quarta-feira, dezembro 17, 2008

Natal no seu esplendor

Natal é a época do ano em partilhamos, convivemos com a família. Época de partilha , solidariedade, ……
Época de comer até rebentar!
Como tal aí vai uma receita de Natal – Natal dos gulosos!
Rabanadas
Preparação:
Leva-se o leite ao lume com manteiga, três colheres de sopa de açúcar, um pau de canela, uma casca de laranja e uma pitada de sal. Deixa-se ferver durante 5 minutos. Passam-se as fatias por este leite e dispõem-se numa travessa ou sobre uma toalha para absorver o leite.Noutro recipiente largo e baixo, leva-se o restante açúcar ao lume com 4 dl de água, um pau de canela e uma casca de limão. Deixa-se ferver durante 10 minutos.Entretanto batem-se muito bem as gemas com a clara.Passam-se as fatias de pão pelos ovos, introduzem-se duas a duas na calda de açúcar a ferver, e deixam-se cozer, primeiro de um lado depois do outro. Entre a cozedura de cada par de rabanadas, adiciona-se um cálice de água fria à calda.Polvilham-se as rabanadas com canela e, finalmente, regam-se com a calda a que se adicionou um cálice de vinho do Porto. Servem-se no dia seguinte.

terça-feira, dezembro 16, 2008

"Fados" de Carlos Saura

Saiu há menos de um mês a edição em DVD do filme “Fados” do espanhol Carlos Saura. Edição essa que é um autêntico luxo, com extras e com um livro de imagens que ficaram para a posteridade aquando da realização do mesmo.

Pessoalmente, creio que estamos perante uma obra notável, de acordo com uma óptica lúcida, à parte de polémicas “fadistas” (quer da sua história ou do seu conservadorismo estético), de alguém que leva o fado nas veias sem ter nascido em território lusófono. Devo mesmo dizer que tem imagens tão impactantes como a própria música que dá título à obra de Saura. Mas, apesar de ter como consultores nomes tão notáveis da música portuguesa e da musicologia lusa, como Carlos do Carmo e Rui Vieira Nery, respectivamente, peca por não aludir a um fado também marcante, menos rústico, mais romantizado, mais dos exteriores e das serenatas, forte em emoções e digno de criticar o seu “sexismo” (a tradição diz que só pode ser cantado por homens), isto é, o fado de Coimbra.

Já que se trata de uma obra arrojada, livre e imbuída de influências e experiências, e, uma vez que Mariza já se atreveu a desafiar o instituído, cantando, desafiando a tradição imutável, um fado à moda da cidade à beira do Mondego.

Longe de ser uma crítica, dado que poucos se atrevem a abordar o fado como algo para além do que os anos (desde o século XIX, passando pelo fascismo, revolução de Abril até hoje) e a sociedade vem instituindo como canção nacional, vejo mais mérito que demérito por parte de Saura que, uma vez mais, provou ser um excelente cineasta a quem temas polémicos não põem medo.


segunda-feira, dezembro 15, 2008

Para reflectir... "FMI" de José Mário Branco

Já lá vão 29 anos desde que este álbum foi editado. Pertinente, mordaz, inconveniente, irreverente e, infelizmente, actual, um decalque eterno do que sempre temos de "condenadamente" e politicamente viver.
Obrigado companheiro Cajó (do "gang" da ATM e do arame) por esta jóia que nos faz reflectir.

" Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o Mortimore do Meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attachi-case' sai a solução!

FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI

Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!

FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI Panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...

Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?
A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com os decassílabos que os senhores já vão ver o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio Rolão Preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?

FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marraças, Marraças, fora o arbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-Ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, zórpila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto".

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Portugal há muito que tem "Shoppingdependência"

«Natal à porta. A maioria das famílias portuguesas refugia-se nos centros comerciais e grandes superfícies. E não nos iludamos: este já não é um efeito sazonal, mas sim um sintoma mais profundo da falta de gestão do espaço público.

Não foi só o comércio, mas sim a vida das cidades que parece ter-se deslocado definitivamente das ruas para o interior dos centros comerciais. Afinal, estes propiciam-nos a qualidade de vivência que em tempos caracterizava os núcleos urbanos. O verdadeiro centro cívico e cultural das cidades transferiu-se para os shoppings.

Nos centros comerciais, o acesso é normalmente fácil e o estacionamento quase sempre gratuito. No seu interior, a limpeza é regra. Ao abrigo de qualquer intempérie meteorológica, circula-se confortavelmente e em segurança. Há acessos para pessoas com mobilidade reduzida e carrinhos de bebé. Os pequenos problemas que as famílias enfrentam, como a necessidade dum espaço para mudar fraldas ou levar miúdos à casa de banho, estão perfeitamente acautelados. Juntemos a isto a possibilidade de almoçar e jantar em conta, ou ainda assistir a um filme de estreia. Só aqui vemos implementado um novo conceito de centro cívico urbano.

Na outra face da moeda, temos as baixas das cidades, a que não se acede facilmente, onde o trânsito é habitualmente caótico. O estacionamento é inexistente ou caríssimo. As ruas e passeios estão em péssimo estado, fruto duma crónica ausência de manutenção e conservação. Os idosos correm perigo permanente de tropeçar num qualquer buraco. A via pública está imunda, resultado duma limpeza urbana ineficaz. Somos permanentemente abordados por arrumadores de automóveis e pedintes. Se um miúdo necessita de ir à casa de banho, está sujeito à fila interminável do café ou a ter de pagar o acesso a um desses "wc" tipo nave espacial. A oferta cultural é escassa, não há cinemas, os concertos e espectáculos são raros e têm quase sempre pendor elitista. Não nos admiremos, pois, pelo facto de os centros urbanos estarem em processo de morte lenta e o comércio tradicional em estado comatoso.

Enquanto isto, os representantes do comércio tradicional limitam-se a reclamar contra os centros comerciais. Atiram ao alvo errado. Mais do que tentar impedir o sucesso dos centros comerciais, deveriam era copiar a receita desse êxito. E queixar-se, em primeiro lugar, das câmaras municipais que se revelam incompetentes na gestão do espaço público.»

Paulo Morais
[in Jornal de Notícias, 10.12.2008]

Última batalha dos anarquistas




Algo acontece na Grécia. Talvez a ultima batalha dos anarquistas. Eu pensei que já tinha visto, em Cáceres, 1989.


terça-feira, dezembro 09, 2008

“The Man Who Can’t Be Moved”

Por estos días he descubierto una banda (por los vistos está muy de moda) llamada “The Script”. Estaba yo sentado, comiendo mi placentera pizza (en la pizzería de Giovanni), cuando en MTV empezó a sonar “The Man Who Can’t Be Moved”. El clip no está mal, tiene alguna belleza visual y una estética curiosa (nada del otro jueves), pero lo que más me gustó fue el concepto de un hombre que no se puede mover, que está preso a una pasión y que los demás lo confunden con un indigente, un mendigo, simplemente porque no le entienden.

El otro día, estábamos, un amigo y yo, “filosofando” sobre nuestro lugar en el mundo y, de hecho, muchos de nosotros no nos podemos mover, cambiar, por motivos que nos sobran, sean ellos religiosos, políticos, sociales, amorosos, o, el más común de todos, por ese opio de la humanidad, según mi mundovisión, que es la pereza de espíritu.

Os invito a escuchar esta canción…

“Going back to the corner where I first saw you,
Gonna camp in my sleeping bag I'm not gonna move,
Got some words on cardboard got your picture in my hand,
Saying if you see this girl can you tell her where I am,
Some try to hand me money, oh but they don't understand,
I'm not...broke I'm just a broken hearted man,
I know it makes no sense, but what else can I do,
How can I move on when I've been in love with you...

Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth can I be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.

So I'm not moving...
Said I'm not moving”.

Cazador Blanco, Corazón Negro


Peculiar y brillante historia, basada en la novela de Peter Viertel, sobre el rodaje del clásico de John Huston "La Reina de África". Las obsesiones de un director que viaja a África para encontrar los exteriores de su película (o mejor, cazar el elefante) son el motor de esta efectiva e inteligente producción que Eastwood dirigió en el año 1990.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

La raya en mí

Mi patria es una raya dividida por dos mundos que ya no comprendo, que, sin pensar, vivo. Respiro aires que otros no quieren respirar y desabrocho una flor sin sentido en rocas de "saudade". Las coplas de mi fado, los villancicos de mis canticos de "Natal", mi cultural genética raramente hibrida que automáticamente tatúa, topografía un cuerpo de olvido, son mis firmas en esta dualidad en que no quiero tener patria, no quiero tener lengua… mismo que ame, hasta siempre, mi comandante Pessoa, mientras caminando hago mi camino.

El claustro de la democracia

La democracia es una cosa muy fácil de maniobrar, por eso, cómo decía Churchill, es imperfecta pero de todas las opciones la mejor.

Hoy presencié, en mi mundo laboral, que lo que es inconveniente, mejor que votarlo, es olvidarlo. Eso pasa cuando negamos a otros grupos, mal vistos en un contexto democrático, la oportunidad de participar con sus ideas en la dinámica democrática. Personalmente veo aquí un contrasentido. Si a un grupo extremista, que rechaza la libertad de expresión y puntos de vista de los demás, no le permitimos exponer sus dogmas y doctrina con la libertad de expresión que preconiza el imperfecto concepto de democracia, estamos dandole más importancia de lo que, en realidad, puede tener. La democracia pierde su moral libertaria, su igualdad de oportunidades, y se enfrenta a su mayor debilidad, su imperfección (que, amigos míos, esconde mucho abuso de poder).

La culpa es de todos que dejamos que se tomen estas decisiones sin contestar. Yo incluido, hoy particularmente, que no supe (es decir, fue más cómodo mantenerme calladito), de manera asertiva, decir que todos los puntos de vista, por más imbéciles que sean o que tengan por base principios arriesgados y de índole poco democrática, son dignos de una votación, de un escrutinio. Uno después de analizarlo tiene, sí, la libertad de decir: “!Esto es una gilipollez, que barbaridad, voy a votar en contra!”. Si no es así, no veo gran diferencia entre democracia y dictadura. En fin, desahogos de un final de tarde frío y solitario en el que tengo la libertad de escribir en nuestro blog la mayor tontería del mundo. Menos mal que podéis borrarme de la pantalla y mandarme, a mí y a mis opiniones, al carajo.

Falta de inspiração ou doce inocência


Em diversas conversas de café já surgiu o assunto sobre a nova musica de André Sardet.
Algumas pessoas acham que foi um simples momentos de total falta de inspiração; outras olham-na como um hino à inocência e ingenuidade.
Aqui fica a letra, assim cada um pode formular a sua opinião.


Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas não sei o que escrever ,sinto as pernas a tremer quando sorris para mim, quando deixo de te ver...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.


Gosto de ti desde aqui até à lua,

Gosto de ti, desde a Lua até aqui.

Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom viver assim...


Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como te hei-de contar, até já fiz um avião com um papel azul, mas voou da minha mão...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.


Gosto de ti desde aqui até à lua,

Gosto de ti, desde a Lua até aqui.

Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom viver assim...


Quantas vezes parei à tua porta, quantas vezes nem olhaste para mi, quantas vezes eu pedi que adivinhasses, o quanto eu gosto de ti.

Gosto de ti desde aqui até à lua,Gosto de ti, desde a Lua até aqui.Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom viver assim...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

"É Isso Aí "

A composição é de Damien Rice, a versão de Ana Carolina (bem acompanhada por Seu Jorge) e a intenção de partilhá-la com quem precisa, neste momento, é minha. Não podemos deixar de olhar uns pelos outros pois a vida continua, só que, talvez, infinitamente mais vazia.

"É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar"

Portadas con historia

Con todo lo controvertido que es el tema, el apóstol Santiago es parte evidente de la cultura religiosa europea. Tiene mucho de heroico (un heroísmo “matamoros” actualmente políticamente incorrecto) y me gusta descubrir libros olvidados por el polvo del tiempo, como este, por ejemplo.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Un aula olvidada en el tiempo

Esta foto la saqué en Membrio, en una exposición de material escolar de otros tiempos. Actualmente, con toda la tecnología disponible, nos olvidamos que la labor de un docente es algo fundamental para el desarrollo total de un ser humano. Pena que el primer material escolar de nuestros alumnos ya no tiene la misma importancia que el material de otras generaciones. En esta exposición, sencillita, simple, diría mismo humilde pero rica en intención, pudimos ver el cariño que sus dueños tienen (y probablemente tenían) por su material que, quizás, les proporcionó nuevas oportunidades y una mejoría sustancial en su vida.

Yo recuerdo unos cuantos libros (que todavía guardo con afecto y cariño), libros eses que, igual que una escalera, me posibilitaran ascender un poco en la gran subida da la vida y del conocimiento. Aún podemos cambiar nuestra actitud delante de este tipo de desprecio por todo lo que abarca el mundo escolar. En tiempos de crisis, la escuela es el más democrático medio de mejoría social, de ascenso laboral y de igual oportunidades para todos. Quizás tengamos que estar más seguros de nosotros, de nuestra labor, de que hay que llamar las cosas por los nombres (que utilizar más los eufemismos en la literatura y no en las escuelas y centros para cuestiones tan simples que en la vida real no pueden, y no son “eufemizadas”), de que formar y educar es un derecho que incluye deberes obvios… mucho podríamos disertar sobre el tema, pero lo importante es recordar que hoy, más que nunca, tenemos la oportunidad de volver a utilizar la enseñanza como el más oportuno y justo medio de inversión en un futuro mejor…

Desde la pintura rupestre, la tiza y la pizarra, el cañón y el ordenador, hasta las plataformas on-line, educar, enseñar necesita, siempre, de la buena voluntad del que enseña y del que aprende… todo el resto son meros accesorios.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Filosofía callejera de influencia ecologista…

"A Nossa Senhora da Moda"

Está na ordem do debate laico, principalmente em Espanha, a urgente e tardia retirada de elementos religiosos de instituições públicas como, por exemplo, as escolas e institutos. É claro que esta postura típica do estado laico, independente de pressões de instituições com um estado próprio dentro da cidade de Roma, está a azedar a boca a muita gente que não consegue separar as crenças religiosas do que é da esfera pública e estatal.
Não nego as minhas crenças religiosas, pois tenho-as e vivo-as como bem entendo, mas não tenho que impor o meu credo a ninguém que partilha os mesmos espaços que eu. Enfim, isto daria para uma longa dissertação e a única coisa que aqui quero salientar é, unicamente, mais um aspecto mundano que tanto gosto de tentar "imortalizar" aqui nos "senderos"... reparem nesta fotografia (de má qualidade) que tirei numa loja de roupa na cidade de Leiria. Isto sim é o futuro dos ícones religiosos, uma "Nª Sr.ª da Moda" prateada e bem acompanhada por dois espampanantes pares de botas. O Vaticano é que ainda não se apercebeu disto! Será que também termos o laicismo nas lojas? Ou simplesmente vamos entrar na onda do "Jesus is your pal!" como no filme "Dogma"? Pelo menos as imagens serão um pouco mais apelativas e não deixarão traumatizadas as crianças que vão à catequese...
Não sei se fiquei traumatizado, mas que tinha um "cagufe" que me pelava de uns quantos "Cristos" lá das igrejas da cidade onde nasci, isso sim tinha!

O "Minipreço" não sabe a regra da contracção da preposição "a" com o artigo definido feminino singular "a" que origina "à"...

O "Minipreço" não sabe a regra da contracção da preposição "a" com o artigo definido feminino singular "a" que origina "à"...
Aqui temos o exemplo flagrante num cartaz mesmo à entrada de uma das suas lojas.
Qual acordo ortográfico? Todos os dias "esfaqueamos" a língua portuguesa e nem sequer nos damos conta...
Deviam haver multas para erros ortográficos em publicidade, principalmente a de "outdoors"...

terça-feira, novembro 25, 2008

Clint Eastwood se despide de su carrera como actor... ¡Qué pena!

Según la prensa dedicada al mundo del cine, "El Gran Torino" será la última película en que Clint Eastwood saldrá como actor... Esperemos que siga, como nos acostumbró, haciendo películas (como director) que son fundamentales para la historia del séptimo arte.

“El Gran Torino” es una historia de un veterano de la guerra de Corea lleno de perjuicios, algo que, después de sesenta y seis películas como actor interpretando múltiples personajes (desde “Dirty Harry”, Will Munny, Robert Kincaid hasta Frankie Dunn…), seguramente será un trabajo bien hecho. Por los vistos va a ser la última vez que disfrutaremos de Eastwood como intérprete y, seguro, que lo echaremos de menos en una industria dónde un “Hombre sin Nombre” ya no tiene la misma libertad creativa de antes…


segunda-feira, novembro 24, 2008

Lo que por aquí se va escuchando…

Francis Ford Coppola dirigió esta película en el año de 1984, hace ya dos décadas, con un jovencito Richard Gere y con su sobrino, para quién no lo sabe, Nicholas Cage. El ambiente nos recuerda los locos años 20 del siglo XX y la música, para mí una banda sonora genial, de John Barry nos acompaña durante toda la película. Un film de calidad, buena música, y un buen recuerdo de la historia del cine hecho en los años ochenta.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Reportagem TSF - «Dari - Um Primata Como nós»


A reportagem seguiu o trabalho de uma equipa de cientistas portugueses, que há vários anos estuda os chimpanzés das matas da Guiné-Bissau. O repórter Carlos Vaz Marques acompanhou o quotidiano das caminhadas pelo mato, da recolha de vestígios, das conversas com os habitantes das tabancas e testemunhou, guardando o registo sonoro do momento raro, o encontro com um grupo de chimpanzés.
O “Prémio Fundação Ilídio Pinho”, criado há dois anos em parceria com o Sindicato dos Jornalistas, pretende distinguir o mérito e a excelência na área do Jornalismo Científico e tem um valor de 50 mil euros.
A TSF é totalista nas duas edições do galardão. Na estreia, o vencedor foi o jornalista José Milheiro com o trabalho “Selecção de Esperanças”, que contou com a sonoplastia de Luís Borges e João Félix Pereira.

Desta forma a TSF confirma-se como uma rádio de referência no panorama nacional, onde os serviços informativos, o desporto e a cultura se encontram ao serviço de todos.

Fica um sincero "parabens", e o voto de continuação deste trabalho de excelência com que tomos sido brindados.

quinta-feira, novembro 20, 2008

É tão fácil deixarmos de acreditar no ser humano... ainda bem que existem "Temporais" e "Cercis"...

Quando temos uma profissão em que, dia-a-dia, trabalhemos com seres humanos (e não só), por vezes, é fácil deixarmos de acreditar na capacidade que a humanidade tem de fazer com que o mundo avance. É verdade, amigos, nos últimos tempos, apesar de ser um utópico e recusar-me deixar o sonho morrer na minha vida, tenho estado um pouco desmotivado com a humanidade que me rodeia... No entanto, inserida num projecto com organizei com colegas meus de profissão, pude assistir, há uma semana, à actuação do projecto do grupo de teatro "Temporal" com a "Cerci Diana". Apesar da improvisação, do ambiente informal em que nos encontrávamos, não pude deixar de assistir à beleza de um projecto de integração, pleno, jovem, humano... a voz ficara-me embargada, não consegui disfarçar, e essa manifestação trouxe-me, outra vez, para mais perto dos meus semelhantes...
As fotografias ficam muito atrás do que ali vivemos e não são dignas de tão belo momento.
Obrigado "Temporal" e "Cerci Diana"...