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terça-feira, maio 13, 2025

Presentación del libro "Notas para no esconder la luz" de Faustino Lobato (11/V/2025 - Feria del Libro de Badajoz)

Presentación del libro Notas para no esconder la luz, de Faustino Lobato

Es para mí un verdadero placer presentar Notas para no esconder la luz, el poemario de Faustino Lobato, que nos llega ahora en una edición bilingüe español-portugués, con traducción de Manuel Neto dos Santos —quien también firma el prólogo en portugués—, y con otro interesantísimo prólogo, en español, a cargo de Santiago Méndez, cuya lectura recomiendo especialmente por su sagacidad al captar la esencia esplendorosa de esta obra, y porque su enfoque difiere ligeramente de la perspectiva que en seguida compartiré con vosotros. Pero esa es una de las virtudes de la literatura, especialmente del género de la poesía: llega a los lectores de diferentes maneras.

Nos encontramos ante un poemario apolíneo, fruto de un “trabajo cotidiano” de discernimiento, donde la poesía nace con la naturalidad de quien habita el mundo con los ojos bien abiertos e inmunes a cualquier “fotosensibilidad”. Esa luminosidad —que se cuela en cada verso— no es abstracta ni decorativa: está comprometida con el territorio compartido que muchos de los presentes, y yo incluido, “respiramos”, con nuestra ciudad de Badajoz, cuyas resonancias se convierten en “espejos interiores” que reflejan las rimas del alma. Rimas que no eluden el dolor, sino que lo abrazan en la búsqueda de un verso, de la entereza de un poema, o incluso de “un cualquier color que nos permita descifrar la imperfecta materia” de nuestro ser.

En este libro, Faustino Lobato “rompe la falacia de las prisas” y abre paso a una gramática de la luz, sin desentenderse de la sombra, del gris cotidiano, del absurdo que escapa a toda regla. Frente a ello, el poeta defiende la fe como sustento del sueño y se atreve a evocar “la confianza del camino, más allá de la oscuridad y la quimera”. La luz que habita estas páginas puede parecer eterna, pero a mí me conmueve más su cualidad de memoria. Una memoria que, como escribe el autor, “huye de la farsa del tiempo” y que, en su densidad íntima, también puede ser salvación —como bien supo ver Roberto Juarroz.

No sabría decir si estas notas nos revelan “la otra cara de lo real”, pero sí sé que contienen “la ceremonia de lo simple, sin más pretensiones que la vida”. Y esa vida, que Faustino nombra con palabras exactas, está plagada de “adverbios del momento”, términos que no buscan brillar, sino situarse. Lejos de la grandilocuencia de “verbos y adjetivos” innecesarios, su poesía cultiva el silencio, el asombro, la contemplación: cualidades cada vez más escasas en estos tiempos saturados de luces estridentes, de candilejas marcadas por protagonismos excesivos, de vacío y frivolidad.

Aquí, en cambio, nos encontramos con la luz como milagro: la luz que expone a la musa, pero también al sujeto lírico, sin miedo. Una luz que, más allá de las anotaciones de amores y temores, por su propia naturaleza frágil, debe ser cuidada. Y eso es precisamente lo que hace Faustino Lobato: “cuidando la luz de estos versos”, compartiéndolos con honestidad y sin pretensiones elocuentes; eso sí, consciente de que la luz es más difícil de cuidar que la oscuridad.

Este poemario merece ser leído y releído tanto en su idioma original como en la traducción al portugués de Manuel Neto dos Santos. Gracias a la sensibilidad del poeta y a la labor del traductor, esta edición bilingüe, con el sello de la Fundación CB, abraza las tierras y la lengua que se extienden más allá de la frontera que conocemos como Alentejo. Por todo ello, agradezco a Faustino la confianza de haberme invitado a presentar este libro. Quizás, por ser hijo del Alentejo, reconozco esa luz que no se esconde, una luz que me es familiar. Nada ni nadie puede esconderla —así lo creo—, pero sí está en nosotros la decisión de buscarla. Y es un privilegio que alguien como Faustino Lobato nos sirva de cicerone en ese camino.

Muchas gracias.







quinta-feira, novembro 09, 2023

“Cuaderno extremeño – para el debate y la acción” nº12

Gracias a la invitación de Juan Serna, podéis encontrar mi “Ensayo sobre (mi) frontera” en la 12ª edición del Cuaderno extremeño – para el debate y la acción. Gracias por la confianza Juan, yo que me considero alguien en el límite de la acción y de la contemplación… 

Graças ao convite de Juan Serna, podem encontrar o meu “Ensayo sobre (mi) frontera” na 12ª edição do Cuaderno extremeño – para el debate y la acción. Obrigado pela confiança Juan, eu que me considero alguém no limite da acção e da contemplação…






sexta-feira, agosto 12, 2022

Crónica: "Humildade na era da mediocridade" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº161, p. 94) - texto integral

    "Humildade na era da mediocridade" - Luis Leal

    Quando faleceu Manuel Ferreira Patrício, antigo reitor da Universidade de Évora, a primeira coisa que pensei foi: “perdemos um homem humilde”. Conheci-o muito antes dos tempos universitários e dava gosto cumprimentar um ser tão educado e amável com quem partilhei o mesmo bairro e umas jornadas académicas, em que os professores faziam grupos com os alunos. Este foi o único momento em que aprofundei um pouco mais a conversa para além dos bons dias. Era um grupo informal no âmbito de uma cadeira de pedagogia, lembro-me de falarmos de Teixeira de Pascoaes e de eu ter dito uma barbaridade típica dos meus vinte anos. O sábio Prof. Patrício bem poderia ter humilhado o ego de um insensato a tentar impressioná-lo, mas apenas me convidou a acompanhá-lo por outro caminho através do seu raciocínio. Hoje agradeço-lhe a cura de humildade e a subtil martelada que deu na forja do meu carácter. 
    “Humildade” é uma herança da terra, do "húmus", e nós, que por aqui andamos, simples "transumantes”. Sabemo-lo através da etimologia, contudo, se indagarmos para além da raiz, somos cientes de se tratar, simplesmente, da virtude de alguém com um profundo conhecimento de si mesmo, isto é, que sabe de onde vem e qual a sua dimensão, bem mais próxima do menor do que do maior. É indubitável uma leitura cristã e o ecoar da minha educação católica na bem-aventurança “Felizes as pessoas humildes pois receberão o que Deus tem prometido”. Tão-pouco a desvinculo de outro valor particular que tem todo o ser humano como pessoa, como ser racional e livre. Por outras palavras, não concebo humildade sem dignidade. Eis o motivo pelo qual compreendo o irmão do “filho pródigo” que, ao queixar-se da injustiça do seu pai, mostrou ser filho de boa gente sem abdicar da sua dignidade. 
    Se já me conhece, o estimado leitor sabe que não sou afim a pensamentos oficiais, cinjo-me apenas ao pensamento e se por algum motivo o tenho de adjetivar fico-me por “cru” (o que já me vetou às brasas e me permitiu cheirar assados inquisitoriais). Conheço várias pessoas como o velho Reitor de Évora, pessoas brilhantes e discretas, gente magistral e trivial, seres capazes e necessários que num passado recente seriam tratados com mais atenção e, neste presente, por não abdicarem da sua dignidade optam por um “exílio interior” (expressão tão conhecida do mundo cultural espanhol).
    Ser-me-á apontada uma visão pessimista da actualidade. Seria soez da minha parte negá-la, porém, recorra-se aos dados, a investigações isentas a demonstrarem que, desde o início do século XXI, não existe um real avanço geracional, admita-se que uma geração não supera a anterior em âmbitos significativos da existência humana que, a pecar por incompletude, vão desde o QI médio (parece que estagnou nos anos 90), passa pelo empobrecimento da linguagem e o conhecimento lexical (fundamentais para elaborar e formular reflexões e emoções complexas), significativas lacunas lógico-matemáticas, desprestígio de qualquer fórmula memorística (confunde-se armazenamento computacional com a memória humana, viva), perda de direitos laborais e sociais e até mesmo regressão nas competências digitais tão em voga, pois programar e inovar não é fazer “scroll” no ecrã de um dispositivo online. 
    Culpar ou esperar que a verdade venha ao de cima é desnecessário. Ainda estamos a tempo de reverter esta situação, não permitamos que quem sabe e tem uma postura humilde perante o conhecimento sério seja exilada à força pela superficialidade desta era de individualismo extremo camuflada pelo entretenimento. Nivelar por baixo é falsa equidade, é promover o demérito, é visar apenas produção e consumo do que não advém do húmus, carente de raízes e desconhecedor do que é frutificar, esse verbo tão distinto de produzir. O produto da mediocridade, ao contrário do fruto da humildade, não retorna à terra, brotam em escombros como num qualquer cenário de guerra e devastação. 

Cartoon de Eneko in El Jueves, agosto, 2022.

Crónica: "Humildade na era da mediocridade" de Luis Leal (in "Mais Alentejo", nº161, p. 94) 2

Comparar eras talvez seja um absurdo, mas avaliar o seu impacto no mundo não o é. A actual era (egocêntrica e pouco dada à reflexão), se deixar de ter orgulho na sua ignorância, acredito ainda estar a tempo de compreender que a origem da humildade não é a mesma da mediocridade. Se quiserem compreender o porquê desta crónica (a par de uma homenagem ao Prof. Manuel Ferreira Patrício), aqui a têm à vossa disposição. Nas bancas já está uma nova revista, onde poderão ler mais uns "Trabalhos&Paixões" do vosso amigo e conhecer os candidatos para a próxima gala da "Mais Alentejo"! 

Comparar eras puede que sea absurdo, pero evaluar su impacto en el mundo no lo es. En la era actual (egocéntrica y poco reflexiva), si deja de estar orgullosa de su ignorancia, creo que aún está a tiempo de comprender que el origen de humildad no es el mismo que de mediocridad. Si queréis entender el por qué de esta crónica (a la par de un homenaje al Prof. Manuel Ferreira Patrício), aquí la tenéis a vuestra disposición. ¡Ya está en los quioscos una nueva revista, donde podéis leer más "Trabajos&Pasiones" de vuestro amigo y conocer a los candidatos para la próxima gala de "Mais Alentejo"!
Crónica: "Humildade na era da mediocridade" de Luis Leal (in Mais Alentejo, nº161, p. 94)



sábado, junho 11, 2022

Crónica: "Ensaio sobre a (minha) fronteira" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº160, p. 91)

Sempre que leio o “i” de fronteira em português parece-me que foi delineado pela identidade lusa para delimitar-se da invasiva “frontera” de Castela. Note-se que isto não tem nada de teoria, é pura mania e cada um tem as suas, como o facto de ao ter nascido em solo alentejano nunca ter sido propício a semivogais e, desde tenra idade, acostumar-me a abdicar do “i” na “mantêga”, no “lête” e no “quêjo”, o que conscientemente me afastava de algum exagero arrogante de semivogais e do centralismo impositivo de Lisboa e inconsciente me acercava à agrestia da minha paisagem e à que seria a minha “frontera”.

Não nasci na fronteira – apesar de haver quem considere Portugal raiano, ou seja, uma nação toda ela limítrofe –. Há quem veja as circunstâncias de nascer na fronteira como uma oportunidade, houve mesmo uma época em que o julgava assim, no entanto a convicção foi substituída pelas incertezas e isso leva-me a indagação: é a fronteira um lugar ou um “não-lugar” como diria o Marc Augê? Poderá alguma vez ser pátria, dado que é filha de pais separados e, em tantos casos, de pais incógnitos? Pode a fronteira advir de geração espontânea? Eis as minhas reticências quando Glória Anzaldúa enunciava a fronteira “como o único ponto da terra que contém todos os lugares do mundo”. Entendo o seu humanismo, sinto o seu lirismo, porém, para quem, como eu, não se considera um cidadão do mundo (longe está a cidadania como apanágio planetário) impõe-se o fracasso que pode ser morrer na fronteira, esse território de todos, portanto de ninguém.

Até Março de 2020, “vivia a fronteira”, essas passagens constantes e viagens no tempo graças ao diferente fuso horário entre Espanha e Portugal, com um certo idealismo a acompanhar o meu habitat raiano. Instaurado o confinamento em Espanha (possivelmente o mais restrito de toda a Europa), instaurado o medo da primeira onda de Covid em Portugal, fui obstruído e não pude prosseguir nessa perspectiva, porventura ingénua, iniciada com o Tratado de Schengen, e comecei a “pensar a fronteira”, confrontando-me com a sua dimensão contraditória, dado que esse lugar-limite é extraordinariamente ambíguo, pois tanto demarca um início como um final. Refletir sobre a fronteira (uso o singular num sentido de pluralidade) depois dos meses negros, do trauma e da vulnerabilidade a que fomos expostos há dois anos, tem sido catártico e ajuda-me a procurar esse desígnio de lugar no mundo mais além dos versos de Jorge Drexler “yo no sé de donde soy, mi casa está en la frontera” e, efectivamente, “las fronteras se mueven como las banderas”. Uma bandeira a apropriar-se de um lugar remete-me para o egocentrismo, para um etnocentrismo colonizador – passível de encontrarmos até na superfície lunar –, e para a imperiosa realidade que um lugar-limite abre e fecha e tanto se pode converter em lugar de salvação como em lugar a evitar por temor.

Adolfo García Ortega, através do apócrifo filósofo japonês Hiroshi Kindaichi, propõe uma hermenêutica da fronteira como um lugar onde ir para saciar a curiosidade (ao lê-lo lembrei-me das “casas da dúvida” – virtuosa definição – disseminadas raia fora), como um lugar proibido e imaginário, um lugar que tanto atrai como repele, indo ainda mais longe, ao enfatizar a fronteira como “um ponto de conexão estimulante”, pelo simples facto de a nossa presença ali ser um acerto ou um erro, porém algo decisivo de se saber. Como todas, a minha existência é circunstancial e permeável à incerteza. Não sei se foi um acerto ou um erro encerrar tantas vezes a fronteira terrestre luso-espanhola durante estes anos pandémicos. Intuo algumas coisas, contudo, mantenho a convicção que a ausência de fronteiras iguala as pessoas e, por outra parte, impô-las, mais do que demarcar espaços, identifica as elites, revela os seus interesses.

É difícil ser fronteiriço, exige disciplina, obriga a um equilíbrio atento, o único que permite oscilar de um extremo ao outro sem agredir, sem destabilizar, preservando uma identidade harmoniosa. Com Kindaichi medito e, como ele, atento na “transparência uma fronteira” pela qual se facilita a perspectiva. Lamento, mas neste tempo de escrita a minha fronteira não é tão diáfana como outrora, admito mesmo alguma falta de nitidez. 

"Entre duas terras"/Entre dos tierras" - Luis Leal (Fontañera/Galegos)

  



Crónica: "Ensaio sobre a (minha) fronteira" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº160, p. 91)

Este “Ensaio sobre a (minha) fronteira”, talvez por cansaço temático ou alguma crise de identidade derivada de “fartura fronteiriça”, após 7 anos, marca o fim da rubrica “Entre Duas Terras”. É bastante pessoal e necessitava ser partilhado. Porém, o meu caríssimo director António Sancho permite-me enveredar por os meus “Trabalhos&Paixões” (clara homenagem ao Fernando Assis Pacheco) nas páginas da “Mais Alentejo” nº161, já nos sítios do costume, onde continuaremos a encontrar-nos sem qualquer preocupação aduaneira.

Este “Ensayo sobre a (mi) frontera”, tal vez por cansancio temático o alguna crisis de identidad derivada de “hartura fronteriza”, pasados 7 años, marca el fin de la rúbrica “Entre Dos Tierras”. Es bastante personal y necesitaba ser compartido. Sin embargo, mi estimado director António Sancho me permite seguir con mis “Trabajos&Pasiones” (claro homenaje a Fernando Assis Pacheco) en las páginas de “Mais Alentejo” nº161, ya en los locales habituales, donde seguiremos encontrándonos sin cualquier preocupación aduanera. 




quinta-feira, dezembro 23, 2021

Natal (com sentido)/Navidades (con sentido) – Luis Leal

Natal (com sentido) – Luis Leal

    Depois de ouvir uma entrevista à filósofa Emily Esfahani Smith, fiquei curioso com a sua investigação sobre “viver uma vida com sentido” e a vista de olhos que pensava dar às suas páginas acabou por se tornar numa leitura atenta e enriquecedora. Quero dizer, fui prendado pela ocasião e isso, hoje, faz-me pensar nos presentes que gostaria de ver distribuídos nesta época festiva. Portanto, vou aproveitar a rede e o algoritmo do Sr. Zuckerberg (e outras às quais estou subscrito), que me permite divulgar as minhas divagações e aquilo que vou fazendo, para escrever este “miniensaio” e, em simultâneo, vos desejar quatro presentes para além do mais importante de todos: a saúde. Vamos lá a eles:
    Presente nº1: Pertença. 
   Sintamo-nos valorizados e valorizemos os demais. Em casa, no carro, no trabalho, no Facebook (ou no Meta – que mal que me soa... –), no estábulo, numa manjedoura, onde quer que seja, saibamos que, a qualquer escala, em todos existe singularidade e importância, algo bem mais relevante do que simples utilidade no seio de uma qualquer instituição. (Nota pessoal: tens de voltar a ver o filme Um Lugar no Mundo!)
    Presente nº2: Propósito. 
    Por outras palavras, objetivos, causas, motivações, estímulos que sejam o motor e o combustível da nossa acção. Note-se que todos os propósitos são dignos e não se medem nem por prestígio, nem por significância. Logo, tão respeitável é o desígnio de encontrar a cura para a Covid, como a vontade de deixar melhores seres humanos num planeta a precisar de melhoras.
    Presente nº3: Transcendência. 
    E não é que somos minúsculos! Simples vestígios de poeira cósmica! Sejamos como o astronauta quando, sem gravidade, é invadido pela total humildade de saber-se uma partícula microscópica num vasto e incompreensível universo. Ser conscientes da pouca importância da nossa pessoa no cosmos é, paradoxalmente, um sentimento poderoso e profundo. Há quem reze, há quem medite, há quem dance... há quem se transcenda porque sabe perfeitamente o que é e não é.
    Presente nº4: Narrativa. 
    Charles Dickens (esse mesmo do Conto de Natal!) perguntava, através de David Copperfield, “serei eu o herói da minha história ou qualquer outro tomará esse lugar?”. Isto é, que história de vida contamos a nós próprios? Miguel Torga escrevia diários (e não só), o imperador Marco Aurélio meditações, o Zé Manel no Twitter (eu num blog), o António Aleixo quadras populares e Claudio Rodríguez poesia, quando “estava poeta”. Escrever a nossa vida ajuda a retirá-la da fragilidade do nosso corpo, do efémero dos nossos dias, e, com ou sem artifícios, permite editá-la perante os nossos próprios olhos. Decidir organizar os capítulos da nossa existência, decidir pontuar parágrafos, recorrer a vírgulas e pôr pontos finais é o livre-arbítrio na nossa história que, como bem lembrou Victor Frankl, nos pode salvar e este neuropsiquiatra austríaco, formado pelo Holocausto, sabia empiricamente do que nos lembrava. Em resumo, porventura o sentido da vida não será muito diferente da sintaxe numa frase, quanto mais coerente é, mais sentido tem.
    Estes são os quatro pilares para viver uma vida com sentido, segundo Emily Esfahani. Admito existirem mais nos quais possamos apoiar a carga que, por vezes, é viver e encontrar sentido onde não existe. Neste segundo Natal em pandemia, com novas variantes de vírus (e de vidas), contudo com máscaras e vacinas assumidas no quotidiano, tenho a sorte de ainda ter estes quatro pilares edificados: pertenço a uma família inserida numa comunidade, tenho uns quantos propósitos, transcendo-me sempre que possível e vou-me escrevendo, vou pontuando este texto desorganizado que sou e necessita de ter sentido para, por enquanto, não ser apagado.
    Votos de um Natal (com sentido).


    "Navidades (con sentido)" – Luis Leal

    Después de escuchar una entrevista a la filósofa Emily Esfahani Smith, me quedé curioso con su investigación sobre “vivir una vida con sentido” y el vistazo que pensaba echar a sus páginas terminó en una lectura atenta y enriquecedora. Es decir, fui obsequiado por la ocasión y eso, hoy, me hace pensar en los regalos que me gustaría ver distribuidos en esta época festiva. Por tanto, voy a aprovechar la red y el algoritmo del Sr. Zuckerberg (y otras a las cuales estoy subscrito), que me permite divulgar mis divagaciones y lo que voy haciendo, para escribir este “miniensayo” y, en simultáneo, desearos cuatro regalos además del más importante de todos: la salud. Vamos a por ellos:
    Regalo nº1: Pertenencia. 
    Sintámonos valorados y valoremos los demás. En casa, en el coche, en el trabajo, en Facebook (o en Meta – que mal que me suena... –), en el establo, en un pesebre, donde sea, sepamos que, a cualquier escala, en todos existe singularidad e importancia, algo bastante más relevante que la simple utilidad en el seno de una cualquier institución. (Nota personal: ¡tienes que volver a ver la película Un lugar en el mundo!)
    Regalo nº2: Propósito. 
    Por otras palabras, objetivos, causas, motivaciones, estímulos que sean el motor y el combustible de nuestra acción. Fijémonos que todos los propósitos son dignos y no se miden ni por prestigio, ni por significancia. Por lo tanto, tan respetable es el designio de buscar la cura para el Covid, como la voluntad de dejar mejores seres humanos en un planeta necesitando que se mejore.
    Regalo nº3: Transcendencia. 
    ¡La verdad es que somos minúsculos! ¡Simples vestigios de polvo cósmico! Seamos como el astronauta cuando, ingrávido, es invadido por la total humildad de saber que es una partícula microscópica en un vasto e incomprensible universo. Ser conscientes de la poca importancia de nuestra persona en el cosmos es, paradójicamente, un sentimiento poderoso y profundo. Hay quien rece, hay quien medite, hay quien baile... hay quien se transcienda porque sabe perfectamente lo que es y no es.
    Regalo nº4: Narrativa. 
    Charles Dickens (¡ese mismo del Cuento de Navidad!) preguntaba, a través de David Copperfield, “¿seré yo el héroe de mi historia u otro cualquiera ocupará ese lugar?”. O sea, ¿qué historia de vida contamos a nosotros mismos? Miguel Torga escribía diarios (y no sólo), el emperador Marco Aurélio meditaciones, Pepito en Twitter (yo en un blog), António Aleixo décimas populares y Claudio Rodríguez poesía, cuando “estaba poeta”. Escribir nuestra vida ayuda a sacarla de la fragilidad de nuestro cuerpo, de lo efímero de nuestros días, y, con o sin artificios, permite editarla ante nuestros propios ojos. Decidir organizar los capítulos de nuestra existencia, decidir puntuar parágrafos, usar comas y pones puntos y finales es el libre albedrio en nuestra historia que, como bien nos recordó Victor Frankl, nos puede salvar y este neuropsiquiatra austríaco, formado por el Holocausto, sabía empíricamente de lo que nos recordaba. En resumen, es posible que el sentido de la vida no sea muy diferente de la sintaxis en una frase, cuanto más coherente es, más sentido tiene.
    Estos son los cuatro pilares para vivir una vida con sentido, según Emily Esfahani. Admito que existan más en los cuales podamos apoyar la carga que, por veces, es vivir y encontrar sentido donde no existe. En estas segundas Navidades en pandemia, con nuevas variantes de virus (y de vidas), sin embargo, con mascarillas y vacunas asumidas en el cotidiano, tengo la suerte de aún tener estos cuatro pilares edificados: pertenezco a una familia inserida en una comunidad, tengo unos cuantos propósitos, me transciendo siempre que es posible y me voy escribiendo, voy puntuando este texto desorganizado que soy y necesita tener sentido para que, mientras tanto, no sea borrado.
    A todos, unas Navidades (con sentido).

Bibliografia: Emily Esfahani Smith, El arte de cultivar una vida con sentido: Los cuatro pilares para una existencia rica y satisfactoria (trad. Alicia Sánchez Millet), Barcelona, Urano, 2017. 
Foto: CNN, 2019.




sexta-feira, julho 17, 2020

"La poesía de la imagen" - Luis Leal (Prólogo de "Voyage, Voyage" de Carlos Criado y Antonio Soriano)



Luis Leal "La poesía de la imagen" en Carlos Criado y Antonio Soriano, Voyage, Voyage (prólogos de Luis Leal y Pedro Casero), Badajoz, Fundación Caja Badajoz, 2020, pp. 9-12.