domingo, novembro 20, 2016

"Habitar" de José Antonio Santiago

Enquanto andamos por este mundo físico, tão sensível à dor como também ao tato e ao abraço, habitamos o nosso corpo e invadimos, de inúmeras maneiras, o habitat de outros.

A amizade, a camaradagem, que a vida me tem vindo a brindar tem muito de “habitar” em mim, sentindo, com gratidão, a reciprocidade no outro em tons de estima e apreço mútuo, ausente de bajulações, interesses ocultos, imperando o respeito e muita sinceridade.

Escrever sobre JAS é escrever sobre um verdadeiro “hermano”, sem plasma nem biologia, mas com o habitar no apartamento em cima do meu, numa época que ficará para sempre num limbo do que somos e ao qual sempre podemos recorrer, se a memória assim o entender.

Esta semana recebi pelo correio, num envelope anacrónico (sem siglas de empresas multinacionais de venda on-line), o seu mais recente livro no qual, quis este mundo físico, este tempo, este companheirismo doméstico, que também eu habite. 

Obrigado José. “Gracias mi buen hermano”. Mesmo longe, estás e fazes-me melhor. Ambos somos tanta coisa…  Queira a vida que sejamos essa lealdade bela, sem complexos nem nexos, até um de nós deixar de “habitar” este solo indistinto de fronteiras ou pátrias.

Ramón Gómez de la Serna acreditava ser a amizade mais do que motivo para enaltecer o génio. Neste caso, nem se justifica, não é necessário, é evidente.

Este livro supera o ensaio sobre arte poética. É o génio de um intelectual, a argumentação de um filósofo vivo contaminada pela alma de poeta, o habitat natural de um ser humano cuja existência obrigou a abandonar a timidez, a inibição das nuvens de um dia chuvoso, e a deitar-se ao brilho do sol mais formoso… e, simplesmente, “Habitar”.

Eis a sinopse (em português) desta obra que, no dia 25 deste mês, será apresentada em Leganés:

Os dois textos que compõem este volume encontram-se presididos por uma ideia comum. A imprescindível necessidade humana de “territorializar” e “habitualizar” toda a sua existência. Desde a própria linguagem (“Poetizar ou a necessária superstição da linguagem”), até à sua mais própria “quotidianidade” (“Casar a casa”), o humano encontra-se marcado biológica e biograficamente pela sinalização espacial e temporal. Estar marcado significa também – por isso mesmo – que em toda cultura e situação histórica, o ser humano precisa de selar o seu espaço e o seu tempo: vestígios, ciclos, palavras ou datas são os limites adaptativos e de sentido desde o qual todo habitar humano pode, dessa forma, projetar-se ou restituir a sua própria condição”.


1 comentário:

José Antonio Santiago Sánchez disse...

Muchas gracias, querido hermano.
"Wir sind es noch immer"
No tengo más que decir