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| Convite |
quarta-feira, abril 03, 2019
Ángel Campos regressa a Lisboa...
terça-feira, abril 02, 2019
Maria do Rosário Pedreira em Badajoz
Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.
Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.
Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.
Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.
Maria do Rosário Pedreira
In O Canto do Vento nos Ciprestes (2001)
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí
nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me
depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem
que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.
Nenhum Nome Depois (2004)
segunda-feira, abril 01, 2019
Ramón visto por Pablo Neruda
domingo, março 31, 2019
quinta-feira, março 28, 2019
Por mais que me convença...
terça-feira, março 26, 2019
Cronologias
Tenho passado parte dos dias agarrado a acontecimentos, datas, figuras relevantes para um estudo que estou a fazer. São dados do passado, com cento e poucos anos, porém, estão carregados de presente. Evolução, retrocesso, tudo na mesma na essência, apesar da tecnologia, das roupas modernas e da menor mortalidade.
Os artistas de então e os de hoje, às voltas com génios, géneros e egos gigantescos, não se diferem assim tanto.
Por que razão lhe dedico tanto tempo e até encontro algum consolo na solidão do estudo? Não é só pelo conhecimento que daí advém, inútil, tal como a maior parte da formação que tenho. Erudição não traz felicidade e não tem porque ser verdade.
Acho que é pelo silêncio que me traz esta sensação de que, afinal, estas cronologias, estes legados, encontram sentido na tua própria biografia.
quinta-feira, março 21, 2019
Caia
Primeiro dia de primavera/Primer día de primavera - José Tolentino Mendonça
que distante me parece
o inverno
Primer día de primavera
qué distante
me parece el invierno
Tudo é efémero/Todo es efímero - José Tolentino Mendonça
ontem escutava a tua voz
hoje só o vento
ayer escuchaba tu voz
hoy sólo el viento
quarta-feira, março 20, 2019
A verdade é que isto de ser pai continua a parecer-me uma coisa de outra galáxia... (19/III/2019)
terça-feira, março 19, 2019
No barbeiro...
sexta-feira, março 15, 2019
Entre tiradas de génio e trabalho duro...
quarta-feira, março 13, 2019
Coimbra
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| Postal de Coimbra, anos 80 (autor desconhecido) |
Houve uma época em que estive a ponto de para lá ir viver. Sei-o graças aos meus pais e à circunstância do meu pai poder ter o seu «Posto de Tracção» no local de residência, em vez de andar de lancheira atrás e de dormitório em dormitório.
Así fue ayer, en Plasencia, en la librería “La Puerta de Tannhauser”...
domingo, março 10, 2019
"pedal(e)ar" en la “replicante” Puerta de Tannhäuser (Plasencia, 12/III/2019)
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| "pedal(e)ar" na Livraria Puerta de Tannhauser em Plasencia (12/III/2019) |
quarta-feira, março 06, 2019
Aforismos de Teixeira de Pascoaes (selecção de Mário Cesariny)
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| "Teixeira de Pascoaes" por António Carneiro |















