¿Sabéis una cosa? Cuándo yo he visto esta imagen, pensé que cada día que pasa el cómic es cada vez más algo de verdadera importancia cultural. Fijaos en este tipo de protesta, original, peculiar, que pone un bocadillo de pensamiento en una cabeza que ha gobernado España durante un par de años. Con bigote, o sin él, Aznar es un personaje que cuando abre la boca, como se dice en el país donde nací, o sale mierda o entra una mosca cojonera. Y habla él de Obama como un exotismo histórico…
“El Jueves” ya se encargó muchas veces en caricaturar este hombre… no perderé más tiempo.
¡Qué libro! Creo que me esperaba en el escaparate de esa librería de Santiago… de hecho fue un regalo de cumpleaños, pero este libro, traducido por Gonzalo Jiménez de la Espada, profesor de español en Tokio entre 1907 y 1917, tiene unas hermosas ilustraciones de dos de los últimos maestros del ukiyo-e, Kobayashi Eitaku y Suzuki Kason.
Este libro nos lleva a un mundo mágico y eterno de samuráis, demonios y animales del bosque… Sin duda, una joya rescatada del olvido, que merece la pena por su indudable valor histórico y artístico.
“Un día salió a la mar, pero en vez de pescar un pez, ¿qué pensaréis que sacó? Una magnífica tortuga de cabeza arrugada, concha dura y cola pequeñita.
Debo advertiros (pues probablemente no lo sabéis) que las tortugas viven exactamente mil años: al menos las tortugas japonesas.”
En una calle de Santiago me he cruzado con una monja en un encuadre peculiar. Por suerte tenía mi camera y en un gesto reflejo pude sacar una foto que me gusta. Lejos de ser una foto estupenda, me gusta por la ocasión, por el momento que pude congelar…
Desde puto que me lembro de ver este graffiti político do extinto PSR. No outro dia, num daqueles passeios a pé pelas ruas e ao redor das muralhas desta cidade no Alentejo plantada, aproveitei e guardei no meu telemóvel (bendito dia em que lhe incorporaram máquinas fotográficas!) este velhinho mural patente no muro de um local que ainda hoje vende lenha para aquecer os estranhos invernos desta cidade. Em vésperas do trigésimo quinto aniversário da revolução dos cravos, num cenário de crise (sempre para os mesmos), este velho mural, mal pintado, peculiar como o partido que o pintou, faz-me pensar que serão as novas minorias… já que estas maiorias têm actuado da maneira que todos sabemos. Não somos ovelhas negras com rabos de cães, nem procuramos reminiscências da política de outrora, apenas procuramos respostas a um cenário que há muito era anunciado e que ninguém sabe interpretar de forma credível, sem puxar a sardinha à sua brasa.
Há prazeres para mim que para muitos são apenas coisas tontas e sem sentido. É assim, claro como a água, e uma lei quase universal que nos confere a pouca autenticidade que se pode ter nos dias de hoje. O prazer a que me refiro é o de percorrer feiras de velharias, onde quer que as encontre (de preferência num dia solarengo e simpático), e vasculhar no meio do pó e da sucata alguns artigos que estão repletos de história ou de histórias.
Hoje assim foi. Na companhia e cumplicidade da Elsa, rumámos ao mercado de velharias no centro da cidade de Évora, numa manhã de Páscoa em que alguns envergavam o seu traje dominical a fim de assistirem à missa e outros, os turistas, os diletantes, os transeuntes, que aqueciam a paisagem arrefecida por um estranho vento de Abril.
Quatro moedas de euro serviram para levar mais uns livritos poeirentos para as minhas estantes, para folhear um pouco do que se escrevia no passado acerca de coisas como Espanha (vista pelo seu próprio governo), escalada e artes marciais (“nunchaku” pelo grande mestre, muito conhecido no seio das artes marciais nos anos 70 e 80, Ruy Mendonça, uma espécie de Chuck Norris “tuga”, radicado em Torremolinos), e uma revista, datada de 1944, cujo título nos remete para a fotografia, “Objectiva”.
Com este passado, de cheiro a mofo e poeirento, aprendo um pouco mais sobre o presente e guardo-o, podendo (quem sabe?) ser útil no futuro…
Esta semana, santa para alguns, normal e corrente para outros, levou-me a um local muito importante na minha história de vida, apesar de nunca aí ter colocado um pé. Situada no concelho de Mora, creio que na freguesia das Brotas, encontramos a Torre das Águias, esse monumento nacional que só não está votado ao esquecimento porque tem placas que o colocam no mapa de rotas turísticas que poucos trilham... Erguida no período manuelino, esta torre resistiu ao terramoto que tornou célebre o Marquês de Pombal, sendo classificada monumento nacional escassos meses antes da implantação da república em 1910. A última vez que sofreu reparos, em 1946, já contava com a presença do meu bisavô Luis Breque no Monte das Águias. Votada ao abandono, em propriedade privada, viu, no inicío da segunda metade do século XX, nascer o meu pai, naquela casa rasteira, com um par de divisões, que hoje figura como mais uma ruína a céu aberto... Ainda bem que vi a torre das histórias da minha família antes que não fique pedra sobre pedra, que o tempo desmorone a memória e que a genética histórica fique esquecida nos novos edifícios da modernidade em que o manuelino nem sequer é "vintage"...
Não precisa ser uma estreia, para dar que falar sobre um filme, um actor, um artística, uma banda, uma música, enfim nunca mais iria acabar. Recentemente voltei a ver “I’m Not There”, um filme de Todd Haynes que faz uma apresentação da vida e carreira de Bob Dylan. A história em si não julgo que seja nada de extraordinário, é sim da maneira como ela é representada. Se não estou em erro é um filme de 2007, conta com um excelente elenco de actores, e os prémios recebidos falam por si. Eu já o vi, e aconselho vivamente que o veja.
O filme, atrevo-me a dizer, é uma obra-prima, uma visão sem preconceitos acerca do que é a velhice, a solidão, o preconceito racial, o ódio, a justiça (que tarda e não contempla todos), as relações humanas e a coragem de tentar ser o que se é, um ser humano com mais defeitos que virtudes. Deixo-vos com esta banda sonora que ultimamente me tem acompanhado.