domingo, maio 19, 2013

"A Arte da Viagem" de Paul Theroux (a minha forma de sonhar...)


Em momentos de maior cansaço (e não só), a ideia da viagem assemelha-se a um sonho. A minha forma de sonhar acordado nos últimos dias é estar acompanhado por este livro que trouxe comigo do intercâmbio em Castelo Branco. O gajo tinha como que uma boquinha que me dizia: "leva-me contigo, leva-me contigo!". E não é que o gajo me convenceu!? Até agora,não me arrependi de o ter albergado na mesa de cabeceira...
Sinopse
Cinquenta anos de viagens celebrados por uma recolha de textos que formaram Paul Theroux enquanto leitor e enquanto viajante - um manual literário de viagem, um guia filosófico, uma antologia de grandes autores que viajaram, entre eles Theroux. A Arte da Viagem mostra toda a bagagem - espiritual ou física - que levaram e que trouxeram; os lugares por onde passaram, ou nunca passaram; os prazeres e os sofrimentos do viajante, os paradoxos da viagem, a solidão, o anonimato, o encontro com estranhos; a estrada enquanto vida; as cidades, os comboios, as paisagens; a aventura; e a tradição, a política e a pornografia na viagem; o tempo e o amor na viagem; e a viagem enquanto transformação. Neste extraordinário tributo encontramos, entre muitos, Vladimir Nabokov, Samuel Johnson, Evelyn Waugh, Mark Twain, Bruce Chatwin, Graham Greene, Isak Dineses, Anton Tchekov, Ernest Hemingway e o melhor de Paul Theroux.
A Arte da Viagem de Paul Theroux


Excerto:
«A estrada é a vida.» Jack Kerouac
«Viajar é um paraíso de loucos.» Ralph Waldo Emerson
«A viagem é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza do espírito.» Mark Twain

«O vagabundear pela nossa “América” mudou-me mais do que eu pensava.» Che Guevara

«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» Gustave Flaubert

sábado, maio 18, 2013

A Estrada

A estrada, o caminho, o percurso; qualquer que seja a designação, é um passar de espaço que leva tempo. Depende de cada um de nós a forma como usa esse tempo. Poderá ser um desperdicio de tempo (e espaço)ou um ganho. Eu tenho ganho, muito - afinal apenas somos importantes quando tocamos o tempo (e o espaço) dos outros. Eu tenho ganho, porque os outros também tocam o meu tempo (e espaço). Agora, gostaria de ter mais tempo, e mais espaço, para tocar mais vidas, e ser tocado por elas. Espero um dia, ter mais imagens para partilhar, para dividir e para somar. Quem sabe um dia ensine mesmo que o caminho se faz caminhando com alguém perto, dividindo e somando passos, trocando tempo, e somando sorrisos.

quinta-feira, maio 16, 2013

Bicicleta com tapete de folhas secas



O título, com licença do fotógrafo, é meu. A fotografia foi tirada em Berlim em novembro do ano passado pelo fotógrafo português Ricardo Silva Cordeiro




quarta-feira, maio 15, 2013

Haiku de Bashô (Foto duma rã qualquer...)


O velho tanque -

Uma rã mergulha,

barulho de água.

Foto  Parque Urbana de Castelo Branco (13/V/21013)

domingo, maio 12, 2013

Fernando Pessoa & Cia. - Laura Pérez Vernetti

A BD a explorar directamente universos poéticos, neste caso a heteronímia de Fernando Pessoa. Um excelente trabalho que recomendo vivamente e que já está diponível em português! Dêam uma vista de olhos a estas pranchas "Amar é pensar" e "Trânsito", adaptadas do heterónimo Alberto Caeiro.


Paneles del nº1 de "Action Comis" (el nacimiento de Superman) en la casa de Joe Shuster


quarta-feira, maio 08, 2013

Caídas as folhas das árvores.


Nuestras sombras crecen juntas...


...


La prisa preguntó a la calma el porqué  de su puntualidad.
Y esta dijo: cálmate, ya te explicaré.

As cadeiras - João Luís Barreto Guimarães


As cadeiras

pousou uma mosca aqui

À aula de
quarta-feira assistiram 13 alunos e
27 cadeiras. Em resumo: a sala cheia.
Quando a
lição terminou os 13 alunos partiram e
acto contínuo contei 20 casais de cadeiras.
Às aulas que tenho dado nunca faltam
as cadeiras
ficam a ouvir-me caladas
(as costas muito direitas).
É bom de ver que as cadeiras entendem
tudo à primeira
parecem bem mais maduras (mais
pés
assentes na terra).

Volto já [pendurada está a tabuleta]


Volto já.
[pendurada está a tabuleta]

Encerrei para inventário e relatório de contas.
Não volte mais tarde.
Nem depois de almoço.
O relógio marca 5 minutos a mais.
Não há ponteiros rectificativos, nem faço orçamentos de obras feitas.
Tem-se esquecido de guardar as facturas?
(Não se preocupe. Ninguém se evade à tributária autoridade do tempo),
Também não pode descontar o tempo perdido no IRS,
Nem no imposto de valor acrescido que nunca cobrei.
Não sei se volto já.
A si mesmo. Nem com juros de mora.
Isto, não tem resgate, resta declarar bancarrota.
Mas não me apetece dar explicações. É o meu único luxo.

Chegasse mais cedo!

Agora,
Sou um insolvente dum presente.
Imposto em impostos.
Activo tóxico em risco de tornar-se um mutante financeiro.
Abrirei nova actividade noutro eu qualquer.
Desta vez, por debaixo da mesa. E para os sentimentos um mealheiro!
Não aceito mais o controlo fiscal
(ou temporal sem controlo de qualidade)
De contas que não tenho.
Funcionarei pela porta do cavalo.
Recuso-me a fechar a loja.

Chegasse mais cedo!

Ainda há quem mereça ser bem atendido.
E para isso ainda tenho o meu direito de admissão.
E aqui, o sr. já não entra!

Na loja. 6/V/13

segunda-feira, maio 06, 2013

você está aqui

Você está aqui. É porque neste momento está nestes "senderos". Eu estou aqui acompanhado por um poeta (até então por mim desconhecido) que a casualidade de uma estante me apresentou. João Luís Barreto Guimarães, "você está aqui", editado por a Quetzal. Se você está aqui, vale a pena ir até ali (joaoluisbarretoguimaraes.blogspot.com) e dizer-lhe olá. Dê-lhe um abraço da minha parte.

segunda-feira, abril 29, 2013

Hoje, sei que não voltarei no próximo fim-de-semana.

(ilustração de Luís Silva)
A ti "Vó Lena". A quem devo muito mais do que posso aqui expressar.
Hoje sinto-me como nesses domingos em que os meus pais me iam buscar a tua casa. Triste, por te deixar a dizeres-me adeus à entrada do pátio, enquanto eu, vazio, à espera do próximo fim-de-semana, me agarrava ao pára-brisas traseiro do Fiat 127 do meu pai, e te via cada vez mais longe. Ficava a certeza que no final da semana voltaria a ti e ao avô, ao pátio da minha infância, à casa dos meus avós, onde sempre serei eu.
Hoje sei que não voltarei no próximo fim-de-semana.


O meu avô ensinou-me de menino
A subir às árvores a pulso, de que é feito um ninho.
Sem me esquecer que o olhar chega, sempre,
Sempre, primeiro, que todos os gestos,
Letrando, assim, o analfabeto saber do destino.

A minha avó ensinou-me de menino
A abrir livros avulso, pintados, aos quadradinhos,
Sem me esquecer as poucas sílabas (e escudos)
Que a custo juntava e a mão, que sempre, me dava
Tinham, têm, terão mais bem-querer que qualquer verso.

Os meus avós ensinaram-me a ser menino.
A sentir minha sua casa, no pátio a descansar
Em vizinhança, no portado do meu ser a sonhar,
Sem nunca esquecer que o cheiro da infância,
Respira, por aí, até que deus queira.

Coria, Valencia de Alcántara, Cáceres e Badajoz. (28/IV/13)

sexta-feira, abril 26, 2013

sexta-feira, abril 19, 2013

Esquissos de fotopoema… (primeira tentativa)


mário cesariny / pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tantas maneiras de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:

Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é por ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria e, lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.

escrevo no fio da...


quarta-feira, abril 17, 2013

A um deus surdo (Fernando Assis Pacheco)




A UM DEUS SURDO

Ó quem me dera ter outra vez vint’anos
navegar no ignoto sem portulanos
o peito feito para os da vida enganos
era sensacional ó hermanos

quem dera o brandy com castelo
o dedo ao arrepio do pêlo
o romanticismo do desvelo
e tudo isto fingindo um grande anelo

quem dera agora uma vez mais
o rápido de Irún no cais
a solicitude quente dos pais
ai eu tirando de ouvido muitos ais

ó quem dera e outra vez viera e dera
a ruminante paciência que há na espera
o mistério lento da Primavera
o emblema desenhado pela namorada: uma hera


Na IV Bienal de Poesia de Silves, em Abril de 2010, o Simão lê pela primeira vez um poema do avô, Fernando Assis Pacheco, homenageado na Bienal. A seu lado, o escritor Luis Serrano, a quem coube a conferência sobre a obra do poeta, ficcionista e jornalista.



terça-feira, abril 16, 2013


Intensidad y altura

Quiero escribir, pero me sale espuma,
quiero decir muchísimo y me atollo;
no hay cifra hablada que no sea suma,
no hay pirámide escrita, sin cogollo.
Quiero escribir, pero me siento puma;
quiero laurearme, pero me encebollo.
No hay toz hablada, que no llegue a bruma,
no hay dios ni hijo de dios, sin desarrollo.
Vámonos, pues, por eso, a comer yerba,
carne de llanto, fruta de gemido,
nuestra alma melancólica en conserva.
Vámonos! Vámonos! Estoy herido;
Vámonos a beber lo ya bebido,
vámonos, cuervo, a fecundar tu cuerva.

                                          Cesar Vallejo dibujado por Picasso.

domingo, abril 14, 2013

Valsa de um parado letrado


Gira o led, vermelho, alto, picotado, apoiado, 
Na parede aparafusado.
E giram olhares ao som de caixa de supermercado. Apenas um dança.
Dling, dling. Roda.
“Nº 11, dirija-se ao guiché nº3”
Passos cuidados, quase fantasmagóricos, deslizam entre cubículos abertos ao público e fechados à humanidade. Carimbos, despachos, teclados ritmados à percursão de cutelos de magarefe.
Pára a valsa.
Começa falsa.
Senta-se e volta a rodopiar no mundo curricular.
“O que é que o Sr. sabe fazer?”
Ler e escrever.
“Desculpe, mas isso não é formação técnica suficiente. Muito obrigado pela sua presença.”
Circular, ergue-se a humanidade, em esquadria alça-se, 
empurrando, rodopiando, 
no eixo oleado (a massa, cotão e pó consistente) 
da cadeira, verde
- de costas –
cómoda no desfalecer centrípeto de esperança…
Centrifuga-se, pergunta-se:
“Srª. Técnica, perdoe, destoe, a ignorância minha. Esclareça-me.
Resolver o primeiro grau de uma equação é inteligentemente mais útil do que escrever?”
E a valsa, espiriforme, enroscada, enrascada, prossegue.
Falsa farsa.
Dling, dling.
Led. Olhar. Escarlate. Guiché. nº3.
Pisou-se um pé.
(na ausência de argumentos, há a inércia técnica da resposta)
Atrapalhação no bailar,    
Mas a valsa segue,
De par em par.


14/IV/2014

"Os Lusíadas" e a 1ª Infância

(A propósito da literatura de domigo, e da iniciativa da revista "Visão") 
Há que deixar tocar, manusear, pode ser que um dia chegue a ter interesse e a lê-los...
A variedade cromática e o grafismo despertou interesse ao meu filho de dois anos que nem sabe, nem imagina, quem foi Luíz Vaz de Camões...

Diálogos Simétricos

pega-rabuda (Pica pica) é uma ave da família Corvidae (parente próxima das gralhas e dos corvos), com um aspecto inconfundível, graças às suas longas penas traseiras e à sua cor branca e negra.
Uma fotografia que me faz pensar na simetria da qual a matemática da natureza nunca se esquece. 

Curso REALCE B1 e B2 (CPR de Coria – 2013)


Aqui temos um grupo de trabalho excelente! Alunos interessados e seres humanos interessantíssimos! Eis o pequeno, mas grande (como bem o atesta o provérbio: “poucos, mas bons!”) grupo do curso de língua e cultura portuguesa (com um toque de lusofonia) do CPR de Coria. Da esquerda para a direita, temos a Esther (eu, aí como um intruso!), o Julian, a Pilar e a Maribel.
Aos meus amigos, o meu muito obrigado pelo interesse, simpatia e por manterem vivo esse sentimento tão positivo que é a curiosidade e o gosto por aprender!
Só falta, nesta fotografia, a presença da nossa amiga Conchi, a assessora do CPR, que nos possibilitou com a sua esmerada organização este curso de português!   
A todos eles o meu bem-haja! E, mesmo longe, continuamos todos em contacto!

"Os Lusíadas" do grande Luís Vaz de Camões (reinterpretados em conto - cada um dos 10 cantos - por José Luís Peixoto)


Excelente iniciativa da revista “Visão”, cada exemplar ilustrado pelos “graffiters” Arm Collective, que, por mais 0’50€, nos permite, com a ajuda preciosa do José Luís Peixoto, reinterpretar esta epopeia e obra emblemática da literatura portuguesa (e em português).
Já li e tenho o 1º conto (e canto) e vale a pena.
Em épocas paupérrimas como as que vivemos, porque não tentar enriquecer-nos com os grandes clássicos da cultura mundial? De certeza que o Sr. Pedro Passos Coelho nunca leu “Os Lusíadas”, quanto muito os resumos da Europa-América (que também li, mas que me levaram ao original não resumido)… Lá estou eu outra vez a falar de gajos que não merecem ser mencionados junto a tipos como o Camões ou o Peixoto…

quarta-feira, abril 10, 2013

Portugal Paliativo


 Fumaste demasiado ou estás embriagado?
A tua tosse tísica acompanha o lenço escarlate.
E o iate?
Compraste com a hipoteca do atlântico?
Iodo, fez-te falta todo.
Sempre te conheci enfermiço.
O vigor físico marinheiro
Há quem o conte, de antes.
Só o vejo na poeira das estantes
E agora só te vejo de cacheiro,
A sair à rua com o cuidado
De quem tem fémures quebradiços
E, já se sabe, na tua condição, partir um osso é um enguiço.
Exige uma intervenção séria e sabes que não estás para esses investimentos.
A carrinha Mercedes já trouxe o teu apoio domiciliário. Estás com fome?
Ali tens a tua marmita, restos de fritos,
frios, fios, de frango, escondidos na canja. 
(também me contaram, e parece-me que vi a correr o risco, 
porque antes comias marisco)
Já só te permites ler as novidades que há no folheto branco e pintado precário com sangue
Do Continente da ganância aze(ve)da.
Lembras-te quando escrevias com lápis azul? Enviaste muita correspondência dessa
E agora estás doente…
Não te esqueças da boina no bengaleiro,
Que está junto à janela onde esqueces regar o floreiro.
Não te salva do Alzheimer mas poupa-te outro escaldão no cocuruto.
Já nem sequer te sentas astuto
A jogar com os outros à batota.
Agora só, para matar o vício, no jardim.
Na sociedade recreativa dos senhores e no festim
Dos casinos, só a recordação da economia que aprendeste
E te fez trabalhar bem, lá fora,
Aqui apenas escavaste uma fossa.
E a tua família?
Há séculos que não vejo a tua irmã, desfrutaram da herança dos vossos pais?
Duas parcelas, paralelas,
Partilhas, lá para o pé de Tordesilhas.
Os teus filhos não esquecem os teus devaneios, as horas perdidas, bebidas.
O tempo de correria que não dedicaste.
Hoje, vês-te teimoso, sem subsídios, mas não têm problemas de partilhas
Alguns vingam-se longe e não querem saber de um rectângulo
Passado.
Aguentam-se e não lhes podes, não tens moral (marinheira,
Saudosa, paternal, piedosa, pirosa… caridosa)
pedir que engulam o orgulho
da cama articulada que não te podem pagar.
Aguenta-te, até que volte a carrinha Mercedes,
E enquanto te permites ter cuidados paliativos…
Sempre tens na gaveta e nas paredes
O teu Ultramar tatuado, amputado
O mais próximo que podes voltar a ter de "amor de mãe",
Acaricia-a, a Walther esteve sempre aí, não foi preciso a procurar.
Quando a beijares, leva contigo a fria memória gravada no caixão,
Do seu fabrico alemão. 

Es indignante. Seguro que me van a multar.


LA TRAMA - Jorge Luis Borges (Viñeta de Ásterix - Goschinny y Uderzo)


Para que su horror sea perfecto, César, acosado al pie de una estatua por los impacientes puñales de sus amigos, descubre entre las caras y los aceros la de Marco Junio Bruto, su protegido, acaso su hijo, y ya no se defiende y exclama. "Tú también, hijo mío!" Shakespeare y Quevedo recogen el patético grito.

Al destino le agradan las repeticiones, las variantes, las simetrías; diecinueve siglos después, en el sur de la provincia de Buenos Aires, un gaucho es agredido por otros gauchos y, al caer, reconoce a un ahijado suyo y le dice con mansa reconvención y lenta sorpresa (estas palabras hay que oírlas, no leerlas): "Pero, che!". Lo matan y no sabe que muere para que se repita una escena.
Jorge Luis Borges 

sexta-feira, abril 05, 2013

Oświęcim




















Não quis entrar.
Era, em mim mesmo, o justificar
Um mausoléu de arame-farpado,
Sofrido. Sofrida
Memória de cinza.
O suor, o sangue, o sémen, a subnutrição impia.
Espremida, expressa em luta dele,
Em esforço, guerra, exprimida em 4 letras
(não me apetece uni-las em sílabas)
Óculos, próteses, pincéis (que tantos quadros em caras pintaram).
Sapatos sem pés.
Escovas
De cabelo
De dentes
Pentes.
Escorbuto sem novos mundos
E dissecadas
Almas.

Mas entrei.
Gasosa a morte no ol(facto),
Gordurosa a dor escorre visível. Glicerina que lava mãos obrigadas
Comandos sonda.

Saí.
Sem nunca ter lá estado. Vivo.
E vejo. Jovens t-shirts verde wehrmacht, falanges,
Legiões de dedos (sujos, intencionalmente) num ecrã dum aparato
Desligado do respeito. 
E na rua rapada,
Musculadas suásticas tatuagens carregam sacos da Zara.
Meu Deus: Não os perdoes, porque eles sabem o que fazem.

4/IV/2013

quarta-feira, abril 03, 2013

A propósito de fe...

Confianza potencialmente contagiosa. Enfermedad en extinción. Se cura con posología bibliográfica  compleja de antibiótico.

A propósito de arte...

A fé em que algo é originalmente belo. Repito: fé.

Uma Ponte (Grandes Obras da Engenharia Emocional)

Grandes obras da engenharia emocional. Uma ponte. Dois pontos isolados têm a possibilidade de abandonar-se a caminho de outro.
(Foto: Ponte Romana da Portagem, 2013)

“O Bilinguismo, uma Mais-Valia no Poder Local” (Bachillerato de Português do IES Loustau-Valverde entrevista D. Pablo Carrilho, Alcaide de Valencia de Alcántara).


No passado dia 3 de Abril, o Presidente da Câmara de Valencia de Alcántara, D. Pablo Carilho, recebeu os alunos de língua portuguesa do 1º e 2º Bachillerato da escola secundária da mesma localidade.
Durante uma hora, os alunos entrevistaram o autarca, para uma futura publicação na revista “Cortiza”, abordando variadíssimos assuntos e temáticas que foram desde a sua formação académica, a sua infância e juventude portuguesa, o poder local raiano, até uma possível candidatura da “raia” a Património da Humanidade da UNESCO. Tudo isto na língua de Camões, dado que o alcaide é totalmente bilingue, falando um português correctíssimo e de todos alvo de elogio.
O saldo desta iniciativa é deveras positivo, esperando-se que, de este encontro informal, mas efectivamente simbólico, a comunidade de Valencia de Alcántara e a comunidade educativa do IES Loustau-Valverde, possam encontrar ainda mais referentes e argumentos para cooperação transfronteiriça e promoção e valorização deste espaço comum, e uma riqueza (por vezes demasiado óbvia que cai em esquecimento) que Espanha e Portugal partilham: a “Raia”. Uma “raia” com um nobre passado, um presente notável e um futuro que tem ser assegurado por todos nós. 

terça-feira, abril 02, 2013

"Daredevil battles Hitler" (Un arquetipo curioso y un buen ejemplo de propaganda en el mundo de los cómics)

En los primordios de lo que hoy conocemos como "Marvel Comics", ya existía un superhéroe llamado "Daredevil". En realidad, sirvió de arquetipo al personaje creado en los años 60, por Stan Lee, que usa el mismísimo nombre ("Dan Defensor" en España y "Demolidor" en Portugal y Brasil). La diferencia está en el contexto histórico y en la profundidad de los personajes. 
Aquí tenemos un héroe de propaganda de la 2ª Guerra Mundial, al estilo de otros como Superman o Capitán América, sin embargo el alter ego de Matt Murdock no vincula una propaganda tan evidente como su antecesor. Es un simple joven, huérfano de madre que sobrevive en "Hell's Kitchen" luchando en los estudias mientras su padre luchaba, para buscarse la vida, en los ringues de Boxeo. Para agravar su situación, el pobre Matt se queda ciego después de un accidente con productos radioactivos...
Mucho más hay para descubrir sobre estos dos personajes que comparten el mismo nombre y, si tenéis en cuenta mi opinión, merece la pena.    

domingo, março 31, 2013

O Contrabando na Zona de Valência de Alcântara - Santo António das Areias (In "Bd Veredas" de Hermínio Felizardo)



Nós e o actor Marco d'Almeida

 Como disse no “post de memórias” anterior, na série “Processo dos Távora” fui duplo na cena final da execução do actor Marco d’Almeida. Num descanso das filmagens, o actor deixou-se fotografar connosco (note-se que na época não era tão conhecido como actualmente) e deixou de curtir o seu “sound” no seu Minidisc para satisfazer afavelmente o capricho de dois parolos. Não me lembro do que falámos, quase de certeza da seca que levávamos como figurantes, ao sol, sem água e com pouquíssimo comer. Sei sim, que ao seu obséquio, se uniram dois dedos de conversa amena.

Hoje, tantos anos mais tarde, confesso que nutro uma grande simpatia por este actor (que desde esse dia vejo como um “gajo porreiro”) e sigo com curiosidade a sua carreira, fazendo sempre votos de incursões em projectos interessantes, podendo continuar a “fazer nome” em outras coisas que não se resumam a algumas redundantes telenovelas da SIC e TVI, mas que são das poucas alternativas de trabalho para os intérpretes portugueses.

Como docente de PLE, uso com frequência duas interpretações do Marco: primeiro o agradável e divertido “A Bela e o Paparazzo” e, segundo, a excelente declamação em “vídeo-poema” de “Pastelaria” de Mário de Cesarinny para o projecto “Voz” das Produções Fictícias.
Espero, em breve, ver o recém-estreado “Comboio Nocturno para Lisboa”, no qual o actor participa. As críticas ao filme não têm sido boas (mas como tudo, valem o que valem!), no entanto tem o atractivo de belíssimos actores lusos e o Jeremy Irons, para mim um grande nome da 7ªarte.
Se algum dia lês isto, Marco, votos de uma brilhante carreira! Hoje vejo com agrado que está bem consolidada e no caminho certo! Isto, doze anos depois de te teres cruzado connosco, sem a mínima ideia de que algum dia divagaria sobre este casual encontro num blog qualquer…


La Vida es Más Bonita en Bici (Badajoz, 2013)


Nós no "Processo dos Távora", 2001


Em 2001, há mais de uma década, a Elsa e eu participámos como figurantes (e eu também como duplo do filho mais novo dos Távora – interpretado pelo simpático Marco d’Almeida”) na série da RTP “O Processo dos Távora”, digamos que, por outras palavras, isto foi o mais próximo que alguma vez estive de uma carreira em Hollywood! De esses dias, junto com os nossos amigos Sara e Miguel, guardamos estas “fotos de época” e a memória de longas loiras grenhas de “pseudo-surfista”. Na verdade, a Elsa estava caracterizada como uma plebeia, mas a sua beleza superava (e supera) todas as que eram de “sangue azul”… Sou suspeito, mas as fotos provam o que aqui recordo e afirmo. “Good old times” sem saudosismo, mas com “boa onda” (de “praia seca”)!

Booklovers Never Sleep Alone (Livraria "Arquivo" Leiria)


Outra "Taraxacum"


Intermitencias de la Primavera: “El Puente Real y la Abeja Reina”


































 ¿Qué es más real?

¿La ingeniería humana o la natural ingeniería?

Dente de Leão (ou "O teu pai é careca?")

Na realidade, "Dente-de-leão" é o nome vulgar de várias espécies pertencentes ao género botânico "Taraxacum", das quais a mais disseminada é a "Taraxacum officinale", provavelmente a que fotografei. 

Ruy Belo e Fernando Pessoa



Este poema de Ruy Belo, do seu livro Aquele grande rio Eufrates (1961), leva-nos para Fernando Pessoa. Poesia para este domingo chuvoso.


Ah, poder ser tu sendo eu!

Ei-lo que avança
de costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo
além do sob o braço o jornal
a sedução de ser seja quem for
aquele que não sou
E vai não sei onde
visitar não sei quem
Sinto saudades de alguém
lido ou sonhado por mim
em sítios onde não estive
Há uma parte de mim que me abandona
e me edifica nesse vulto que
cheio de ser visto por mim
é o maior acontecimento
da tarde de domingo
Ei-lo que avança e desaparece
E estou de novo comigo
sobre o asfalto onde quero estar

Ruy Belo



Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa



quinta-feira, março 28, 2013

Blackbird - The Beatles

Bem de longe, fotografei este pássaro negro nas traseiras de um hotel religioso em Fátima. O tipo não tinha medo da freira que por lá andava a tratar da lida doméstica. Talvez por terem cores semelhantes...
Apesar de ser de dia, ecoava no meu ouvido a voz de John Lennon e Paul McCartney...
Where are you Blackbird? Have a nice day! 

Soneto Resgatado


Soneto Resgatado 
(Dedicado a vários Homens de Palavra[s])

É tão natural ter bons alimentos
Aconchega tanto o estômago de quem os tem
Que a generosidade oportuna sem investimentos
É promoção que vai e não vem.

Ora, se no inverno a esplanada está
Fechada, a cadeado pelas finanças,
O que mais nos esquece é chá
E bolachas, fora da data, com traças.

E ao fim de três intervenções a dar o que não é seu,
O Sr. Dr. Alienado da maneira como se lá chegou
Lugar tem garantido como CEO

Um gozo acrescido ao que muito privatizou!
Seria este (se houvesse sido honrado)
Algo mais que um país resgatado.

27/III/2013

quarta-feira, março 27, 2013

The lighthouse of your eyes


In your eyes,
I sail freely.
In your eyes,
I dive deeply.
Without fear of
Loosing myself 
In a stupid sense of homesick.
Searching in my past childhood 
Something that doesn’t come back...
Because it’s here,
And it never truly abandoned me.
James, like the lighthouse that guides the ancient mariner, 
You will always bring me
Shelter from the sea…
Our rope of hope…
Our gentle tide…
That ties us forever.

Dá-me Lume (Leiria, 2013)


"Dá-me lume, dá-me lume 
Deixa o teu fogo envolver-se até a música acabar 
Dá-me lume, não deixes o frio entrar 
Faz os teus braços fechar-me as asas 
há tanto tempo a acenar"
Jorge Palma


Parece o Darth Vader a dar lume à gaja dos Gift. Epá, foi do que me lembrei! Desulpa lá Sónia Tavares, agora é que me lembrei do teu nome e não me apetece apagar com esta tecla da seta pata trás.

Cometa por el cielo

S. Pedro de Moel, março de 2013. 
Uma menina feliz ao sabor do vento.

A rua do meu Tio Manuel Leal

Em Leiria, perto da N1, encontrei a Rua do meu Tio Manel! Bem merecida! É é longe como caraças!

A melhor mão! (19 de março de 2013)