sexta-feira, dezembro 29, 2006

Saddam será executado ao nascer do sol de Sábado


É com mais morte que honramos a memória das vítimas deste homem? Como é que este tirano vai pagar o que fez? Como é que ficam, no meio disto tudo, os interesses do executivo de Bush? Pelos vistos serão somente mais umas perguntas retóricas...
Indigna-me a execução de Saddam, porque acredito que é o caminho mais fácil e que nada trará de bom para a sociedade. Outras soluções, de acordo com a justiça e os tribunais internacionais, que não passassem pela morte, talvez trouxessem mais unanimidade à crítica internacional.
A mim não me chocaria vê-lo preso a trabalhar o resto dos seus dias em prol dos iraquianos que, por acaso, agora estão pior do que sob a égide do seu governo tirânico...
Ironias e interesses das nações disfarçadas de paladinos da liberdade e da democracia...

Eu sei de onde vimos só não sei para onde vamos





"Os seres humanos são computadores bioquímicos complexos. Não é tudo o que são, mas é a sua especificação mínima irredutível. São compostos por moléculas helicoidais auto-reprodutíveis de ADN, compostas por átomos de carbono, azoto, fósforo e oxigénio. Não sabemos ao certo como tais estruturas moleculares surgiram na Terra. É possível que tivessesm sido geradas inicialmente pelas interações e mutações aleatórias durante a história inicial da Terra. (...). Mas qual é a origem do carbono, azoto, fósforo e oxigénio que compõe as moléculas de ADN da vida? Disto estamos muito incertos: encontram-se nas estrelas.



Os elementos atómicos mais pesados do que o hidrogénio e o hélio não podem ter sido produzidos no inferno do big bang. O universo expande-se e arrefece-se de uma forma demasiado rápida para que os núcleos mais pesados sejam sintetizados por reacções nucleares. O reactor nuclear natural a que chamamos big bang desaparece após a expansão do universo durante cerca de três minutos, mas neste curto espaço de tempo transforma 25% da massa do universo em hélio, deixando quase 75% com hidrogénio. Digo "quase" porque a fusão nuclear do hidrogénio em hélio deixa ligeiros vestígios de deutério, lítio e o isótopo hélio-3 em abundância relativas de 1/1000%, 1/100 000 000% e 1/1000% por massa, respectivamente. Estas abundâncias previstas correspondem exactamente às fracções medidas no universo actualmente. Esta descoberta notável é um dos fundamentos da teoria cosmológica do big bang.
Aprendemos que o fenómeno complexo a que chamamos "vida" é construído a partir de elementos que são mais pesados e complexos do que o hidrogénio e o hélio que surgem do big bang. (...).




Quando as estrelas esgotam os seus recursos de combustível nuclear, implodem e expulsam as camadas exteriores para o espaço. Esta morte violenta, que testemunhamos nas supernovas, serve para dispersar os elementos biológicos através do espaço, onde serão incorporados em planetas, asteróides e outras formas de lixo interstelar. Finalmente encontrarão o caminho até aos nossos corpos. Somos as cinzas das estrelas."



In, BARROW, John, "The world inside the world".

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Um canto italiano...


Como se fazem "ouvir" os pacences...


Não sei quais os argumentos, nem as queixas, no entanto achei peculiar este tipo de manifestação dos pacences, isto é, os habitantes de Badajoz. Efectivamente, como está "grafitado" numa "calle" da cidada extremenha à beira do Guadiana, "quem abdica dos seus direitos, abdica da sua dignidade".

quarta-feira, dezembro 27, 2006


Natureza é o modelo dos modelos de todas as maquinarias, não deixem gripar estas pequenas engrenagens que ainda nos fazem sorrir.
Sim é a nossa Serra da Estrela.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Ainda há pastores?


Excelente documentário acerca das realidades esquecidas do interior de Portugal. Da desertificação do território ao vazio da alma. Um excelente trabalho de Jorge Pelicano. Remeto-vos paro o blog http://aindahapastores.blogspot.com, no qual podem ver o trailer e notícias relacionadas com as personagens do documentário.

REPTO: Qual a personalidade do ano 2006 para os "Senderos"?


Este é um repto para todos os colaboradores, amigos e leitores dos "Senderos". Qual a personalidade que pensam que marcou mais o ano que está quase a terminar? A tarefa é díficil e ingrata, mas certamente resultará numa boa partilha de pontos de vista. Aceitem o repto e vejamos no que dá! Bom ano de 2007!Tchau 2006!
Esta foi a escolha da "Única", suplemento do "Expresso", o presidente que a Europa e o mundo gostava que os EUA tivesse tido, o ex-vice de Clinton, Al Gore.

Tabaco da Vizinha...


Era uma vez uma vizinha que fumava que nem uma chaminé... tal como uma central termoeléctrica, poluía os seus pulmões com prazer, contemplando o largo no horizonte da sua varanda...
Que ela fumasse, não era problema dos vizinhos... mas as beatas, essas não eram de sacristia e persistiam a aglomerar-se num mar de proporções bíblicas...
Moral da história: a vizinha é uma grande porca (sem ofender a espécie) e ninguém lhe diz nada! Eis a assertividade portuguesa!

...


O acto motor,
O centro de um gesto
Por estudar, nato, gratuito.

O fascínio do fado
Fura, furioso, fundo
A flexibilidade de um provérbio.

Os passos, pesados, em volta,
Precedem os senderos do futuro…

segunda-feira, dezembro 25, 2006

E nada muda...


Poder-se-ia falar de Sísifo, Penélope, do Benfica ou de tantas outras coisas que não são sinónimo de mudança. Para muitos, a palavra Natal é sinónimo de nascimento, génese, ou numa perspectiva de segunda hipótese, renascimento… Ontem, numa perspectiva institucional, a igreja, que celebriza Jesus Cristo por estes dias, manifestou-se, no seu direito, acerca de um funeral de um italiano para quem os cuidados paliativos não faziam sentido. Institucionalmente recusou-lhe um funeral católico, na véspera de Natal.
Acho se os doutos da igreja perguntarem ao “menino que faz anos hoje” como reagir, ele diria que o caminho por eles seguido afasta os possíveis reis magos da sua cabana, que o adoram com o esplêndido dote do livre-arbítrio…
“Estranhos caminhos, esta igreja trilha…” diria a personagem da saga “Star Wars”, Mestre Yoda… eu digo: não misturemos o mundano com o espiritual, muito menos, atiremos pedras do templo aos demais, pois qualquer dia não “sobra pedra sobre pedra”…
Bom Natal

sábado, dezembro 23, 2006

"A UN OLMO SECO" - Antonio Machado

"Al olmo viejo, hendido por el rayo
y en su mitad podrido,
con las lluvias de abril y el sol de mayo
algunas hojas verdes le han salido.

¡El olmo centenario en la colina
que lame el Duero! Un musgo amarillento
le mancha la corteza blanquecina
al tronco carcomido y polvoriento.

No será, cual los álamos cantores
que guardan el camino y la ribera,
habitado de pardos ruiseñores.

Ejército de hormigas en hilera
va trepando por él, y en sus entrañas
urden sus telas grises las arañas.

Antes que te derribe, olmo del Duero,
con su hacha el leñador, y el carpintero
te convierta en melena de campana,
lanza de carro o yugo de carreta;
antes que rojo en el hogar, mañana,
ardas en alguna mísera caseta,
al borde de un camino;
antes que te descuaje un torbellino
y tronche el soplo de las sierras blancas;
antes que el río hasta la mar te empuje
por valles y barrancas,
olmo, quiero anotar en mi cartera
la gracia de tu rama verdecida.
Mi corazón espera
también, hacia la luz y hacia la vida,
otro milagro de la primavera".

O frio Natal Eborense




Sábado, final de tarde, a luz artificial ilumina a histórica Rua de Serpa Pinto. Das Portas de Alconchel à Praça do Giraldo, a azáfama dos últimos dias antes do Natal.
A minha objectiva acompanha as luzes, na esperança de alguma "iluminação" nesta quadra gelada, aquecida pelo calor dos lares que, uma vez por ano, dizem aléluia.

"Waiting For The Miracle" - LEONARD COHEN (Bom dia!)


"Baby, I've been waiting,
I've been waiting night and day.
I didn't see the time,
I waited half my life away.
There were lots of invitations
and I know you sent me some,
but I was waiting
for the miracle, for the miracle to come.
I know you really loved me.
but, you see, my hands were tied.
I know it must have hurt you,
it must have hurt your pride
to have to stand beneath my window
with your bugle and your drum,
and me I'm up there waiting
for the miracle, for the miracle to come.

Ah I don't believe you'd like it,
You wouldn't like it here.
There ain't no entertainment
and the judgements are severe.
The Maestro says it's Mozart
but it sounds like bubble gum
when you're waiting
for the miracle, for the miracle to come.

Waiting for the miracle
There's nothing left to do.
I haven't been this happy
since the end of World War II.

Nothing left to do
when you know that you've been taken.
Nothing left to do
when you're begging for a crumb
Nothing left to do
when you've got to go on waiting
waiting for the miracle to come.

I dreamed about you, baby.
It was just the other night.
Most of you was naked
Ah but some of you was light.
The sands of time were falling
from your fingers and your thumb,
and you were waiting
for the miracle, for the miracle to come

Ah baby, let's get married,
we've been alone too long.
Let's be alone together.
Let's see if we're that strong.
Yeah let's do something crazy,
something absolutely wrong
while we're waiting
for the miracle, for the miracle to come.

Nothing left to do ...

When you've fallen on the highway
and you're lying in the rain,
and they ask you how you're doing
of course you'll say you can't complain --
If you're squeezed for information,
that's when you've got to play it dumb:
You just say you're out there waiting
for the miracle, for the miracle to come".

sexta-feira, dezembro 22, 2006

...

"Success is a journey, not a destination" - Zen saying

Mais uma no "Abrupto"


Desta vez assinada por Miguel Leal, mais uma incursão dos colaboradores dos "Senderos" no blog do José Pacheco Pereira.
Retratos de quem trabalha numa Nazaré de "sete saias" com tremoços a acompanhar a bela vista para o mar. Até rimou!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

motorcycle diaries


Já várias vezes aqui mencionei esta película, agora remeto-vos para um pequeno "trailer". É uma obra notável e recomendada pelo seu conteúdo utópico, sem deixar de ser realista.

"The Blowers Daughter"



And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

DAMIEN RICE (Canção da banda sonora do filme "Closer", de Mike Nichols)
Foto original (LP)

Feliz Natal (E já agora, o que é o Natal para vocês?)


O Natal está a chegar!
O que é o Natal para vocês? Expliquem-me…
O Natal para mim…
O Natal para mim, tirem-lhe todo o simbolismo religioso que o rodeia, deixem ficar apenas os valores, família, reunião, amor, amizade, carinho, convívio…
Esse é o meu Natal…por isto gosto desta data!
Acho que nunca vi o Natal de forma religiosa, orando a Deus, lembrando a data como o nascimento de Cristo, o Natal para mim é uma data apenas a ser lembrada, onde o espírito que reina entre todos é de paz, onde as guerras são suspensas, onde os desfavorecidos são lembrados em inúmeras campanhas, onde num sorriso de uma criança vemos uma luz de esperança…o Natal é magia!
E durante o ano? Onde está essa magia?
Quais são os valores que fazemos questão de lembrar na época natalícia e que durante o ano os deixamos de lado?
A família…rodeado pelos laços de sangue que nos unem, numa noite sentados lado a lado com pessoas que durante o ano, talvez nos evitem e nós as evitemos também!
Os amigos…será que durante o ano nos lembramos deles de forma tão especial e apaziguadora? Ou especialmente nesta data nos lembramos deles, mandamos uma mensagem, porque fica sempre bem, quando o último contacto que tivemos com eles foi precisamente há um ano atrás!
As guerras…Porque param tal atrocidade durante umas horas e não a param para sempre? Provavelmente pedem perdão a Deus por terem morto um inimigo, mas duas horas depois regressam ao campo de batalha, para mais um banho de sangue! É assim o Natal?
Campanhas a favor dos desfavorecidos…Especialmente nesta data, hoje mesmo à entrada do shopping, “Defendam esta causa…”, e durante o ano? Não há causas?
Não olhemos o Natal assim, existem valores que devemos transportar connosco, na nossa bagagem que não pesa, e usá-los no nosso dia a dia, 365 dias por ano!
De que adianta, ajudar o próximo porque estamos em ambiente Natalício e durante o ano nem sequer nos lembramos deles? De que adianta lembrar um amigo nesta data, se quando ele precisou mais de nós, não estávamos ao seu lado? De que vale parar uma guerra durante umas horas, se uma criança mal tempo tem para limpar as lágrimas e preparar-se para fugir das balas durante o ano inteiro?
De que vale proferir a palavra Natal, associar todos estes valores, se não os pomos em prática durante o ano?
Pensem nisto…
O que é o Natal para vocês?

Estreia "20,13" de Joaquim Leitão

Sinopse:
"Norte de Moçambique, 24 de Dezembro de 1969. Uma patrulha percorre a picada, de regresso ao aquartelamento, trazendo um prisioneiro. Percebe-se que estão fatigados, que avançam sob um calor sufocante, mas apesar disso, estudam o passo. E não é só por causa do perigo que estão ansiosos por voltar ao quartel, é também porque não é um dia qualquer: estamos nas vésperas de Natal e há festividades em perspectiva. Para que não se sintam tanto as saudades. Uma farra, para iludir a tristeza de estar longe e, por umas horas, tentar esquecer a guerra, "contando" com a trégua tácita, normalmente respeitada no dia de Natal. Mas, desta vez, não será um dia tranquilo. E os primeiros sinais de tensão têm pouco a ver com a guerra. São conflitos privados, que começam com a chegada de um helicóptero, onde, além do capelão que vem celebrar a missa de Natal, vem também uma mulher, a esposa do Capitão. Uma mulher atraente, com uma personalidade forte, e com uma relação muito complicada com o marido. E a quem o Alferes não consegue ficar indiferente, Mas todos fazem um esforço para manter as aparências. Para não estragar a noite de Natal. Que se transforma num pesadelo, pouco depois de começarem as festividades. O prisioneiro é encontrado morto na sua cela. Assassinado. Não se sabe porquê, nem por quem. Depois, subitamente, a escuridão é rompida por uma sucessão de explosões. Em vez da esperada trégua, o quartel é alvo de um ataque violento e prolongado. Durante essa noite, a violência da guerra cruzar-se-á com a violência das paixões, e a coragem para desafiar a morte, com o medo para enfrentar a vida.
E alguns segredos não resistirão ao nascer do dia".
in IOL cinema

quarta-feira, dezembro 20, 2006

"Gaiola Aberta", a MAD portuguesa ou uma "gaiola de malucos"...

Relíquias como estas são difíceis de encontrar, principalmente editadas cerca de um mês depois do 25 de Abril. A sorte é que existem alfarrabistas e feiras de velharias!
"Gaiola Aberta" intitulava-se "revista quinzenal de mau-humor e maldizer" e abordava de tudo um pouco: cartoons (e não fosse José Vilhena o director), quase "hardcore"; bandas desenhadas; fotonovelas; poesia (só lida!); inquéritos (sabe-se lá para quê) e, sempre importante numa publicação do pós-revolução, "gajas nuas"!
Interessante é ver que são os resistentes ainda hoje. Dos quatro das capas, só cá temos o "Marinho", ainda para "as curvas"!
Sem dúvida, temos obras para reflexão histórica! Notem só este diálogo da fotonovela "Boletim PIDE":
- Perdoa, querida, não foi por mal. Vamos fazer as pazes na cama.
- No estado em que eu estou, porcalhão? Era o que mais faltava!...
Ao pé destas edições do Vilhena, a “MAD” americana e “El Jueves” espanhol são revistas para bebés!