Quem verdadeiramente sabe de que madeira é feito o lápis, e como é de fina a escrita, é o bom afiador.
quarta-feira, abril 17, 2024
Madera de lápiz...
Quem verdadeiramente sabe de que madeira é feito o lápis, e como é de fina a escrita, é o bom afiador.
domingo, abril 14, 2024
14/IV/2024
domingo, abril 07, 2024
"Évora" - Poema de Carlos Medrano
A distância ainda não me concedeu o privilégio de conhecer pessoalmente o Carlos Medrano, mas ao longo dos anos trocámos várias epístolas digitais, li os seus livros, sigo-o nas redes sociais, no seu blog, e fui digno da sua confiança para a publicação "Recobrada Memoria", dedicada a Ángel Campos Pámpano. Recentemente, fui obsequiado, através de Álvaro Valverde, com este poema cujo título me leva à minha cidade e cujos versos se encontram no ADN que denuncia o meu sangue. Carlos Medrano escreveu este precioso "Évora" que partilho com todos os que sentem, ou são, essa cidade "de cal e pedra".
La distancia todavía no me ha concedido el privilegio de conocer personalmente a Carlos Medrano, pero, desde hace años, varias veces nos remitimos epístolas digitales, he leído libros suyos, lo sigo en redes, en su blog y fui digno de su confianza para la publicación "Recobrada Memoria", dedicada a Ángel Campos Pámpano. Hace poco, fui obsequiado, a través de Álvaro Valverde, con este poema cuyo título me lleva a mi ciudad y sus versos al DNA que llevo en la sangre. Carlos Medrano escribió este precioso "Évora" que comparto con todos los que sentimos, o somos, esa ciudad "de cal y piedra".
ÉVORA
Novamente na cidade de cal e pedra,
Évora amuralhada e cadenciosa,
devo pedir perdão à rosa que chora.
A pétala sosteve não só a ternura
mas sim a sua grandeza de aroma numa grade.
O touro no montado pasta, inclina
a sua liberdade solar, a sua calma intacta.
Carlos Medrano (trad. Luis Leal)
ÉVORA
De nuevo en la ciudad de cal y piedra,
Évora amurallada y cadenciosa,
debo pedir perdón a la rosa que llora.
Sostuvo el pétalo no sólo la ternura
sino su magnitud de aroma en una reja.
El toro en la dehesa pace, inclina
su libertad solar , su calma intacta.
Carlos Medrano
segunda-feira, abril 01, 2024
Luis Leal, in "Diário do Sul, 21/II/2024, p.4
domingo, março 24, 2024
Edward Weston - Charis Wilson, 1941
sexta-feira, março 22, 2024
quarta-feira, março 20, 2024
terça-feira, março 19, 2024
"A Senhora Condescendência" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 165, p. 68
Ia a caminho de um almoço familiar e tinha acabado de passar a fronteira quando a rádio me deu a notícia do falecimento do Comendador Rui Nabeiro. À cabeça veio-me “hoje não vou ver a minha irmã e é bem possível que no céu já se possa tomar um bom café".
Apesar da relação laboral privilegiada da minha irmã no trato diário com o Sr. Rui e da estima e da saudade que lhe deixou, nunca tive a oportunidade de o conhecer. Porém, sou ciente do seu legado na região, no país, na minha Espanha adoptiva e, para além da fortuna e do património, não abdicou de ser um homem bom, cuja essência não se viu corrompida pelo deus pecunio. A sua biografia é notável, quer seja vista através da comparativa de escalar um Everest empresarial com o alpinista João Garcia, através de grandes entrevistadores como a Anabela Mota Ribeiro ou o Luís Osório, através dum “Almoço de Domingo” ficcional do José Luís Peixoto, ou, simplesmente, através de quem com ele lidou durante os seus quase 92 anos a provarem que no capitalismo cabe o altruísmo. Em suma, como dizia alguém e subscrevo, “mais Srs. Rui e menos Musks!”.
Nove décadas de vida e não acredito que, na sua senectude, alguém no seu perfeito juízo se tenha dirigido ao “Sr. Rui” (como sempre fez questão de ser tratado) com qualquer tipo de condescendência como algumas pessoas se dirigirem a outros nonagenários. Tristemente, o dinheiro, o estatuto, traz algumas garantias de como a sociedade nos vai tratar se tivermos a ventura (ou desventura) de chegarmos a esta idade. Vejam-se as claras diferenças no uso lexical de “cota”, “idoso”, "ancião" e “velho” e o “peso da idade” (vulgo PDI) mais do que evidentes em sociedades sensíveis à moda da denúncia de todo o tipo de pretensas injustiças, contudo, a necessitarem prestar mais atenção ao “idadismo”.
Confesso, caro leitor, há muito tempo que não pensava nisto. Cresci entre pessoas de idade no seio da minha família e no entorno laboral da minha mãe (que dedicou mais de duas décadas da sua vida a um Centro de Dia) e, de maneira quase intuitiva, aprendi a respeitar todo tipo de rugas e cabelos grisalhos. Creio que vi um pouco de tudo, desde o queixume do reumático, a viuvezes traumáticas e libertadoras, a demência progressiva, a solidão, o mau caráter (quanto mais velho pior!), a miséria de corpo e de espírito, até ao júbilo de um ser de ter vivido uma vida que mereceu ser vivida, à sabedoria, ao humor geriátrico, e à contemplação tantas vezes condenada à apatia da televisão.
Como numa foto, voltei aos meus verdes anos rodeado de gente já amarelecida por ter em mãos uma tradução duma peça ambientada num Lar de Terceira Idade espanhol e, na hora de adaptar à realidade sociolinguística portuguesa, deparei-me com uma das formas de tratamento que mais abomino com qualquer ser humano, quero dizer, quando nos dirigimos a alguém infantilizando-o. Que fique claro que não outorgo más intenções ou desprezo a quem muitas vezes se dirige assim a um idoso, tratando-o como uma criança, usando um tom condescendente que nem sequer com as verdadeiras crianças me parece pertinente usar em excesso. Não é por uma pessoa ter caído nas garras do Alzheimer, do Parkinson, ou da passagem do tempo, que automaticamente as devemos tutear ou usar um registo infantilóide. O Sr. João lá por não se lembrar do nome dos netos e estar acamado não passa a ser o “Joãozinho”, mesmo que a sua calvície redondinha nos remeta para um bebé fofinho. É preciso ter cuidado, o “carinho”, a meu ver, não deriva por aí. Evoluímos, temos diversos meios e gente consciente que a terceira idade deve ser tratada de maneira diferente da primeira infância pelo simples facto de, por mais que o idoso pareça regredir à infância, há uma diferença significativa entre ambos: ser criança implica ainda não ter passado.
Se chegar à idade do Sr. Rui, por mais infantil que seja a minha personalidade e fisionomia, não quero ser o “velho Luisinho”, nem que falem comigo como nem sequer falo ao meu filho de 2 anos. Não quero salamaleques, nem títulos. Sentir-me-ei bem se continuar a ser o Luis e, caso mereça ser chamado “Ti Luis”, será porque o Alentejo sempre me fez ver que a sombra dum carrasco jamais se pode comparar à sombra duma azinheira.
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| Sr. Rui Nabeiro |
"A Senhora Condescendência" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 165, p. 68
domingo, março 17, 2024
El típico dilema de los líricos...
La espera de la perfección...
A propósito de integração...
Urinou sobre...
sexta-feira, março 15, 2024
quinta-feira, março 14, 2024
Los hijos son maravillosos...
terça-feira, março 12, 2024
"Boas Festas (Com Sentido)" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 166, p.110
Boas Festas (com sentido) – Luis Leal
Há anos ouvi uma entrevista à filósofa Emily Esfahani Smith e despertou-me curiosidade a sua investigação sobre “viver uma vida com sentido”, curiosidade que me levou ao seu livro e terminou numa leitura atenta e enriquecedora. Na realidade, fui prendado pela ocasião e isso, nesta época festiva, faz-me pensar nas prendas que gostaria de ver distribuídas mundo fora. Portanto, aproveitando a confiança do nosso director, que me permite partilhar os meus “Trabalhos&Paixões” na Mais Alentejo, escrevo esta crónica/ensaio e, em simultâneo, desejo aos nossos caríssimos leitores quatro presentes para além do mais importante de todos: a saúde. Sem qualquer preocupação pela sua ordem, vamos lá distribui-los!
Presente nº1: Pertença. Sintamo-nos valorizados e valorizemos os demais. Em casa, no carro, no trabalho, nas redes sociais, no estábulo, numa manjedoura, onde quer que seja. Recordemos que, a qualquer escala, em todos existe singularidade e importância, algo bem mais relevante do que a mera utilidade no seio de uma qualquer organização. (Presente extra: O filme, já clássico, de Adolfo Aristarain “Un lugar en el mundo”).
Presente nº2: Propósito. Por outras palavras, objetivos, causas, motivações, estímulos que sejam o motor e o combustível da nossa acção. Note-se que todos os propósitos são dignos e não se medem nem por prestígio, nem por significância. Logo, tão respeitável é o desígnio de encontrar a cura para doenças oncológicas, como a vontade de deixar melhores seres humanos num planeta a precisar de melhoras.
Presente nº3: Transcendência. E não é que somos minúsculos! Vestígios de poeira cósmica! Sejamos como o astronauta quando, sem gravidade, é invadido pela total humildade de saber-se uma partícula microscópica num vasto e incompreensível universo. Ser conscientes da pouca importância da nossa pessoa no cosmos é, paradoxalmente, um sentimento poderoso e profundo. Há quem reze, há quem medite, há quem dance... há quem se transcenda porque sabe perfeitamente o que é e não é.
Presente nº4: Narrativa. Charles Dickens (esse mesmo do “Conto de Natal”!) perguntava, através de David Copperfield, “serei eu o herói da minha história ou qualquer outro tomará esse lugar?”. Quero dizer, que história de vida contamos a nós próprios? Miguel Torga escrevia diários (e não só), o imperador Marco Aurélio meditações, António Aleixo quadras populares, Claudio Rodríguez poesia, quando “estava poeta”, e o Zé Manel no X. Escrever a nossa vida ajuda a retirá-la da fragilidade do nosso corpo, do efémero dos nossos dias, e, com ou sem artifícios, permite editá-la perante os nossos próprios olhos. Decidir organizar os capítulos da nossa existência, decidir pontuar parágrafos, recorrer a vírgulas e pôr pontos finais é o livre-arbítrio na nossa história que, como bem lembrou Victor Frankl, nos pode salvar (e este neuropsiquiatra austríaco, formado pelo Holocausto, sabia empiricamente do que falava). Em resumo, porventura o sentido de uma vida não será muito diferente da sintaxe numa frase, quanto mais coerente é, mais sentido tem.
Segundo Emily Esfahani, estes são os quatro pilares para uma existência com sentido. Admito mais nos quais possamos apoiar a carga que, por vezes, é viver e encontrar sentido onde não existe. Nestas festas, num mundo assolado por conflitos convenientemente enquistados e no qual impera o individualismo, tenho a sorte (como diz a Garota Não, que também me dá muito trabalho!) de ter pilares bem alicerçados: pertenço a uma família socialmente inserida em dois países, entre duas culturas, tenho uns quantos propósitos, transcendo-me sempre que possível e vou-me escrevendo, vou pontuando este texto desorganizado que sou e necessita de ter sentido para, por enquanto, não ser apagado. Votos de Boas Festas (com sentido).
domingo, março 10, 2024
sábado, março 09, 2024
6/III/2024 Notícia do falecimento de A-PV...
Recebo a notícia do falecimento do António-Pedro Vasconcelos com bastante tristeza. A cultura portuguesa perdeu um homem interessantíssimo com o qual tive a honra de aprender e de partilhar alguns momentos graças à nossa “Mais Alentejo”. Dele guardo o enorme conhecimento e amor pela sétima arte (e pela literatura), tal como o activismo pela liberdade que Abril nos trouxe há quase 50 anos... Mas guardo fundamentalmente o respeito que o artista deve ter pelo público da sua arte. Lembro-me bem de estar sentado a seu lado a visualizarmos um filme de sua autoria e, ao falarmos do escasso mercado cinematográfico português, dizer-me: “Sabes Luis, eu, em primeiro lugar, tenho sempre respeito pelo público”. Até qualquer dia caríssimo A-PV...
Os meus mais sentidos pêsames à sua família e seres queridos.
Recibo la noticia del fallecimiento de António-Pedro Vasconcelos con bastante tristeza. La cultura portuguesa pierde a un hombre sumamente interesante con quien tuve el honor de aprender y compartir algunos momentos, gracias a nuestra “Mais Alentejo”. De él guardo un vasto conocimiento y amor por el séptimo arte (y por la literatura), así como el activismo por la libertad que nos trajo Abril hace ya casi 50 años... Pero, sobre todo, guardo el respeto que el artista debe tener por el público de su arte. Recuerdo claramente estar sentado a su lado viendo una película de su autoría y, al hablar sobre el escaso mercado cinematográfico portugués, decirme: “Sabes, Luis, en primer lugar, siempre tengo respeto por el público”. Hasta otro día estimado A-P V…
Mis más sinceras condolencias a su familia y seres queridos.
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| António-Pedro Vasconcelos e Luis Leal (Badajoz, 2017) |
Gramática eleitoral: uma observação sobre o modo imperativo no arco da governação português. Gramática electoral: una observación sobre el modo imperativo en el arco de gobernación portugués.
quarta-feira, fevereiro 28, 2024
sexta-feira, fevereiro 23, 2024
El Poder de Shazam
quarta-feira, fevereiro 21, 2024
terça-feira, fevereiro 20, 2024
Luis Landero dixit:
segunda-feira, fevereiro 19, 2024
domingo, fevereiro 18, 2024
“O Nosso Capitão” - Luis Leal (versão em português do original “Nuestro Capitán”, publicado em Rayanos Magazine)
sábado, fevereiro 17, 2024
Diários d'aCourela do Alentejo
A "aCourela do Alentejo" não se resume à agricultura, é também um local inspirador, cujo património humano e natural é propício às alma de artista, como bem podem ver e ler:
"São belos estes muros de terra e pedra. Pulidos e compactados pela chuva, que vai escasseando por aqui, dividem as courelas com a mesma facilidade com que se desmoronam, desnorteados, sem saberem para que lado ficou o musgo." - Luis Leal (2019)
quarta-feira, fevereiro 14, 2024
terça-feira, fevereiro 13, 2024
Albert Camus e o seu editor, Michel Gallimard, na Grécia (1958)
segunda-feira, fevereiro 12, 2024
"Biblioteca" - Roberto Bolaño
quinta-feira, fevereiro 08, 2024
Ardina Manuel
quarta-feira, fevereiro 07, 2024
Ruy Belo - Algumas proposições com pássaros e árvores…
ALGUMAS PROPOSIÇÕES COM PÁSSAROS E ÁRVORES
QUE O POETA REMATA COM UMA REFERÊNCIA AO CORAÇÃO
Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração
Ruy Belo
terça-feira, fevereiro 06, 2024
X Premio Hispano-Portugués de Poesía Joven Ángel Campos Pámpano, “libre y habitando la sustancia del tiempo”
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| Ángel Campos Pámpano |
segunda-feira, fevereiro 05, 2024
sábado, fevereiro 03, 2024
Morreu o Apollo Creed
Morreu o Apollo Creed (Carl Weathers, 1948-2024) e para a história do cinema morreu esse campeão fanfarrão que foi o verdadeiro pilar da personagem de Rocky Balboa. Eu dou por mim a pensar, o que seria de muitos de nós se, com qualquer tipo de intenções, não nos lançássemos às segundas oportunidades?
Murió Apollo Creed (Carl Weathers, 1948-2024), y para la historia del cine falleció ese campeón fanfarrón que fue el verdadero pilar del personaje de Rocky Balboa. Me pongo a pensar, ¿qué sería de muchos de nosotros si, con cualquier tipo de intenciones, no nos lanzáramos a las segundas oportunidades?
quinta-feira, fevereiro 01, 2024
Carta para X. "Perfect Days"
sábado, janeiro 27, 2024
Medito no meu estranho destino...
terça-feira, janeiro 23, 2024
Presentación de Rita Taborda Duarte en el Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo de Badajoz (por Luis Leal)
Estimados amigos del Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo, antes que nada permitidme dar la bienvenida a la autora y agradecer a los directores del aula por seguir confiando en mi persona para presentar autores de lengua portuguesa de la talla de nuestra poeta Rita Taborda Duarte.
Para los menos atentos, nuestra autora nació en la capital portuguesa en el año de 1973 y, además de poeta, es docente universitaria y crítica literaria, de la cual podemos encontrar alrededor de una veintena de libros publicados de poesía y de literatura infantil, si es que podemos adjetivar la literatura de esa manera. En este ámbito me gustaría recordar que tres de sus obras fueron seleccionadas para el Plan Nacional de Lectura promovido por el gobierno portugués y cuyo prestigio es conocido por muchos de los que nos dedicamos o queremos el mundo de las letras lusas. Sin embargo, en lo que concierne a la poesía, publicó su primer libro, Poética Breve, en 1998, al que siguieron Na Estranha Casa de Um Outro y Dos Sentidos das Coisas, en 2006 y 2007, respectivamente. Pasados siete años, en 2014, apareció la plaquette Elogio de Outono y, al año siguiente, Roturas e Ligamentos, ilustrado por André Lobo. En 2019, su libro As Orelhas de Karenin quedó finalista de los premios de la Sociedad Portuguesa de Autores y Casino da Póvoa, del festival literario “Correntes de Escrita” en la categoría de poesía. En el año del que recientemente nos despedimos, Rita Taborda Duarte vio su obra reunida en el volumen Não Desfazendo, donde se incluye el poemario inédito Uma Pedra na Boca. En nuestro país podemos encontrar poemas suyos en las antologías Tras los claveles: 25 poetas portuguesas, publicada por la editorial La Oveja Negra, y Sombras de porcelana brava: Diecisiete poetas portuguesas incluida en el reconocido catálogo de Vaso Roto, y, desde hoy, la tenemos en la nómina de nuestra aula, en edición bilingüe a cargo del escritor Juan Ramón Santos, siendo su nombre añadido a una lista de poetas cuya identidad ibérica sobrepasa fronteras nacionales impuestas por la historia.
La poesía que hoy nos presenta se adentra más allá de nuestro genio peninsular, escarba en ese humus agradecido por el abono de tradición portuguesa (me resuena una cierta gratitud a Raúl Brandão), llegando a los cimientos de nuestras culturas y a unas raíces que abrazan esa piedra basilar que es Grecia. Es común que los lectores de poesía portuguesa encuentren reminiscencias helénicas en autores canónicos, en el siglo XX tenemos el conocido ejemplo de Sophia de Mello Breyner, pero la voz de Rita Taborda Duarte me parece que adviene del hermetismo de Heráclito para insurgirse contra el dominio mitológico masculino, asumiéndose como una verdadera Helena de Troya que, consciente de la frivolidad del amor de Paris, supera con creces el legado de afán de protagonismo de Aquiles. “Danzar Descalza” es una declaración de intenciones que no acepta una desventura en el feminino y que reclama el papel real de la mujer en la literatura (y en la historia) a través de una Penélope que abandona el destino de Sísifo y planta cara a la cifosis impuesta por el telar de la tradición, pasando de ese “viejo senil inmundo y sin cabello”, que le faltó al respeto, traicionando su amor por los placeres oníricos en brazos de ninfas, pensando que ella lo esperaría simplemente porque era real y no una diosa entregada a aventuras de argonautas. Ese viejo, ya sabemos, es Ulises.
Este cuadernillo que tenemos en las manos, recurriendo a versos de la poeta, nos desnuda “la íntima alegría de ser perecedero”, y su sujeto de enunciación se mueve por los meandros de la erudición de la lengua, encuentra en el léxico la elegancia de la exigencia, que permite a la poeta, y al poema, evitar “el ángel inmundo” y afirmar que “yo todavía por aquí ando”. Al leer esta selección de poemas, principalmente “A Pedra Não Parte Nuvem”, “A Nódoa de Uma Amora”, “Voos (a Pedra e o Pássaro”), “A Ternura de Uma Pedra” y “Pedras e Árvores”, me encontré con una poética que podía apropiarse del célebre título de João Cabral de Mello Neto, “La educación por la piedra”, donde Rita Taborda Duarte resucita gestos de antaño, tradiciones posiblemente anacrónicas para nuestra hipermodernidad, que nos cuestionan y sentencian que “preguntar no es despecho, ofensa, ni denuncia (o tristeza)”. A través de una aparente preferencia por la aspereza del lenguaje, lo que encontramos es una poesía exfoliante que nos llega más allá de la epidermis.
El Aula de Poesía Enrique Diez Canedo nos trae una autora de “Contrastes” desde el “reposo felino ronroneando en tierno regazo”, al cual me confieso muy sensible, a una leishmaniosis lírica, permítaseme el atrevimiento, esa mezcla de la sangre humana con la lealtad perruna en el poema “Verão 98”. Desde mi perspectiva, estamos ante una poeta cuyo recorrido vital decidió escaparse a la verosimilitud debido al simple hecho de muy pronto haberse dado cuenta de que no existen paliativos para una infección poética…
Resumiendo y “concluyendo”, puesto que una conclusión se puede encontrar en esta bella antología, la poesía de Rita Taborda Duarte está hecha de “palabras perfiladas, como piedras, sobre piedra encima de otra piedra”. Las paredes de su universo lírico son rectas y exactas como una “plomada”, por más que la poeta nos remita a la necesidad de la escritura, esa mundana necesidad que la lleva a bajar sus versos al dia a dia de “emporcar la esfregona en el tintero”.
Muchas gracias por vuestra atención.
Badajoz, 23 de enero de 2024
quinta-feira, janeiro 18, 2024
Rita Taborda Duarte en el Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo (23 de enero, MEIAC de Badajoz, 20h.)
domingo, janeiro 14, 2024
'Kagami Biraki" (abrir el espejo/abrir o espelho)
sábado, janeiro 13, 2024
Walter Chrysler...
Walter Chrysler (1875-1940) disse: "Sempre que se tem de fazer uma tarefa difícil, deixo-a em mãos de uma pessoa preguiçosa; de certeza que encontra uma maneira fácil de fazê-la". Entre o pragmatismo e o humor, dispomos de uma máxima eficaz e verossímil numa cultura que valoriza o esforço. No entanto, por outra parte, se o que impera é o deixa andar e o brio é coisa de antanho, o preguiçoso de certeza encontra uma maneira fácil de não a fazer.
Walter Chrysler (1875-1940) dijo: "Siempre que hay que hacer una tarea difícil, se la asigno a una persona perezosa; seguro que encuentra una manera fácil de hacerla.". Entre el pragmatismo y el humor, tenemos una máxima eficaz y verosímil en una cultura que valora el esfuerzo. Pero, por otra parte, si lo que impera es la dejadez y el pundonor es cosa de antaño, el perezoso seguro que encuentra manera fácil de no hacerla.





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