terça-feira, novembro 01, 2011

À minha porta...

Cada vez vejo mais miséria. Antes era mais dissimulada, envergonhada, até mesmo mais de espírito que material... Hoje, cada vez vejo mais flagrante o mal-estar de gente que nem para comer tem... E como é que nos podem pedir para cortar ainda mais no que é essencial? Como nos podemos manter em silêncio, quando dizem que vivemos nesta crise porque quisemos fazer parte do clube dos ricos (entenda-se UE)?
Eu tenho vergonha do que vejo, de termos retrocedido a antes de Abril, de serem aplaudidas medidas austeras sempre para os mesmos, da desigualdade ser promovida como panaceia para os males da ganância e do afã da alta e despiedada finança... 
Senhores governantes, a grande depressão já a vivemos, por enquanto ainda nos podemos afogar em vinho a 12% de IVA, para quando um Lei Seca?

O UMM de José Megre na Exposição do Baja Portalegre 2011

  In www.josemegre.com

José Megre (1942 – 2009)
Nascido a 26 de Março de 1942, em Lisboa e formado em engenharia mecânica, José Megre desde cedo se começou a interessar por automóveis.
Depois de efectuar um Curso de Engenharia Mecânica com especialização em Automóveis em Londres, Inglaterra (1963-66), Megre decidiu participar nalgumas competições automóveis. Nos anos 70, o antigo piloto somou três participações no Campeonato do Mundo de Ralis. A partir de 1982 passou a dedicar-se exclusivamente à disciplina de todo o terreno onde se destacam as participações pioneiras no rali Paris-Dakar ao volante dos UMM de construção portuguesa. Participou ainda no rali Paris-Cidade do Cabo e no Paris-Moscovo-Pequim.

"Pai" do todo o terreno em Portugal

Como organizador foi o responsável pelo aparecimento da Maratona de Portalegre, em 1987, e da Baja Portugal, em 1988, prova que é hoje conhecida como Rali Transibérico, a mais importante competição europeia da modalidade, integrando a Taça do Mundo de Todo-o-Terreno. Dentro de seu leque de organizações inclui-se ainda as 24 Horas de TT e o Transportugal.
Desde 1987 foi o responsável pela criação e organização de várias expedições intercontinentais em África, Ásia e Américas, todas elas com um mínimo de 15 mil quilómetros. É o sócio número 1 e co-fundador do Clube Todo-o-Terreno, criado em 1982, e Presidente e co-fundador do Clube Aventura, iniciado em 1984.

José Megre o viajante

Viajante compulsivo, esteve em 193 dos 194 países soberanos reconhecidos no planeta - só lhe faltava o Iraque. De notar que, as viagens de José Megre não eram feitas, de maneira nenhuma, unicamente para conseguir o carimbo no passaporte. A sua norma era fazer vários quilómetros, em todas elas, para conhecer o melhor possível os países que visitava, tendo percorrido cerca de um milhão de quilómetros em automóvel fora de Portugal. Mesmo nas últimas viagens que fez a países fechados ao turismo, alguns dos quais bastante instáveis e com restrições à circulação, percorreu de automóvel várias centenas de quilómetros em cada um deles.
Nos últimos dois anos visitou cerca de 20 países, entre os quais a Libéria, o Afeganistão, a Coreia do Norte, a Nigéria, o Zaire, a Somália, os minúsculos Nauru e Tuvalu no Pacífico, o Tadjiquistão e a Arábia Saudita, onde José Megre se deslocou por três vezes, fazendo aí um total de 12.000km em automóvel, tendo esta sido a sua última e importante descoberta.
Em 2007 fez a sua terceira viagem em automóvel desde Portugal ao Sul de África, desta vez com destino a Maputo. Mas, anteriormente já tinha atravessado 15 vezes o deserto do Sahara em seis itinerários diferentes. Assim, conhece todos os países de África através destas e de várias outras viagens que fez neste continente, sempre em automóvel.
José Megre começou a viajar de automóvel no estrangeiro com 13 anos, na altura com os pais, e nunca mais parou. Desde então, para além dos itinerários no continente africano anteriormente referidos, cruzou a Europa e a Ásia por três vezes, fazendo duas travessias entre o Atlântico e o Pacífico, uma no rali Paris-Pequim, outra no comboio Transiberiano e ainda outra que o levou de Lisboa à Índia, ao Nepal, Butão e Tibete de automóvel.
Nos dois continentes americanos, atravessou por duas vezes os Estados Unidos e uma vez o Canadá, ambos de costa a costa. Percorreu também todos os países da América Central e, por quatro vezes, a América do Sul em viagens de cerca de 15.000km cada, sempre em itinerários diferentes.
Efectivamente, o objectivo de José Megre como viajante não era só conhecer todos os países do mundo, mas também fazer todos os grandes itinerários dos sete continentes, cruzando-os de Norte a Sul e/ou de Leste a Oeste. Assim, para cumprir este objectivo deslocou-se também à Antárctida no navio Explorer, recentemente afundado durante uma expedição idêntica. Percorreu, ainda, cerca de 20.000km na Austrália, para além de ter estado em todos os países independentes da Oceânia-Pacífico.
José Megre deixou-nos aos 66 anos, a 21 de Fevereiro de 2009, vítima de cancro do pulmão.

Passado na gaveta...

sábado, outubro 22, 2011

Manhãs (II)

Outra manhã no mundo. Percorrendo a serra com o matutino sol de outubro que queima como se de junho fora...
Do outro lado está Alegrete, com uma vista privilegiada sobre a vastidão do Alentejo e da Extremadura... numa fronteira natural de humanidade que vale a pena conhecer...
Pergunto-me: Será bom Lisboa desconhecer os tesouros do seu interior? Sinceramente, fico-me por um rotundo talvez. 

Manhãs (I)

"Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela..."


José Régio

sexta-feira, outubro 21, 2011

Ensinamento (Adélia Prado)



É sempre um prazer, mesmo que doloroso às vezes, ler os versos da brasileira Adélia Prado, nascida en Divinópolis (Minas Gerais) em 1935. Eu conheci-a por este poema que já sei de cor.


ENSINAMENTO

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


quinta-feira, outubro 13, 2011

Salário digno, quando? - Beto


Salário digno, quando? é o título deste quadrinho ou quadradinho publicado no seu blogue, alaialaica,  por Beto, em Londrina, Brasil.





terça-feira, setembro 27, 2011

segunda-feira, setembro 26, 2011

"Viagem" de Miguel Torga (até me apetece "roubar" esta VW e pôr-me à estrada!)



É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga, in 'Diário XII'

O mocho e o macaco (Fernando Assis Pacheco)

Fotografia de Rosa Gambóias

Gosto muito da poesia de Fernando Assis Pacheco, leio e releio. Sente-se muitas vezes um estremecimento, um calafrio, como neste poema, "O mocho e o macaco", do seu livro Variações em Sousa (1987), que encontramos em A Musa Irregular (Assírio & Alvim, 2006), onde se recolhe a maioria dos versos escritos por Assis Pacheco. Há mais um livro, Respiração Assistida. Fica para outro dia.


O MOCHO E O MACACO

Ora uma vez um mocho diz o meu filho
que sabe todas as histórias do mundo

uma vez um mocho
o macaquinho pergunta-lhe
o que é quando se morre?
pois nada diz o mocho
morre-se praí

o macaquinho insiste
mocho e quando tu morreres?
morro nada diz o mocho
hás-de morrer tu primeiro

mas veio uma zorra e comeu o mocho
que foi para um buraco muito fundo
ninguém cantava nesse buraco
só os morcegos e mesmo esses
só se a gente lhes batesse
com uma vassoura da cozinha

o macaquinho come bananas
escapa-se ao jacaré do Amazonas
que lhe quer dar uma dentada
salta nas árvores
uma daquelas era onde estava o mocho

coitado do mocho
não viu a zorra ao pé da carvalheira
morre-se praí
morre-se num instantemente de nada

morre-se a morte mocha
sem a gente dizer ai



quinta-feira, setembro 22, 2011

"A dark cloud over Évora..."

Já não me lembro se choveu... pena a foto ser de telemóvel, pois a luz e os contrastes ao vivo eram impressionantes...

terça-feira, setembro 20, 2011

"O bom filho a casa retorna..."

Depois de algum tempo longe dos "senderos", que o nosso amigo Pedro teve sempre a gentileza de não esquecer, volto a divagar com vista para a Serra da Srª. da Penha, onde contemplo este atardecer.
Sabe bem voltar a casa, mesmo que tenha um telhado virtual...

quinta-feira, setembro 01, 2011

O ciclista (1916) - Mario Sironi


Eu não ando à par da nossa Volta a Espanha, mas sei que nós já estamos de volta mais uma vez, e estamos entendidos, Luís. É por isso que chega aqui ao blogue esta obra do pintor italiano Mario Sironi (1885-1961), intitulada O ciclista.  Para além de pintor, Sironi foi também escultor, ilustrador e designer.



terça-feira, agosto 09, 2011

Dois sorrisos e um olhar desconfiado


Esse é que é o título desta fotografia do brasileiro Juca Filho, que costuma assinar como Juca Fii.

Boas férias (ainda)!


quarta-feira, junho 29, 2011

terça-feira, junho 21, 2011

Mais bicicletas

Vita di Milano - Ready to leave


Fortunato Depero - Ciclisti (1922)


Frederico Zandomeneghi - In bicicletta al Bois



segunda-feira, maio 23, 2011

The Twilight Samurai


A nomeação para o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro de 2004 atesta a qualidade desta película de época realizada por Yoji Yamada. “The Twilight Samurai” é um filme que vai para além do género e introduz-nos a uma personagem cuja ausência de ambição material é substituída pela sua humilde dedicação à família…
A história de um samurai de classe social inferior que roça a miséria ao ponto de vender a “Katana”, herdada de seu pai, para pagar as dívidas e poder ver crescer as suas filhas, “dia após dia, é como ver crescer sementeiras ou ver florescer flores num campo”…
Há anos que o tinha visto (e guardado na minha videoteca), mas já não me lembrava que, para além de uma narrativa interessantíssima, também tem uma fotografia elegantíssima com o sereno Monte Fuji em plano de fundo.