sábado, março 09, 2013

sexta-feira, março 08, 2013

“Seishin no furusato” – La aldea natal de nuestro espíritu (dedicado a mi hermano José A. Santiago)

La aldea natal de nuestro espíritu 
Está poblada por los que preferimos.
No es a cualquiera que abrimos las puertas de nuestro ser.

(En un día que no podremos olvidar, apenas nos quedaremos con la certeza que la corriente violenta del río mata. Pero que el agua restituye vida como fuente, matando la sed, una especie de hidratación esencial, hasta el día en lo cual todo se secará.
 ¿Cuándo será?
Nos sobra recordar que hoy no ha sido).

quinta-feira, março 07, 2013

En 127 por los "Tebeos"

Efectivamente un "TBO" extra, clásico de los cómics y en 4 ruedas clásicas, da igual si Fiat o Seat, en la época era todo lo mismo.
Esta portada fue cortesía del autor "Gol" a quien mucho agradezco por haberla compartido conmigo.
Un fuerte abrazo.

quarta-feira, março 06, 2013

"Intenções cansadas e dias longos nada significam. As palavras sim", António Orla


Intenções cansadas e dias longos nada significam. As palavras sim.
Torpes , ininteligíveis para que tudo se sinta enquanto me sento,
Em reflexos vazios, vida em piloto automático e tu. Longe de mim.
A colcha (idosa) de pensão pensionista emana odores solitários, a velho. "Demodé" até no olfato. Cruel é o tempo que não poupa os sentidos. E tu. Longe de mim.
Um vivo-morto.
Naiorobi, "águas frias" arrefecem memórias de 
África. 
Em palavras. 
Ultramares que não combati, 
que assisti sem existir, em ti, obrigado. Destino?
O meu presente preserva os modos e tempos, da perfectividade simples à conjuntividade composta, herdando solidão como condição. E tu. Continuarás a existir, obrigado.
Em e longe de mim.

António Orla. Quénia, algures, provavelmente no aeroporto, em 1988.

"A grande Inteligência é sobreviver" - Gonçalo M. Tavares

A grande Inteligência é sobreviver. 
As tartarugas portanto não são teimosas nem lentas, dominam;
SIM, a ciência. 
Toda a tecnologia é quase inútil e estúpida, 
porque a artesanal tartaruga, 
a espontânea TARTARUGA, 
permanece sobre a terra mais anos que o homem. 
Portanto, 
como a grande inteligência é sobreviver, 
a tartaruga é Filósofa e Laboratório, 
e o Homem que já foi Rei da criação 
não passa, afinal, de um crustáceo FALSO, 
um lavagante pedante; 
um animal de cabeça dura. Ponto. 

Gonçalo M. Tavares, in "Investigações. Novalis"
Elogio de la Lentitud. Oriente y Occidente

terça-feira, março 05, 2013

A propósito das palavras de Cortázar: "O século que perdeu o espaço" de Gonçalo M. Tavares


Estou a começar a interessar-me pelas palavras deste jovem (mas com mais que provas dadas!) escritor português Gonçalo M. Tavares que em breve estará em Badajoz. Esta é a sua mais recente crónica, publicada na revista "Visão" da atual semana. Vem mesmo a propósito do texto proposto pelo nosso amigo José Antonio.

segunda-feira, março 04, 2013

José A. Santiago - Anfitrión o la Maldad del Don


Anfitrión o la maldad del don

Amphitryon or the evil gift

JOSÉ ANTONIO SANTIAGO SÁNCHEZ*

Fecha de recepción: 08/ 09/ 2012. Fecha de aceptación: 14/ 10/ 2012.

* Doctor en Filosofía. Universidad Complutense (Madrid) litodav@terra.es

Abstract: The myth of Amphitryon is used here in order to sum up the social roles between host and guest and the moral debt it could carry as well. It also put on the dialectic between public and private realm.

Keywords: Gift, public, private, moral debt, host, guest.

Resumen: En este artículo se utiliza el mito y la figura de Anfitrión para analizar el juego situacional entre los roles antitéticos, pero también complementarios, del anfitrión y el invitado, así como la dialéctica entre lo privado y lo público. Por último, el mito da pie para analizar el complejo papel de la deuda moral en dicha interactuación.

Palabras clave: Don, público, privado, deuda moral, anfitrión, invitado


http://revistas.um.es/daimon/article/view/157811/145761

Piensa en esto: cuando te regalan un reloj te regalan un pequeño infierno florido, una cadena
de rosas, un calabozo de aire. No te dan solamente el reloj, que los cumplas muy felices y
esperamos que te dure porque es de buena marca, suizo con áncora de rubíes; no te regalan
solamente ese menudo picapedrero que te atarás a la muñeca y pasearás contigo. Te regalan
—no lo saben, lo terrible es que no lo saben—, te regalan un nuevo pedazo frágil y precario
de ti mismo, algo que es tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que atar a tu cuerpo con su correa
como un bracito desesperado colgándose de tu muñeca. Te regalan la necesidad de darle cuerda
todos los días, la obligación de darle cuerda para que siga siendo un reloj; te regalan la obsesión
de atender a la hora exacta en las vitrinas de las joyerías, en el anuncio por la radio, en el
servicio telefónico. Te regalan el miedo de perderlo, de que te lo roben, de que se te caiga al
suelo y se rompa. Te regalan su marca, y la seguridad de que es una marca mejor que las otras,
te regalan la tendencia de comparar tu reloj con los demás relojes. No te regalan un reloj, tú
eres el regalado, a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj.

Julio Cortázar


"Carteiro em Bicicleta" - João Afonso


Como esta música me faz sentir bem! Apetece-me receber um recado de amor da mão deste carteiro... 
A última vez que a ouvi (com ouvidos de ouvir) íamos a caminho de Cáceres, o meu bom amigo José Antonio e eu, lá a trauteámos e ficou a fazer parte da banda sonora de mais uma conversa daquelas que reúnem a essência de tudo e de nada.

Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
ter um pedaço de terra
fogo que salta ao braseiro
dormir no fundo da serra
quero ser um realejo

Carteiro em bicicleta
leva recados de amor
vem o sono com a música
ao som do realejo

Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
ter um burro viola e cão
chamar a dança dos sapos
correr com a bola na mão
quero ser um realejo

Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
colher amêndoa em telhados
dar banana às andorinhas
dobrar o cabo do mundo
quero ser um realejo

Carteiro em bicicleta
leva recados de amor
vem o sono com a música
ao som do realejo

Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
ter um burro viola e cão
chamar a dança dos sapos
correr com a bola na mão
quero ser um realejo

Carteiro em bicicleta
leva recados de amor
vem o sono com a música
ao som do realejo

domingo, março 03, 2013

"Porcos Rua" (Manif. 2 de Março)


Não me identifico com insultos grosseiros, acho que nos afastam do cerne dos problemas e levam-nos a debates mais virados para registos de língua e não para a realidade que, queiramos vê-la ou não, nos levou a insultar ou a ser vítima do insulto.
No caso de ontem, nas manifestações do movimento "Que se lixe a Troika" foram evidentes os insultos com recurso ao melhor vernáculo que o português nos disponibiliza. 
Participei na manifestação com uma t-shirt (algo oculta, devido ao frio, com um slogan em espanhol: "Educación pública, de todos para todos..."), cantei (desafinado, devo reconhecer) a canção que muitos "opinion makers" querem limitar a ideologias tidas como anacrónicas e não lhe reconhecem um simples humanismo digno desse substantivo que se chama fraternidade... Esses que a tornam tão redundante, num sentido mais lato também a criticam pelo que ela preconiza, a livre expressão. Essa é a "Grândola", a fraterna, a igualitária, a que tem os versos mais belos de todos: "Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade"...
Por isso, por poder hoje escrever aqui as minhas palavras vãs, que a história esquecerá, no dia dois de março desafinei, caminhando alinhado, com mais de mil pessoas da terra que amo e que me ensinou a acreditar na liberdade de expressão. A minha doce (e atualmente tão triste) Évora.
Antes de unir-me ao centro dos protestos, telefonei a um amigo, daqueles” maiores que o pensamento”, cuja vida se vê parada por este flagelo do desemprego e da voracidade da austeridade, para que pudéssemos caminhar juntos em protesto e pelo futuro dos nossos filhos.
Na realidade, não pensei que a sua disponibilidade o permitisse (de facto, não o permitia), mas nunca pensei que discordasse desta iniciativa por uma questão de nome, de "que se lixe", de o que isso significa. Isso, claro, entre outros pontos de discordância que ele pensa pertinentes. Este telefonema amigo, fez-me pensar, fez-me interpretar como não existe um sentimento gregário na minha geração, como existia, por exemplo, na geração dos meus pais.
Não me vou armar em puritano, não falo bem. Recorro ao calão com frequência para evidenciar desde o mais simples estado de espírito, à total raiva e sentimento de não ser útil, de ter as mãos atadas, de fragilidade impotente… Não liguei ao nome do movimento, nem ligo.
Para que se tenha uma estrutura que reúne 1 milhão de cidadãos, num determinado dia e hora, a mostrar descontentamento, é sabido que tem de haver uma máquina, por detrás, bem oleada por movimentos, associações, partidos, mas neste caso, o mais determinante lubrificante é um sentimento de mais de 1/10 da população de pura imoralidade. Quem não o vê é provável que esteja cego ou tenha demasiadas dioptrias.  
Para mim, debater o slogan é debater semântica… Como está o panorama (basta olhar para a surdez de quem tem poder de decisão) não seria de estranhar que o movimento se chamasse “Que se foda a Troika!”. Essa é que é a realidade!
Não quero ofender ninguém com palavras rudes, mas não admito que me tirem o direito a ter esperança, que me vendam a empatia de se “pôr na pele do outro” como um sentimento ideológico de um determinado partido, que por acreditar na fraternidade e na igualdade de oportunidades sou como um “baladeiro” de esquerda que apregoo “estalinismo” através de acordes sem mérito artístico, que a utopia não existe, nem apresenta alternativas… não admito.
Hoje, voltei a casa. À minha outra pátria. Espanha. Aqui a realidade linguística é mais pragmática e tem algarismos de duas dezenas de gente no desemprego, por isso ninguém se ofende se se diz “Que se joda la Troika”. A realidade cultural também é outra, no entanto a imoralidade e o sentimento de impunidade latente é o mesmo, apresentem-se ou não se apresentem propostas…
Mas prefiro que critiquem o meu vernáculo, que ausência de propostas: Que se sinta empatia, que seja obrigatório entendê-la e estimulá-la (é pá, púnhamo-la na constituição!). Entenda-se que não se insulta, neste presente imediato, porque o povo português é um colectivo mal-educado (talvez o sejamos, mas não agora!). Que não se escravize o futuro e que se apreenda por que motivo 1/10 da população portuguesa quer que tudo isto se lixe! Pouco já se tem a perder… a realidade atesta-o.
Remeto este sábio excerto de Miguel de Unamuno, um ilustre escritor espanhol que entendia perfeitamente  a essência do povo português, para quem crítica as suas maneiras e vocabulário actual: “A brandura, a meiguice portuguesa não está senão à superfície; raspai-a e encontrareis uma violência plebeia que chegará a assustar-vos. A brandura é uma máscara”. Dá que pensar? Não dá?

Lisboa, ontem, dia 2 de março






Visto no blogue Meditação na pastelaria



terça-feira, fevereiro 26, 2013

O Jornal "Oikos Logos" do grupo ambientalista "Raiva Verde"


       Estávamos no ano da graça de 1997 e, com uma "Escola Viva" como a Gabriel Pereira  (melhor "Industrial"), dávamos os nossos primeiros passos em actividades de consciência cívica e ecológica. Assim nasceu o pseudogrupo "Raiva Verde" (de raivosos não tínhamos nada!) pela mão da turma A de Humanidades e do professor Manuel Piçarra.
Seguramente incongruentes (aqui escrevi os meus primeiros artigos em papel, note-se reciclado), inconscientes da imaturidade dos “teens”, atrevemo-nos a pensar e a levar as nossas inquietudes ao papel e à realidade. A consequência disso: crescemos e acredito que, a maioria dos envolvidos, valorizam a sua participação em projectos tão efémeros quanto possíveis.
       Esta é uma escola pública digna que formava (e forma) gente a pensar no presente e no futuro. Eu e os meus colegas tivemos esse direito e estes exemplos são uma forma de lutar para que os nossos filhos possam também atrever-se a pensar e, apesar de saberem que não somos todos iguais, todos deveremos de ter as mesmas oportunidades. 

Mundo Motorizado (há 40 anos!)


A revista "Mundo Motorizado" de 22 de janeiro de 1973 (um ano antes do 25 de abril), no final da ditadura já circulavam por aí estas grandes máquinas (cito: Fiat 127)! Pena que não disponho do original para dar uma vista de olhos… A capa, a circular na internet, é digna de figurar para a posterioridade!

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

domingo, fevereiro 24, 2013

Um sonho/Un sueño

Cortesía de mi buen amigo José Manuel. Verdad que es escatológico, pero muchas cosas placenteras de la vida también lo son...

sábado, fevereiro 23, 2013

Segundo dos poemas de infância (Manuel da Fonseca)

Fotografía de Bill Henson


Segundo dos poemas de infância

Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
... Como nasci poeta,
devia ter sido muito antes que as mães se apercebecem disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.

Mas a história dos peitos, debaixo das blusas,
foi um grande mistério.
Tão grande
que eu corria até ao cansaço.
E jogava pedradas a coisas impossíveis de tocar,
como sejam os pássaros quando passam voando.

E desafiava,
sem razão aparente,
rapazes muito mais velhos e fortes!
E uma vez,
de cima de um telhado,
joguei uma pedrada tão certeira
que levou o chapéu do Senhor Administrador!
Em toda a vila,
se falou logo num caso de política;
o Senhor Administrador
mandou vir da cidade uma pistola,
que mostrava, nos cafés, a quem a queria ver;
e os do partido contrário
deixaram crescer o musgo nos telhados
com medo daquela raiva de tiros para o céu...

Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!

Manuel da Fonseca
(1911 - 1993)


domingo, fevereiro 17, 2013

I observe the mountain.


“I observe the mountain.
The fog hides deliberately
All its divine magnitude”.

Enishi Yutui (1883-1943)













Unknown photo from http://jp-lugaresfantasticos.blogspot.com.es

Haikus que o tempo olvidou (Enishi Yutui)


“As águas sorriem
despem-me as chamas
e a solidão da estepe toca-me os cabelos."

"Fulgurosa solitária companhia
Noites brancas de tertúlias
Completam a vida de quem a vazia tem."

"A flor de cerejeira cai.
Na neve também perecem
Camélias, doces, poéticas damas."

"Observo a montanha.
O nevoeiro encobre propositadamente
toda a sua divina magnitude".
 


Haikus escritos e vividos por Enishi Yutui aquando da sua passagem pela estepe mongol, durante o conflito que opôs o Japão à Rússia no início do século XX.
O autor morreu no pacífico, a bordo do couraçado da marinha de guerra japonesa “Yamato”. Foi oficial e correspondente de um jornal em Tóquio. Conheceu Corto Maltese, Jack Tippit e Rasputin. Morreu com pena de não os reencontrar e sem nunca publicar nada.
A sua filha doou o seu espólio a um templo Shintoísta depois da guerra. O noviço Oburu gravou alguns dos seus poemas nas paredes do templo. Ainda hoje podem ser vistos por aqueles a quem não passarem despercebidos.


La pared. Nuestro horizonte.

En un día de horizonte limpio y soleado, en lo más alto mirador de la ciudad de Coria, me encuentro cuatro ancianas tomando el sol de espaldas para el paisaje turístico  A lo mejor, para ellas su tierra, su día a día no tiene nada de turístico ni de interesante para activar (o reactivar) su curiosidad. 
Poco hablaban. Tomaban el sol de espaldas, con la paja caliente de su sobrero de febrero sentado en una silla de playa.
Las saludé. Me contestaron el saludo en unisono educado. Fingí que fotografiaba el entorno, o no. Este era también mi entorno. Y desde el más alto del mirador me acerqué a ellas con el objetivo y me quedé también con su horizonte. 
La pared. 
En ese momento yo era el quinto anciano.
Solo se me había olvidado el sombrero de paja en casa...