quinta-feira, dezembro 25, 2025

Numa rua completamente às escuras movem-se estes versos

25/XII/2025: Mais um Natal, diferente como todos os Natais. Entre os presentes, quiseram os “correios” que este "Numa rua completamente às escuras movem-se estes versos" me chegasse hoje às mãos. Há um tal Luis Leal por essas páginas, bastante bem acompanhado por quem verdadeiramente sabe de versos, mas que costuma preferir estar “Só, com a paz que merecemos”. Ainda não li a antologia; apenas a folheei, com algumas breves paragens. Contudo, eis um bom livro para termos presente em certas festas… Obrigado à Lília Tavares e à Poéticas Edições por contarem comigo para um projeto desta natureza.
25/XII/2025: Un año más, Navidad, distinta como todas las Navidades. Entre los regalos, quisieron los “correos” que este "En una calle completamente a oscuras se mueven estos versos" llegara hoy a mis manos. Hay un tal Luis Leal por esas páginas, muy bien acompañado por quienes verdaderamente saben de versos, pero que suele preferir estar “Solo, con la paz que merecemos”. Aún no he leído la antología; tan solo la he hojeado, con algunas breves pausas. Sin embargo, aquí está un buen libro para tener presente en ciertas celebraciones… Gracias a Lília Tavares y a Poéticas Edições por contar conmigo para un proyecto de esta naturaleza.

terça-feira, dezembro 23, 2025

23/XII/2025

23/XII/2025: Puede que el pasado que contiene mi tuétano me aleje de la infancia, pero al niño que llevo dentro le siguen gustando las Navidades. Ya no disfruta solamente jugando, sino viendo a los demás jugar y compartiendo tiempo y atención.
Al yo mayor le gustan las luces, el frío, el silencio y esa sensación de transición cuya naturaleza se elevó a ritual. Le gusta agradecer las pequeñas cosas que, en su conjunto, encierran una riqueza de la que posiblemente muchos no se darán cuenta o no se les permite darse cuenta. Piensa en el regalo que le gustaría ver compartido por este mundo, especialmente en sus dos tierras: la decencia.
En la síntesis de los yoes hay un tercer ente que únicamente quiere alejarse, significarse en el vacío y aceptar que estos son los tiempos que le han tocado vivir. Pero sigue escuchando y dialogando con las voces del pasado y del presente. No desistir es resistencia; es, quizá, casi una revolución. No desistir de la humanidad, de nuestra humanidad, es también espíritu de Navidad. Es el nacer, o renacer, que simbolizan estas fiestas.
Celebramos el nacimiento de un Hombre Bueno, a pesar de que llevamos tiempo haciendo caso a gente mala: acosadores, mentirosos y oportunistas, seres ignobles que nos quieren colonizar con su banalización del mal. Sería fácil poner nombres y apellidos, pero no merece la pena nombrarlos. Me niego a que también estén presentes en lo que de puro tienen las Navidades.
Celebremos a los buenos, no es difícil. Son aquellos que no desean el mal a nada ni a nadie. Son muchos y no están acobardados. Simplemente, a algunos no les conviene que sepamos que existen. Feliz Navidad.

23/XII/2025: Pode ser que o passado que trago no meu tutano me afaste da infância, mas à criança que tenho dentro continua a agradar-lhe o Natal. Já não se deleita apenas a brincar, mas a ver os outros brincar e a partilhar tempo e atenção.
Ao eu adulto agradam-lhe as luzes, o frio, o silêncio e essa sensação de transição cuja natureza se elevou a ritual. Gosta de agradecer as pequenas coisas que, no seu conjunto, encerram uma riqueza de que possivelmente muitos não se apercebem ou não lhes é permitido aperceber-se. Pensa no presente que gostaria de ver partilhado por este mundo, em especial nas suas duas terras: a decência.
Na síntese dos eus há um terceiro ente que apenas quer afastar-se, significar-se no vazio e aceitar que estes são os tempos que lhe coube viver. Mas continua a ouvir e a dialogar com as vozes do passado e do presente. Não desistir é resistência. É, talvez, quase uma revolução. Não desistir da humanidade, da nossa humanidade, é também espírito de Natal. É o nascer, ou renascer, que estas festas simbolizam.
Celebramos o nascimento de um Homem Bom, apesar de há muito fazermos caso a gente má: assediadores, mentirosos e oportunistas, seres ignóbeis que nos querem colonizar com a sua banalização do mal. Seria fácil dar nomes e apelidos, mas não vale a pena nomeá-los. Recuso-me a que também estejam presentes naquilo que de puro tem o Natal.
Celebremos os bons, não é difícil. São aqueles que não desejam o mal a nada nem a ninguém. São muitos e não estão acobardados. Simplesmente, a alguns não lhes convém que saibamos que existem. Feliz Natal.

Imagem gerada con GenIA a partir do conteúdo desta publicação. 

segunda-feira, dezembro 15, 2025

Si hubiera comido bocatas de mortadela...

14/XII/2025: Si este «Vencido de la vida» hubiera tenido un amigo como mi hijo X., si hubiera montado en skate, si hubiera comido bocatas de mortadela delante del mar, me da que no habría tenido un final tan desventurado…
(La verdad es que Antero de Quental era genial; cómo me encanta visitarlo aquí y en sus sonetos.)

14/XII/2025: Se este «Vencido da vida» tivesse tido um amigo como o meu filho X., se tivesse andado de skate, se tivesse comido sandes de mortadela em frente ao mar, parece-me que não teria tido um fim tão desventurado…
(A verdade é que Antero era genial; como adoro visitá-lo aqui e nos seus sonetos.)

quinta-feira, dezembro 11, 2025

Uma fotografia de Lefteris

 


Lefteris - ΠΟΔΗΛΑΤΙΣΣΑ written with bicycle parts, 2011

ποδηλάτισσα means:

1. feminine cyclist  [masc. ποδηλάτης]

2. cafe in volos, greece

ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ

Ποδηλάτισσα: Μεγάλες στιγμές για το υπέροχο καφέ της πόλης μας… [Βόλος]
[Ciclista: Ótimos momentos para o maravilhoso café da nossa cidade… - Volos]



segunda-feira, dezembro 08, 2025

"Mas as palavras são pedras", disse-me

8/XII/2025: "Mas as palavras são pedras”, disse-me. Na época não o percebi, não me pareceu ter sentido, nem sabia que também nós sedimentamos tanto do que somos como do que vivemos. A "Aparição" é densidade e substância, o magma que se tornou granito, trabalhado por tantos cantoneiros até ficar com a forma presente. Ou britar-se nessa pedra que foi pisada e também arremessada em violência.
No Alto de São Bento, décadas depois, penso que apareço. Encontrei algum propósito, toquei várias formas, e as minhas mãos respondem ao Vergílio, ou ao Alberto. Para mim, que daqui nasci, as pedras são palavras. Nunca imaginei deixá-las aos montes no papel.

"Pero las palabras son piedras", me dijo. En aquella época no lo entendí, no me pareció que tuviera sentido, ni sabía que también nosotros sedimentamos tanto lo que somos como lo que vivimos. "Aparición" es densidad y sustancia, el magma que se volvió granito, trabajado por tantos canteros hasta adquirir su forma presente. O triturarse en esa piedra que fue pisada y también arrojada con violencia.
En el Alto de São Bento, décadas después, pienso que aparezco. Encontré algún propósito, toqué varias formas, y mis manos responden a Vergílio, o a Alberto. Para mí, que aquí nací, las piedras son palabras. Nunca imaginé dejarlas amontonadas sobre el papel.

(Alto de São Bento, Luis Leal, foto de Santiago L. Pinto)


domingo, dezembro 07, 2025

"Train Dreams"

6/XII/2025 – "Train Dreams" (Netflix): Me hubiera gustado ver la magnífica interpretación de Joel Edgerton en el cine. Si ya frente al televisor me emocioné, imagino cómo habría sido experimentarla en la gran pantalla. "Train Dreams" es una historia profunda, triste y tan verosímil que conmueve sin artificios: transmite la dureza y la belleza de los golpes y de las caricias de alguien que atravesó la vida sin más pretensión que la de ser un buen padre de familia. Decencia y dignidad.
(Ya no tiene nada que ver con la película, pero hasta suscribiría un régimen de tres “D”: Decencia, Dignidad y Democracia.)
6/XII/2025: Gostaria de ter visto a magnífica interpretação de Joel Edgerton no cinema. Se já me emocionei em frente ao televisor, imagino como teria sido vivê-la no grande ecrã. "Train Dreams" é uma história profunda, triste e tão verosímil que comove sem artifícios: transmite a dureza e a beleza tanto dos golpes como das carícias de alguém que percorreu a vida sem outra pretensão que a de ser um bom pai de família. Decência e dignidade. 
(Já não tem nada a ver com o filme, mas até subcreveria um regime de três "D": Decência, Dignidade e Democracia".)

sábado, dezembro 06, 2025

5/XII/2025

5/XII/2025: Mi hijo X. y yo estuvimos viendo una vieja película cuyo contexto histórico y cuyo guión nos hablan sobre la responsabilidad, el deber y el honor, en una dialéctica entre la tradición y el presente, con la ilusión, o la promesa, de un futuro posible desencadenado del pasado. Ahora, recién acostado, con él a mi lado en esta velada exclusiva de padre e hijo, recuerdo por qué me niego a que seamos una tesis revolucionaria cualquiera; me niego a que se nos reduzca a una antítesis reaccionaria. Y, si algo somos, es una síntesis en devenir, como todos aquellos que comprenden que, sin el ejercicio del pensamiento, nada quedaría en nosotros que fuese digno de integrarse como un eslabón en la cadena del tiempo que habitamos y que, inevitablemente, se desvanecerá. Como nosotros. Todos.
5/XII/2025: O meu filho X. e eu estivemos a ver um velho filme cujo contexto histórico e cujo argumento nos falam sobre a responsabilidade, o dever e a honra, numa dialéctica entre tradição e presente, com a ilusão, ou a promessa, de um futuro possível desencadeado do passado. Agora, recém-deitado, com ele ao meu lado neste serão exclusiva de pai e filho, recordo porque me recuso a que sejamos uma tese revolucionária qualquer; recuso que nos reduzam a uma antítese reaccionária. E, se algo somos, é uma síntese em devir, como todos aqueles que compreendem que, sem o exercício do pensamento, nada restaria em nós que fosse digno de se integrar como elo na cadeia do tempo que habitamos e que, inevitavelmente, se desvanecerá. Como nós. Todos. 
(Imagen generada por IA)

domingo, novembro 30, 2025

“É Santa Cruz.”, digo eu, com a certeza de não saber porquê.

29/XI/2025: "A perfeição não existe", dizem-nos. 
"Então o que é um instante perfeito?", pergunta aquele cujo espírito delimitado é sincero.
"É a arquitetura do acaso, delineada na areia fugidia da infância, a esquadria da maré com cúpula no horizonte e pontos de fuga no Atlântico.", responde aquele outro, esse que só quer estar por ali a obturar os ângulos possíveis de uma qualquer ocasião.
“É Santa Cruz.”, digo eu, com a certeza de não saber porquê.

29/XI/2025: “La perfección no existe”, nos dicen.
“Entonces, ¿qué es un instante perfecto?”, pregunta aquel cuyo espíritu delimitado es sincero.
“Es la arquitectura del azar, dibujada en la arena fugitiva de la infancia, la escuadría de la marea con cúpula en el horizonte y puntos de fuga en el Atlántico”, responde ese otro, ese que solo quiere estar por allí obturando los ángulos posibles de cualquier ocasión.
“Es Santa Cruz”, digo yo, con la certeza de no saber por qué.





sexta-feira, novembro 28, 2025

La diferencia entre 1990 y hoy...

28/XI/2025: La diferencia abismal entre 1990 y hoy, además de los reflejos oxidados, es que cuando me caigo o me quedo hecho polvo o ya ni siquiera me levanto. Pero el niño que jugaba con el skate en el jardín de su casa sigue por ahí con su “bañera con ruedas”…
28/XI/2025: A diferença abissal entre 1990 e hoje, para além dos reflexos enferrujados, é que quando caio ou fico todo escavacado ou já nem sequer me levanto. Mas o miúdo que brincava com o skate no quintal de sua casa continua por aí com a sua “banheira com rodas”…

quinta-feira, novembro 27, 2025

"Lápis de pintar dias cinzentos"

27/XI/2025: "Lápiz de colorear días grises". Detalle fotográfico de la obra de Carlos Nogueira (en el MAAT de Lisboa), en un día que no necesitó más colores que los que tuvo, naturalmente y casualmente.
27/XI/2025: "Lápis de pintar dias cinzentos". Pormenor fotográfico da obra de Carlos Nogueira (no MAAT, em Lisboa), num dia que não precisou de mais cores do que as que teve, naturalmente e casualmente.

terça-feira, novembro 25, 2025

25 de Novembro

25/XI/2025: O 25 de Novembro é um verso que adquiriu protagonismo a partir desse poema único, “inteiro e limpo”, que se começou a escrever em Abril. É uma frase redonda, relevante, porém não rima fora da composição poética que foi a Revolução dos Cravos.
25 de Abril (Democracia) sempre! Fascismo nunca mais!
25/XI/2025: El 25 de Noviembre es un verso que adquirió protagonismo a partir de ese poema único, “entero y limpio”, que empezó a escribirse en Abril. Es una frase redonda, relevante, pero que no rima fuera de la composición poética que fue la Revolución de los Claveles.
¡25 de Abril (Democracia) siempre! ¡Fascismo nunca más!

sábado, novembro 22, 2025

¿Qué tipo de personas seríamos en una dictadura?/ Que tipo de pessoas seríamos numa ditadura?

21/XI/2025: He tenido la suerte de asistir a la presentación del libro "Mañana matarán a Daniel", de Aroa Moreno, introducido brillantemente por Antonio Sáez, y me he quedado con una reflexión/indagación de la autora: “¿Qué tipo de personas seríamos si viviéramos en una dictadura?”. Seguro que algunos de nosotros ya nos hemos hecho esta pregunta; yo lo hice muy temprano y lo sigo haciendo.
Es difícil hacer planteamientos en modo condicional, puesto que la partícula "si" en un enunciado remite a la probabilidad y no a la realidad. Teniendo en cuenta mi perfil personal, moldeado en un contexto democrático y habiendo conocido (incluso en persona) a víctimas y opresores de regímenes dictatoriales, creo que podría admitir varios escenarios con diferentes grados de probabilidad:
A. Sería un simple trabajador, preocupado únicamente por dar de comer a mis hijos, intentando no significarme en una sociedad en que las mujeres serían propiedad de los hombres.
B. Estaría exiliado (seguro que internamente).
C. Me estaría muriendo por dentro, pues un íntimo libre no aguanta demasiado tiempo en cautiverio.
D. Estaría en la cárcel y prohibido de ejercer mi trabajo por ser considerado subversivo.
E. Subsistiría a duras penas, posiblemente despojado de cualquier propiedad privada o de bienes personales.
F. Sería muy posible que me hubiesen torturado o, aún peor, acosado, torturado y violado a mis seres queridos con total impunidad.
G. Resistiría como pudiera; abandonaría el pacifismo y, para combatir la monstruosidad, sacaría lo peor de mí para sobrevivir.
H. O, lo más probable, estaría muerto en alguna fosa común (como la que tengo a 300 metros de mi casa).
No me gusta pensar ni hacerme esta pregunta, y hubo tiempos en que no hacía mucha falta que nos la hiciéramos con tanta frecuencia. Admito el optimismo y la esperanza, al igual que la desmemoria.
Hace diez años publiqué un poema que hablaba de tatuajes nazis yéndose de compras por calles de mi ciudad. Algo ya se intuía: el despudor masivo.
Hoy hagámonos y hagamos esta pregunta, principalmente a los más jóvenes, algunos con nostalgia de autoritarismos desconocidos: “¿Estaremos dispuestos a ser las personas que somos en una dictadura?”.

21/XI/2025: Tive a sorte de assistir à apresentação do livro "Mañana matarán a Daniel", de Aroa Moreno, introduzido brilhantemente por Antonio Sáez, e fiquei com uma reflexão/indagação da autora: “Que tipo de pessoas seríamos se vivêssemos numa ditadura?”. Certamente alguns de nós já nos fizemos esta pergunta; eu fiz-la muito cedo e continuo a fazê-la.
É difícil fazer reflexões em modo condicional, pois a partícula "se" num enunciado remete para a probabilidade e não para a realidade. Tendo em conta o meu perfil pessoal, moldado num contexto democrático e tendo conhecido (até pessoalmente) vítimas e opressores de regimes ditatoriais, creio que poderia admitir vários cenários com diferentes graus de probabilidade:
A. Seria um simples trabalhador, preocupado apenas em dar de comer aos meus filhos, tentando não me expor, numa sociedade em que a mulher seria propiedade do homem.
B. Estaria exilado (seguramente no exílio interior).
C. Estaria a morrer por dentro, pois um íntimo livre não aguenta demasiado tempo em cativeiro.
D. Estaria na prisão e proibido de exercer a minha profissão por ser subversivo.
E. Subsistiria a muito custo, possivelmente despojado de qualquer propriedade privada ou de bens pessoais.
F. Seria muito provável que me tivessem torturado ou, ainda pior, que tivessem assediado, torturado e violado os meus seres queridos com total impunidade.
G. Resistiria como pudesse; abandonaria o pacifismo e, para combater a monstruosidade, recorreria ao pior de mim para sobreviver.
H. Ou, mais provavelmente, estaria morto numa vala comum (como a que tenho a 300 metros da minha casa).
Não gosto de pensar nem de me fazer esta pergunta, e houve tempos em que não era necessário fazê-la com tanta frequência. Admito o optimismo e a esperança, assim como a desmemória.
Há dez anos publiquei um poema que falava de tatuagens nazis a fazer compras pelas ruas da minha cidade. Algo já se intuía: o despudor massivo.
Hoje façamos e convidemos os outros, sobretudo os mais jovens, nostálgicos de autoritarismos ignotos, a fazer esta pergunta:
“Estamos dispostos a ser as pessoas que somos numa ditadura?”
(Imagen generada por IA)

quinta-feira, novembro 20, 2025

20/XI/2025 "Tiktokización"

20/XI/2025: Que Ronaldo y Messi sean referentes de izquierdas o de derechas más allá de la cancha de fútbol es el reflejo de la "tiktokización" de un tipo de política internacional que fomenta el vacío intelectual y, me cuesta escribirlo, la estupidez masiva. ¿Quién gana el partido? Hay quien dice que son siempre los mismos. Yo, sinceramente, no sé quiénes son, pero sé muy bien quiénes lo pierden.
20/XI/2025: Que o Ronaldo e o Messi sejam referências da esquerda ou da direita para além do campo de futebol é o reflexo da "tiktokização" de um certo tipo de política internacional que promove o vazio intelectual e, custa-me escrevê-lo, a estupidez massiva. Quem ganha o jogo? Há quem diga que são sempre os mesmos. Eu, sinceramente, não sei quem são, mas sei muito bem quem o perde.

O rebanho...

20/XI/2025: O rebanho pode enganar-se no pasto e até passar fome com uma ovelha ranhosa como guia, mas está condenada à extinção se se deixa guiar pelo lobo disfarçado com pele de cordeiro.
El rebaño puede equivocarse en el pasto e incluso pasar hambre si sigue a una oveja descarriada como guía, pero está condenado a la extinción si se deja guiar por el lobo disfrazado con piel de cordero.

quarta-feira, novembro 19, 2025

Después de hablar y escuchar...

19/XI/2025: Después de hablar y escuchar a varios jóvenes acerca de algunos líderes y personas a quienes ellos consideran una influencia “inspiradora” en sus vidas, me quedo con ese viejo apunte que me orienta y me mantiene a flote en el océano tormentoso de la complejidad: “El mal no deja de ser mal porque es un mal menor”.
19/XI/2025: Depois de falar e ouvir vários jovens acerca de alguns líderes e pessoas que eles consideram uma influência “inspiradora” nas suas vidas, fico com aquele velho apontamento que me orienta e me mantém à tona no oceano tempestuoso da complexidade: “O mal não deixa de ser mal por ser um mal menor”.
(Imagen generada con IA)

No es la primera vez...

16/XI/2025: No es la primera vez que me doy cuenta de que lo que mejor me define es lo que llevo a diario en los bolsillos. Hay días, como hoy, en que vislumbro en ellos belleza cromática y de composición, pues la pequeñez, esa diminuta importancia del contenido, suelo tenerla por asumida.
(Este bloc es una espiral de tareas y divagaciones que el boli rojo escribe en honor al ismo más importante para mí: el Ramonismo
La navaja, roja por casualidad, es ese recordatorio constante de mis orígenes y me ayuda a pensar con las manos.)
16/XI/2025: Não é a primeira vez que me apercebo de o que melhor me define é o que levo diariamente nos bolsos. Há dias, como hoje, em que lhes descubro beleza cromática e de composição, pois a pequenez, essa diminuta importância do conteúdo, tenho-a por assumida.
(Este bloco é uma espiral de tarefas e divagações que a caneta vermelha escreve em homenagem ao ismo mais importante para mim: o Ramonismo.
A navalha, vermelha por acaso, é esse recordatório constante das minhas origens e uma ajuda para pensar com as mãos.)

domingo, novembro 09, 2025

Qué bello día

8/XI/2025: Qué bello día. Qué placer estar con mi hermano José Antonio Santiago en nuestro campo. Hace más de una década, José fue la persona que más influyó para que yo empezara a compartir lo que escribo y pienso más allá del cajón, físico o digital. Es uno de los intelectuales y seres humanos más brillantes que conozco; además, es heredero del trabajo concreto del obrero y del artesano, que siempre devuelve al sujeto un cierto control sobre la realidad, pues exige discernimiento, pericia y responsabilidad: todas profundas virtudes humanas.
Aquí lo tengo con mi hijo mayor, echándonos una mano mientras nos habla de un interesante filósofo, Matthew Crawford, que dice que, en un mundo con tendencia a lo inmaterial, construir o arreglar algo es “pensar con las manos”.
Gracias, José. Gracias, hermano. Eres un trozo de la España que llevo dentro. Sin tu amistad, yo sería un Luis diferente, y seguramente un hombre bastante más pobre.
8/XI/2025: Que belo dia. Que prazer estar com o meu irmão José Antonio Santiago no nosso campo. Há mais de uma década, o José foi a pessoa que mais influenciou a minha decisão de começar a partilhar o que escrevo e penso para lá da gaveta, física ou digital. É um dos intelectuais e seres humanos mais brilhantes que conheço; além disso, é herdeiro do trabalho concreto do operário e do artesão, que sempre devolve ao sujeito um certo controlo sobre a realidade, pois exige discernimento, perícia e responsabilidade: todas elas profundas virtudes humanas.
Ei-lo com o meu filho mais velho, a dar-nos uma ajuda enquanto nos fala de um filósofo interessante, Matthew Crawford, que diz que, num mundo com tendência para o imaterial, construir ou consertar algo é “pensar com as mãos”.
Obrigado, José. Obrigado, irmão. És um pedaço da Espanha que trago dentro de mim. Sem a tua amizade, eu seria um Luís diferente e, de certeza, um homem bastante mais pobre.

terça-feira, novembro 04, 2025

Amadeo de Souza-Cardoso e Ramón Casas

 

Amadeo de Souza-Cardoso (1887 - 1918) - Amadeo e Manuel Laranjeiro, 1906


Ramón Casas (1866 - 1932) - Ramon Casas i Pere Romeu en un tàndem, 1897




sábado, novembro 01, 2025

Da época em que...

1/XI/2025: Da época em que o Pinto se usava mais do que o Leal, quando os Alfa, em Évora, eram o meu pequeno "Cinema Paraíso", e o Luis guardava religiosamente todas as entradas num molho de papelinhos amarrotados na gaveta da escrivaninha, reencontrei hoje esta velha bobine que o meu estimado amigo Pacó (de quem há tanto tempo nada sei) me ofereceu, por conhecer o meu fascínio pelo grande ecrã. O metal gasto, o rótulo da Lusomundo, a caligrafia da dedicatória, tudo respira essa época em que o cinema da minha cidade natal era um palco de devoção aos sonhos projetados, com uma luz que ainda vou vislumbrando com profundo amor.

1/XI/2025: De la época en que Pinto se usaba más que Leal, cuando los Alfa, en Évora, eran mi pequeño "Cine Paraíso", y Luis guardaba religiosamente todas las entradas en un manojo de papelitos arrugados en el cajón de su escritorio, reencontré hoy una vieja bobina que mi estimado amigo Pacó (de quien hace tanto tiempo que no sé nada) me regaló, por conocer mi fascinación por la gran pantalla. El metal desgastado, la etiqueta de Lusomundo, la caligrafía de la dedicatoria: todo respira aquella época en que el cine de mi ciudad natal era un escenario de devoción a los sueños proyectados, con una luz que todavía vislumbro con profundo amor.

Puede que la ciencia...

1/XI/2025: Puede que la ciencia, para que sea verdadera, deba estar exenta de valores. Lo mismo no ocurre con la consciencia, que en algunos, posiblemente no muchos, valores cimienta su humanidad.

1/XI/2025: Talvez a ciência, para ser verdadeira, deva estar isenta de valores. O mesmo não acontece com a consciência, que em alguns, possivelmente poucos, valores alicerça a sua humanidade.