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| "Prazeres" - Luis Leal |
sábado, outubro 12, 2019
Crónica: "Ser Amável" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº150, p.62)
Crónica: "Ser Amável" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº150, p.62)
quarta-feira, outubro 09, 2019
terça-feira, outubro 08, 2019
Vive na eternidade...
Vive na eternidade porque expulsou de dentro de si mesmo qualquer vestigio de tempo.
domingo, outubro 06, 2019
Kenshinkan Dojo – “A Casa da Espada Celestial” - Luis Leal in "Rayanos Magazine"
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| Foto de Juanma Zarzo |
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| Foto de Juanma Zarzo |
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| Foto de Juanma Zarzo |
sábado, outubro 05, 2019
quinta-feira, outubro 03, 2019
A felicidade pode ser real sem ser partilhada, mas não é a mesma coisa se tivermos afectos ao nosso lado. Tenho a certeza.
Conseguir algo intimamente desejado já não me parece uma vitória ou uma mentira. Não nego a felicidade de ter logrado o que até foi difícil, exigindo abnegação e esforço. Porém, não me iludo. Imóvel a olhar este dia, a vê-lo com distância de mim mesmo, e quem vejo não sou eu. Vejo aqueles que me alentaram a desejar, a continuar a tentar. Vejo principalmente duas pessoas que já não estão e a quem não pude telefonar para dar uma boa-hora.
Estariam orgulhosos. Sei-o desde dentro, desde o meu coração onde habitam. Cada letra que aprendi a conjugar em sílabas, que se converteram em palavras, em frases apontadas por aí, não esconde que advém dum mundo iletrado.
A felicidade pode ser real sem ser partilhada, mas não é a mesma coisa se tivermos afectos ao nosso lado. Tenho a certeza.
Continuo imóvel, mas o meu olhar já não se centra em mim. Observo o vazio. Não há euforia. Vejo afabilidade. Vejo um dia a acabar.
quarta-feira, outubro 02, 2019
terça-feira, outubro 01, 2019
segunda-feira, setembro 23, 2019
«A Casa dos Hóspedes» - Yalal al-Dim Rumi (versão Luis Leal)
é como administrar uma guest house.
Cada dia uma nova visita.
alguma felicidade momentânea
a chegar com um visitante inesperado.
inclusivamente se são um grupo penoso
a desvalorizar completamente a tua casa.
pois podes estar a criar espaços para novas delícias.
recebe-os à tua porta com um sorriso e convida-os a entrar.
pois talvez possas descubrir que foram enviados
para guiar-te para mais além.
domingo, setembro 22, 2019
Conversas de pequeno-almoço em família... e unicórnios!
Sentados à mesa, num pequeno-almoço de Domingo em família, digo em tom de brincadeira:
- A mamã já está tranquila pois não vem por aí nenhuma mana...
(Isto porque a minha mulher acaba de chegar de França e, nos últimos anos, cada vez que foi para além dos Pirinéus levou consigo cada um dos nossos filhos no ventre.)
O mais velho diz de imediato que não quer nenhuma irmã, já está bem assim. A Elsa aproveita a conversa e pergunta ao nosso mais pequenito se ele gostaria de ter uma mana e a sua resposta não poderia ser mais rápida e segura:
- Mamy, eu quero um unicórnio!
sábado, setembro 21, 2019
Um prazer ao qual te apoias...
Habituado à secura dos dias, à escassez de precipitação nas terras por onde habitas, umas gotitas tímidas lembram-te que ter de trazer chapéu de chuva não é um estorvo... É um prazer ao qual te apoias.
O marmelo na árvore
sexta-feira, setembro 20, 2019
Nem imaginas o bem que se dorme...
Estou por aqui a rabiscar uns papéis do trabalho e oiço umas colegas a falarem sobre o seu tempo livre. Uma mostra videos às outras e comentam as virtudes do que se vê, pelo que oiço tratam-se de aulas de dança sem limite de idade.
A conversa continua com perguntas sobre onde é, que dias há aulas e quanto custa, mas o que me ficou foi uma afirmação que merece a pena registar neste diário de bordo, tantas vezes a meter água:
«Nem imaginas o bem que se dorme depois de dançar...»
quinta-feira, setembro 19, 2019
Pós-ecologismo
Ir de trotinete eléctrica onde antes se ia a pé.
Lido no blogue Coração Acordeão, de António Gregório.
domingo, setembro 15, 2019
"Un perro refleja la vida familiar"/"Um cão reflete a vida familiar"
Mapa administrativo de Portugal
sábado, setembro 14, 2019
quinta-feira, setembro 12, 2019
O som da depiladora
O som da depiladora denuncia que te estás a preparar para vestires uma indumentária mais formal amanhã. Não é que tenhas pelos nas pernas visíveis, é o teu ritual antes de usares saia.
Este é um dos sons que te fazem previsível e eu oiço-o com o prazer de quem te espera e te quer dizer que te ama.
O amor é tão rotineiro quanto previsível. Há quem diga que isso não é bom para a durabilidade do mesmo. Talvez. Porém, eu sei que a paixão se alimenta destes actos, destes afazeres do dia-a-dia que escolhemos passar juntos...
quarta-feira, setembro 11, 2019
No confundamos discreción con silencio cómplice...
Indignado
terça-feira, setembro 10, 2019
Saida Mukhametzyanova canta "Canção do mar"
Fui bailar no meu batel,
além do mar cruel...
«Uno, dos, tres...»
«Uno, dos, tres... pollito inglés» é a frase que mais tenho ouvido nesta tarde relaxada em que não há trabalhos de casa nem teste no horizonte.
Andam por aqui a brincar e a jogarem ao «pollito inglés». Eu apenas observo, em silêncio adulto a ocultar morriña de infância, e penso mais uma vez em como foi possível que este patego, dum bairro operário eborense, criasse prol noutra língua. Sei que tenho pensamentos tão parvos, mas não os renego e aceito-os.
O «pintainho inglês» até existiu durante os Verões algavios em companhia do meu tio Leopoldo e da minha tia Dolores. Ser loiro e ter olhos azuis ajudava à nacionalidade emprestada entre os turistas da grande Albion.
«Tudo foi por onde tinha que ir» são palavras que tantas vezes ouvi. Têm razão, um gajo tem de ir por onde tem de ir. O tempo foi passando e eu não sei muito bem porque é que tem vindo por aqui.
Eles sabem. Os meus filhos sabem. Sabem porque brincam e usam as nacionalidades como meros adjectivos de galinácios. É para isso que servem e vão para a cama sem saberem porque é que o «pollito inglés» foi um pinto diferente no passado do seu progenitor. Não sei se os invejo por isso ou por simplesmente eu já não ser criança ao seu lado e ter de envergar este traje de progenitor.
Sei que os vou chamar para ao pé de mim e os vou abraçar como o primata que sou. Vou beijá-los tanto como o pai babado que sou mas que não gosta demasiado de falar deles aos outros. Vou contar-lhes que quando era puto brincava ao mesmo, mas que íamos mais longe, mais para Oriente, e que o nosso pintainho era substituído por um macaquinho e... «Um, dois, três, macaquinho do chinês!».
sábado, setembro 07, 2019
«Abúrrete en el Instituto como mejor puedas»/«Entedia-te na escola o melhor que puderes» - Robert Walser
«Abúrrete en el Instituto como mejor puedas. Mi pequeño conquistador, ya verás cómo es el mundo, en ese mundo de fuera, cuando ejerzas tu profesión y aspires y luches, ya verás cómo se te abrirán bostezantes océanos de aburrimiento, vacío y soledad. Quédate aquí. Cultiva un poquito más tu nostalgia. No puedes imaginar qué felicidad, qué grandeza hay en la nostalgia, es decir, en la espera. De modo que aguarda. Deja actuar dentro de ti ciertas presiones. Aunque no demasiado.» (trad. Juan José del Solar)
«Entedia-te na escola o melhor que puderes. Meu pequeno conquistador, já vais ver como é o mundo, esse mundo de fora, quando exerças a tua profissão e tenhas aspirações e tenhas de lutar, já vais ver como se te abrirá a boca em oceanos de tédio, de vazio e solidão. Fica aqui. Cultiva um bocadinho mais a tua nostalgia. Não podes imaginar a felicidade, a grandeza que há na nostalgia, quer dizer, na espera. De modo que aguarda. Deixa actuar dentro de ti certas pressões. Ainda que não em demasia.» (trad. Luis Leal)
Robert Walser, «Jakob Von Gunten», Madrid, Siruela, 2009, p.100.
sexta-feira, setembro 06, 2019
...
Sei que dizer-te amo-te não satisfaz o infinito a habitar em tudo o que te digo e no que sinto. Talvez por isso tenha abandonado os poemas e canções de amor na gaveta da adolescência, protegidos em cadernos de palavras minhas escritas pelo teu punho e letra.
Na época, não sabia que jamais saberia escrever sobre amor, apesar do tentar ao lançar-me do sentimento para a palavra. Emulava poetas para transcrever-te o meu coração. Aceitei a tradição, os versos, mas o meu coração ultrapassava a métrica e só não entrou em síncope porque o aceitaste tão acelerado quanto frágil. Fizeste-me poeta sem ter lido suficientemente a vida para o ser. Só de ti aceito esse destino, porque todos os dias sei que dizer-te amo-te não satisfazará o infinito a habitar em tudo o que não te poderei dizer e em tudo o que a mortalidade do meu corpo não me permitirá sentir. A minha alma diz-me que não o sou, porém a tua contradi-la. Só sou e serei teu. Poeta.
quinta-feira, setembro 05, 2019
A ternura flui...
A ternura flui melhor em espaços e vidas cientes de uma certa ordem. Não o nego, porém nunca encontrei este sentimento em pleno caos...
Dia de cão
Coisa que me emociona é história de cadelinhas vira-latas que salvam crianças de ataques de pitbulls. Outro dia foi em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A cadelinha Milu, uma vira-lata de pelagem curta, marrom e branca, dessas cachorras bem ordinárias, arrancou o couro da garganta de um pitbull em pleno acesso de fúria. Era o Mal personificado por dentes cravados na junta de joelho de um menino de 11 anos. O garoto talvez perca alguns movimentos parciais da perna. Ao ver o menino em enorme sofrimento, a cachorra atravessou a rua como um foguete, em vias de ser atropelada, e pulou direto na jugular do ferocíssimo cão. Ferido de morte, o pitbull largou a perna da criança e soltou um longo e doloroso ganido.
Tinha os olhos injetados de sangue cor de vinho quando virou o pescoço no limite da musculatura e mordeu uma orelha da vira-lata. Milu, três anos de rua, acostumada a garantir as refeições na base do pega-e-corre, acusou o golpe, mas em vez de arregar, apertou mais forte o pescoço do inimigo. Ouviu-se o som surdo de duas travas. A primeira, da oclusão perfeita e letal das mandíbulas da cadelinha. A segunda, da traquéia do pitbull virando geléia, se me permitem a assonância. Milu perdeu parte de uma orelha, mas foi adotada pela família do menino salvo, sendo enviada, tempos depois, para viver num sítio da família. Se tudo der certo, a vira-lata terá garantido para si, graças a um ato desvairado de coragem, casa e comida até morrer. Deve haver uma lição nisso.
Nessas coisas residem o sucesso do livro Marley e Eu, que não li, nem pretendo ler, por pura inveja. Difícil não se emocionar com essas histórias de cães heróis, porque temos essa proximidade emocional com os cachorros, criaturas que nos enchem de amor apenas porque gostam de comer, bem e muito, sem fazer esforço. Eu vivo com duas cockers spaniels, cães hiperativos e famélicos que vivem, permanentemente, com os ânimos exaltados. São mãe e filha, mas roubam comida uma da outra, brigam, rugindo como leoas, no meio da madrugada, latem pelas escadas do prédio, destroem os jardins plantados pela síndica, e cada uma a seu tempo destruiu boa parte do mobiliário da casa. Cansadas, dormem no sofá da sala, ou o que sobrou dele, porque a mais nova fez dois enormes buracos no estofamento. Ambas apanharam de cinto nos quadris para aprenderem a não subir no sofá. Ou elas são burras o suficiente para não fazer a associação entre o ato e a dor, ou são inteligentes o bastante para perceber que me sinto culpado o suficiente para não bater nelas outra vez. Não sei como Marley se sentiria nessa situação, mas as duas voltaram a dormir no sofá a sono solto.
A mais velha, quando está no cio, corre para cima até de yorkshire, vira a bunda, dobra o cotoco de rabo para o lado. Já cruzou, à revelia de minha vontade, com um outro cocker na pracinha infantil da quadra, em frente de meia dúzia de crianças. De outra feita, deixou-se possuir por um bichon frisé na frente de outros cães e pessoas, num gramado público da Asa Norte, quando tudo indicava que o cio já tinha acabado. Passou vinte minutos grudada com o amante, um de costas para o outro, cada qual com aquele olhar de paisagem tão caro aos do mundo canino. A mais nova só teve um cio. Todos os cachorros que tentaram se aproximar foram violentamente repelidos por dentes arreganhados, novinhos em folha. Ambas já morderam crianças. Duvido que a história de Marley seja mais emocionante do que a delas, uma comprada na feira por 120 reais, outra nascida no quartinho da dispensa aqui de casa.
Mas Marley é americano, tem pedigree e a bossa de todo labrador. E, possivelmente, um dono mais talentoso.
(22-maio-2007)
(Fonte)



















