Étienne de la Boétie
sexta-feira, março 22, 2013
Un pueblo se esclaviza, se degüella a sí mismo cuando, ante la opción de ser vasallo u hombre libre, deserta de sus libertades y se unge al yugo, consciente de su propia miseria o, cabría decir, parece darle la bienvenida. [...] No os pido que pongáis las manos sobre el tirano para derribarlo, sino simplemente que dejéis de sustentarle. Entonces le veréis, como un gran Coloso al que retiran su pedestal, caer desde sus propias alturas y hacerse pedazos.
Étienne de la Boétie
Étienne de la Boétie
terça-feira, março 19, 2013
"Runaways" - The Killers
Blonde hair blowing in the summer wind
A blue-eyed girl playing in the sand
I've been on a trail for a little while
But that was the night that she broke down and held my hand
The teenage rush, she said:
Ain't we all just runaways? We got time
But that ain't much
We can't wait 'till tomorrow
You gotta know that this is real, baby
Why you wanna fight it?
It's the one thing you can't do
We got engaged on a friday night
I swore on the head of our unborn child
That I could take care of the three of us
But I got the tendency to slip when the nights get wild
It's in my blood
She said she might just runaway to somewhere else, some place good
We can't wait 'till tomorrow
You gotta know that this is real, baby
Why you wanna fight it?
It's the one thing you can't do
Let's take a chance, baby, we can't loose
Ain't we all just runaways?
I knew it when I met you
I'm not gonna let you runaway
I knew it when I held you
I wasn't letting go
We used to look at the stars and confess our dreams
Hold each other 'till the morning light
We used to laugh now we only fight
Baby, are you lonesome now?
At night I come home after they go to sleep
Like a stumbling ghost, i haunt this house
There's a picture of us on our wedding day
I recognize the proof but I can't settle in this walls
We can't wait 'till tomorrow
Now we're caught up in the appeal
Baby, why you wanna hide it?
It's the last thing on my mind
I turn the engine over and my body just comes alive
Ain't we all just runaways
I knew it when I met you
I'm not gonna let you runaway
I knew it when I held you
I wasn't letting go
Ain't we all just runaways?
domingo, março 17, 2013
"O Armário" de Manuel Alegre (Em momentos como este, penso como seria ter este poeta como presidente do povo português? Pelo menos palavras teria. Já seria alguma coisa.)
Quando abrires o armário tem cuidado
mais que versos falhados cartões melancolia
pode sair de repente o que não esperas
aquela cujo sol de um outro tempo
quando olha para ti ainda te mata.
Por isso tem cuidado: não abras as gavetas
talvez Deus esteja escondido
ao lado do retrato da primeira comunhão.
Não abras: pode soltar-se
o espírito
podem sair os mortos todos
as bruxas o diabo as cartas o destino
e aquela parte da tua vida que não cabe
não cabe em nenhum verso.
E se o bafo soprar?
Não abras
não abras as gavetas.
Pode sair a tua guerra
os aerogramas
as cartas escritas da cadeia
o amor o tempo as emboscadas
as longas noites de interrogatório
e também os duzentos metros livres
uma tarde de glória na Praia das Maçãs.
Este no pódio és tu.
Não queiras ver.
O que passou passou e não passou.
Deixa ficar o sol fechado no armário
o sol e a vida
não só poemas cadernos e retratos
mas também lâminas um pincel de barba
um pente
os pequenos nadas do teu quotidiano
antes do salto.
Tão inúteis agora.
Ninguém regressa à vida interrompida
mesmo que por dentro do armário
bata por vezes um coração.
Tem cuidado ao abri-lo.
Pode sair o que nunca imaginaste
um pedaço de Deus em papéis velhos
uma foto esmaecida
um amor rasgado
sabe-se lá o quê.
Alguém que não conheces
alguém que não sabes quem
alguém que aponta o teu retrato
e de repente diz: Ninguém.
La sombra de la mariquita del Puente de Coria
En un puente sobre ningún río y que la historia hizo perder la necesidad de unir (sea lo que sea), me he cruzado con esta mariquita, diminuta, pequeña, sin ser microscópica, pero que me enseñó que la naturaleza de la sombra... ni que haga falta usar un objetivo macro.
"Tu Bebito", El embarazo, paso a paso... (Para los que está pensando ser papás) - Miguel Brieva
Una vez más, cortesía de nuestro buen amigo Pedro L. Cuadrado. !Qué ojo tienes para estas cosas hombre!
Bifanas (de Vendas Novas) e Francesinhas (à moda do Porto) no curso REALCE B2 de Língua e Cultura Portuguesa de Valencia de Alcántara
E assim foi, no dia 16 de março, que o grupo do curso REALCE B2 (promovido pelo CPR de Brozas) e alguns amigos do IES Loustau-Valverde de Valencia de Alcántara participaram na aula prática de “Comida Rápida” portuguesa.
Após uma “Viagem pela Gastronomia Portuguesa”, antecedida pela “Voz” da poesia lusófona, o grupo pôs mão à obra e confeccionou umas belíssimas “Bifanas” (de Vendas Novas) e umas contundentes “Francesinhas” à moda do Porto. Este sabor típico de Portugal foi trazido na teoria pelo professor do curso, mas a prática só foi possível graças à presença de Elsa Lopes que, com o seu “jeitinho para a cozinha”, foi a grande responsável pela transmissão destes conhecimentos.
Mas a confecção por parte do grupo foi digna destas iguarias típicas que conheceram solo “extremeño”, num ambiente que já é tradição em Valencia de Alcántara.
Sem dúvida, uma actividade que valeu a pena! Por tudo! Quando se está entre amigos já se sabe!
Foto do jornal Público: "Garrett McNamara na Nazaré 2013"
A maior onda jamais surfada... "A fucking tsunami... under the board". "Right here" na terra das varinas de 7 saias...
sexta-feira, março 15, 2013
"E Tudo Era Possível" - Ruy BELO
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.
Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer
Só sei que tinha o poder de uma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só dizer
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.
Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer
Só sei que tinha o poder de uma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só dizer
quarta-feira, março 13, 2013
Conclave dos Segredos
Seguindo com muita atenção o Conclave dos Segredos
uma outra forma de fazer um Conclave :)
Habemus Papam (10 MESSIas)
Vários séculos não foram nada.
Com artes de Mouro (que opta pelo diminutivo) devoto de futebol, nada de fado, e Fátima.
E Deus? De que lado está Deus?
Por amor de Deus!
Todos sabemos que é brasileiro.
Gardel fuma um cigarro vestido de branco e
Dançam, negros, tango em bons ares.
Comungam
Na praça, no estádio mais humano que nunca,
Finta os flashs
Finta os flashs
Uma sotaina de sorteio de liga de campeões,
Alva, alva, cómoda (ou não?) busca
um hat-trick domingueiro de terços e dezenas,
De cálices últimos e de ceias primeiras
(de Cardeais e Júlio Dantas)…
cruzes no totobola
(1X2)
MESSIas da cantera da companhia de J.C.,
Da “masia” de Loyola,
O 10 do Futebol Clube Vaticano saiu do banco do conclave,
O santo árbitro levanta letras led e Francisco I entra, benzendo-se (corretamente),
em nome do seu pai,
do filho do pai,
e do espírito do pai
nas quatro linhas.
Poliglota sem aquecimento prévio. Vogais à trave, consoantes
fora…
Remontará esta segunda parte da grande partida da
cristandade?
Do outro lado do campo, ortodoxo, musculado, rígido, tem um Cristiano.Com artes de Mouro (que opta pelo diminutivo) devoto de futebol, nada de fado, e Fátima.
E Deus? De que lado está Deus?
Por amor de Deus!
Todos sabemos que é brasileiro.
Sierra de Gata, nevada, a lo lejos... mientras la catedral de Coria la contempla, no olvidando su estatuto de diócesis
Hace dos semanas, el frío se hacía evidente en el blanco manto que cubría la sierra de Gata.
El paisaje se congeló dentro de mi camera.
El paisaje se congeló dentro de mi camera.
Stop, mirar siempre a ambos lados
No te distraigas.
Como decía mi tío:
"Mientras miras, muchas veces, simplemente, no ves".
Lo quiero recordar así, pero la realidad de su expresión era:
"Mira, mira, quanto mais miras menos vê!"
Era un tío grande. Lo echo de menos...
Como decía mi tío:
"Mientras miras, muchas veces, simplemente, no ves".
Lo quiero recordar así, pero la realidad de su expresión era:
"Mira, mira, quanto mais miras menos vê!"
Era un tío grande. Lo echo de menos...
terça-feira, março 12, 2013
domingo, março 10, 2013
O Sol - Gonçalo M. Tavares
Na infância o sol era um companheiro mais alto,
Que aparecera primeiro no campo de futebol, e aí, parado,
Guardava as costas da baliza e a erva que se tornava quente.
Como se o sol fosse de facto um instrumento de cozinha,
Aperfeiçoado, antigo, mas instrumento, matéria
Que os meninos agarravam com os dedos e cuja
Intensidade podiam por vontade própria regular.
Por exemplo: quando a luz era excessiva
Os dedos protegiam os olhos. Outras vezes
O corpo parecia a conclusão
Natural, instintiva, do calor que vinha de cima:
Recebíamos o sol como o ponto final recebe
Uma frase. Fazia mais sol quando eu tinha seis anos
(quem o fazia?) ou com o tempo e o tédio
Me fui distraindo?
(Cortesía de nuesto Pedro. Precioso, simplemente precioso).
sábado, março 09, 2013
Sonhará com um bom osso?
sexta-feira, março 08, 2013
“Seishin no furusato” – La aldea natal de nuestro espíritu (dedicado a mi hermano José A. Santiago)
La aldea natal de nuestro espíritu
Está
poblada por los que preferimos.
No
es a cualquiera que abrimos las puertas de nuestro ser.
(En un día que no podremos olvidar, apenas nos
quedaremos con la certeza que la corriente violenta del río mata. Pero que el
agua restituye vida como fuente, matando la sed, una especie de hidratación
esencial, hasta el día en lo cual todo se secará.
¿Cuándo será?
Nos sobra recordar que hoy no ha
sido).
quinta-feira, março 07, 2013
En 127 por los "Tebeos"
Efectivamente un "TBO" extra, clásico de los cómics y en 4 ruedas clásicas, da igual si Fiat o Seat, en la época era todo lo mismo.
Esta portada fue cortesía del autor "Gol" a quien mucho agradezco por haberla compartido conmigo.
Un fuerte abrazo.
quarta-feira, março 06, 2013
"Intenções cansadas e dias longos nada significam. As palavras sim", António Orla
Intenções cansadas e dias longos nada significam. As
palavras sim.
Torpes , ininteligíveis para que tudo se sinta enquanto me sento,
Em reflexos vazios, vida em piloto automático e tu.
Longe de mim.
A colcha (idosa) de pensão pensionista emana odores
solitários, a velho. "Demodé" até no olfato. Cruel é o tempo que não
poupa os sentidos. E tu. Longe de mim.
Um vivo-morto.
Naiorobi, "águas frias" arrefecem memórias de
África.
Em palavras.
Ultramares que não combati,
que
assisti sem existir, em ti, obrigado. Destino?
O meu presente preserva os modos e tempos, da
perfectividade simples à conjuntividade composta, herdando solidão como
condição. E tu. Continuarás a existir, obrigado.
Em e longe de mim.
António Orla. Quénia, algures, provavelmente no aeroporto, em 1988.
"A grande Inteligência é sobreviver" - Gonçalo M. Tavares
A grande Inteligência é sobreviver.
As tartarugas portanto não são teimosas nem lentas, dominam;
SIM, a ciência.
Toda a tecnologia é quase inútil e estúpida,
porque a artesanal tartaruga,
a espontânea TARTARUGA,
permanece sobre a terra mais anos que o homem.
Portanto,
como a grande inteligência é sobreviver,
a tartaruga é Filósofa e Laboratório,
e o Homem que já foi Rei da criação
não passa, afinal, de um crustáceo FALSO,
um lavagante pedante;
um animal de cabeça dura. Ponto.
Gonçalo M. Tavares, in "Investigações. Novalis"
As tartarugas portanto não são teimosas nem lentas, dominam;
SIM, a ciência.
Toda a tecnologia é quase inútil e estúpida,
porque a artesanal tartaruga,
a espontânea TARTARUGA,
permanece sobre a terra mais anos que o homem.
Portanto,
como a grande inteligência é sobreviver,
a tartaruga é Filósofa e Laboratório,
e o Homem que já foi Rei da criação
não passa, afinal, de um crustáceo FALSO,
um lavagante pedante;
um animal de cabeça dura. Ponto.
Gonçalo M. Tavares, in "Investigações. Novalis"
terça-feira, março 05, 2013
A propósito das palavras de Cortázar: "O século que perdeu o espaço" de Gonçalo M. Tavares

Estou a começar a interessar-me pelas palavras deste jovem (mas com mais que provas dadas!) escritor português Gonçalo M. Tavares que em breve estará em Badajoz. Esta é a sua mais recente crónica, publicada na revista "Visão" da atual semana. Vem mesmo a propósito do texto proposto pelo nosso amigo José Antonio.
segunda-feira, março 04, 2013
José A. Santiago - Anfitrión o la Maldad del Don
Anfitrión o la maldad del don
Amphitryon or the evil gift
JOSÉ ANTONIO SANTIAGO SÁNCHEZ*
Fecha de recepción: 08/ 09/ 2012. Fecha de aceptación: 14/ 10/ 2012.
* Doctor en Filosofía. Universidad Complutense (Madrid) litodav@terra.es
Abstract: The myth of Amphitryon is used here in order to sum up the social roles between host and guest and the moral debt it could carry as well. It also put on the dialectic between public and private realm.
Keywords: Gift, public, private, moral debt, host, guest.
Resumen: En este artículo se utiliza el mito y la figura de Anfitrión para analizar el juego situacional entre los roles antitéticos, pero también complementarios, del anfitrión y el invitado, así como la dialéctica entre lo privado y lo público. Por último, el mito da pie para analizar el complejo papel de la deuda moral en dicha interactuación.
Palabras clave: Don, público, privado, deuda moral, anfitrión, invitado
http://revistas.um.es/daimon/article/view/157811/145761
Piensa en esto: cuando te regalan un reloj te regalan un pequeño infierno florido, una cadena
de rosas, un calabozo de aire. No te dan solamente el reloj, que los cumplas muy felices y
esperamos que te dure porque es de buena marca, suizo con áncora de rubíes; no te regalan
solamente ese menudo picapedrero que te atarás a la muñeca y pasearás contigo. Te regalan
—no lo saben, lo terrible es que no lo saben—, te regalan un nuevo pedazo frágil y precario
de ti mismo, algo que es tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que atar a tu cuerpo con su correa
como un bracito desesperado colgándose de tu muñeca. Te regalan la necesidad de darle cuerda
todos los días, la obligación de darle cuerda para que siga siendo un reloj; te regalan la obsesión
de atender a la hora exacta en las vitrinas de las joyerías, en el anuncio por la radio, en el
servicio telefónico. Te regalan el miedo de perderlo, de que te lo roben, de que se te caiga al
suelo y se rompa. Te regalan su marca, y la seguridad de que es una marca mejor que las otras,
te regalan la tendencia de comparar tu reloj con los demás relojes. No te regalan un reloj, tú
eres el regalado, a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj.
Julio Cortázar
"Carteiro em Bicicleta" - João Afonso
Como esta música me faz sentir bem! Apetece-me receber um
recado de amor da mão deste carteiro...
A última vez que a ouvi (com ouvidos de ouvir) íamos a
caminho de Cáceres, o meu bom amigo José Antonio e eu, lá a trauteámos e ficou a fazer
parte da banda sonora de mais uma conversa daquelas que reúnem a essência de
tudo e de nada.
Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
ter um pedaço de terra
fogo que salta ao braseiro
dormir no fundo da serra
quero ser um realejo
quero ser um realejo
ter um pedaço de terra
fogo que salta ao braseiro
dormir no fundo da serra
quero ser um realejo
Carteiro em bicicleta
leva recados de amor
vem o sono com a música
ao som do realejo
Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
ter um burro viola e cão
chamar a dança dos sapos
correr com a bola na mão
quero ser um realejo
Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
colher amêndoa em telhados
dar banana às andorinhas
dobrar o cabo do mundo
quero ser um realejo
Carteiro em bicicleta
leva recados de amor
vem o sono com a música
ao som do realejo
Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
ter um burro viola e cão
chamar a dança dos sapos
correr com a bola na mão
quero ser um realejo
Carteiro em bicicleta
leva recados de amor
vem o sono com a música
ao som do realejo
domingo, março 03, 2013
"Porcos Rua" (Manif. 2 de Março)
Não me identifico com insultos grosseiros, acho que nos
afastam do cerne dos problemas e levam-nos a debates mais virados para registos
de língua e não para a realidade que, queiramos vê-la ou não, nos levou a
insultar ou a ser vítima do insulto.
No caso de ontem, nas manifestações do movimento "Que
se lixe a Troika" foram evidentes os insultos com recurso ao melhor
vernáculo que o português nos disponibiliza.
Participei na manifestação com uma t-shirt (algo oculta,
devido ao frio, com um slogan em espanhol: "Educación pública, de todos
para todos..."), cantei (desafinado, devo reconhecer) a canção que muitos
"opinion makers" querem limitar a ideologias tidas como anacrónicas e
não lhe reconhecem um simples humanismo digno desse substantivo que se chama
fraternidade... Esses que a tornam tão redundante, num sentido mais lato também
a criticam pelo que ela preconiza, a livre expressão. Essa é a
"Grândola", a fraterna, a igualitária, a que tem os versos mais belos de
todos: "Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade"...
Por isso, por poder hoje escrever aqui as minhas palavras
vãs, que a história esquecerá, no dia dois de março desafinei, caminhando
alinhado, com mais de mil pessoas da terra que amo e que me ensinou a acreditar
na liberdade de expressão. A minha doce (e atualmente tão triste) Évora.
Antes de unir-me ao centro dos protestos, telefonei a um
amigo, daqueles” maiores que o pensamento”, cuja vida se vê parada por este
flagelo do desemprego e da voracidade da austeridade, para que pudéssemos
caminhar juntos em protesto e pelo futuro dos nossos filhos.
Na realidade, não
pensei que a sua disponibilidade o permitisse (de facto, não o permitia), mas
nunca pensei que discordasse desta iniciativa por uma questão de nome, de
"que se lixe", de o que isso significa. Isso, claro, entre outros
pontos de discordância que ele pensa pertinentes. Este telefonema amigo, fez-me
pensar, fez-me interpretar como não existe um sentimento gregário na minha
geração, como existia, por exemplo, na geração dos meus pais.
Não me vou armar em puritano, não falo bem. Recorro ao calão
com frequência para evidenciar desde o mais simples estado de espírito, à total
raiva e sentimento de não ser útil, de ter as mãos atadas, de fragilidade impotente… Não liguei
ao nome do movimento, nem ligo.
Para que se tenha uma estrutura que reúne 1 milhão de
cidadãos, num determinado dia e hora, a mostrar descontentamento, é sabido que
tem de haver uma máquina, por detrás, bem oleada por movimentos, associações,
partidos, mas neste caso, o mais determinante lubrificante é um
sentimento de mais de 1/10 da população de pura imoralidade. Quem não o vê é provável
que esteja cego ou tenha demasiadas dioptrias.
Para mim, debater o slogan é debater semântica… Como está o panorama (basta olhar
para a surdez de quem tem poder de decisão) não seria de estranhar que o
movimento se chamasse “Que se foda a Troika!”. Essa é que é a realidade!
Não quero ofender ninguém com palavras rudes, mas não admito
que me tirem o direito a ter esperança, que me vendam a empatia de se “pôr na
pele do outro” como um sentimento ideológico de um determinado partido, que por
acreditar na fraternidade e na igualdade de oportunidades sou como um “baladeiro”
de esquerda que apregoo “estalinismo” através de acordes sem mérito artístico,
que a utopia não existe, nem apresenta alternativas… não admito.
Hoje, voltei a casa. À minha outra pátria. Espanha. Aqui a
realidade linguística é mais pragmática e tem algarismos de duas dezenas de
gente no desemprego, por isso ninguém se ofende se se diz “Que se joda la
Troika”. A realidade cultural também é outra, no entanto a imoralidade e o
sentimento de impunidade latente é o mesmo, apresentem-se ou não se apresentem
propostas…
Mas prefiro que critiquem o meu vernáculo, que ausência de
propostas: Que se sinta empatia, que seja obrigatório entendê-la e estimulá-la
(é pá, púnhamo-la na constituição!). Entenda-se que não se insulta, neste presente imediato, porque o povo português é um colectivo mal-educado (talvez o sejamos,
mas não agora!). Que não se escravize o futuro e que se apreenda por que motivo
1/10 da população portuguesa quer que tudo isto se lixe! Pouco já se tem a
perder… a realidade atesta-o.
Remeto este sábio excerto de Miguel de Unamuno, um ilustre escritor espanhol que entendia perfeitamente a essência
do povo português, para quem crítica as suas maneiras e vocabulário actual: “A
brandura, a meiguice portuguesa não está senão à superfície; raspai-a e
encontrareis uma violência plebeia que chegará a assustar-vos. A brandura é uma
máscara”. Dá que pensar? Não dá?
Lisboa, ontem, dia 2 de março
Temáticas:
Artes Plásticas,
Cidadania,
Pontos de Vista,
Portugal
terça-feira, fevereiro 26, 2013
O Jornal "Oikos Logos" do grupo ambientalista "Raiva Verde"

Estávamos no
ano da graça de 1997 e, com uma "Escola Viva" como a Gabriel Pereira
(melhor "Industrial"), dávamos os nossos primeiros passos em
actividades de consciência cívica e ecológica. Assim nasceu o pseudogrupo
"Raiva Verde" (de raivosos não tínhamos nada!) pela mão da turma A de
Humanidades e do professor Manuel Piçarra.
Seguramente
incongruentes (aqui escrevi os meus primeiros artigos em papel, note-se
reciclado), inconscientes da imaturidade dos “teens”, atrevemo-nos a pensar e a
levar as nossas inquietudes ao papel e à realidade. A consequência disso:
crescemos e acredito que, a maioria dos envolvidos, valorizam a sua
participação em projectos tão efémeros quanto possíveis.
Esta é uma
escola pública digna que formava (e forma) gente a pensar no presente e no
futuro. Eu e os meus colegas tivemos esse direito e estes exemplos são uma
forma de lutar para que os nossos filhos possam também atrever-se a pensar e, apesar
de saberem que não somos todos iguais, todos deveremos de ter as mesmas
oportunidades.
Mundo Motorizado (há 40 anos!)
A revista "Mundo Motorizado" de 22 de janeiro de
1973 (um ano antes do 25 de abril), no final da ditadura já circulavam por aí
estas grandes máquinas (cito: Fiat 127)! Pena que não disponho do original para
dar uma vista de olhos… A capa, a circular na internet, é digna de figurar para
a posterioridade!
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
domingo, fevereiro 24, 2013
Um sonho/Un sueño
Cortesía de mi buen amigo José Manuel. Verdad que es escatológico, pero muchas cosas placenteras de la vida también lo son...
sábado, fevereiro 23, 2013
Segundo dos poemas de infância (Manuel da Fonseca)
Fotografía de Bill Henson
Segundo dos poemas de infância
Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
... Como nasci poeta,
devia ter sido muito antes que as mães se apercebecem disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.
Mas a história dos peitos, debaixo das blusas,
foi um grande mistério.
Tão grande
que eu corria até ao cansaço.
E jogava pedradas a coisas impossíveis de tocar,
como sejam os pássaros quando passam voando.
E desafiava,
sem razão aparente,
rapazes muito mais velhos e fortes!
E uma vez,
de cima de um telhado,
joguei uma pedrada tão certeira
que levou o chapéu do Senhor Administrador!
Em toda a vila,
se falou logo num caso de política;
o Senhor Administrador
mandou vir da cidade uma pistola,
que mostrava, nos cafés, a quem a queria ver;
e os do partido contrário
deixaram crescer o musgo nos telhados
com medo daquela raiva de tiros para o céu...
Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!
Manuel da Fonseca
(1911 - 1993)
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
domingo, fevereiro 17, 2013
I observe the mountain.
Haikus que o tempo olvidou (Enishi Yutui)
“As águas sorriem
despem-me as chamas
e a solidão da estepe toca-me os cabelos."
"Fulgurosa solitária companhia
Noites brancas de tertúlias
Completam a vida de quem a vazia tem."
"A flor de cerejeira cai.
Na neve também perecem
Camélias, doces, poéticas damas."
"Observo a montanha.
O nevoeiro encobre propositadamente
toda a sua divina magnitude".
despem-me as chamas
e a solidão da estepe toca-me os cabelos."
"Fulgurosa solitária companhia
Noites brancas de tertúlias
Completam a vida de quem a vazia tem."
"A flor de cerejeira cai.
Na neve também perecem
Camélias, doces, poéticas damas."
"Observo a montanha.
O nevoeiro encobre propositadamente
toda a sua divina magnitude".
Haikus escritos e vividos por Enishi Yutui aquando da sua
passagem pela estepe mongol, durante o conflito que opôs o Japão à Rússia no
início do século XX.
O autor morreu no pacífico, a bordo do couraçado da marinha de guerra japonesa “Yamato”. Foi oficial e correspondente de um jornal em Tóquio. Conheceu Corto Maltese, Jack Tippit e Rasputin. Morreu com pena de não os reencontrar e sem nunca publicar nada.
A sua filha doou o seu espólio a um templo Shintoísta depois da guerra. O noviço Oburu gravou alguns dos seus poemas nas paredes do templo. Ainda hoje podem ser vistos por aqueles a quem não passarem despercebidos.
O autor morreu no pacífico, a bordo do couraçado da marinha de guerra japonesa “Yamato”. Foi oficial e correspondente de um jornal em Tóquio. Conheceu Corto Maltese, Jack Tippit e Rasputin. Morreu com pena de não os reencontrar e sem nunca publicar nada.
A sua filha doou o seu espólio a um templo Shintoísta depois da guerra. O noviço Oburu gravou alguns dos seus poemas nas paredes do templo. Ainda hoje podem ser vistos por aqueles a quem não passarem despercebidos.
La pared. Nuestro horizonte.
En un día de horizonte limpio y soleado, en lo más alto mirador de la ciudad de Coria, me encuentro cuatro ancianas tomando el sol de espaldas para el paisaje turístico A lo mejor, para ellas su tierra, su día a día no tiene nada de turístico ni de interesante para activar (o reactivar) su curiosidad.
Poco hablaban. Tomaban el sol de espaldas, con la paja caliente de su sobrero de febrero sentado en una silla de playa.
Las saludé. Me contestaron el saludo en unisono educado. Fingí que fotografiaba el entorno, o no. Este era también mi entorno. Y desde el más alto del mirador me acerqué a ellas con el objetivo y me quedé también con su horizonte.
La pared.
En ese momento yo era el quinto anciano.
Solo se me había olvidado el sombrero de paja en casa...
La paloma que soñaba con unas gafas Ray-Ban...
La paloma que soñaba con unas gafas Ray-Ban...
No le vaya un mosquito fastidiar su vuelo a jacto...
(Muralla del Castillo de Coria, 2013)
No le vaya un mosquito fastidiar su vuelo a jacto...
(Muralla del Castillo de Coria, 2013)
Tejo's Mirror
El puente de Alcántara, en un día frío de febrero de 2013. De camino hacia Coria, una parada obligatoria para estirar las piernas y la mirada.
quarta-feira, fevereiro 13, 2013
In river of trouble water
In river of
trouble water
the stream
took my clothes of.
Then, I’ll
let you clean my soul,
while you heal my hounds.
Gently. In the water,
Where time doesn't knows what is
Past, present or future...
UN HOME - Manuel Rivas
Aprendeu a escribir no servicio militar.
A raia da súa sinatura
risca como unlla que suca o xeo
no parabrisas dun tractor.
Pono nervioso o teléfono,
ese estraño que entra sen chamar á porta,
con zapatos de cidade,
e que o can non cheira.
Falar fala moi pouco.
A vida comeulle as palabras
ao tempo que agrandaba as mans
Esas mans cavaron pozos e sostiveron tellados.
Nesas circunstancias cómpre ter a boca ben pechada.
Pero nin sequera así é capaz de ver matar o porco,
a única carne que lle gusta, mellor se está torrada.
O viño ten que ser barato,
e entón, cando o bebe en longos grolos,
penso que lle axuda a tragar
unha historia que xamais contará.
Cando mira o lume das achas na cheminea,
vai nun tren que atravesa a neve.
Colleríao da man, porque é o meu pai,
pero abráiano tanto as mostras de agarimo
como o aire dun lobo.
terça-feira, fevereiro 12, 2013
FRONTEIRA - Manuel Rivas
Un dos mozos portugueses levaba baixo o brazo
os zapatos novos.
Foi ese o que morreu eo tiro.
O garda puxo o xeonllo en terra e disparou.
Cando a nai cruzou a fronteira,
só os nenos estabamos alí.
Estendeu o mandil e arrepañou aterra ensanguentada.
Não quero que fique nada aqui.
segunda-feira, fevereiro 11, 2013
Os homens precisam de mimo
Sou um fã desta crónica semanal do João Miguel Tavares. E
posso dizer-vos que, apesar de não ter 3 filhos, o sou por empatia e por mérito
literário. Quantos homens modernos, melhor contemporâneos, não veem a sua
biografia nestas crónicas tão reais quanto humorísticas?
Posso incluir-me nesse grupo. Para tentar escrever estas
escassas linhas fui interrompido, no mínimo, 4 vezes pelo meu filhote que hoje ficou em casa a "trabalhar comigo":
1º Para me dizer que se ia pôr dentro da caixa amarela em
forma de autocarro. Isto confirmado com os brinquedos espalhados pelo chão
verde do tapete do autódromo do IKEA;
2º Quando me dei conta que estava outra vez sem pantufas e
que, com o frio que faz, amanhã já está para aí a fungar ou a tossir como é
costume;
3º A necessidade de mudar uma bomba de cocó Dodot, cujo efeito já
se estava a fazer sentir junto à mesa onde trabalho. As toalhitas sempre ajudam
no combate a esta "radiação", sem esquecer do velcro que isola a caca
no interior da fralda. Há que usá-lo sempre!
4º "Papá qué água!". A hidratação relembrada com o
copo na mão e um "qué mais!" que me leva à cozinha, mais uma vez e me
faz perder essa linha lógica tão útil num texto ou em qualquer trabalho dos que
costumo fazer...
Enfim, agora estou a olhar para ele e sei que já está
descalço outra vez. Ponto. Pausa. Levanto-me da cadeira. Sento-o no meu joelho.
Digo-lhe outra vez que não pode estar descalço. Beijo-o e aperto-o como se
fosse uma espécie de peluche anti-stress. Ri-se com essa cara de dois anos que
anda aos saltos tipo “xóxó”. Volto a sentar-me. Perdi o fio condutor outra vez.
Mas é nestas perdas de tempo, de sono (um gritante: “QUERO
DORMIR ATÉ AO MEIO-DIA – qualquer dia-!), de paciência, etc. que encontramos
outras coisas. E vale a pena. Mesmo que nos queixemos. É só para que nos
recordemos do nosso lugar no mundo neste presente.
JÁ ESTÁ OUTRA VEZ DESCALÇO!!!
domingo, fevereiro 10, 2013
Os segredos estão dentro de nós
Ontem, apesar de estar
"enganchadísimo" a este livro há mais de um mês (em que os meus
momentos de silêncio e escuridão iluminada pelo patrocínio, pago por mim, da
"Petzl" -não se desperte o menino "Jacques"!-), folheei com
atenção a última página do livro "Dentro do Segredo" do José Luís
Peixoto.
Esta obra, de acordo com quem vende os livros, é a primeira incursão do José Luís (que é meu amigo sem o
saber e não é preciso facebook, sinto isso). Sinceramente, não estou de acordo
com isso. Sempre houve viagens nas palavras do meu amigo das Galveias. É redundante
e rotulador dizer isso às palavras deste alentejano que decidiu ir até
dentro do regime mais cerrado da actualidade. A Coreia do Norte.
Não foi a surfar tipo James Bond.
Foi por curiosidade própria numa das poucas aberturas do regime dos "Kims"
ao que mais se pode assemelhar ao conceito de turismo. Mesmo que seja de
propaganda.
Dessa viagem retive um parágrafo
abertamente hermético que sublinhei com a memória e que quero gravar com bytes e
bites de copista neste pergaminho digital:
“Os segredos estão dentro de nós.
Como tudo o que sabemos, também os segredos nos constituem. Também os segredos
são aquilo que somos. Quando os seguramos, quando somos mais fortes e os
contemos, alastram-se em nós. Desde dentro chegam à nossa pele. Depois avançam
até sermos capazes de os distinguir à nossa volta. E, no silêncio, somos
capazes de os reconhecer. Então, nesse momento, já não são apenas os segredos
que estão dentro de nós, somos também nós que estamos dentro dos segredos.”
José Luís Peixoto, in “Dentro do
Segredo”, p.136.
Fechei o livro. Apaguei o frontal
sem acordar a Elsa. E disse para mim mesmo: “Caral… um dia hei de conhecer este
meu conterrâneo! Quero ser amigo deste gajo!”
sábado, fevereiro 09, 2013
Mais Drummond
Fotografia de Júlia Moraes, uma brasileira, para as palavras de outro brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, do seu livro O amor natural, publicado em 1992, cinco anos depois da morte do poeta.
MULHER ANDANDO NUA PELA CASA
Mulher andando nua pela casa
envolve a gente de tamanha paz.
Não é nudez datada, provocante.
É um andar vestida de nudez,
inocência de irmã e copo d'água.
O corpo nem sequer é percebido
pelo ritmo que o leva.
Transitam curvas em estado de pureza,
dando este nome à vida: castidade.
Pêlos que fascinavam não perturbam.
Seios, nádegas (tácito armistício)
repousam de guerra. Também eu repouso.
OH MINHA SENHORA Ó MINHA SENHORA
Oh minha senhora ó minha senhora oh não se incomode senhora minha não faça isso eu lhe peço eu lhe suplico por Deus nosso
redentor minha senhora não dê importância a um simples mortal
vagabundo como eu que nem mereço a glória de quanto mais
de... não não não minha senhora não me desabotoe a braguilha
não precisa também de despir o que é isso é verdadeiramente fora
de normas e eu não estou absolutamente preparado para semelhante emoção ou comoção sei lá minha senhora nem sei mais o
que digo eu disse alguma coisa? sinto-me sem palavras sem fôlegos sem saliva para molhar a língua e ensaiar um discurso coeren-
te na linha do desejo sinto-me desamparado do Divino Espírito
Santo minha senhora eu eu eu ó minha senh...esses seios são
seus ou é uma aparição e esses pêlos essas nád...tanta nudez me
deixa naufragado me mata me pulveriza louvado bendito seja
Deus é o fim do mundo desabando no meu fim eu eu...
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
O Amor Bate na Aorta - Carlos Drumond de Andrade
Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...
terça-feira, fevereiro 05, 2013
Isto aqui é também Itália...
Não me lembro da cidade em que foi tirada esta fotografia. Acho que era Siena. É só ver no link.
[Photom]
domingo, fevereiro 03, 2013
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