sexta-feira, junho 14, 2013
quinta-feira, junho 13, 2013
segunda-feira, junho 10, 2013
POEMA SEXAGÉSIMO SEXTO (excerto) - Joaquim Pessoa
JOAQUIM PESSOA, in GUARDAR O FOGO
(Edições Esgotadas, 2013)
POEMA SEXAGÉSIMO SEXTO (excerto)
O amor é um poema. Dói e canta cá dentro. Tem a filosofia
das árvores, a lição do mar, os ensinamentos que as aves re-
colhem quando migram para lá dos desertos, de onde hão-
-de regressar mais sábias e seguras.
O amor é uma causa. Uma luta excessiva com a divindade
dos dias e a sua fogueira obscura. Mas também contra o mis-
tério de si mesmo, uma paz que nos dá o cansaço e a loucu-
ra infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que to-
cam como um aviso aos densos nevoeiros súbitos do mar.
O amor é uma casa. Erguida com os beijos, com os versos
da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem
o nosso júbilo, a nossa intuição, a nossa vontade, sobretudo
o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e bri-
lha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes.
O amor é um gigantesco pequeno mistério, uma estranha ge-
nerosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais
ficamos para dar.
Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se
procurou nas indecifráveis fórmulas dos antigos livros de ma-
gia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que,
por vezes o pisamos sem reparar.
POEMA SEXAGÉSIMO SEXTO (excerto)
O amor é um poema. Dói e canta cá dentro. Tem a filosofia
das árvores, a lição do mar, os ensinamentos que as aves re-
colhem quando migram para lá dos desertos, de onde hão-
-de regressar mais sábias e seguras.
O amor é uma causa. Uma luta excessiva com a divindade
dos dias e a sua fogueira obscura. Mas também contra o mis-
tério de si mesmo, uma paz que nos dá o cansaço e a loucu-
ra infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que to-
cam como um aviso aos densos nevoeiros súbitos do mar.
O amor é uma casa. Erguida com os beijos, com os versos
da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem
o nosso júbilo, a nossa intuição, a nossa vontade, sobretudo
o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e bri-
lha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes.
O amor é um gigantesco pequeno mistério, uma estranha ge-
nerosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais
ficamos para dar.
Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se
procurou nas indecifráveis fórmulas dos antigos livros de ma-
gia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que,
por vezes o pisamos sem reparar.
Não tiveram nem paradas militares, nem Presidentes da República, nem entrega de comendas, mas foi assim que se celebrou o “Dia de Portugal, Camões e das Comunidades” em Valencia de Alcántara!
A comissão organizadora deste
evento recorreu, novamente, a este material de árvore, a cortiça, tão enraizado
(e nunca melhor dito) na região estremenha e alentejana, como elemento fraterno
entre Espanha e Portugal, especialmente agora que partilham estes duros tempos,
esperando, desta forma, que sirva para entrelaçar os ramos de “alcornoques” e
sobreiros e assim dar sombra aos filhos destas terras, e aos filhos dos filhos
que, ao mesmo tempo, amando a sua diversidade, os protejam a todos.
domingo, junho 09, 2013
Si el hombre pudiera llevar
Si
el hombre pudiera llevar
Trozos
del pasado dentro
De los
bolsillos,
Como
un pañuelo de “patchwork”
(Snob,
para no decir retajos)
Cosido,
Con el
hilo del azar, o del cajón
Polvoriento,
del desván poco familiar.
Si
el hombre pudiera llamar
A la
puerta del destino.
Si
pudiera saludar la verdad
(Vecina,
puta, que no paga la comunidad y usa la piscina)
En un piso sin ilusión de tener calefacción.
Si
pudiera,
No
se olvidaría de las gafas de ver cerca
(Pendientes
de una nariz curiosa, quizás cotilla).
No
se llevaría la gloria,
Ni la
ambición o vana victoria…
Si
el hombre pudiera elegir…
No
se llevaría al ataúd
La frialdad
corpórea, pero sí
La real
libertad
(Singularmente
gregaria)
En sincera
amistad.
6/VI/2013
"Corona", de Paul Celan
Dedicado a meu irmão, amigo,
Amigo, irmão,
Hermano, José, que me deu este universo de Celan... Apenas queria agradecer-te...
"O outono come da minha mão a sua folha: somos amigos.
Tiramos às nozes a casca do tempo e ensinamo-lo a andar:
o tempo regressa de novo à casca.
No espelho é domingo,
no sonho dorme-se,
a boca fala verdade.
O meu olhar desce até ao sexo dos amantes:
olhamo-nos,
dizemos algo de escuro,
amamo-nos como papoila e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
ou o mar no brilho-sangue da lua.
Ficamos abraçados à janela, olham para nós da rua:
é tempo que se saiba!
É tempo que a pedra se decida a florir,
que ao desassossego palpite um coração.
É tempo que seja tempo.
É tempo."
da antologia poética "Sete Rosas Mais Tarde", tradução de
João Barrento e Y.K. Centeno
Tiramos às nozes a casca do tempo e ensinamo-lo a andar:
o tempo regressa de novo à casca.
No espelho é domingo,
no sonho dorme-se,
a boca fala verdade.
O meu olhar desce até ao sexo dos amantes:
olhamo-nos,
dizemos algo de escuro,
amamo-nos como papoila e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
ou o mar no brilho-sangue da lua.
Ficamos abraçados à janela, olham para nós da rua:
é tempo que se saiba!
É tempo que a pedra se decida a florir,
que ao desassossego palpite um coração.
É tempo que seja tempo.
É tempo."
da antologia poética "Sete Rosas Mais Tarde", tradução de
João Barrento e Y.K. Centeno
quinta-feira, junho 06, 2013
¡No hay 3 sin 4! Revista “Cortiza” nº4 (2013)
No
podíamos publicar en 2013 solamente lo que se hizo en 2012, por eso se ha
presentado también el nº4 de nuestra revista “Cortiza”. Un número más amplio,
repleto de artículos interesantes, arte, historia, poesía (cómics, ¡no nos
hemos olvidado!) y que es testigo de un curso fértil en actividades educativas
y culturales dinamizadas en este centro público (sólo para recordaros: ¡DE
TODOS PARA TODOS!).
Batman lee "Cortiza" nº3, 2012 (Presentación a la comunidad educativa del IES Loustau-Valverde)
Después
de su edición on-line, nuestra revista “Cortiza” nº3 fue presentada a la
comunidad educativa del IES Loustau-Valverde de Valencia de Alcántara. Con una
originalísima portada del autor extremeño Fermín Solís (¡Batman es lector
nuestro!), su contenido es la contribución de muchos alumnos y compañeros que
dan vida a este proyecto y centro educativo. Algunos de ellos ya no son parte
de nuestro día a día, sin embargo “Cortiza” es un justo homenaje a su huella
por estas tierras rayanas.
quarta-feira, junho 05, 2013
terça-feira, junho 04, 2013
"Portugal" de Jorge Sousa Braga
"Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse
oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de
África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de
rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do
Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentugal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada
de ressentimentos
um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca"
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse
oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de
África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de
rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do
Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentugal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada
de ressentimentos
um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca"
domingo, maio 19, 2013
"A Arte da Viagem" de Paul Theroux (a minha forma de sonhar...)
Em momentos de maior cansaço (e não só), a ideia da viagem assemelha-se a um sonho. A minha forma de sonhar acordado nos últimos dias é estar acompanhado por este livro que trouxe comigo do intercâmbio em Castelo Branco. O gajo tinha como que uma boquinha que me dizia: "leva-me contigo, leva-me contigo!". E não é que o gajo me convenceu!? Até agora,não me arrependi de o ter albergado na mesa de cabeceira...
Sinopse
Cinquenta anos de viagens celebrados por uma recolha de textos que formaram Paul Theroux enquanto leitor e enquanto viajante - um manual literário de viagem, um guia filosófico, uma antologia de grandes autores que viajaram, entre eles Theroux. A Arte da Viagem mostra toda a bagagem - espiritual ou física - que levaram e que trouxeram; os lugares por onde passaram, ou nunca passaram; os prazeres e os sofrimentos do viajante, os paradoxos da viagem, a solidão, o anonimato, o encontro com estranhos; a estrada enquanto vida; as cidades, os comboios, as paisagens; a aventura; e a tradição, a política e a pornografia na viagem; o tempo e o amor na viagem; e a viagem enquanto transformação. Neste extraordinário tributo encontramos, entre muitos, Vladimir Nabokov, Samuel Johnson, Evelyn Waugh, Mark Twain, Bruce Chatwin, Graham Greene, Isak Dineses, Anton Tchekov, Ernest Hemingway e o melhor de Paul Theroux.
A Arte da Viagem de Paul Theroux
Excerto:
«A estrada é a vida.» Jack Kerouac
«Viajar é um paraíso de loucos.» Ralph Waldo Emerson
«A viagem é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza do espírito.» Mark Twain
«O vagabundear pela nossa “América” mudou-me mais do que eu pensava.» Che Guevara
«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» Gustave Flaubert
sábado, maio 18, 2013
A Estrada
A estrada, o caminho, o percurso; qualquer que seja a designação, é um passar de espaço que leva tempo.
Depende de cada um de nós a forma como usa esse tempo.
Poderá ser um desperdicio de tempo (e espaço)ou um ganho.
Eu tenho ganho, muito - afinal apenas somos importantes quando tocamos o tempo (e o espaço) dos outros.
Eu tenho ganho, porque os outros também tocam o meu tempo (e espaço).
Agora, gostaria de ter mais tempo, e mais espaço, para tocar mais vidas, e ser tocado por elas.
Espero um dia, ter mais imagens para partilhar, para dividir e para somar.
Quem sabe um dia ensine mesmo que o caminho se faz caminhando com alguém perto, dividindo e somando passos, trocando tempo, e somando sorrisos.
Quem sabe um dia ensine mesmo que o caminho se faz caminhando com alguém perto, dividindo e somando passos, trocando tempo, e somando sorrisos.
quinta-feira, maio 16, 2013
Bicicleta com tapete de folhas secas
O título, com licença do fotógrafo, é meu. A fotografia foi tirada em Berlim em novembro do ano passado pelo fotógrafo português Ricardo Silva Cordeiro.
quarta-feira, maio 15, 2013
Haiku de Bashô (Foto duma rã qualquer...)
O velho tanque -
Uma rã mergulha,
barulho de água.
Foto Parque Urbana de Castelo Branco (13/V/21013)
domingo, maio 12, 2013
Fernando Pessoa & Cia. - Laura Pérez Vernetti
A BD a explorar directamente universos poéticos, neste caso a heteronímia de Fernando Pessoa. Um excelente trabalho que recomendo vivamente e que já está diponível em português! Dêam uma vista de olhos a estas pranchas "Amar é pensar" e "Trânsito", adaptadas do heterónimo Alberto Caeiro.
sexta-feira, maio 10, 2013
quarta-feira, maio 08, 2013
...
La
prisa preguntó a la calma el porqué de
su puntualidad.
Y
esta dijo: cálmate, ya te explicaré.
As cadeiras - João Luís Barreto Guimarães
As cadeiras
À aula de
quarta-feira assistiram 13 alunos e
27 cadeiras. Em resumo: a sala cheia.
Quando a
lição terminou os 13 alunos partiram e
acto contínuo contei 20 casais de cadeiras.
Às aulas que tenho dado nunca faltam
as cadeiras
ficam a ouvir-me caladas
(as costas muito direitas).
É bom de ver que as cadeiras entendem
tudo à primeira
parecem bem mais maduras (mais
pés
assentes na terra).
Volto já [pendurada está a tabuleta]
Volto já.
[pendurada está a tabuleta]
Encerrei para inventário e relatório de contas.
Não volte mais tarde.
Nem depois de almoço.
O relógio marca 5 minutos a mais.
Não há ponteiros rectificativos, nem faço orçamentos de
obras feitas.
Tem-se esquecido de guardar as facturas?
(Não se preocupe. Ninguém se evade à tributária autoridade
do tempo),
Também não pode descontar o tempo perdido no IRS,
Nem no imposto de valor acrescido que nunca cobrei.
Não sei se volto já.
A si mesmo. Nem com juros de mora.
Isto, não tem resgate, resta declarar bancarrota.
Mas não me apetece dar explicações. É o meu único luxo.
Chegasse mais cedo!
Agora,
Sou um insolvente dum presente.
Imposto em impostos.
Activo tóxico em risco de tornar-se um mutante
financeiro.
Abrirei nova actividade noutro eu qualquer.
Desta vez, por debaixo da mesa. E para os sentimentos um
mealheiro!
Não aceito mais o controlo fiscal
(ou temporal sem controlo de qualidade)
De contas que não tenho.
Funcionarei pela porta do cavalo.
Recuso-me a fechar a loja.
Chegasse mais cedo!
Ainda há quem mereça ser bem atendido.
E para isso ainda tenho o meu direito de admissão.
E aqui, o sr. já não entra!
Na loja. 6/V/13
segunda-feira, maio 06, 2013
você está aqui
Você está aqui. É porque neste momento está nestes "senderos". Eu estou aqui acompanhado por um poeta (até então por mim desconhecido) que a casualidade de uma estante me apresentou. João Luís Barreto Guimarães, "você está aqui", editado por a Quetzal. Se você está aqui, vale a pena ir até ali (joaoluisbarretoguimaraes.blogspot.com) e dizer-lhe olá. Dê-lhe um abraço da minha parte.
quinta-feira, maio 02, 2013
segunda-feira, abril 29, 2013
Hoje, sei que não voltarei no próximo fim-de-semana.
(ilustração de Luís Silva)
A ti "Vó Lena". A quem devo muito mais do que
posso aqui expressar.
Hoje sinto-me como nesses domingos em que os meus pais me
iam buscar a tua casa. Triste, por te deixar a dizeres-me adeus à entrada do
pátio, enquanto eu, vazio, à espera do próximo fim-de-semana, me agarrava ao
pára-brisas traseiro do Fiat 127 do meu pai, e te via cada vez mais longe.
Ficava a certeza que no final da semana voltaria a ti e ao avô, ao pátio da
minha infância, à casa dos meus avós, onde sempre serei eu.
Hoje sei que não voltarei no próximo fim-de-semana.
O meu avô ensinou-me de menino
A subir às árvores a pulso, de que é feito um ninho.
Sem me esquecer que o olhar chega, sempre,
Sempre, primeiro, que todos os gestos,
Letrando, assim, o analfabeto saber do destino.
A minha avó ensinou-me de menino
A abrir livros avulso, pintados, aos quadradinhos,
Sem me esquecer as poucas sílabas (e escudos)
Que a custo juntava e a mão, que sempre, me dava
Tinham, têm, terão mais bem-querer que qualquer verso.
Os meus avós ensinaram-me a ser menino.
A sentir minha sua casa, no pátio a descansar
Em vizinhança, no portado do meu ser a sonhar,
Sem nunca esquecer que o cheiro da infância,
Respira, por aí, até que deus queira.
Coria, Valencia de Alcántara, Cáceres e Badajoz. (28/IV/13)
domingo, abril 28, 2013
sexta-feira, abril 26, 2013
sexta-feira, abril 19, 2013
mário cesariny / pastelaria
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tantas maneiras de compor uma estante!
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é por ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria e, lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tantas maneiras de compor uma estante!
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é por ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria e, lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.
quarta-feira, abril 17, 2013
A um deus surdo (Fernando Assis Pacheco)
A UM DEUS SURDO
Ó quem me dera ter outra vez vint’anos
navegar no ignoto sem portulanos
o peito feito para os da vida enganos
era sensacional ó hermanos
quem dera o brandy com castelo
o dedo ao arrepio do pêlo
o romanticismo do desvelo
e tudo isto fingindo um grande anelo
quem dera agora uma vez mais
o rápido de Irún no cais
a solicitude quente dos pais
ai eu tirando de ouvido muitos ais
ó quem dera e outra vez viera e dera
a ruminante paciência que há na espera
o mistério lento da Primavera
o emblema desenhado pela namorada: uma hera
Na IV Bienal de Poesia de Silves, em Abril de 2010, o Simão lê pela
primeira vez um poema do avô, Fernando Assis Pacheco, homenageado na
Bienal. A seu lado, o escritor Luis Serrano, a quem coube a conferência
sobre a obra do poeta, ficcionista e jornalista.
terça-feira, abril 16, 2013
Intensidad y altura
Quiero escribir, pero me sale espuma,
quiero decir muchísimo y me atollo;
no hay cifra hablada que no sea suma,
no hay pirámide escrita, sin cogollo.
quiero decir muchísimo y me atollo;
no hay cifra hablada que no sea suma,
no hay pirámide escrita, sin cogollo.
Quiero escribir, pero me siento puma;
quiero laurearme, pero me encebollo.
No hay toz hablada, que no llegue a bruma,
no hay dios ni hijo de dios, sin desarrollo.
quiero laurearme, pero me encebollo.
No hay toz hablada, que no llegue a bruma,
no hay dios ni hijo de dios, sin desarrollo.
Vámonos, pues, por eso, a comer yerba,
carne de llanto, fruta de gemido,
nuestra alma melancólica en conserva.
carne de llanto, fruta de gemido,
nuestra alma melancólica en conserva.
Vámonos! Vámonos! Estoy herido;
Vámonos a beber lo ya bebido,
vámonos, cuervo, a fecundar tu cuerva.
Vámonos a beber lo ya bebido,
vámonos, cuervo, a fecundar tu cuerva.
Cesar Vallejo dibujado por Picasso.
domingo, abril 14, 2013
Valsa de um parado letrado
Gira o led, vermelho, alto, picotado, apoiado,
Na parede aparafusado.
E giram olhares ao som de caixa de supermercado.
Apenas um dança.
Dling, dling. Roda.
“Nº 11, dirija-se ao guiché nº3”
Passos cuidados, quase fantasmagóricos, deslizam entre cubículos
abertos ao público e fechados à humanidade. Carimbos, despachos, teclados
ritmados à percursão de cutelos de magarefe.
Pára a valsa.
Começa falsa.
Senta-se e volta a rodopiar no mundo curricular.
“O que é que o Sr. sabe fazer?”
Ler e escrever.
“Desculpe, mas isso não é formação técnica suficiente. Muito
obrigado pela sua presença.”
Circular, ergue-se a humanidade, em esquadria alça-se,
empurrando, rodopiando,
no eixo oleado (a massa, cotão e pó consistente)
da cadeira,
verde
- de costas –
cómoda no desfalecer centrípeto de esperança…
Centrifuga-se, pergunta-se:
“Srª. Técnica, perdoe, destoe, a ignorância minha.
Esclareça-me.
Resolver o primeiro grau de uma equação é
inteligentemente mais útil do que escrever?”
E a valsa, espiriforme, enroscada, enrascada, prossegue.
Falsa farsa.
Dling, dling.
Led. Olhar. Escarlate. Guiché. nº3.
Pisou-se um pé.
(na ausência de argumentos, há a inércia técnica da
resposta)
Atrapalhação no bailar,
Mas a valsa segue,
De par em par.
14/IV/2014
"Os Lusíadas" e a 1ª Infância
(A propósito da literatura de domigo, e da iniciativa da revista "Visão")
Há que deixar tocar, manusear, pode ser que um dia chegue a ter interesse e a lê-los...
A variedade cromática e o grafismo despertou interesse ao meu filho de dois anos que nem sabe, nem imagina, quem foi Luíz Vaz de Camões...
Diálogos Simétricos
A pega-rabuda (Pica pica) é uma ave
da família Corvidae (parente próxima das gralhas e dos corvos), com um
aspecto inconfundível, graças às suas longas penas traseiras e à sua cor branca
e negra.
Uma fotografia que me faz pensar na simetria da
qual a matemática da natureza nunca se esquece.
Curso REALCE B1 e B2 (CPR de Coria – 2013)
Aqui temos um grupo de trabalho excelente! Alunos
interessados e seres humanos interessantíssimos! Eis o pequeno, mas grande
(como bem o atesta o provérbio: “poucos, mas bons!”) grupo do curso de língua e
cultura portuguesa (com um toque de lusofonia) do CPR de Coria. Da esquerda
para a direita, temos a Esther (eu, aí como um intruso!), o Julian, a Pilar e a
Maribel.
Aos meus amigos, o meu muito obrigado pelo interesse,
simpatia e por manterem vivo esse sentimento tão positivo que é a curiosidade e
o gosto por aprender!
Só falta, nesta fotografia, a presença da nossa amiga
Conchi, a assessora do CPR, que nos possibilitou com a sua esmerada organização
este curso de português!
A todos eles o meu bem-haja! E, mesmo longe, continuamos
todos em contacto!
"Os Lusíadas" do grande Luís Vaz de Camões (reinterpretados em conto - cada um dos 10 cantos - por José Luís Peixoto)
Excelente iniciativa da revista “Visão”, cada exemplar ilustrado
pelos “graffiters” Arm Collective, que, por mais 0’50€, nos permite, com a
ajuda preciosa do José Luís Peixoto, reinterpretar esta epopeia e obra
emblemática da literatura portuguesa (e em português).
Já li e tenho o 1º conto (e canto) e vale a pena.
Em épocas paupérrimas como as que vivemos, porque não tentar
enriquecer-nos com os grandes clássicos da cultura mundial? De certeza que o
Sr. Pedro Passos Coelho nunca leu “Os Lusíadas”, quanto muito os resumos da
Europa-América (que também li, mas que me levaram ao original não resumido)… Lá
estou eu outra vez a falar de gajos que não merecem ser mencionados junto a
tipos como o Camões ou o Peixoto…
quarta-feira, abril 10, 2013
Portugal Paliativo
Fumaste demasiado ou estás embriagado?
A tua tosse tísica acompanha o lenço escarlate.
E o iate?
Compraste com a hipoteca do atlântico?
Iodo, fez-te falta todo.
Sempre te conheci enfermiço.
O vigor físico marinheiro
Há quem o conte, de antes.
Só o vejo na poeira das estantes
E agora só te vejo de cacheiro,
A sair à rua com o cuidado
De quem tem fémures quebradiços
E, já se sabe, na tua condição, partir um osso é um
enguiço.
Exige uma intervenção séria e sabes que não estás para
esses investimentos.
A carrinha Mercedes já trouxe o teu apoio domiciliário.
Estás com fome?
Ali tens a tua marmita, restos de fritos,
frios, fios, de frango, escondidos na canja.
(também me contaram, e parece-me que vi a correr o risco,
porque antes comias
marisco)
Já só te permites ler as novidades que há no folheto
branco e pintado precário com sangue
Do Continente da ganância aze(ve)da.
Lembras-te quando escrevias com lápis azul? Enviaste
muita correspondência dessa
E agora estás doente…
Não te esqueças da boina no bengaleiro,
Que está junto à janela onde esqueces regar o floreiro.
Não te salva do Alzheimer mas poupa-te outro escaldão no cocuruto.
Já nem sequer te sentas astuto
A jogar com os outros à batota.
Agora só, para matar o vício, no jardim.
Na sociedade recreativa dos senhores e no festim
Dos casinos, só a recordação da economia que aprendeste
E te fez trabalhar bem, lá fora,
Aqui apenas escavaste uma fossa.
E a tua família?
Há séculos que não vejo a tua irmã, desfrutaram da herança dos vossos pais?
Duas parcelas, paralelas,
Partilhas, lá para o pé de Tordesilhas.
Os teus filhos não esquecem os teus devaneios, as horas
perdidas, bebidas.
O tempo de correria que não dedicaste.
Alguns vingam-se longe e não querem saber de um rectângulo
Passado.
Aguentam-se e não lhes podes, não tens moral (marinheira,
Saudosa, paternal, piedosa, pirosa… caridosa)
pedir que engulam o orgulho
da cama articulada que não te podem pagar.
Aguenta-te, até que volte a carrinha Mercedes,
E enquanto te permites ter cuidados paliativos…
Sempre tens na gaveta e nas paredes
O teu Ultramar tatuado, amputado
O mais próximo que podes voltar a ter de "amor de mãe",
Acaricia-a, a Walther esteve sempre aí, não foi preciso a
procurar.
Quando a beijares, leva contigo a fria memória gravada no
caixão,
Do seu fabrico alemão.
LA TRAMA - Jorge Luis Borges (Viñeta de Ásterix - Goschinny y Uderzo)
Para que su horror sea perfecto, César, acosado al pie de una estatua por los impacientes puñales de sus amigos, descubre entre las caras y los aceros la de Marco Junio Bruto, su protegido, acaso su hijo, y ya no se defiende y exclama. "Tú también, hijo mío!" Shakespeare y Quevedo recogen el patético grito.Al destino le agradan las repeticiones, las variantes, las simetrías; diecinueve siglos después, en el sur de la provincia de Buenos Aires, un gaucho es agredido por otros gauchos y, al caer, reconoce a un ahijado suyo y le dice con mansa reconvención y lenta sorpresa (estas palabras hay que oírlas, no leerlas): "Pero, che!". Lo matan y no sabe que muere para que se repita una escena.
Jorge Luis Borges
sexta-feira, abril 05, 2013
Oświęcim
Não quis entrar.
Era, em mim mesmo, o justificar
Um mausoléu de arame-farpado,
Sofrido. Sofrida
Memória de cinza.
O suor, o sangue, o sémen, a subnutrição impia.
Espremida, expressa em luta dele,
Em esforço, guerra, exprimida em 4 letras
(não me apetece uni-las em sílabas)
Óculos, próteses, pincéis (que tantos quadros em caras pintaram).
Sapatos sem pés.
Escovas
De cabelo
De dentes
Pentes.
Escorbuto sem novos mundos
E dissecadas
Almas.
Mas entrei.
Gasosa a morte no ol(facto),
Gordurosa a dor escorre visível. Glicerina que lava mãos obrigadas
Comandos sonda.
Saí.
Sem nunca ter lá estado. Vivo.
E vejo. Jovens t-shirts verde wehrmacht, falanges,
Legiões de dedos (sujos, intencionalmente) num ecrã dum
aparato
Desligado do respeito.
E na rua rapada,
Musculadas suásticas tatuagens carregam sacos da Zara.
Meu Deus: Não os perdoes, porque eles sabem o que fazem.
4/IV/2013
quarta-feira, abril 03, 2013
A propósito de fe...
Confianza potencialmente contagiosa. Enfermedad en extinción. Se cura con posología bibliográfica compleja de antibiótico.
Uma Ponte (Grandes Obras da Engenharia Emocional)
“O Bilinguismo, uma Mais-Valia no Poder Local” (Bachillerato de Português do IES Loustau-Valverde entrevista D. Pablo Carrilho, Alcaide de Valencia de Alcántara).
No passado dia 3 de Abril, o Presidente da Câmara de Valencia de Alcántara, D. Pablo Carilho, recebeu os alunos de língua portuguesa do 1º e 2º Bachillerato da escola secundária da mesma localidade.
Durante uma hora, os alunos entrevistaram o autarca, para uma futura publicação na revista “Cortiza”, abordando variadíssimos assuntos e temáticas que foram desde a sua formação académica, a sua infância e juventude portuguesa, o poder local raiano, até uma possível candidatura da “raia” a Património da Humanidade da UNESCO. Tudo isto na língua de Camões, dado que o alcaide é totalmente bilingue, falando um português correctíssimo e de todos alvo de elogio.
O saldo desta iniciativa é deveras positivo, esperando-se que, de este encontro informal, mas efectivamente simbólico, a comunidade de Valencia de Alcántara e a comunidade educativa do IES Loustau-Valverde, possam encontrar ainda mais referentes e argumentos para cooperação transfronteiriça e promoção e valorização deste espaço comum, e uma riqueza (por vezes demasiado óbvia que cai em esquecimento) que Espanha e Portugal partilham: a “Raia”. Uma “raia” com um nobre passado, um presente notável e um futuro que tem ser assegurado por todos nós.
terça-feira, abril 02, 2013
"Daredevil battles Hitler" (Un arquetipo curioso y un buen ejemplo de propaganda en el mundo de los cómics)
En los primordios de lo que hoy conocemos como "Marvel Comics", ya existía un superhéroe llamado "Daredevil". En realidad, sirvió de arquetipo al personaje creado en los años 60, por Stan Lee, que usa el mismísimo nombre ("Dan Defensor" en España y "Demolidor" en Portugal y Brasil). La diferencia está en el contexto histórico y en la profundidad de los personajes.
Aquí tenemos un héroe de propaganda de la 2ª Guerra Mundial, al estilo de otros como Superman o Capitán América, sin embargo el alter ego de Matt Murdock no vincula una propaganda tan evidente como su antecesor. Es un simple joven, huérfano de madre que sobrevive en "Hell's Kitchen" luchando en los estudias mientras su padre luchaba, para buscarse la vida, en los ringues de Boxeo. Para agravar su situación, el pobre Matt se queda ciego después de un accidente con productos radioactivos...
Mucho más hay para descubrir sobre estos dos personajes que comparten el mismo nombre y, si tenéis en cuenta mi opinión, merece la pena.
segunda-feira, abril 01, 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)
.jpg)



























.jpg)

.jpg)



