segunda-feira, junho 24, 2013
Juntos seguiremos derribando muchas murallas...
Ao José Manuel Corchero Cerrón...
Todos os super-heróis têm o seu companheiro de aventuras,
na linguagem dos “comics” do género, o “sidekick”. O Capitão América tem o
Bucky Barnes, o Batman tem o Robim, o Hulk tem-se a si próprio mais calmo na
forma do Bruce Banner e tantíssimos mais poderíamos encontrar por esse universo
fora.
O José Manuel é o meu “sidekick”, não somos super-heróis,
somos mais o género dos dois velhos rezingões dos “Marretas”.
Para quem não o conhece, o José é, à primeira impressão,
um erudito, um historiador, um linguista (é-o de verdade!), mas com uma vocação
oculta que ainda o faz maior (e ele tem 1’90m!): é a pessoa que eu conheço com
o melhor, e mais refinado, sentido de humor!
O José que se dedica de vida e alma à docência, ao estudo
da arte e da história, poderia e deveria tentar a sua sorte no mundo da
literatura de humor, pois tenho a certeza absoluta que triunfaria. Os Monty
Phyton poderiam perfeitamente recrutá-lo quer para actor, quer para guionista!
O John Cleese a seu lado é um menino do coro!
Outra coisa que poucos sabem é que eu tenho uma “lista
negra” para as coisas más que o José Manuel me faz (ou fez) com frequência.
Nessa lista constam coisas como meter-se comigo devido à minha nacionalidade
(apesar de ele ser mais português que eu!), de meter-se comigo por não ser guloso, por telefonar-me e acordar-me de
madrugada, por não apresentar-se a exames quando está mais que preparado, por faltar-me no meu casamento e uma lista infinita de “agrávios” como ele diz.
Apesar da lista ser longa, e de certeza que vou continuar
a escrever mais coisas más nela, há algo que nunca poderei apontar: a ausência da sua amizade.
O José Manuel é, em si mesmo, algo que ele tanto gosta de
estudar: Património. É Património Humano, justo, digno, simples e grandioso.
Uma pirâmide, um Machu Pichu, uma muralha da China ou de Valencia de Alcántara que o tempo não pode derrubar por ser intangível.
Ainda não é património da UNESCO (sê-lo-á de certeza),
mas é parte do meu património e isso está noutra coluna da lista (que não é
negra!) e isso nunca se irá apagar!
P.S. O que é que eu te disse? Tarda mas sempre aparece. A nossa foto com a pizza de anchovas horríveis nas "Casiñas"! (A Elsa, tu, a Nines, o Javi, a Belén, a Mª América e o Alfonso em Setembro de 2006)
Dónde, Dónde. Dónde qué.
A los que nos gusta la palabra, el hecho de poder "grafar" nuestro pensamiento, nuestra visión o el simple absurdo que llevamos dentro, en lo que podamos es un hábito, quizás incluso mezclado de vicio.
Tengo un amigo, un buen amigo, que tutea con la grafía, pero todavía, por sus motivos personales (aquí no me meto, sin embargo estimulo) no saca sus cosas del cajón.
Hay siempre la preocupación con la crítica, la falta de capacidad para expresar lo que queremos, "words don´t como easy", pero una vez que cojamos la pluma ajena a lo que se opina convencional, somos la metamorfosis diaria que pocos son capaces de interpretar o, a lo mejor, no hay nada que interpretar.
Durante casi una década me dio vergüenza soltar mi lirismo cursi, era como si fuera adolescente otra vez. Hoy, gracias a gente que no me dejó llevarme demasiado en serio, he vuelto a escribir por "the sake of writing"... y cada vez me llevo menos en serio.
Pablo, buen Pablo, como el epistolar de Tarso, reconvierte tu tiempo y metamorfosea esos pronombres interrogativos sin signo y llévanos a un lirismo que tienes en proyecto. Esto es un repto para el futuro...
Tengo un amigo, un buen amigo, que tutea con la grafía, pero todavía, por sus motivos personales (aquí no me meto, sin embargo estimulo) no saca sus cosas del cajón.
Hay siempre la preocupación con la crítica, la falta de capacidad para expresar lo que queremos, "words don´t como easy", pero una vez que cojamos la pluma ajena a lo que se opina convencional, somos la metamorfosis diaria que pocos son capaces de interpretar o, a lo mejor, no hay nada que interpretar.
Durante casi una década me dio vergüenza soltar mi lirismo cursi, era como si fuera adolescente otra vez. Hoy, gracias a gente que no me dejó llevarme demasiado en serio, he vuelto a escribir por "the sake of writing"... y cada vez me llevo menos en serio.
Pablo, buen Pablo, como el epistolar de Tarso, reconvierte tu tiempo y metamorfosea esos pronombres interrogativos sin signo y llévanos a un lirismo que tienes en proyecto. Esto es un repto para el futuro...
...
Pai e professor. Mentiras capitais.
Professor e pai ou camuflado o cansaço.
Mascarar o ego em forma de missão.
Abdicar dela? Pecado mortal?
Professor e pai ou camuflado o cansaço.
Mascarar o ego em forma de missão.
Abdicar dela? Pecado mortal?
p.24 , "Diário de Uma Profissão em Busca de Dignidade", Ed. S.João
domingo, junho 23, 2013
Aos meus verdadeiros mestres da língua portuguesa...
Ao longo de vários anos pude realizar várias actividades com os meus colegas de Valencia de Alcántara. Para mim não são simples colegas, são amigos e verdadeiros mestres que me ajudaram a crescer como profissional e ser humano. Com eles partilhei muitos momentos e espero poder partilhar, apesar de saber que o futuro nos reserva rotinas diferentes das dos últimos sete anos.
Ontem, fizemos uma actividade de amigos, de "lusofilia", na qual pudemos visitar a raia elvense e terminar com as boas sardinhas de S. João. Soube a uma actividade final, mas não o será...
A todos estes colegas presentes: ao Luis, à Mª Angeles, ao José Manuel, à Esther, à Maite, ao Joaquim, ao Pedro e à Angela (os últimos dois, como eu serei, fruto do passado do Loustau-Valverde), quero expressar o meu apreço, a minha estima e a minha amizade. Sei que não seria a mesma pessoa sem eles.
Também gostaria de "realçar" os que não puderam estar presentes, mas que sempre lá estão em espírito. À Elisa, à Martina, à Eva, ao Rufo, à Mercedes, à Maria, à Reme, ao Manolo (que tanto se esforça por nos acompanhar!) também gostaria de deixar um beijo e um abraço, tal como a promessa que algum dia também faremos uma actividade idêntica.
A todos vocês (e eventualmente a algum que me possa esquecer - mil perdões!) devo o prazer de sentir-me útil, de sentir que a língua de Camões é verdadeiramente de poetas e que, apesar de não haverem nascido "lusos", apreciam e sentem a cultura em português património vosso. Posso garantir-vos que é também vosso o "ilustre peito Lusitano" e que o espírito de "Abril" não é delimitado por fronteiras.
O vosso amigo,
Luis Leal
sexta-feira, junho 21, 2013
O Hortelão cuida da Aorta.
O hortelão cuida da horta
como a aorta cuida do nosso corpo.
Oxigenando…
Também eu tive um hortelão que cuidou de mim
Na sua horta.
Hoje vive na minha aorta,
Oxigenando…
O meu sangue ve(ne)noso.
Somos siete años (dedicado J.A.S)
La
distancia cortará el abrazo físico y el "que no se te olvide que te amo".
Seremos
presente pasado en tierras de Valencia de Alcántara mirando siempre hacia
Portugal (con el centralismo intelectual madrileño que sueña con la mar).
El
Alentejo y Extremadura son un mismo paisaje. Son tú y yo. Serán Diego y Santi.
Fue
Celan y Afonso.
Somos
nosotros.
Esta
es nuestra navaja.
Usada.
Digna
de nuestros padres, de todos los romos lápices que afiló y de todos los trozos
de pan humilde que repartió debajo de una encina que ya no sabía su edad.
Esta
navaja, afilada por el tiempo, gastada por el gesto, es nuestra tercera mano.
Hermano.
Como
debe de ser. Sonriendo y llorando en una lámina brillante de óxido.
Una
navaja no juzga. Acompaña.
Esta
no es mi lengua mater. Será la lengua hermana, más fuerte que la sangre que, como
bien sabes, solo contiene plasma y adn nada cómplice del alma.
Me
atrevo a sentir en esta lengua. La quiero como quiero a muchos que la hablan dentro de mí.
Nosotros
tenemos siete años.
Tenemos
los pisos de Maneli,
Tenemos
los asientos cantantes, ochenteros, folladores vividores…
Tenemos
puertas abiertas y cerradas al mismo tiempo.
Pero
tenemos burro, viola y perro. Y la danza de los pájaros coreografiada por
Vanilla Ice.
Tenemos
la cura para todos los viernes en que nos enamoramos.
Esta
es nuestra navaja hermano. Yo nací con una.
Me
la puso mi abuelo en la cuna.
Me
define.
Esta
te acompañará cuando no me puedas decir que me amas y,
como
nuestras tardes al sol del Jiniebro,
no
te pesará en el equipaje.
Nada
está más cerca que en el bolsillo.
Eso
del corazón son tópicos cardiólogos desfasados de realidad pragmática.
A mí,
Hermano,
Siempre
me tendrás en el bolsillo.
segunda-feira, junho 17, 2013
Vocês me escolheram - Ryotiras
domingo, junho 16, 2013
sexta-feira, junho 14, 2013
quinta-feira, junho 13, 2013
segunda-feira, junho 10, 2013
POEMA SEXAGÉSIMO SEXTO (excerto) - Joaquim Pessoa
JOAQUIM PESSOA, in GUARDAR O FOGO
(Edições Esgotadas, 2013)
POEMA SEXAGÉSIMO SEXTO (excerto)
O amor é um poema. Dói e canta cá dentro. Tem a filosofia
das árvores, a lição do mar, os ensinamentos que as aves re-
colhem quando migram para lá dos desertos, de onde hão-
-de regressar mais sábias e seguras.
O amor é uma causa. Uma luta excessiva com a divindade
dos dias e a sua fogueira obscura. Mas também contra o mis-
tério de si mesmo, uma paz que nos dá o cansaço e a loucu-
ra infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que to-
cam como um aviso aos densos nevoeiros súbitos do mar.
O amor é uma casa. Erguida com os beijos, com os versos
da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem
o nosso júbilo, a nossa intuição, a nossa vontade, sobretudo
o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e bri-
lha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes.
O amor é um gigantesco pequeno mistério, uma estranha ge-
nerosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais
ficamos para dar.
Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se
procurou nas indecifráveis fórmulas dos antigos livros de ma-
gia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que,
por vezes o pisamos sem reparar.
POEMA SEXAGÉSIMO SEXTO (excerto)
O amor é um poema. Dói e canta cá dentro. Tem a filosofia
das árvores, a lição do mar, os ensinamentos que as aves re-
colhem quando migram para lá dos desertos, de onde hão-
-de regressar mais sábias e seguras.
O amor é uma causa. Uma luta excessiva com a divindade
dos dias e a sua fogueira obscura. Mas também contra o mis-
tério de si mesmo, uma paz que nos dá o cansaço e a loucu-
ra infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que to-
cam como um aviso aos densos nevoeiros súbitos do mar.
O amor é uma casa. Erguida com os beijos, com os versos
da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem
o nosso júbilo, a nossa intuição, a nossa vontade, sobretudo
o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e bri-
lha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes.
O amor é um gigantesco pequeno mistério, uma estranha ge-
nerosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais
ficamos para dar.
Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se
procurou nas indecifráveis fórmulas dos antigos livros de ma-
gia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que,
por vezes o pisamos sem reparar.
Não tiveram nem paradas militares, nem Presidentes da República, nem entrega de comendas, mas foi assim que se celebrou o “Dia de Portugal, Camões e das Comunidades” em Valencia de Alcántara!
A comissão organizadora deste
evento recorreu, novamente, a este material de árvore, a cortiça, tão enraizado
(e nunca melhor dito) na região estremenha e alentejana, como elemento fraterno
entre Espanha e Portugal, especialmente agora que partilham estes duros tempos,
esperando, desta forma, que sirva para entrelaçar os ramos de “alcornoques” e
sobreiros e assim dar sombra aos filhos destas terras, e aos filhos dos filhos
que, ao mesmo tempo, amando a sua diversidade, os protejam a todos.
domingo, junho 09, 2013
Si el hombre pudiera llevar
Si
el hombre pudiera llevar
Trozos
del pasado dentro
De los
bolsillos,
Como
un pañuelo de “patchwork”
(Snob,
para no decir retajos)
Cosido,
Con el
hilo del azar, o del cajón
Polvoriento,
del desván poco familiar.
Si
el hombre pudiera llamar
A la
puerta del destino.
Si
pudiera saludar la verdad
(Vecina,
puta, que no paga la comunidad y usa la piscina)
En un piso sin ilusión de tener calefacción.
Si
pudiera,
No
se olvidaría de las gafas de ver cerca
(Pendientes
de una nariz curiosa, quizás cotilla).
No
se llevaría la gloria,
Ni la
ambición o vana victoria…
Si
el hombre pudiera elegir…
No
se llevaría al ataúd
La frialdad
corpórea, pero sí
La real
libertad
(Singularmente
gregaria)
En sincera
amistad.
6/VI/2013
"Corona", de Paul Celan
Dedicado a meu irmão, amigo,
Amigo, irmão,
Hermano, José, que me deu este universo de Celan... Apenas queria agradecer-te...
"O outono come da minha mão a sua folha: somos amigos.
Tiramos às nozes a casca do tempo e ensinamo-lo a andar:
o tempo regressa de novo à casca.
No espelho é domingo,
no sonho dorme-se,
a boca fala verdade.
O meu olhar desce até ao sexo dos amantes:
olhamo-nos,
dizemos algo de escuro,
amamo-nos como papoila e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
ou o mar no brilho-sangue da lua.
Ficamos abraçados à janela, olham para nós da rua:
é tempo que se saiba!
É tempo que a pedra se decida a florir,
que ao desassossego palpite um coração.
É tempo que seja tempo.
É tempo."
da antologia poética "Sete Rosas Mais Tarde", tradução de
João Barrento e Y.K. Centeno
Tiramos às nozes a casca do tempo e ensinamo-lo a andar:
o tempo regressa de novo à casca.
No espelho é domingo,
no sonho dorme-se,
a boca fala verdade.
O meu olhar desce até ao sexo dos amantes:
olhamo-nos,
dizemos algo de escuro,
amamo-nos como papoila e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
ou o mar no brilho-sangue da lua.
Ficamos abraçados à janela, olham para nós da rua:
é tempo que se saiba!
É tempo que a pedra se decida a florir,
que ao desassossego palpite um coração.
É tempo que seja tempo.
É tempo."
da antologia poética "Sete Rosas Mais Tarde", tradução de
João Barrento e Y.K. Centeno
quinta-feira, junho 06, 2013
¡No hay 3 sin 4! Revista “Cortiza” nº4 (2013)
No
podíamos publicar en 2013 solamente lo que se hizo en 2012, por eso se ha
presentado también el nº4 de nuestra revista “Cortiza”. Un número más amplio,
repleto de artículos interesantes, arte, historia, poesía (cómics, ¡no nos
hemos olvidado!) y que es testigo de un curso fértil en actividades educativas
y culturales dinamizadas en este centro público (sólo para recordaros: ¡DE
TODOS PARA TODOS!).
Batman lee "Cortiza" nº3, 2012 (Presentación a la comunidad educativa del IES Loustau-Valverde)
Después
de su edición on-line, nuestra revista “Cortiza” nº3 fue presentada a la
comunidad educativa del IES Loustau-Valverde de Valencia de Alcántara. Con una
originalísima portada del autor extremeño Fermín Solís (¡Batman es lector
nuestro!), su contenido es la contribución de muchos alumnos y compañeros que
dan vida a este proyecto y centro educativo. Algunos de ellos ya no son parte
de nuestro día a día, sin embargo “Cortiza” es un justo homenaje a su huella
por estas tierras rayanas.
quarta-feira, junho 05, 2013
terça-feira, junho 04, 2013
"Portugal" de Jorge Sousa Braga
"Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse
oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de
África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de
rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do
Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentugal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada
de ressentimentos
um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca"
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse
oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de
África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de
rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do
Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentugal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada
de ressentimentos
um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca"
domingo, maio 19, 2013
"A Arte da Viagem" de Paul Theroux (a minha forma de sonhar...)
Em momentos de maior cansaço (e não só), a ideia da viagem assemelha-se a um sonho. A minha forma de sonhar acordado nos últimos dias é estar acompanhado por este livro que trouxe comigo do intercâmbio em Castelo Branco. O gajo tinha como que uma boquinha que me dizia: "leva-me contigo, leva-me contigo!". E não é que o gajo me convenceu!? Até agora,não me arrependi de o ter albergado na mesa de cabeceira...
Sinopse
Cinquenta anos de viagens celebrados por uma recolha de textos que formaram Paul Theroux enquanto leitor e enquanto viajante - um manual literário de viagem, um guia filosófico, uma antologia de grandes autores que viajaram, entre eles Theroux. A Arte da Viagem mostra toda a bagagem - espiritual ou física - que levaram e que trouxeram; os lugares por onde passaram, ou nunca passaram; os prazeres e os sofrimentos do viajante, os paradoxos da viagem, a solidão, o anonimato, o encontro com estranhos; a estrada enquanto vida; as cidades, os comboios, as paisagens; a aventura; e a tradição, a política e a pornografia na viagem; o tempo e o amor na viagem; e a viagem enquanto transformação. Neste extraordinário tributo encontramos, entre muitos, Vladimir Nabokov, Samuel Johnson, Evelyn Waugh, Mark Twain, Bruce Chatwin, Graham Greene, Isak Dineses, Anton Tchekov, Ernest Hemingway e o melhor de Paul Theroux.
A Arte da Viagem de Paul Theroux
Excerto:
«A estrada é a vida.» Jack Kerouac
«Viajar é um paraíso de loucos.» Ralph Waldo Emerson
«A viagem é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza do espírito.» Mark Twain
«O vagabundear pela nossa “América” mudou-me mais do que eu pensava.» Che Guevara
«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» Gustave Flaubert
sábado, maio 18, 2013
A Estrada
A estrada, o caminho, o percurso; qualquer que seja a designação, é um passar de espaço que leva tempo.
Depende de cada um de nós a forma como usa esse tempo.
Poderá ser um desperdicio de tempo (e espaço)ou um ganho.
Eu tenho ganho, muito - afinal apenas somos importantes quando tocamos o tempo (e o espaço) dos outros.
Eu tenho ganho, porque os outros também tocam o meu tempo (e espaço).
Agora, gostaria de ter mais tempo, e mais espaço, para tocar mais vidas, e ser tocado por elas.
Espero um dia, ter mais imagens para partilhar, para dividir e para somar.
Quem sabe um dia ensine mesmo que o caminho se faz caminhando com alguém perto, dividindo e somando passos, trocando tempo, e somando sorrisos.
Quem sabe um dia ensine mesmo que o caminho se faz caminhando com alguém perto, dividindo e somando passos, trocando tempo, e somando sorrisos.
quinta-feira, maio 16, 2013
Bicicleta com tapete de folhas secas
O título, com licença do fotógrafo, é meu. A fotografia foi tirada em Berlim em novembro do ano passado pelo fotógrafo português Ricardo Silva Cordeiro.
quarta-feira, maio 15, 2013
Haiku de Bashô (Foto duma rã qualquer...)
O velho tanque -
Uma rã mergulha,
barulho de água.
Foto Parque Urbana de Castelo Branco (13/V/21013)
domingo, maio 12, 2013
Fernando Pessoa & Cia. - Laura Pérez Vernetti
A BD a explorar directamente universos poéticos, neste caso a heteronímia de Fernando Pessoa. Um excelente trabalho que recomendo vivamente e que já está diponível em português! Dêam uma vista de olhos a estas pranchas "Amar é pensar" e "Trânsito", adaptadas do heterónimo Alberto Caeiro.
sexta-feira, maio 10, 2013
quarta-feira, maio 08, 2013
...
La
prisa preguntó a la calma el porqué de
su puntualidad.
Y
esta dijo: cálmate, ya te explicaré.
As cadeiras - João Luís Barreto Guimarães
As cadeiras
À aula de
quarta-feira assistiram 13 alunos e
27 cadeiras. Em resumo: a sala cheia.
Quando a
lição terminou os 13 alunos partiram e
acto contínuo contei 20 casais de cadeiras.
Às aulas que tenho dado nunca faltam
as cadeiras
ficam a ouvir-me caladas
(as costas muito direitas).
É bom de ver que as cadeiras entendem
tudo à primeira
parecem bem mais maduras (mais
pés
assentes na terra).
Volto já [pendurada está a tabuleta]
Volto já.
[pendurada está a tabuleta]
Encerrei para inventário e relatório de contas.
Não volte mais tarde.
Nem depois de almoço.
O relógio marca 5 minutos a mais.
Não há ponteiros rectificativos, nem faço orçamentos de
obras feitas.
Tem-se esquecido de guardar as facturas?
(Não se preocupe. Ninguém se evade à tributária autoridade
do tempo),
Também não pode descontar o tempo perdido no IRS,
Nem no imposto de valor acrescido que nunca cobrei.
Não sei se volto já.
A si mesmo. Nem com juros de mora.
Isto, não tem resgate, resta declarar bancarrota.
Mas não me apetece dar explicações. É o meu único luxo.
Chegasse mais cedo!
Agora,
Sou um insolvente dum presente.
Imposto em impostos.
Activo tóxico em risco de tornar-se um mutante
financeiro.
Abrirei nova actividade noutro eu qualquer.
Desta vez, por debaixo da mesa. E para os sentimentos um
mealheiro!
Não aceito mais o controlo fiscal
(ou temporal sem controlo de qualidade)
De contas que não tenho.
Funcionarei pela porta do cavalo.
Recuso-me a fechar a loja.
Chegasse mais cedo!
Ainda há quem mereça ser bem atendido.
E para isso ainda tenho o meu direito de admissão.
E aqui, o sr. já não entra!
Na loja. 6/V/13
segunda-feira, maio 06, 2013
você está aqui
Você está aqui. É porque neste momento está nestes "senderos". Eu estou aqui acompanhado por um poeta (até então por mim desconhecido) que a casualidade de uma estante me apresentou. João Luís Barreto Guimarães, "você está aqui", editado por a Quetzal. Se você está aqui, vale a pena ir até ali (joaoluisbarretoguimaraes.blogspot.com) e dizer-lhe olá. Dê-lhe um abraço da minha parte.
quinta-feira, maio 02, 2013
segunda-feira, abril 29, 2013
Hoje, sei que não voltarei no próximo fim-de-semana.
(ilustração de Luís Silva)
A ti "Vó Lena". A quem devo muito mais do que
posso aqui expressar.
Hoje sinto-me como nesses domingos em que os meus pais me
iam buscar a tua casa. Triste, por te deixar a dizeres-me adeus à entrada do
pátio, enquanto eu, vazio, à espera do próximo fim-de-semana, me agarrava ao
pára-brisas traseiro do Fiat 127 do meu pai, e te via cada vez mais longe.
Ficava a certeza que no final da semana voltaria a ti e ao avô, ao pátio da
minha infância, à casa dos meus avós, onde sempre serei eu.
Hoje sei que não voltarei no próximo fim-de-semana.
O meu avô ensinou-me de menino
A subir às árvores a pulso, de que é feito um ninho.
Sem me esquecer que o olhar chega, sempre,
Sempre, primeiro, que todos os gestos,
Letrando, assim, o analfabeto saber do destino.
A minha avó ensinou-me de menino
A abrir livros avulso, pintados, aos quadradinhos,
Sem me esquecer as poucas sílabas (e escudos)
Que a custo juntava e a mão, que sempre, me dava
Tinham, têm, terão mais bem-querer que qualquer verso.
Os meus avós ensinaram-me a ser menino.
A sentir minha sua casa, no pátio a descansar
Em vizinhança, no portado do meu ser a sonhar,
Sem nunca esquecer que o cheiro da infância,
Respira, por aí, até que deus queira.
Coria, Valencia de Alcántara, Cáceres e Badajoz. (28/IV/13)
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