quinta-feira, março 05, 2026

Morreu o António Lobo Antunes

5/III/2026: Morreu o António Lobo Antunes. Morreu o escritor de quem mais crónicas li, "ex aequo" com o Manuel António Pina. As novelas, nem tanto. O seu "Fado Alexandrino" ecoará para sempre nos meus paradoxos existenciais, tal como a sua personagem literária, controversa, a dar para o maldito, que não se coibia de afirmar que “Saramago masturbava os seus leitores” (disse-o num anfiteatro cheio de gente, no qual também me senti tocado pelo mencionado onanismo) e que “só dava autógrafos a quem tinha as pernas bonitas”. Eu, literalmente, mostrei-lhe as minhas com 20 anitos e acho que gostou, pois devolveu-me a sua firma, alertando-me para não entrar tão depressa nessa noite escura. Ainda hoje, se puder evitar entrar, não entro.

5/III/2026: Murió António Lobo Antunes. Murió el escritor del que más crónicas he leído, "ex aequo" con Manuel António Pina. Las novelas, no tanto. Su "Fado Alexandrino" resonará para siempre en mis paradojas existenciales, al igual que su personaje literario, controvertido, con tendencia a lo maldito, que no se cohibía de afirmar que "Saramago masturbaba a sus lectores" (lo dijo en un anfiteatro lleno de gente, en el que yo también me sentí tocado por el mencionado onanismo) y que «solo daba autógrafos a quien tenía las piernas bonitas». Yo, literalmente, le mostré las mías con 20 añitos y creo que le gustaron, pues me devolvió su firma, advirtiéndome de que no entrara tan deprisa en esa noche oscura. Aún hoy, si puedo evitar entrar, no entro.
(António Lobo Antunes, 1997, foto de João Francisco Vilhena, in revista "Ler")

terça-feira, março 03, 2026

domingo, março 01, 2026

Iyasareru

28/II/2026: A los que nos fascinan los idiomas, las culturas cercanas y lejanas, además de lo invisible que se hace visible en lo cotidiano, solemos recurrir al diccionario para nombrar aquello que parece no tener nombre o que resulta difícil de nombrar. Este, de japonés, recopilado por Alex Pler, que de vez en cuando me acompaña, me llevó a sentir esa expresión —iyasareru— en un ratito al sol, en el porche gatuno, mientras mi mente se acordaba de buena gente como mi gran amigo Pedro Martín y Noriko Yamashita, quien lleva, mejor que cualquiera de nosotros, este vocabulario precioso en las venas.

"Iyasareru" (癒される):
Relajarnos gracias al efecto placentero y terapéutico que nos provocan cosas sencillas:
tomar una infusión caliente mientras llueve fuera, acurrucarnos en el sofá viendo nuestra serie favorita, escuchar música con los ojos cerrados o incluso embobarnos con un gato que duerme cerca.


28/II/2026: Aos que nos fascinam as línguas, as culturas próximas e distantes, além do invisível que se torna visível no quotidiano, costumamos recorrer ao dicionário para nomear aquilo que parece não ter nome ou que se torna difícil de nomear. Este, de japonês, compilado por Alex Pler, que de vez em quando me acompanha, levou-me a sentir essa expressão —iyasareru— num bocadinho ao sol, no alpendre felino, enquanto a minha mente se lembrava de boa gente como o meu grande amigo Pedro Martín e Noriko Yamashita, que traz, melhor do que qualquer um de nós, este precioso vocabulário precioso veias.

"Iyasareru" (癒される):
Relaxarmos graças ao efeito prazenteiro e terapêutico que as coisas simples nos provocam: tomar uma infusão quente enquanto chove lá fora, aconchegarmo-nos no sofá a ver a nossa série favorita, ouvirmos música com os olhos fechados ou até ficar a olhar,  simplesmente, para um gato que dorme perto.



Los EEUU de Enrique... (4 años)


 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

História do Silêncio


26/II/2026: Há tantas formas de encontrar consolo e, se me puser a pensar com calma, uma das mais comuns na minha vida tem sido o estudo. Necessito de estudar e, felizmente, já nem me apercebo do que estudo. Contudo, sei que, nas últimas semanas, tenho estudado a atenção e a sua atual degradação, principalmente a voluntária. Este campo de estudo levou-me, casualmente, a uma disciplina que conhecia (talvez até já tivesse uns créditos por homologar!), mas à qual não dava este nome: "História do Silêncio". (Algo semelhante ao que me aconteceu com a língua: só comecei a vislumbrar minimamente uns laivos de compreensão quando a minha estimada professora Filomena Gonçalves me ensinou a sua história.)
Neste caso, Alain Corbin tem-me chamado a atenção para a histórica comparação de méritos entre o silêncio e o serviço, entre a mudez da contemplação, o recolhimento voluntário e a dedicação à causa, às múltiplas tarefas de servir algo, alguém ou até mesmo um eu necessitado de estímulo, compreensão ou repreensão nos labores da vida ativa. Qual das duas é a melhor? As Escrituras parecem indicar que até Cristo se inclinava mais para a ausência de palavra, apesar de "no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus."
Estudar leva-me à indecisão pacífica do debate e à bela alternância entre posturas: silêncio e palavra; contemplação e ação, tal como nos ensinaram e nos ensinam os irmãos franciscanos. Talvez entre ambas encontremos uma ética da atenção: silêncio para a compreensão, falar para materializar a certeza e a dúvida e estudar para obter o consolo de sabermos que não estamos a trair nenhuma das duas.

26/II/2026: Hay tantas formas de encontrar consuelo y, si me detengo a pensar con calma, una de las más habituales en mi vida ha sido el estudio. Necesito estudiar y, afortunadamente, ya ni siquiera me doy cuenta de lo que estudio. Sin embargo, sé que, en las últimas semanas, he estado estudiando la atención y su actual degradación, principalmente la voluntaria. Este campo de estudio me llevó, casualmente, a una disciplina que conocía (¡quizá incluso tuviera ya unos créditos por convalidar!), pero a la que no daba este nombre: «Historia del Silencio». (Algo semejante a lo que me ocurrió con la lengua: solo empecé a vislumbrar mínimamente algunos atisbos de comprensión cuando mi estimada profesora Filomena Gonçalves me enseñó su historia.)
En este caso, Alain Corbin me ha llamado la atención sobre la histórica comparación de méritos entre el silencio y el servicio, entre la mudez de la contemplación, el recogimiento voluntario y la dedicación a la causa, a las múltiples tareas de servir a algo, a alguien o incluso a un yo necesitado de estímulo, comprensión o reprensión en las labores de la vida activa. ¿Cuál de las dos es mejor? Las Escrituras parecen indicar que incluso Cristo se inclinaba más por la ausencia de palabra, a pesar de que «en el principio era el Verbo, y el Verbo estaba con Dios, y el Verbo era Dios».
Estudiar me conduce a la indecisión pacífica del debate y a la bella alternancia entre posturas: silencio y palabra; contemplación y acción, tal como nos enseñaron y nos enseñan los hermanos franciscanos. Tal vez entre ambas encontremos una ética de la atención: silencio para la comprensión, hablar para materializar la certeza y la duda y estudiar para obtener el consuelo de saber que no estamos traicionando a ninguna de las dos.

domingo, fevereiro 22, 2026

"Escribir es desobedecer" - Juan José Millás

Amadeo e Lucie de Sousa Cardoso

 



Amadeo e Lucie no Tibidabo (Barcelona, Espanha). Data de produção das fotografias: 1914.



Fotografia elaborada na Casa Alvão a partir de uma fotografia de grupo de 1910.
Fotógrafo: Casa Alvão (Porto, Portugal)
Data de produção da fotografia: 1912.

Biblioteca de Arte. Fundação Calouste Gulbenkian




segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Hamnet

15/II/2026 (Évora) — Não li o livro de Maggie O’Farrell (e agora duvido que o venha a fazer), mas a adaptação de Chloé Zhao de "Hamnet" é de uma elegância digna do legado de Shakespeare que lhe serve de base intertextual. Agnes (interpretada brilhantemente por Jessie Buckley), esposa de William, é a natureza que não nos oculta a verdade: eles não são nossos, nós não somos deles; o fim da viagem encerra o percurso, mas o amor e a dor podem ser eternos.
Não sei se os gritos nas páginas, os que trazem à vida e os que dela se despedem, têm a mesma intensidade natural. Mesmo sendo arte, atravessaram-me o corpo, tocaram o que de mais íntimo levo na alma e a fragilidade do que sou, do que somos, escorreu para além do olhar. "Ser ou não ser", que muitas vezes associei à indecisão crónica, é apenas a dúvida. Os que somos pais talvez ainda tenhamos mais dúvidas, e o grito que nos vincula à vida daqueles que queremos que nos sobrevivam, dado ou albergado ao longo das nossas existências, é ensurdecedor, afasta-nos da humanidade e entrega-nos à nossa natureza animal. Essa mesmo que sabe que, sem qualquer uso da razão, tudo "o resto é silêncio".
15/II/2026 (Évora) — No he leído el libro de Maggie O’Farrell (y ahora dudo que llegue a hacerlo), pero la adaptación de "Hamnet", de Chloé Zhao, posee una elegancia digna del legado de Shakespeare que le sirve de base intertextual. Agnes (interpretada brillantemente por Jessie Buckley), esposa de William, es la naturaleza que no nos oculta la verdad: ellos no son nuestros, nosotros no somos suyos; el fin del viaje cierra el recorrido, pero el amor y el dolor pueden ser eternos.
No sé si los gritos en las páginas, los que traen a la vida y los que de ella se despiden, tienen la misma intensidad natural. Aun siendo arte, me atravesaron el cuerpo, tocaron lo más íntimo que llevo en el alma, y la fragilidad de lo que soy, de lo que somos, se deslizó más allá de la mirada. "Ser o no ser", que muchas veces asocié a la indecisión crónica, es apenas la duda. Quienes somos padres quizá aún tengamos más dudas, y el grito que nos vincula a la vida de aquellos a quienes queremos que nos sobrevivan, dado o albergado a lo largo de nuestras existencias, es ensordecedor, nos aleja de la humanidad y nos entrega a nuestra naturaleza animal. Esa misma que sabe que, sin ningún uso de la razón, todo "lo demás es silencio".

sábado, fevereiro 14, 2026

Amigável Homem-Aranha da vizinhança...

14/II/2026: Ao olhar para esta cara, entendo perfeitamente por que razão a Marvel já vestiu o Tobey Maguire, o Andrew Garfield e o Tom Holland com o fato do escalador de paredes: foi passando do mais velho para o mais novo... Aqui temos a nossa terceira geração de aracnídeos. Todos eles diferentes, mas com algo em comum: esse lado de "amigável Homem-Aranha da vizinhança".
14/II/2026: Al mirar esta cara, entiendo perfectamente por qué Marvel ya vistió a Tobey Maguire, a Andrew Garfield y a Tom Holland con el traje del trepamuros: fue pasando del hermano mayor al pequeño… Aquí tenemos a nuestra tercera generación de arácnidos. Todos ellos diferentes, pero con algo en común: ese lado de "amigable Spiderman del vecindario".

domingo, fevereiro 08, 2026

8/II/2026

8/II/2026: Portugal foi a uma segunda volta de votos para as presidenciais e, com o país a braços com várias catástrofes derivadas do clima e não só, este foi o resultado. António José Seguro é o novo Presidente da República de todos os portugueses. Também o será para este reduto azul no concelho de Elvas, onde espero que entenda (ou intua) o porquê de esta região acreditar na maior parte da retórica de André Ventura. Por mais diminutas que sejam, todos os que acreditam na democracia não podem ignorar estas realidades. Não sei se o factor fronteira influencia, mas é possível que ainda exista qualquer coisa de velho Oeste e que as pessoas gostem dessa mitologia dos xerifes providenciais que disparam primeiro e perguntam depois… 
Não foi por ser fã dos velhos westerns, mas já estava à espera de ver, por estas bandas, o desfecho do duelo desta maneira. Na fronteira impera o gatilho rápido, poucas vezes certeiro, mas sempre mortal.
8/II/2026: Portugal acudió a una segunda vuelta en las elecciones presidenciales y, con el país enfrentado a diversas catástrofes derivadas del clima y no solo de él, este fue el resultado. António José Seguro es el nuevo Presidente de la República de todos los portugueses. También lo será para este reducto azul del municipio de Elvas, donde espero que sepa comprender (o intuir) por qué esta región cree en gran parte de la retórica de André Ventura. Por muy diminutas que sean, quienes creen en la democracia no pueden ignorar estas realidades. No sé si el factor frontera influye, pero es posible que aún perviva algo del viejo Oeste y que a la gente le agrade esa mitología de los sheriffs providenciales que disparan primero y preguntan después… No por ser un admirador de los viejos westerns, ya esperaba ver por estos parajes el desenlace del duelo de esta manera. En la frontera impera el gatillo rápido, pocas veces certero, pero siempre mortal.

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Presentación/Apresentação de "1Reino Maravil(h)oso"

4/II/2026: Finalmente, nuestra revista «1Reino Maravil(h)oso» se pudo compartir físicamente con la comunidad y se hizo en un acto público que contrastaba con el tiempo desagradable fuera de las puertas de El Hospital; es decir, fue un acto entrañable y lleno de entusiasmo. Me enorgullece haber estado allí al lado de compañeros que creen que la labor docente todavía puede dejar el mundo un poquito mejor y más humano.
Gracias, Paco, por ser el rostro amable y estimulante del liderazgo de este Reino; gracias, Antonio, por enlazar el pasado del Reino con un presente que mira hacia nuevos horizontes; gracias, Laura, por luchar hombro con hombro por la dignidad de la lengua portuguesa, desde nuestro pueblo, Valencia de Alcántara, hasta estos pagos pacenses; gracias, David, por tu disponibilidad y tu arte para edificar las palabras en el papel; y gracias, Maricarmen, por tranquilizar el «mar bravío» por donde navegamos como argonautas de la enseñanza con tu dulce voz…
Este agradecimiento tiene nombres porque fuimos quienes tuvimos el protagonismo de la presentación; sin embargo, no lo tendríamos sin esos compañeros, amigos y alumnado que nos acompañan en esta y en otras aventuras de lo que es el Reino Aftasí con igual relevancia. A todos ellos y ellas, que saben bien quiénes son y harían esta entrada aún más pesada, mi más profundo agradecimiento.
El próximo número ya está a puntito de conocer forma, pues contenido ya tiene mucho y, disculpad la falta de humildad, de gran calidad…
4/II/2026: Finalmente, a nossa revista «1Reino Maravil(h)oso» pôde ser partilhada fisicamente com a comunidade e fizemo-lo num ato público que contrastava com o tempo desagradável no exterior de El Hospital; isto é, foi um ato enternecedor e cheio de entusiasmo. Orgulha-me ter estado ali ao lado de colegas que acreditam que o trabalho docente ainda pode tornar o mundo um pouco melhor e mais humano.
Obrigado, Paco, por seres o rosto afável e estimulante da liderança deste Reino; obrigado, Antonio, por ligares o passado do Reino a um presente que olha para novos horizontes; obrigado, Laura, por lutares ombro a ombro pela dignidade da língua portuguesa, desde o nosso "pueblo", Valencia de Alcántara, até estas bandas pacenses; obrigado, David, pela tua disponibilidade e pela tua arte de edificar as palavras no papel; e obrigado, Maricarmen, por acalmares o «mar bravío», por onde navegamos como argonautas do ensino, com a tua doce voz…
Este agradecimento tem nomes porque fomos quem assumiu o protagonismo da apresentação; no entanto, nada disso existiria sem esses colegas, amigos e alunos que nos acompanham nesta e noutras aventuras daquilo que é o Reino Aftasí com igual importância. A todos eles e elas, que bem sabem quem são e tornariam esta entrada ainda mais chata, o meu mais profundo agradecimento.
O próximo número já está quase a ganhar forma, pois conteúdo já tem muito e, perdoem a falta de humildade, de grande qualidade…

sexta-feira, janeiro 30, 2026

Presentación/Apresentação: "1Reino Maravil(h)oso" (4/II/2026)

Puede que hayamos tenido algunos contratiempos y que el tiempo meteorológico no esté siendo el más agradable, pero el camino se hace siempre hacia adelante. El próximo 4 de febrero allí estaremos, como el centro vivo y dinámico que somos, para compartir con quien quiera acompañarnos una de las muchas cosas que hacen del Reino Aftasí una auténtica maravilla: nuestra revista bilingüe “1 Reino Maravil(h)oso”.
Embora tenhamos tido alguns contratempos e que o tempo meteorológico não esteja a ser o mais agradável, o caminho faz-se sempre para a frente. No próximo dia 4 de fevereiro lá estaremos, como escola viva e dinâmica que somos, para partilhar com quem nos quiser acompanhar uma das muitas coisas que fazem do Reino Aftasí uma verdadeira maravilha: a nossa revista bilingue “1 Reino Maravil(h)oso”.

quarta-feira, janeiro 28, 2026

Votar

28/I/2026: Em 25 minutos de carro (até de bicicleta, se me apetecer), poderia ir até território português exercer o meu direito de voto para as presentes presidenciais. Também o faria de bom grado por correio, porém, para as eleições em questão, tal não é possível para quem reside no estrangeiro. Portanto, tenho de fazer quase 240 quilómetros (480 km, se contar a volta) para ir até Sevilha depositar presencialmente na urna o meu voto. Adoro Sevilha, tem essa cor especial, mas por acaso não me dá jeito ir lá a correr só para votar e gastar mais um depósito de combustível, apesar de poupar ao levar uma sandocha de casa. Longe ou perto, os que estamos fora de Portugal (ou o levamos nas veias e no coração) temos de aceder aos nossos direitos de cidadania da forma mais lógica e pragmática possível. Isso, mais do que um simples direito democrático, é um sinal claro de que cuidamos da democracia. Espero que António José Seguro, que me parece um tipo sensato e a quem desejo ver como próximo Presidente da República, saiba promover a reflexão e o debate para que quem vive fora não seja obrigado a fazer mais sacrifícios do que os estritamente necessários para continuar a contribuir para Portugal.
28/I/2026: En 25 minutos en coche (incluso en bicicleta, si me apetece), podría ir hasta territorio portugués a ejercer mi derecho de voto en las presentes elecciones presidenciales. También lo haría de buen grado por correo, pero para estas elecciones en concreto no es posible para quienes residen en el extranjero. Por lo tanto, tengo que hacer casi 240 kilómetros (480 km, si cuento la vuelta) para ir hasta Sevilla a depositar presencialmente mi voto en la urna. Me encanta Sevilla, tiene ese color especial, pero lo cierto es que no me viene bien ir allí deprisa y corriendo solo para votar y gastar otro depósito de combustible, a pesar de ahorrar llevando un bocadillo de casa. Lejos o cerca, quienes estamos fuera de Portugal (o lo llevamos en las venas o en el corazón) tenemos que poder acceder a nuestros derechos de ciudadanía de la forma más lógica y pragmática posible. Eso, más que un simple derecho democrático, es una señal clara de que cuidamos la democracia. Espero que António José Seguro, que me parece una persona sensata y a quien deseo ver como próximo presidente de la República, sepa promover la reflexión y el debate para que quienes viven fuera no se vean obligados a hacer más sacrificios de los estrictamente necesarios para seguir contribuyendo a Portugal.

Alfred Jarry sobre su bicicleta Clément Luxe 96, en una foto de 1896

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Ter sido (e continuar a ser) felizmente parvo/Haber sido (y seguir siendo) afortunadamente tonto...

23/I/2025: Os baús digitais são já arquivos cheios de história. É uma realidade, mas eu ainda tenho dos antigos baús analógicos: caixas repletas de papéis e fotografias que ajudam a explicar (ou não) o que sou. Andava eu num périplo por esses arquivos à procura de uns velhos “papiros eborenses”, quando reencontro esta foto de quatro sereias do NASA (Núcleo de Actividades Subaquáticas do Alentejo, cujo logo continha uma vaca e um golfinho). Uma destas sereias já cá não está, mas continua no coração enquanto houver memória, as outras, não tão sexys como outrora, já só com vaselina talvez vistam os fatos de neoprene. Dir-me-ão as minhas raízes que é saudade, admito qualquer coisa; contudo, o carinho impede que seja uma inflamação do passado no presente. Do que tenho orgulho é de termos sido (e continuarmos a tentar ser) felizmente parvos.
23/I/2025: Los baúles digitales son ya archivos llenos de historia. Es una realidad, pero yo aún conservo de los antiguos baúles analógicos: cajas repletas de papeles y fotografías que ayudan a explicar (o no) lo que soy. Andaba yo en un periplo por esos archivos en busca de unos viejos “papiros eborenses”, cuando reencuentro esta foto de cuatro sirenas del NASA (Núcleo de Actividades Subacuáticas del Alentejo, cuyo logotipo contenía una vaca y un delfín). Una de estas sirenas ya no está entre nosotros, pero sigue en el corazón mientras haya memoria, las otras, no tan sexys como antaño, ya solo con vaselina quizá consigan enfundarse los trajes de neopreno. Me dirán mis raíces que es "saudade", admito algo de ello; sin embargo, el cariño impide que sea una inflamación del pasado en el presente. De lo que me siento orgulloso es de haber sido (y de seguir intentando ser) afortunadamente tontos.

sexta-feira, janeiro 16, 2026

Presentación/Apresentação revista "1Reino Maravil(h)oso", 22 de enero/janeiro, 20:00h

Tuve la suerte de llegar a este Reino Maravilloso, que es el IES Reino Aftasí, y de poder integrarme activamente en un proyecto educativo cuyo patrimonio inmaterial se concreta en múltiples formas y gestos. Uno de ellos es esta revista educativa, 1Reino Maravil(h)oso, que honra las "sendas" que hicieron posible su existencia y que aspira a ser un verdadero lugar en el mundo: un espacio de encuentro entre España y Portugal (y la lusofonia), entre las artes, la educación y todo aquello que nos hace humanos y, por ello mismo, digno de una enseñanza pública de todos y para todos.

Os invitamos a asistir a la presentación de la revista, el 22 de enero, a las 20:00 horas, en El Hospital – Centro Vivo de Badajoz.

Tive a sorte de chegar a este Reino Maravilloso, que é o IES Reino Aftasí, e de poder integrar activamente num projeto educativo cujo património imaterial se concretiza em múltiplas formas e gestos. Um deles é esta revista educativa, 1Reino Maravil(h)oso, que honra as "sendas" que tornaram possível a sua existência e que aspira a ser um verdadeiro lugar no mundo: um espaço de encontro entre Espanha e Portugal (e a lusofonia), entre as artes, a educação e tudo aquilo que nos torna humanos e, por isso mesmo, digno de um ensino público de todos e para todos.

Convidamo-vos a assistir ao lançamento da revista, no dia 22 de janeiro, às 20h, no El Hospital – Centro Vivo de Badajoz.


terça-feira, janeiro 13, 2026

Sentarse en silencio...

12/I/2026: Sentarse en silencio e intentar recuperar conscientemente el foco, en medio de los hiperestímulos, es una forma de reforzar lo que me parece ser nuestro sistema inmunitario intelectual. Es posible que vivamos una de las épocas en las que dicho sistema sufre, o puede sufrir, más agresiones de lo habitual. Estemos o no excesivamente expuestos, y aunque pueda parecer una paradoja, conviene que cultivemos la intuición para reforzar nuestro intelecto. (Soy adulto y siento que tengo que luchar por mantener la atención… ¿y nuestros niños?)
12/I/2026: Sentar-se em silêncio e tentar recuperar conscientemente o foco, no meio dos hiperestímulos, é uma forma de reforçar aquilo que me parece ser o nosso sistema imunitário intelectual. É possível que vivamos uma das épocas em que esse sistema sofre, ou pode sofrer, mais agressões do que o habitual. Estejamos ou não excessivamente expostos, e embora possa parecer um paradoxo, convém que cultivemos a intuição para reforçar o nosso intelecto. (Sou adulto e sinto que tenho de lutar para manter a atenção… e as nossas crianças?)

sexta-feira, janeiro 09, 2026

Mira el gato

Mira el gato.
Sentado ve cómo
se siente el vacío.

Olha o gato.
Sentado vê como o
vazio se sente.

terça-feira, janeiro 06, 2026

Día de Reyes/Dia de Reis

6/I/2026: Día de Reyes. Recuerdo que un filósofo decía que se había hecho “amigo de la sabiduría” para pensar por sí mismo, para alejarse del pensamiento de la marabunta, para decidir leer o no las narrativas creadas.
En casa, únicamente el más inocente y puro cree en los Reyes Magos. Los demás ya observan, reflexionan y aplican la lógica de que los Reyes son símbolos de la generosidad y de las fiestas. Esta lucidez, este discernimiento, que nos permite llegar a conclusiones por nosotros mismos, surge si bajamos el ritmo, surge cuando el pensamiento está tranquilo, surge cuando estimulamos un ambiente en que nos cuidamos y cuidamos al otro.
Tres Reyes Magos que vinieron a prestar homenaje al Hombre Bueno recién nacido, trayendo los regalos que son inherentes a nuestras vidas: el materialismo del oro, la espiritualidad del incienso y la finitud de la vida a través de la mirra.
Tres líderes de un nuevo orden mundial. Un chino, un ruso y un americano (el más histriónico y más cutre de todos) crearon sus conveniencias, imponiendo que respetemos por la fuerza sus principios, sus doctrinas, sin cuestionarlos. Al contrario de los Reyes Magos, estos líderes contemporáneos están alejados de nuestras vidas físicas, saliendo en las pantallas como donantes de la verdad.
Recuerdo otro pensador, este más joven que yo y todavía con ese entusiasmo que lucho por mantener en mí y en mi entorno: “[Tenemos que] desafiarlos sin deshacernos de lo que importa. No seas vago. Trabaja [con conocimiento honesto]. Tienes cerebro. Usálo.”
6/I/2026: Dia de Reis. Recordo que um filósofo dizia que se havia feito “amigo da sabedoria” para pensar por si próprio, para se afastar do pensamento da marabunta, para decidir ler ou não as narrativas criadas.
Em casa, apenas o mais inocente e puro acredita nos Reis Magos. Os outros já observam, refletem e aplicam a lógica de os Reis serem símbolos da generosidade e das festas. Esta lucidez, este discernimento, que nos permite chegar a conclusões por nós próprios, surge se abrandarmos o ritmo, surge quando o pensamento está calmo, surge quando estimulamos um ambiente em que cuidamos de nós e cuidamos do outro.
Três Reis Magos que vieram prestar homenagem ao Homem Bom recém-nascido, trazendo os presentes que são inerentes às nossas vidas: o materialismo do ouro, a espiritualidade do incenso e a finitude da vida através da mirra.
Três líderes de uma nova ordem mundial. Um chinês, um russo e um americano (o mais histriónico e o mais foleiro de todos) criaram as suas conveniências, impondo que respeitemos à força os seus princípios, as suas doutrinas, sem os questionar. Ao contrário dos Reis Magos, estes líderes contemporâneos estão afastados das nossas vidas físicas, surgindo nos ecrãs como doadores da verdade.
Recordo outro pensador, este mais novo do que eu e ainda com esse entusiasmo que luto por manter em mim e no meu entorno: “[Temos de] desafiá-los sem nos desfazermos do que importa. Não sejas preguiçoso. Trabalha [com conhecimento honesto]. Tens cérebro. Usa-o.”

sábado, janeiro 03, 2026

2/I/2026

2/I/2026: Ray Bradbury disertó (maravillosamente) sobre “El Zen y el arte de escribir” y yo, inspirado en su título, vuelvo a divagar, ahora en español, sobre la filosofía Zen y otra filosofía que aprecio igualmente: montar en bicicleta. Qué buena manera de empezar este año de 2026. Estas reflexiones, después de publicadas en “Mais Alentejo”, encuentran su lugar en “Shibumi”, una revista digital dedicada a la tradición, la cultura y la filosofía japonesas, donde el Zen, las artes marciales y la mirada pausada al mundo siguen teniendo espacio. Si os reconocéis en este espíritu, estáis invitados a sumaros como lectores y suscriptores en https://www.revistashibumi.com/. 

2/I/2026: Ray Bradbury dissertou (maravilhosamente) sobre “O Zen e a Arte de Escrever” e eu, inspirado no seu título, volto a divagar, agora em espanhol, sobre a filosofia Zen e outra filosofia que aprecio igualmente: andar de bicicleta. Que bela forma de começar este ano de 2026. Estas reflexões, depois de publicadas na “Mais Alentejo”, encontram o seu lugar na “Shibumi”, uma revista digital dedicada à tradição, à cultura e à filosofia japonesas, onde o Zen, as artes marciais e o olhar pausado sobre o mundo continuam a ter espaço. Se se revêem neste espírito, estão convidados a juntar-se como leitores e subscritores em https://www.revistashibumi.com/.



Jornada Zen n'aCourela do Alentejo (10 de janeiro de 2026)