quarta-feira, abril 17, 2024

Madera de lápiz...

Quien verdaderamente sabe de que madera está hecho el lápiz, y cómo de fina es la escritura, es el buen sacapuntas.

Quem verdadeiramente sabe de que madeira é feito o lápis, e como é de fina a escrita, é o bom afiador.






domingo, abril 14, 2024

14/IV/2024

Quando se cresce num ambiente onde existe a superstição, é difícil escaparmos ilesos e, quando escapamos, não queremos que os nossos descendentes sejam expostos a tal atmosfera. Hoje, tão distante dos primeiros anos da minha vida, abriram um pouco a porta desse quarto escuro, dessas trevas impostas por outrem, que, há anos, fechei com as chaves da lógica e da razão. A tempo, voltei a empurrá-la com experiência, mantendo o pulso firme. De dentro nada saiu, contudo vislumbrei uma sombra dum passado que ainda não compreendo e não quero compreender. Apenas o quero fechado, porque compreendi que não vale a pena procurar compreensão.
Os meus filhos não saberão por mim o porquê de qualquer superstição, os resíduos existentes foram renegados para o plano do ritual, quase sempre em forma de homenagem à memória dos que já cá não estão. Esforço-me por que assim seja, tal como me esforço para que saibam acender dentro de si mesmo uma qualquer luz num quarto porque alguém lhes pode desejar que seja bem escuro...

domingo, abril 07, 2024

"Évora" - Poema de Carlos Medrano

A distância ainda não me concedeu o privilégio de conhecer pessoalmente o Carlos Medrano, mas ao longo dos anos trocámos várias epístolas digitais, li os seus livros, sigo-o nas redes sociais, no seu blog, e fui digno da sua confiança para a publicação "Recobrada Memoria", dedicada a Ángel Campos Pámpano. Recentemente, fui obsequiado, através de Álvaro Valverde, com este poema cujo título me leva à minha cidade e cujos versos se encontram no ADN que denuncia o meu sangue. Carlos Medrano escreveu este precioso "Évora" que partilho com todos os que sentem, ou são, essa cidade "de cal e pedra".
La distancia todavía no me ha concedido el privilegio de conocer personalmente a Carlos Medrano, pero, desde hace años, varias veces nos remitimos epístolas digitales, he leído libros suyos, lo sigo en redes, en su blog y fui digno de su confianza para la publicación "Recobrada Memoria", dedicada a Ángel Campos Pámpano. Hace poco, fui obsequiado, a través de Álvaro Valverde, con este poema cuyo título me lleva a mi ciudad y sus versos al DNA que llevo en la sangre. Carlos Medrano escribió este precioso "Évora" que comparto con todos los que sentimos, o somos, esa ciudad "de cal y piedra".

ÉVORA
Novamente na cidade de cal e pedra,
Évora amuralhada e cadenciosa,
devo pedir perdão à rosa que chora.
A pétala sosteve não só a ternura
mas sim a sua grandeza de aroma numa grade.
O touro no montado pasta, inclina
a sua liberdade solar, a sua calma intacta.
Carlos Medrano (trad. Luis Leal)

ÉVORA
De nuevo en la ciudad de cal y piedra,
Évora amurallada y cadenciosa,
debo pedir perdón a la rosa que llora.
Sostuvo el pétalo no sólo la ternura
sino su magnitud de aroma en una reja.
El toro en la dehesa pace, inclina
su libertad solar , su calma intacta.
Carlos Medrano 


segunda-feira, abril 01, 2024

Luis Leal, in "Diário do Sul, 21/II/2024, p.4

Em nome de todos os que continuam a dinamizar e divulgar o Prémio Hispano-Português de Poesia Jovem Ángel Campos Pámpano, o meu bem-haja ao Diário do Sul que, fazendo jus ao nome do seu suplemento "Dom Quixote", acredita que a cultura é, e deve ser, "livre e a habitar a substância do tempo"... como o mês que hoje começa.
En nombre de todos los que siguen dinamizando y difundiendo el Premio Hispano-Portugués de Poesía Joven Ángel Campos Pámpano, mi agradecimiento al Diário do Sul, que, haciendo honor al nombre de su suplemento "Don Quijote", cree que la cultura es, y debe ser, "libre y habitando la substancia del tiempo"... como el mes que hoy empieza.
(in "Diário do Sul, 21/II/2024, p.4)

Uma fotografia de Pedro Alves

 


Pedro Alves - Gerações, S. Domingos de Rana, 2015




terça-feira, março 19, 2024

"A Senhora Condescendência" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 165, p. 68


Ia a caminho de um almoço familiar e tinha acabado de passar a fronteira quando a rádio me deu a notícia do falecimento do Comendador Rui Nabeiro. À cabeça veio-me “hoje não vou ver a minha irmã e é bem possível que no céu já se possa tomar um bom café".

    Apesar da relação laboral privilegiada da minha irmã no trato diário com o Sr. Rui e da estima e da saudade que lhe deixou, nunca tive a oportunidade de o conhecer. Porém, sou ciente do seu legado na região, no país, na minha Espanha adoptiva e, para além da fortuna e do património, não abdicou de ser um homem bom, cuja essência não se viu corrompida pelo deus pecunio. A sua biografia é notável, quer seja vista através da comparativa de escalar um Everest empresarial com o alpinista João Garcia, através de grandes entrevistadores como a Anabela Mota Ribeiro ou o Luís Osório, através dum “Almoço de Domingo” ficcional do José Luís Peixoto, ou, simplesmente, através de quem com ele lidou durante os seus quase 92 anos a provarem que no capitalismo cabe o altruísmo. Em suma, como dizia alguém e subscrevo, “mais Srs. Rui e menos Musks!”. 

    Nove décadas de vida e não acredito que, na sua senectude, alguém no seu perfeito juízo se tenha dirigido ao “Sr. Rui” (como sempre fez questão de ser tratado) com qualquer tipo de condescendência como algumas pessoas se dirigirem a outros nonagenários. Tristemente, o dinheiro, o estatuto, traz algumas garantias de como a sociedade nos vai tratar se tivermos a ventura (ou desventura) de chegarmos a esta idade. Vejam-se as claras diferenças no uso lexical de “cota”, “idoso”, "ancião" e “velho” e o “peso da idade” (vulgo PDI) mais do que evidentes em sociedades sensíveis à moda da denúncia de todo o tipo de pretensas injustiças, contudo, a necessitarem prestar mais atenção ao “idadismo”.

    Confesso, caro leitor, há muito tempo que não pensava nisto. Cresci entre pessoas de idade no seio da minha família e no entorno laboral da minha mãe (que dedicou mais de duas décadas da sua vida a um Centro de Dia) e, de maneira quase intuitiva, aprendi a respeitar todo tipo de rugas e cabelos grisalhos. Creio que vi um pouco de tudo, desde o queixume do reumático, a viuvezes traumáticas e libertadoras, a demência progressiva, a solidão, o mau caráter (quanto mais velho pior!), a miséria de corpo e de espírito, até ao júbilo de um ser de ter vivido uma vida que mereceu ser vivida, à sabedoria, ao humor geriátrico, e à contemplação tantas vezes condenada à apatia da televisão.

    Como numa foto, voltei aos meus verdes anos rodeado de gente já amarelecida por ter em mãos uma tradução duma peça ambientada num Lar de Terceira Idade espanhol e, na hora de adaptar à realidade sociolinguística portuguesa, deparei-me com uma das formas de tratamento que mais abomino com qualquer ser humano, quero dizer, quando nos dirigimos a alguém infantilizando-o. Que fique claro que não outorgo más intenções ou desprezo a quem muitas vezes se dirige assim a um idoso, tratando-o como uma criança, usando um tom condescendente que nem sequer com as verdadeiras crianças me parece pertinente usar em excesso. Não é por uma pessoa ter caído nas garras do Alzheimer, do Parkinson, ou da passagem do tempo, que automaticamente as devemos tutear ou usar um registo infantilóide. O Sr. João lá por não se lembrar do nome dos netos e estar acamado não passa a ser o “Joãozinho”, mesmo que a sua calvície redondinha nos remeta para um bebé fofinho. É preciso ter cuidado, o “carinho”, a meu ver, não deriva por aí. Evoluímos, temos diversos meios e gente consciente que a terceira idade deve ser tratada de maneira diferente da primeira infância pelo simples facto de, por mais que o idoso pareça regredir à infância, há uma diferença significativa entre ambos: ser criança implica ainda não ter passado.

    Se chegar à idade do Sr. Rui, por mais infantil que seja a minha personalidade e fisionomia, não quero ser o “velho Luisinho”, nem que falem comigo como nem sequer falo ao meu filho de 2 anos. Não quero salamaleques, nem títulos. Sentir-me-ei bem se continuar a ser o Luis e, caso mereça ser chamado “Ti Luis”, será porque o Alentejo sempre me fez ver que a sombra dum carrasco jamais se pode comparar à sombra duma azinheira.

Sr. Rui Nabeiro



"A Senhora Condescendência" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 165, p. 68

Esta crónica já tem uns meses, tal como o Sr. Rui já faleceu há um ano, contudo creio que continua vigente e reitero o que se disse por aí: “Mais Srs. Rui e menos Musks!”. O falecimento deste homem ímpar e um trabalho de tradução literária que tive em mãos também me levaram a refletir se, em pleno século XXI, na era do “omniecrã”, tratamos com o devido respeito e prestamos a devida atenção aos nossos idosos. (in “Mais Alentejo”, nº165, p. 68)

Esta crónica tiene ya unos meses, al igual que el Sr. Rui falleció hace un año, sin embargo, creo que sigue siendo relevante y reitero lo que se ha dicho por ahí: “¡Más Sres. Rui y menos Musks!”. El fallecimiento de este hombre excepcional y un trabajo de traducción literaria que tuve entre manos también me llevaron a reflexionar si, en pleno siglo XXI, en la era de la “omnipantalla”, tratamos con el debido respeto y prestamos la debida atención a nuestros ancianos.






domingo, março 17, 2024

El típico dilema de los líricos...

El típico dilema de los líricos: ¿Vivir de los versos o vivir para los versos?
O típico dilema dos líricos: Viver dos versos ou viver para os versos?

La espera de la perfección...

La espera de la perfección es eterna, pero es perfecta en su finitud.
A espera pela perfeição é eterna, porém é perfeita na sua finitude.

A propósito de integração...

A propósito de integração: Integrava-se tão bem que ninguém dava por ele.
A propósito de integración: Se integraba tan bien que nadie se daba cuenta de él.

Urinou sobre...

Urinou sobre um formigueiro e sentiu o diluvio a sair da sua uretra de falso deus todo-poderoso. 

Orinó sobre un hormiguero y sintió el diluvio saliendo de su uretra de falso dios todopoderoso.

quinta-feira, março 14, 2024

Los hijos son maravillosos...

"Los hijos son maravillosos. Si yo no tuviera hijos, iría por ahí creyéndome Rimbaud.", escribió Charles Simic en una carta a Paul Auster. En mi caso creo que si yo no tuviera hijos, iría por ahí creyéndome Ramón.
"Os filhos são maravilhosos. Se eu não tivesse filhos andaria por aí a pensar que era o Rimbaud."   Escreveu Charles Simic numa carta para Paul Auster. No meu caso acho que se eu não tivesse filhos, andaria por aí a pensar que era o Ramón.

terça-feira, março 12, 2024

"Boas Festas (Com Sentido)" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 166, p.110

    Boas Festas (com sentido) – Luis Leal

    Há anos ouvi uma entrevista à filósofa Emily Esfahani Smith e despertou-me curiosidade a sua investigação sobre “viver uma vida com sentido”, curiosidade que me levou ao seu livro e terminou numa leitura atenta e enriquecedora. Na realidade, fui prendado pela ocasião e isso, nesta época festiva, faz-me pensar nas prendas que gostaria de ver distribuídas mundo fora. Portanto, aproveitando a confiança do nosso director, que me permite partilhar os meus “Trabalhos&Paixões” na Mais Alentejo, escrevo esta crónica/ensaio e, em simultâneo, desejo aos nossos caríssimos leitores quatro presentes para além do mais importante de todos: a saúde. Sem qualquer preocupação pela sua ordem, vamos lá distribui-los!

    Presente nº1: Pertença.  Sintamo-nos valorizados e valorizemos os demais. Em casa, no carro, no trabalho, nas redes sociais, no estábulo, numa manjedoura, onde quer que seja. Recordemos que, a qualquer escala, em todos existe singularidade e importância, algo bem mais relevante do que a mera utilidade no seio de uma qualquer organização. (Presente extra: O filme, já clássico, de Adolfo Aristarain “Un lugar en el mundo”).

    Presente nº2: Propósito. Por outras palavras, objetivos, causas, motivações, estímulos que sejam o motor e o combustível da nossa acção. Note-se que todos os propósitos são dignos e não se medem nem por prestígio, nem por significância. Logo, tão respeitável é o desígnio de encontrar a cura para doenças oncológicas, como a vontade de deixar melhores seres humanos num planeta a precisar de melhoras.

    Presente nº3: Transcendência. E não é que somos minúsculos! Vestígios de poeira cósmica! Sejamos como o astronauta quando, sem gravidade, é invadido pela total humildade de saber-se uma partícula microscópica num vasto e incompreensível universo. Ser conscientes da pouca importância da nossa pessoa no cosmos é, paradoxalmente, um sentimento poderoso e profundo. Há quem reze, há quem medite, há quem dance... há quem se transcenda porque sabe perfeitamente o que é e não é.

     Presente nº4: Narrativa. Charles Dickens (esse mesmo do “Conto de Natal”!) perguntava, através de David Copperfield, “serei eu o herói da minha história ou qualquer outro tomará esse lugar?”. Quero dizer, que história de vida contamos a nós próprios? Miguel Torga escrevia diários (e não só), o imperador Marco Aurélio meditações, António Aleixo quadras populares, Claudio Rodríguez poesia, quando “estava poeta”, e o Zé Manel no X. Escrever a nossa vida ajuda a retirá-la da fragilidade do nosso corpo, do efémero dos nossos dias, e, com ou sem artifícios, permite editá-la perante os nossos próprios olhos. Decidir organizar os capítulos da nossa existência, decidir pontuar parágrafos, recorrer a vírgulas e pôr pontos finais é o livre-arbítrio na nossa história que, como bem lembrou Victor Frankl, nos pode salvar (e este neuropsiquiatra austríaco, formado pelo Holocausto, sabia empiricamente do que falava). Em resumo, porventura o sentido de uma vida não será muito diferente da sintaxe numa frase, quanto mais coerente é, mais sentido tem.

    Segundo Emily Esfahani, estes são os quatro pilares para uma existência com sentido. Admito mais nos quais possamos apoiar a carga que, por vezes, é viver e encontrar sentido onde não existe. Nestas festas, num mundo assolado por conflitos convenientemente enquistados e no qual impera o individualismo, tenho a sorte (como diz a Garota Não, que também me dá muito trabalho!) de ter pilares bem alicerçados: pertenço a uma família socialmente inserida em dois países, entre duas culturas, tenho uns quantos propósitos, transcendo-me sempre que possível e vou-me escrevendo, vou pontuando este texto desorganizado que sou e necessita de ter sentido para, por enquanto, não ser apagado. Votos de Boas Festas (com sentido).



"Boas Festas (Com Sentido)" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 166, p.110


 

sábado, março 09, 2024

6/III/2024 Notícia do falecimento de A-PV...

Recebo a notícia do falecimento do António-Pedro Vasconcelos com bastante tristeza. A cultura portuguesa perdeu um homem interessantíssimo com o qual tive a honra de aprender e de partilhar alguns momentos graças à nossa “Mais Alentejo”. Dele guardo o enorme conhecimento e amor pela sétima arte (e pela literatura), tal como o activismo pela liberdade que Abril nos trouxe há quase 50 anos... Mas guardo fundamentalmente o respeito que o artista deve ter pelo público da sua arte. Lembro-me bem de estar sentado a seu lado a visualizarmos um filme de sua autoria e, ao falarmos do escasso mercado cinematográfico português, dizer-me: “Sabes Luis, eu, em primeiro lugar, tenho sempre respeito pelo público”. Até qualquer dia caríssimo A-PV...

Os meus mais sentidos pêsames à sua família e seres queridos.

Recibo la noticia del fallecimiento de António-Pedro Vasconcelos con bastante tristeza. La cultura portuguesa pierde a un hombre sumamente interesante con quien tuve el honor de aprender y compartir algunos momentos, gracias a nuestra “Mais Alentejo”. De él guardo un vasto conocimiento y amor por el séptimo arte (y por la literatura), así como el activismo por la libertad que nos trajo Abril hace ya casi 50 años... Pero, sobre todo, guardo el respeto que el artista debe tener por el público de su arte. Recuerdo claramente estar sentado a su lado viendo una película de su autoría y, al hablar sobre el escaso mercado cinematográfico portugués, decirme: “Sabes, Luis, en primer lugar, siempre tengo respeto por el público”. Hasta otro día estimado A-P V…

Mis más sinceras condolencias a su familia y seres queridos.

António-Pedro Vasconcelos e Luis Leal (Badajoz, 2017)


Gramática eleitoral: uma observação sobre o modo imperativo no arco da governação português. Gramática electoral: una observación sobre el modo imperativo en el arco de gobernación portugués.

09/III/2024: Portugal vai a votos no domingo e olho para o espectro político através da língua portuguesa concluindo que a qualidade da democracia reside na pluralidade de siglas, acrónimos e algum substantivo aliado a um adjetivo para designar alguma coligação ou iniciativa ideológica. Contudo, quando o modo imperativo chega ao espaço democrático tem exatamente o mesmo uso que na língua do dia-a-dia, isto é, oferecer poucas sugestões (geralmente simplistas) e sim focar-se a dar instruções e ordens. É curioso, como no trabalho e noutros ambientes, não se costuma gostar de mandões e dessa gente cuja vontade impera porque sim e sem direito ao contraditório. O modo imperativo tem esse uso tanto no funcionamento da língua como no regime político que preconiza ou instaura, é pouco plural e não admite complexidade como, por exemplo, o modo conjuntivo ou até mesmo o infinito que, quando é pessoal, assume uma certa empatia pelo outro. Mas isto são coisas de análise gramatical e de outros tipos de análise que se tem desprestigiado ao longo dos anos. Às vezes basta saber um pouco de gramática para antever programas políticos e o que daí pode advir... 

09/III/2024: Portugal va a votar el domingo y observo el espectro político a través de la lengua portuguesa, llegando a la conclusión de que la calidad de la democracia reside en la pluralidad de siglas, acrónimos y algún sustantivo acompañado de un adjetivo para designar coaliciones o iniciativas ideológicas. Cuando el modo imperativo llega al ámbito democrático, tiene exactamente el mismo uso que en el lenguaje cotidiano, es decir, ofrece pocas sugerencias (generalmente simplistas) y se centra en dar instrucciones y órdenes. Es curioso cómo, en el trabajo y otros ámbitos, no se suele gustar de la actitud mandona y de aquellos cuya voluntad prevalece porque sí y sin derecho al contradictorio. El modo imperativo tiene ese uso tanto en el funcionamiento del idioma como en el régimen político que preconiza o instaura; es poco plural y no admite complejidades como, por ejemplo, el modo subjuntivo o incluso el infinitivo, que, cuando es personal, muestra cierta empatía hacia el otro. Pero estas son cuestiones de análisis gramatical y de otros tipos de análisis que se han desprestigiado a lo largo de los años. A veces, simplemente conocer gramática permite antever programas políticos y lo que puede advenir de ellos...


sexta-feira, fevereiro 23, 2024

El Poder de Shazam

¿El Poder de Shazam? No, el poder de un cómic y como este nos lleva al fantástico mundo de la lectura, de la curiosidad y de la atención... bien cómodos en nuestro sofá. 

O Poder de Shazam? Não, o poder de uma Banda Desenhada e como esta nos leva ao fantástico mundo da leitura, da curiosidade e da atenção... bem confortáveis no nosso sofá.

terça-feira, fevereiro 20, 2024

Luis Landero dixit:

"Estamos demasiado acelerados, queremos vivir al ritmo de Twitter, y así el pensamiento no puede desarrollarse correctamente. Estoy algo desencantado con esta época porque me parece todo muy trivial, de consumo rápido, y giramos en torno al dinero y la diversión. Todo tiene que ser superficial. Me da lástima que hayamos roto amarras con el pasado porque somos hijos de 2.000 años de civilización. Parece que ya no le interesa a nadie entender cómo hemos llegado hasta aquí. Incluso las humanidades se están descarnando en el sistema educativo. Noto que vivimos cautivos del presente; la inmediatez me desespera. También está presente un egoísmo general e impera cierto individualismo, y eso me desalienta a veces, pero será porque soy viejo y a todos los viejos nos cuesta ver los cambios generacionales inevitables. Vivimos en una época nueva que no inauguró la caída del muro de Berlín, como pensábamos, sino la aparición de internet. Yo creo que la era poscontemporánea nace con la aparición de internet." - Luis Landero (2024)

domingo, fevereiro 18, 2024

“O Nosso Capitão” - Luis Leal (versão em português do original “Nuestro Capitán”, publicado em Rayanos Magazine)

“O Nosso Capitão” - Luis Leal (versão em português do original “Nuestro Capitán”, publicado em Rayanos Magazine)

    A madrugada recordava Abril, mas foi no primeiro dia de Julho de 1944, quando a cidade raiana de Castelo de Vide viu nascer o nosso Capitão. Filho de um trabalhador ferroviário, desde sempre soube que a vida dura e difícil percorria, como os comboios, Portugal de norte a sul.
    Conheceu a tristeza demasiado cedo e, apesar dos seus olhos limpos e claros, nunca foi capaz de a esconder totalmente do seu olhar. Talvez tenha sido o destino que o levou a Lisboa para os dois momentos fundamentais da sua vida, sendo o primeiro a morte da sua mãe, atropelada por um autocarro. A partir desse momento, não quis regressar à capital. O sonho de qualquer criança de quatro anos de visitar o Jardim Zoológico tornou-se uma lembrança de lágrimas.
    Cresceu forte e sem gostar de futebol. Gostava de ler e falar sobre coisas de história e guerra, que, num futuro próximo, já como militar, conheceria em primeira mão. Ao contrário das outras crianças, ele, numa idade tão precoce, já sabia o que queria ser quando crescesse e isso refletia-se na forma como usava o cabelo bastante curto, “à escovinha”. De espírito nobre, odiava os rufiões e, com a medalha de ouro do retrato da sua mãe, que nunca tirou do peito, desenvolveu uma coragem admirada pelos outros rapazes, tornando-se um homem de ideias firmes e claras.
    Acreditando na justiça, e numa ideia de pátria aprendida na escola primária, ingressou na academia militar. Nunca esqueceu as suas origens, a ferrovia do seu pai e as serranias da sua terra. Portugal estava em guerra na época. Lutava para manter as riquezas das suas colónias, mas na metrópole havia pobreza disfarçada de honesta escassez.
    O nosso Capitão aprendeu a fazer guerra, porém o seu coração só desejava a paz. Da guerra sabia tudo, ou quase tudo. Certamente, em tempos passados, teria sido um cavaleiro, com o seu corcel. Mas a cavalaria moderna não usa cavalos de carne e osso, usa cavalos de metal, enormes tanques que cospem fogo, arrasando muralhas e castelos. Partiu para África para defender os interesses do seu país na chamada Guerra Colonial Portuguesa. Primeiro em Moçambique e depois na Guiné-Bissau. Cumpriu o seu dever, mas a sua consciência repreendia-o, incitando-o a desobedecer às suas ordens. Não via qualquer justiça em lutar nessa guerra, onde o facto de os seus camaradas matarem ou morrerem não importava aos políticos e generais a viverem numa opulência nada honrosa quando comparada com a escassez no resto do país. O militar, que outrora acreditara na grandeza histórica do seu país, regressou a casa certo de duas coisas: que o mandariam novamente para matar ou morrer nessa guerra sem sentido e que há momentos em que a única solução é desobedecer.
    Encontrou o amor nos braços de Natércia e mudou-se para Santarém, para a Escola Prática de Cavalaria, onde instruiu os seus homens com a firmeza de carácter que herdara do pai. Um filho da ferrovia sabe que não se pode chegar atrasado quando o dever chama, e o nosso Capitão sabia que o seu destino o levaria novamente a Lisboa, para enfrentar o seu passado e lutar pela alegria dos seus olhos e do seu país.
    Na parada do quartel, reuniu os seus soldados, futura carne para canhão que conheceria o horror de África se ele e outros capitães como ele não lhes tivessem falado com a verdade que deve reger o bom militar, aquele que sabe que as ideias mais nobres sempre foram protegidas pelos guerreiros. Com o seu uniforme de manobras e o lenço do seu amor no bolso, o nosso Capitão dirigiu-se aos seus soldados com a segurança de um líder que prescinde do protagonismo pelo bem comum.
    “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”.
    E uma multidão de jovens, filhos do povo humilde e trabalhador, para quem a vida militar era bastante mais suave do que a fome do campo ou o calor da fábrica, formou uma coluna militar em direção à capital de um país que, há anos, não ouvia a voz da imensa maioria dos seus filhos. Só foram detidos por um semáforo vermelho, um sinal de que a segurança da vida humana é fundamental para que exista liberdade.
    O nosso Capitão foi treinado para obedecer, para ser leal e disciplinado, mas naquela madrugada de 25 de abril de 1974, o seu compromisso foi com a mudança, com o respeito pela vida dos seus pais, o futuro da sua esposa e filhos num Portugal livre para ser e sonhar.
    A ação militar, iniciada na Rádio Renascença com a canção de José Afonso, “Grândola Vila-Morena / Terra da fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti, ó cidade", foi decidida no Terreiro do Paço, onde estavam as forças leais ao regime, e no Largo do Carmo, onde o presidente do governo, Marcello Caetano, estava refugiado. Em ambas as situações, o nosso Capitão foi firme e cauteloso. Conhecia demasiado bem a guerra e queria evitar, a todo custo, o confronto militar. Por conhecer o pensamento e a ação dos seus pares, levava uma granada escondida no bolso. Se fosse necessário, teria a coragem de entregar a sua vida para que não houvesse mais guerra e o futuro o conhecesse como mártir da revolução.
    No entanto, a Primavera já tinha chegado ao Abril mais precioso da história da humanidade. Lisboa, e simultaneamente todo o país, quis apoiar a iniciativa desses militares, soldados, cabos, sargentos, tenentes, que desafiaram o poder, enfrentando a ditadura, dizendo: “Somos todos nós. Todos somos capitães”.
    Portugal floresceu com as cores dos cravos, e o Capitão não chorou de tristeza como quando era uma criança de quatro anos. Oordeu os lábios, quase sentindo o sabor do próprio sangue, e o seu olhar claro, ligeiramente húmido, testemunhou como a rua gritava liberdade após mais de quarenta anos silenciada.
Cumpriu a obrigação de escoltar Marcello Caetano até o aeroporto, até ao interior de um avião que levaria o ex-presidente do governo para o exílio. Este despediu-se do nosso Capitão agradecendo a dignidade e o respeito com os quais o militar o tratara durante o golpe de Estado.
    Enquanto Portugal abria as prisões políticas e se abria ao mundo em liberdade, o nosso Capitão só queria voltar para casa, para junto da sua esposa e da sua terra, na raia, onde o seu pai se encontrava bastante preocupado por não ter notícias suas. Voltou.
    Por sua vontade, não quis distinções nem cargos nesse novo Portugal. Também não eram necessárias celebrações ou ovações. A sua consciência tinha recuperado a paz, e para ele isso não era sinónimo de heroicidade, era apenas o seu dever.
    Abril continuou a ser celebrado, e o nosso Capitão continuou a lutar como todos aqueles que foram protagonistas anónimos da Revolução dos Cravos. Atos de coragem como o dele jamais são perdoados pelos medíocres, essa é a realidade. O seu olhar deixou para trás a tristeza da criança que perdera a mãe ou a emoção do militar que daria a vida pelo que acreditava ser o correto. O seu olhar não apenas se tornou símbolo da pureza de um ideal, mas também de toda a história de Portugal.
    Nem os poetas são fiéis à palavra como o nosso Capitão foi à sua conduta. Trouxe-nos Abril e Abril levou-o. Foi a 3 de abril de 1992 que regressou à terra onde nasceu, Castelo de Vide. Ali, os seus despediram-se de Fernando e honraram o seu desejo de ser sepultado numa campa rasa ao som de “Grândola Vila Morena”. Não é apenas para nós, raianos, que é o conquistador do sonho inconquistado. O Nosso Capitão Salgueiro Maia, esse herói que não quis integrar-se, é como a raia que o viu nascer, incómodo para todo o tipo de poder, invisível até, porém é património da Liberdade... e da Humanidade.

Fontes:
MAIA, Salgueiro, Capitão de Abril, Histórias da Guerra do Ultramar e do 25 de Abril, Editorial Notícias, Lisboa, 1994.
DUARTE, António de Sousa, Salgueiro Maia, Um Homem da Liberdade, Âncora Editora, Lisboa, 1999.
LETRIA, José Jorge, Salgueiro Maia, O Homem do Tanque da Liberdade, Terramar, Lisboa, 2004.




sábado, fevereiro 17, 2024

Diários d'aCourela do Alentejo

A "aCourela do Alentejo" não se resume à agricultura, é também um local inspirador, cujo património humano e natural é propício às alma de artista, como bem podem ver e ler:
"São belos estes muros de terra e pedra. Pulidos e compactados pela chuva, que vai escasseando por aqui, dividem as courelas com a mesma facilidade com que se desmoronam, desnorteados, sem saberem para que lado ficou o musgo." - Luis Leal (2019)


terça-feira, fevereiro 13, 2024

Albert Camus e o seu editor, Michel Gallimard, na Grécia (1958)

 


“Ο Albert Camus και ο εκδότης του Michel Gallimard, Ελλάδα, 1958” (Georgios Argyriou, Flickr)



segunda-feira, fevereiro 12, 2024

"Biblioteca" - Roberto Bolaño

Biblioteca - Roberto Bolaño 

Libros que compro
Entre las extrañas lluvias
Y el calor
De 1992
Y que ya he leído
O que nunca leeré
Libros para que lea mí hijo
La biblioteca de Lautaro
Que deberá resistir
Otras lluvias
Y otros calores infernales
-Así pues, la consigna es ésta:
Resistid queridos libritos
Atravesad los días como caballeros medievales
Y cuidad de mi hijo
En los años venideros

quinta-feira, fevereiro 08, 2024

Ardina Manuel

8/II/2024 Saltou-me esta foto do meu Ardina Manuel e emocionei-me. Viva “Diário do Sul” das minhas raízes! Viva imprensa local, regional, internacional... comprometida com a ética e o rigor! Viva amigos jornalistas! Enquanto puder, comprarei sempre o jornal das mãos reais de quem o faz... 

Me ha saltado esta foto de mi Ardina Manuel y me emocionado.
¡Viva el “Diário do Sul” de mis raíces! ¡Viva prensa local, regional, internacional... comprometida con la ética y con el rigor! ¡Viva mis amigos periodistas! Mientras pueda, compraré siempre el periódico de las manos reales de quien lo hace... 



quarta-feira, fevereiro 07, 2024

Ruy Belo - Algumas proposições com pássaros e árvores…





ALGUMAS PROPOSIÇÕES COM PÁSSAROS E ÁRVORES
QUE O POETA REMATA COM UMA REFERÊNCIA AO CORAÇÃO


Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

Ruy Belo


terça-feira, fevereiro 06, 2024

X Premio Hispano-Portugués de Poesía Joven Ángel Campos Pámpano, “libre y habitando la sustancia del tiempo”

Han pasado varios años, sin embargo, la verdad es que un bastión de inspiración peninsular, mucho más allá de la raíz rayana, sigue “deletreando su nombre”, pero, lamentablemente, “sin verlo”. Cinco letras. Ángel, como lo nombran aquellos que disfrutaron de su presencia, y al cual siempre asocio con los apellidos Campos Pámpano.

Quienes están familiarizados con parte del trabajo que he desarrollado a lo largo de los años saben que Ángel Campos Pámpano es para mí un referente, puesto que este profesor, poeta y traductor sanvicenteño, con tanta dedicación enseñó y difundió la poesía portuguesa y española en ambos lados de la frontera. Admiro la obra y el legado de este hombre, y “deletrear su nombre” es una forma de aliento que trasciende horizontes líricos y me incita a querer, dentro de lo que soy y vivo, recorrer caminos análogos tanto en el ámbito del arte como en el de la ciudadanía.

Por lo tanto, me enorgullece ver el “Premio Hispano-Portugués de Poesía Joven Ángel Campos Pámpano” celebrar su décimo aniversario y, siguiendo la herencia de Ángel, seguir uniendo a Portugal y España a través de lo mejor que ambas naciones tienen, su juventud. Casualmente, en el año en que se celebra el quincuagésimo aniversario de esa madrugada esperada, de ese “Día inicial entero y limpio / Donde emergimos de la noche y del silencio / Y libres habitamos la sustancia del tiempo”, que fue la Revolución de los Claveles y que Ángel Campos vertió al español a través de la esencia de Sophia de Mello Breyner, cuya obra tradujo junto a otros rostros de la literatura portuguesa como Fernando Pessoa, António Ramos Rosa, Al Berto, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade o José Saramago.

Iniciativas como estas seguirán “emergiendo de la noche y del silencio” en épocas complejas y, gracias a algunos que se atreven a resistir (especialmente la Asociación Cultural “Vicente Rollano” de San Vicente de Alcántara), cualquier tradición poética no se desvirtuará en la vorágine, en la deshumanización de la técnica o en el conveniente olvido. “Siempre hay un refugio”. Los verdaderos poetas lo saben. Ángel lo sabía.

Nosotros, los que estamos aquí, a uno y otro lado de la frontera, tal vez podamos ser coadyuvantes, estimulando a jóvenes de entre 14 y 18 años que estén estudiando en la Educación Secundaria en escuelas de la Comunidad Autónoma de Extremadura, del Alentejo y Centro de Portugal, a presentar un poema o conjunto de poemas, en español o portugués, de forma y temática libres, hasta el 7 de abril de 2024. Los premios, detallados en las bases del concurso, podrían ser un estímulo para la juventud, un refuerzo para creer en la importancia de la palabra, en su fuerza. La poesía no tiene por qué ser una debilidad o un arma, es, como muchas otras manifestaciones de nuestra condición humana, una manera de no desesperar, de no caer en el odio, en la exaltación, pero, sobre todo, de no caer en la resignación.


Ángel Campos Pámpano







sábado, fevereiro 03, 2024

Morreu o Apollo Creed

Morreu o Apollo Creed (Carl Weathers, 1948-2024) e para a história do cinema morreu esse campeão fanfarrão que foi o verdadeiro pilar da personagem de Rocky Balboa. Eu dou por mim a pensar, o que seria de muitos de nós se, com qualquer tipo de intenções, não nos lançássemos às segundas oportunidades?
Murió Apollo Creed (Carl Weathers, 1948-2024), y para la historia del cine falleció ese campeón fanfarrón que fue el verdadero pilar del personaje de Rocky Balboa. Me pongo a pensar, ¿qué sería de muchos de nosotros si, con cualquier tipo de intenciones, no nos lanzáramos a las segundas oportunidades?


quinta-feira, fevereiro 01, 2024

Carta para X. "Perfect Days"

Carta para X.

Badajoz, 1 de fevereiro de 2024.

Querido X,
Talvez "todos os dias sejam bons", filho, como diz o ditado japonês. Hoje o meu foi como este filme que vimos juntos, perfeito. Tu, de oito anos, a projetares o teu olhar numa sala quase vazia de gente, porém repleta de beleza e simplicidade. Eu, de oitos multiplicados em quarentas, a lidar com a incerteza e com as dúvidas de valer a pena intervir numa sociedade ansiosa e desatenta, contente por uma pessoa, pela qual tenho uma grande admiração intelectual e artística, se ter lembrado de mim, solidário com alguns que os vejo sofrer e preocupado com este mundo do campo (que também é nosso) não se fazer entender na cidade que o necessita para ser alimentada... No fundo, a diferença entre tu e eu é esta multiplicação de tanta coisa inerente à passagem dos anos.
Contudo, um dia só é sentido, com alegria ou dor, se é vivo e o nosso assim foi. Não sabemos se haverá esse "próximo", se continuaremos até "ver o mar". Queremos ter essa próxima ocasião dos nossos mundos, de idades diferentes, se continuarem a tocar. Esperamos com a certeza que a "próxima oportunidade é a próxima" e o "agora é o agora"... É aquilo que tanto falamos quer para atravessares a rua, ajudar em casa, estar na sala de aula, estares à tua vontade, mesmo que distraído, sempre saberás colocar a tua vontade na atenção.
Este dia foi nosso X. Já passou. A nossa atenção ficou no agora.

Teu sempre.
Papá 

sábado, janeiro 27, 2024

Medito no meu estranho destino...


(Para E.)

Medito o meu estranho destino 
e alumiam-me reflexos 
de um luar 
de um lugar 
de passos passados
por ruas tortas com portas fechadas, 
onde o alento apenas entra artificial
pela janela da imaginação.

Vales-me tu
a sorrir e a beberes
da chávena de
amanheceres
e anoiteceres
real
no meu coração.


(Para E.)

Medito mi extraño destino 
y me alumbran reflejos 
de una luna
de un lugar 
de pasos pasados
por calles torcidas con puertas cerradas,
donde el aliento solo entra artificial
por la ventana de la imaginación.

Me socorres tú 
sonriendo y bebiendo 
de la taza de
los amaneceres 
y anocheceres
reales 
en mi corazón.

Évora, 26 de janeiro/enero de 2024

terça-feira, janeiro 23, 2024

Presentación de Rita Taborda Duarte en el Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo de Badajoz (por Luis Leal)


Estimados amigos del Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo, antes que nada permitidme dar la bienvenida a la autora y agradecer a los directores del aula por seguir confiando en mi persona para presentar autores de lengua portuguesa de la talla de nuestra poeta Rita Taborda Duarte.

Para los menos atentos, nuestra autora nació en la capital portuguesa en el año de 1973 y, además de poeta, es docente universitaria y crítica literaria, de la cual podemos encontrar alrededor de una veintena de libros publicados de poesía y de literatura infantil, si es que podemos adjetivar la literatura de esa manera. En este ámbito me gustaría recordar que tres de sus obras fueron seleccionadas para el Plan Nacional de Lectura promovido por el gobierno portugués y cuyo prestigio es conocido por muchos de los que nos dedicamos o queremos el mundo de las letras lusas. Sin embargo, en lo que concierne a la poesía, publicó su primer libro, Poética Breve, en 1998, al que siguieron Na Estranha Casa de Um Outro y Dos Sentidos das Coisas, en 2006 y 2007, respectivamente. Pasados siete años, en 2014, apareció la plaquette Elogio de Outono y, al año siguiente, Roturas e Ligamentos, ilustrado por André Lobo. En 2019, su libro As Orelhas de Karenin quedó finalista de los premios de la Sociedad Portuguesa de Autores y Casino da Póvoa, del festival literario “Correntes de Escrita” en la categoría de poesía. En el año del que recientemente nos despedimos, Rita Taborda Duarte vio su obra reunida en el volumen Não Desfazendo, donde se incluye el poemario inédito Uma Pedra na Boca. En nuestro país podemos encontrar poemas suyos en las antologías Tras los claveles: 25 poetas portuguesas, publicada por la editorial La Oveja Negra, y Sombras de porcelana brava: Diecisiete poetas portuguesas incluida en el reconocido catálogo de Vaso Roto, y, desde hoy, la tenemos en la nómina de nuestra aula, en edición bilingüe a cargo del escritor Juan Ramón Santos,  siendo su nombre añadido a una lista de poetas cuya identidad ibérica sobrepasa fronteras nacionales impuestas por la historia.

La poesía que hoy nos presenta se adentra más allá de nuestro genio peninsular, escarba en ese humus agradecido por el abono de tradición portuguesa (me resuena una cierta gratitud a Raúl Brandão), llegando a los cimientos de nuestras culturas y a unas raíces que abrazan esa piedra basilar que es Grecia. Es común que los lectores de poesía portuguesa encuentren reminiscencias helénicas en autores canónicos, en el siglo XX tenemos el conocido ejemplo de Sophia de Mello Breyner, pero la voz de Rita Taborda Duarte me parece que adviene del hermetismo de Heráclito para insurgirse contra el dominio mitológico masculino, asumiéndose como una verdadera Helena de Troya que, consciente de la frivolidad del amor de Paris, supera con creces el legado de afán de protagonismo de Aquiles. “Danzar Descalza” es una declaración de intenciones que no acepta una desventura en el feminino y que reclama el papel real de la mujer en la literatura (y en la historia) a través de una Penélope que abandona el destino de Sísifo y planta cara a la cifosis impuesta por el telar de la tradición, pasando de ese “viejo senil inmundo y sin cabello”, que le faltó al respeto, traicionando su amor por los placeres oníricos en brazos de ninfas, pensando que ella lo esperaría simplemente porque era real y no una diosa entregada a aventuras de argonautas. Ese viejo, ya sabemos, es Ulises.

Este cuadernillo que tenemos en las manos, recurriendo a versos de la poeta, nos desnuda “la íntima alegría de ser perecedero”, y su sujeto de enunciación se mueve por los meandros de la erudición de la lengua, encuentra en el léxico la elegancia de la exigencia, que permite a la poeta, y al poema, evitar “el ángel inmundo” y afirmar  que “yo todavía por aquí ando”. Al leer esta selección de poemas, principalmente “A Pedra Não Parte Nuvem”, “A Nódoa de Uma Amora”, “Voos (a Pedra e o Pássaro”), “A Ternura de Uma Pedra” y “Pedras e Árvores”, me encontré con una poética que podía apropiarse del célebre título de João Cabral de Mello Neto, “La educación por la piedra”, donde Rita Taborda Duarte resucita gestos de antaño, tradiciones posiblemente anacrónicas para nuestra hipermodernidad, que nos cuestionan y sentencian que “preguntar no es despecho, ofensa, ni denuncia (o tristeza)”. A través de una aparente preferencia por la aspereza del lenguaje, lo que encontramos es una poesía exfoliante que nos llega más allá de la epidermis.

El Aula de Poesía Enrique Diez Canedo nos trae una autora de “Contrastes” desde el “reposo felino ronroneando en tierno regazo”, al cual me confieso muy sensible, a una leishmaniosis lírica, permítaseme el atrevimiento, esa mezcla de la sangre humana con la lealtad perruna en el poema “Verão 98”. Desde mi perspectiva, estamos ante una poeta cuyo recorrido vital decidió escaparse a la verosimilitud debido al simple hecho de muy pronto haberse dado cuenta de que no existen paliativos para una infección poética…

Resumiendo y “concluyendo”, puesto que una conclusión se puede encontrar en esta bella antología, la poesía de Rita Taborda Duarte está hecha de “palabras perfiladas, como piedras, sobre piedra encima de otra piedra”. Las paredes de su universo lírico son rectas y exactas como una “plomada”, por más que la poeta nos remita a la necesidad de la escritura, esa mundana necesidad que la lleva a bajar sus versos al dia a dia de “emporcar la esfregona en el tintero”.


Muchas gracias por vuestra atención.


Badajoz, 23 de enero de 2024


quinta-feira, janeiro 18, 2024

Rita Taborda Duarte en el Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo (23 de enero, MEIAC de Badajoz, 20h.)

Muito obrigado aos diretores da Aula de Poesia Enrique Díez-Canedo por continuarem a confiar na minha pessoa para apresentar autores de língua portuguesa da categoria da poeta Rita Taborda Duarte. (23 de janeiro, MEIAC de Badajoz, 20h.) 
Muchas gracias a los directores del Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo por seguir confiando en mi persona para presentar autores de lengua portuguesa de la talla de la poeta Rita Taborda Duarte. (23 de enero, MEIAC de Badajoz, 20h.)

domingo, janeiro 14, 2024

'Kagami Biraki" (abrir el espejo/abrir o espelho)


"Kagami Biraki" (abrir el espejo/abrir o espelho)

Manhã cedo o
despertar consciente
do sol a nascer.

Mañana temprano el
despertar conciente
del sol naciente.
14/I/2024

sábado, janeiro 13, 2024

Walter Chrysler...

Walter Chrysler (1875-1940) disse: "Sempre que se tem de fazer uma tarefa difícil, deixo-a em mãos de uma pessoa preguiçosa; de certeza que encontra uma maneira fácil de fazê-la". Entre o pragmatismo e o humor, dispomos de uma máxima eficaz e verossímil numa cultura que valoriza o esforço. No entanto, por outra parte, se o que impera é o deixa andar e o brio é coisa de antanho, o preguiçoso de certeza encontra uma maneira fácil de não a fazer.

 
Walter Chrysler (1875-1940) dijo: "Siempre que hay que hacer una tarea difícil, se la asigno a una persona perezosa; seguro que encuentra una manera fácil de hacerla.". Entre el pragmatismo y el humor, tenemos una máxima eficaz y verosímil en una cultura que valora el esfuerzo. Pero, por otra parte, si lo que impera es la dejadez y el pundonor es cosa de antaño, el perezoso seguro que encuentra manera fácil de no hacerla.

Como las matemáticas...

Como las matemáticas, las metáforas son infinitas y a veces pueden tener un resultado equivocado.
Como a matemática, as metáforas são infinitas e por vezes podem ter um resultado enganado. 

quinta-feira, dezembro 07, 2023

Escadas/Escaleras

O Joker tem umas escadas em Gotham (melhor dito no Bronx de Nova Iorque), o Rocky Balboa em Filadelfia, o John Wick caiu em todos os degraus do Sacré-Coeur de Paris, os Led Zeppelin têm umas directas para o céu... E eu sempre terei estas, menos turísticas, mas igual de emblemáticas na "mui nobre e sempre leal" cidade de Évora. 
Joker tiene una escalera en Gotham (mejor dicho en el Bronx de Nueva York), Rocky Balboa en Filadelfia, John Wick se cayó en todos los escalones del Sacré-Cœur de París, los Led Zeppelin tienen una directa al cielo... Y yo siempre tendré esta, menos turística pero igualmente emblemática, en la "muy noble y siempre leal" ciudad de Évora.

quinta-feira, novembro 30, 2023

“Ensayo sobre (mi) frontera” en el podcast “Entre 2 T(i)erras” de Luis Leal

Lo prometido es deuda y aún en noviembre, con diciembre ya preparado, este “Ensayo sobre (mi) frontera” (hoy en español) en el podcast “Entre 2 T(i)erras”. También lo podéis leer en el “Cuaderno Extremeño para el debate y la acción” nº12. Hasta pronto. 

O prometido é devido e ainda em novembro, com dezembro já preparado, este “Ensaio Sobre a (Minha) Fronteira” (hoje em espanhol) no podcast “Entre 2 T(i)erras”. Também o podem ler no “Cuaderno Extremeño para el debate y la acción”. Até breve.
 

quarta-feira, novembro 29, 2023

“Ensaio Sobre a (Minha) Fronteira” no podcast “Entre 2 T(i)erras” de Luis Leal

Se vos apetecer refletir sobre essas linhas que desenhamos nos mapas, aqui têm um “Ensaio Sobre a (Minha) Fronteira” no podcast “Entre 2 T(i)erras”. Hoje a partilha é em português, amanhã será em espanhol. Aquele abraço. 

 Si os apetece reflexionar sobre esas líneas que dibujamos en los mapas, aquí tenéis un “Ensayo sobre (mi) frontera” en el podcast “Entre 2 T(i)erras”. Hoy lo comparto en portugués, mañana lo haré en español. “Aquele abraço”.