o Dia do Trabalhador, aprendi a escrever e hoje posso deixar aqui estas palavras: trabalhar para viver e não viver para trabalhar, tal como dignidade laboral para todos (até para aquele ultramilionário avarento e quezilento, a quem, por mais que invista em transhumanismo, também lhe cavarão a tumba e não levará mais do que a sua triste conduta para debaixo da terra que o tratará como ao pobre, como simples húmus, matéria orgânica, no seu caso desalmada...).
1/V/2026: En mi genética corre el ADN de gente a la que se le impidió aprender a escribir y cuyas manos solo conocieron las herramientas del campo o de la fábrica. Gente como mi abuelo que, con un pie posiblemente roto, tuvo que seguir cargando sacos de 50 kg a base de ungüentos, remedios caseros y rezos, siendo un milagro no haber quedado cojo para el resto de su vida. Sé cavar, y mis manos conocen bien la tierra y el mango de la azada, pero, gracias a esos antepasados que conocieron la explotación laboral, con ecos feudales y cercana a la esclavitud, así como la prohibición de celebrar el Día del Trabajador, aprendí a escribir y hoy puedo dejar aquí estas palabras: trabajar para vivir y no vivir para trabajar, igual que dignidad laboral para todos (incluso para ese ultramillonario avaro y conflictivo, a quien, por más que invierta en transhumanismo, también le cavarán la tumba y no se llevará más que su triste conducta bajo la tierra que lo tratará como al pobre, como simple humus, materia orgánica, en su caso desalmada...).
(Foto de Juanma Zarzo)

terça-feira, abril 28, 2026

Tríptico "Topografía Interior" de José M. Paulette

28/IV/2026: As minhas palavras começaram a compilar-se aqui: no traço generoso de José M. Paulette, que as leu e devolveu-mas em movimento, cor e forma, ao ponto de um dos fragmentos do seu tríptico “Topografía Interior” se tornar a porta de entrada para um território que tenho vindo a atravessar entre linhas, línguas e terras… Obrigado, mais uma vez, amigo Paulette. Em breve, espero poder partilhar outra “topografia” que, por agora, é ainda apenas visual.

28/IV/2026: Mis palabras comenzaron a compilarse aquí: en el trazo generoso de José M. Paulette, que las leyó y me las devolvió en movimiento, color y forma, hasta el punto de que uno de los fragmentos de su tríptico “Topografía Interior” se convirtió en la puerta de entrada a un territorio que he ido atravesando entre líneas, lenguas y tierras… Gracias, una vez más, amigo Paulette. En breve, espero poder compartir otra topografía que, por ahora, es aún solo visual.




domingo, abril 26, 2026

"E não nos esqueceremos dos que nos apunhalaram pelas costas"

26/IV/2026: "Y no nos olvidaremos de quienes nos apuñalaron por la espalda" es un fragmento de un discurso de un político pronunciado ayer en la Asamblea de la República de Portugal que me despierta esta mañana. Me pregunto quién habrá apuñalado a este pobre político, con problemas de corazón y de vesícula. ¿Serán los demócratas, esa pérfida gente que quiere retirarle el escaño parlamentario respetando el voto de la mayoría? ¿O será una advertencia ante nuevas venturas? No lo sé, pero sé dónde suelen acabar estos acusados de apuñalamientos simbólicos por políticos con este calibre de memoria: en una fosa común, precedida de un pelotón de fusilamiento. ¿Por qué lo sé? Porque vivo a unos metros de una (de la Guerra Civil española —lean a Mário Neves—) y no deseo a nadie que acabe en una. Insisto, nadie, por mucha bilis que esté segregando en la sociedad...
26/IV/2026: “E não nos esqueceremos de quem nos apunhalou pelas costas” é um fragmento de um discurso de um político proferido ontem na Assembleia da República de Portugal que me acorda esta manhã. Pergunto-me quem terá apunhalado este pobre político, com problemas de coração e de vesícula. Serão os democratas, essa pérfida gente que lhe quer retirar o assento parlamentar respeitando o voto da maioria? Ou será uma advertência a novas venturas? Não sei, mas sei onde costumam acabar estes acusados de apunhalamentos simbólicos por políticos com este calibre de memória: numa vala comum, precedida de um pelotão de fuzilamento. Porque é que o sei? Porque vivo a uns metros de uma (da Guerra Civil espanhola — leiam Mário Neves) e não desejo a ninguém que acabe numa. Insisto, ninguém, por mais bílis que esteja a segregar na sociedade...

sábado, abril 25, 2026

Conferencia: "António Lobo Antunes: El escritor perseguido por el Nobel"

24/IV/2026: Como siempre que lo acompaño, es un honor y una satisfacción (y también una grata responsabilidad) presentar al académico y al intelectual Antonio Sáez Delgado, como lo fue ayer, en una brillante conferencia sobre uno de los grandes de la literatura occidental: el recién fallecido Antonio Lobo Antunes.
Gracias a Antonio y a Iván por querer contar con mi compañía en este acto del Ateneo de Badajoz, que tanto honra a su sección de estudios ibéricos y a nuestra ciudad. 
(En mi cronología vital, me parece que hoy, más que nunca, hay que reivindicar la cultura como resistencia a la barbarie.)
24/IV/2026: Como sempre que o acompanho, é uma honra e uma satisfação (e também uma grata responsabilidade) apresentar o académico e o intelectual Antonio Sáez Delgado, como o foi ontem, numa brilhante conferência sobre um dos grandes da literatura ocidental: o recentemente falecido Antonio Lobo Antunes.
Obrigado ao Antonio e ao Iván por quererem contar com a minha companhia neste ato do Ateneo de Badajoz, que tanto honra a sua secção de estudos ibéricos e a nossa cidade. 
(Na minha cronologia vital, parece-me que hoje, mais do que nunca, é preciso reivindicar a cultura como resistência à barbárie.)

25 de Abril Sempre!

25/IV/2026: Pelos meus avós, pelos meus pais, tios e madrinha; pelos meus filhos, sobrinhos, alunos e todas as futuras gerações... O 25 de Abril é um dos mais belos atrevimentos da história da humanidade e, graças a ele, pude atrever-me a estudar e a tentar realizar-me como pessoa em democracia. Se desejar uma sociedade em que é possível encontrar "em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade" é considerado uma coisa de "perdedor" ("loser", como diz um mau ser humano chamado Trump ou afins), eu quero ser um grande perdedor. Pelo menos, poderei honrar o sacrifício que muitos dos meus fizeram por mim e por outros... e, muito importante (apesar de uma certa preocupação), deitar-me com a consciência tranquila na almofada. 25 de Abril sempre! Fascismos (sejam como forem), nunca mais!
25/IV/2026: Por mis abuelos, por mis padres, tíos y madrina; por mis hijos, sobrinos, alumnos y todas las generaciones futuras... El 25 de Abril es uno de los más bellos atrevimientos de la historia de la humanidad y, gracias a él, pude atreverme a estudiar y a intentar realizarme como persona en democracia. Si desear una sociedad en la que es posible encontrar "en cada esquina un amigo, en cada rostro igualdad" se considera algo de “perdedor” (“loser”, como dice un mal ser humano llamado Trump o afines), yo quiero ser un gran perdedor. Al menos, podré honrar el sacrificio que muchos de los míos hicieron por mí y por otros... y, muy importante (a pesar de cierta preocupación), acostarme con la conciencia tranquila en la almohada. ¡25 de Abril siempre! Fascismos (sean como sean), nunca más.