Um dos hábitos enraizados na nossa cultura é a gorjeta.
Vamos jantar fora em grupo, numa noite de copos e no final arredonda-se a conta e fica a groja.
Vamos jantar fora com a família, não queremos passar por “pelintras” e lá fica mais uma moeda ou duas.
Pior, se vamos jantar com uma moça e queremos impressionar até podemos deixar mais de groja que de jantar que não faz mal.
Confesso que não tenho o hábito de deixar grojeta, mas por vezes deveria. Outras, ainda bem que não deixo.
Para quem trabalha na restauração é sempre um dinheiro bem-vindo, livre de impostos que ajuda no dia-a-dia.
Mas deveria ser um prémio ou agradecimento quando nos é prestado um bom serviço.
No último fim-de-semana fui jantar com a minha cara metade. O restaurante é agradável, um espaço grande onde se come bem mas sem grandes requintes. È na verdade uma cervejaria com marisco e uns pratos que não sendo baratos, não são caros.
Ora o senhor que nos atendeu, não foi particularmente atencioso, até porque na mesa ao lado se encontrava um grupo de franceses com quem este confraternizou enquanto nos servia. Jantámos, pedimos a conta e surge este diálogo enquanto o Sr. Surge com a máquina de multibanco:
EU – Ora quanto é por favor?
Sr. – 35, 55. Posso Arredondar?
EU – Ok. Para 36.
Eis então que vou para carregar o botão de OK e vejo: 40.00
EU – Desculpe, mas não falei em 40 Euros. (mas ca ganda lata a deste gajo! – pensei eu)
Sr. – Quer arredonde para quanto?
E eu deveria ter respondido: não arredonde ou arredonde para 35. Mas a surpresa e talvez o embaraço deixaram-me com apenas uma reacção:
Arredonde para 36!
Não, não acho que este senhor merecesse groja. Por isso fica prometido: Vou ter mais atenção ao serviço que me prestam e não compensarei ninguém sem que mereça! Está Prometido!!!