quarta-feira, agosto 24, 2022

Facto.../Hecho...

Facto (mais do que) provado: Ninguém é imune ao efeito Baby TV.
Hecho (más que) comprobado: nadie es inmune al efecto Baby TV. 

O desespero...

O desespero é guloso, alimenta-se à base de açúcar em busca de prazer paliativo e a aumentar a gordura... Quando há uma crise económica os produtos à base de açúcar não sofrem tanto com a inflação como uma maçã. 

sábado, agosto 20, 2022

quarta-feira, agosto 17, 2022

Danielle Verbeeten

 



Danielle Verbeeten - Pensador (Fernando Gilgado)

This model was on my list for a long time. It was a pleasure to fold :) Bi-colored Kraft paper


V. Danielle Verbeeten 


sexta-feira, agosto 12, 2022

Crónica: "Humildade na era da mediocridade" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº161, p. 94) - texto integral

    "Humildade na era da mediocridade" - Luis Leal

    Quando faleceu Manuel Ferreira Patrício, antigo reitor da Universidade de Évora, a primeira coisa que pensei foi: “perdemos um homem humilde”. Conheci-o muito antes dos tempos universitários e dava gosto cumprimentar um ser tão educado e amável com quem partilhei o mesmo bairro e umas jornadas académicas, em que os professores faziam grupos com os alunos. Este foi o único momento em que aprofundei um pouco mais a conversa para além dos bons dias. Era um grupo informal no âmbito de uma cadeira de pedagogia, lembro-me de falarmos de Teixeira de Pascoaes e de eu ter dito uma barbaridade típica dos meus vinte anos. O sábio Prof. Patrício bem poderia ter humilhado o ego de um insensato a tentar impressioná-lo, mas apenas me convidou a acompanhá-lo por outro caminho através do seu raciocínio. Hoje agradeço-lhe a cura de humildade e a subtil martelada que deu na forja do meu carácter. 
    “Humildade” é uma herança da terra, do "húmus", e nós, que por aqui andamos, simples "transumantes”. Sabemo-lo através da etimologia, contudo, se indagarmos para além da raiz, somos cientes de se tratar, simplesmente, da virtude de alguém com um profundo conhecimento de si mesmo, isto é, que sabe de onde vem e qual a sua dimensão, bem mais próxima do menor do que do maior. É indubitável uma leitura cristã e o ecoar da minha educação católica na bem-aventurança “Felizes as pessoas humildes pois receberão o que Deus tem prometido”. Tão-pouco a desvinculo de outro valor particular que tem todo o ser humano como pessoa, como ser racional e livre. Por outras palavras, não concebo humildade sem dignidade. Eis o motivo pelo qual compreendo o irmão do “filho pródigo” que, ao queixar-se da injustiça do seu pai, mostrou ser filho de boa gente sem abdicar da sua dignidade. 
    Se já me conhece, o estimado leitor sabe que não sou afim a pensamentos oficiais, cinjo-me apenas ao pensamento e se por algum motivo o tenho de adjetivar fico-me por “cru” (o que já me vetou às brasas e me permitiu cheirar assados inquisitoriais). Conheço várias pessoas como o velho Reitor de Évora, pessoas brilhantes e discretas, gente magistral e trivial, seres capazes e necessários que num passado recente seriam tratados com mais atenção e, neste presente, por não abdicarem da sua dignidade optam por um “exílio interior” (expressão tão conhecida do mundo cultural espanhol).
    Ser-me-á apontada uma visão pessimista da actualidade. Seria soez da minha parte negá-la, porém, recorra-se aos dados, a investigações isentas a demonstrarem que, desde o início do século XXI, não existe um real avanço geracional, admita-se que uma geração não supera a anterior em âmbitos significativos da existência humana que, a pecar por incompletude, vão desde o QI médio (parece que estagnou nos anos 90), passa pelo empobrecimento da linguagem e o conhecimento lexical (fundamentais para elaborar e formular reflexões e emoções complexas), significativas lacunas lógico-matemáticas, desprestígio de qualquer fórmula memorística (confunde-se armazenamento computacional com a memória humana, viva), perda de direitos laborais e sociais e até mesmo regressão nas competências digitais tão em voga, pois programar e inovar não é fazer “scroll” no ecrã de um dispositivo online. 
    Culpar ou esperar que a verdade venha ao de cima é desnecessário. Ainda estamos a tempo de reverter esta situação, não permitamos que quem sabe e tem uma postura humilde perante o conhecimento sério seja exilada à força pela superficialidade desta era de individualismo extremo camuflada pelo entretenimento. Nivelar por baixo é falsa equidade, é promover o demérito, é visar apenas produção e consumo do que não advém do húmus, carente de raízes e desconhecedor do que é frutificar, esse verbo tão distinto de produzir. O produto da mediocridade, ao contrário do fruto da humildade, não retorna à terra, brotam em escombros como num qualquer cenário de guerra e devastação. 

Cartoon de Eneko in El Jueves, agosto, 2022.

Crónica: "Humildade na era da mediocridade" de Luis Leal (in "Mais Alentejo", nº161, p. 94) 2

Comparar eras talvez seja um absurdo, mas avaliar o seu impacto no mundo não o é. A actual era (egocêntrica e pouco dada à reflexão), se deixar de ter orgulho na sua ignorância, acredito ainda estar a tempo de compreender que a origem da humildade não é a mesma da mediocridade. Se quiserem compreender o porquê desta crónica (a par de uma homenagem ao Prof. Manuel Ferreira Patrício), aqui a têm à vossa disposição. Nas bancas já está uma nova revista, onde poderão ler mais uns "Trabalhos&Paixões" do vosso amigo e conhecer os candidatos para a próxima gala da "Mais Alentejo"! 

Comparar eras puede que sea absurdo, pero evaluar su impacto en el mundo no lo es. En la era actual (egocéntrica y poco reflexiva), si deja de estar orgullosa de su ignorancia, creo que aún está a tiempo de comprender que el origen de humildad no es el mismo que de mediocridad. Si queréis entender el por qué de esta crónica (a la par de un homenaje al Prof. Manuel Ferreira Patrício), aquí la tenéis a vuestra disposición. ¡Ya está en los quioscos una nueva revista, donde podéis leer más "Trabajos&Pasiones" de vuestro amigo y conocer a los candidatos para la próxima gala de "Mais Alentejo"!
Crónica: "Humildade na era da mediocridade" de Luis Leal (in Mais Alentejo, nº161, p. 94)



Eugénio de Andrade e o avô

Eugénio de Andrade por Louis Dourdil (1941)



Como longa despedida

Meu avô, aquele que construía casas, era de Castelo Branco. Fez habitações para toda a gente menos para ele. Não sei se alguma vez lhe passou pela cabeça que viria a ter um neto também construtor, construtor de coisas pequenas, frágeis, leves. Ele usava o granito como material, as suas casas estão ainda de pé; o neto trabalha com poeira, sem nenhuma pretensão de desafiar o tempo.

Eugénio de Andrade


Do seu livro À Sombra da Memória


quinta-feira, agosto 11, 2022

domingo, agosto 07, 2022

O "like" é importante?

O "like" é importante? Dizer que não é mentir, principalmente quando quem to pôs é alguém que admiras (ou admiravas).
¿Importa el "me gusta"? Decir que no es mentir, sobre todo cuando quien te lo pone es alguien a quien admiras (o admirabas).

"Feminismo: direito humanos."

"O feminismo não é contra os homens, e é importante que isto seja dito desta maneira. Para mim o feminismo é uma questão de direitos humanos, só. Resume-se a isto: direitos humanos." - Ana Luísa Amaral ("Expresso", 2019)

sábado, agosto 06, 2022

Triste notícia...

Triste notícia a do falecimento de Ana Luísa Amaral... Em Badajoz (local onde se casaram os seus pais) deixou gratas recordações em muita gente. Eu fui um deles e, para além de uma poeta extraordinária, guardo a imagem de um dos seres humanos mais interessantes com quem tive o privilégio de tratar. Os meus mais sentidos pêsames a toda a sua família e seres queridos. (Na gaveta tenho uma tradução feita com o seu incentivo que acabou por não conhecer edição mas que não está nem será esquecida.)
Triste noticia la del fallecimiento de Ana Luísa Amaral... En Badajoz (lugar donde se casaron sus padres) dejó gratos recuerdos en mucha gente. Yo fui uno de ellos y, además de ser una poeta extraordinaria, conservo la imagen de uno de los seres humanos más interesantes con los que tuve el privilegio de tratar. Mi más sentido pésame para toda su familia y seres queridos. (En el cajón tengo una traducción hecha con su ánimo que acabó sin editarse pero que no está ni será olvidada.)

sexta-feira, julho 29, 2022

Portada revista "Shibumi", agosto de 2022

Si dialogar con Pedro Martín ya es un privilegio, ¡imaginad como me siento al ver nuestro diálogo publicado como entrevista (y al verme en la portada de la edición de agosto de "Shibumi")! No creo que "una conciencia poética del Budô" sea algo muy distinto de otras perspectivas de la vida, por eso os invito a leer y a apoyar este proyecto editorial que no es una visión romántica de un mundo perdido, sino una visión honesta y necesaria a mucha gente que no encuentra sentido en una cierta vacuidad del presente... El arte fotográfico es del gran Juanma Zarzo, el otro pilar fundamental de esta publicación.  
Se dialogar com Pedro Martín já é um privilégio, imaginem como me sinto quando vejo nosso diálogo publicado como entrevista (e quando me vejo na capa da edição de agosto de "Shibumi")! Não acredito que "uma consciência poética do Budô" seja algo muito diferente de outras perspectivas de vida, por isso convido-vos a ler e a apoiar este projecto editorial que não é uma visão romântica de um mundo perdido, mas sim uma visão honesta e necessária para muita gente que não encontra sentido num certo vazio do presente... A arte fotográfica é do grande Juanma Zarzo, o outro pilar fundamental desta publicação.

quinta-feira, julho 28, 2022

segunda-feira, julho 25, 2022

Paz

Paz virgiliana (ou bucólica)? Em parte, mas hoje a que mais nos interessa, a peregrina, a de Santiago. 
¿Paz virgiliana (o bucólica)? En parte, pero hoy la que más nos interesa, la peregrina, la de Santiago. (foto de 27.III.2021)

Umas palavras de Mark Twain

 



When I was a boy of 14, my father was so ignorant I could hardly stand to have the old man around. But when I got to be 21, I was astonished at how much the old man had learned in seven years.

Mark Twain



sexta-feira, julho 22, 2022

E se o café desafiase a gravidade?

Perguntas com sabor a cafeína: "E se o café desafiasse a gravidade?" Tenho a certeza que sim. Quantos de nós somos a prova viva de que é o que nos mantém de pé ao longo do dia? (22/VII/2022)
Preguntas con sabor a cafeína: "¿Y si el café desafiara la gravedad?" Estoy seguro que sí. ¿Cuántos de nosotros somos la prueba viviente de que es lo que nos mantiene de pie a lo largo del día?

O hábito não faz o monge, porém forja o carácter...

O hábito não faz o monge, porém forja o carácter. Os gregos já o sabiam e "kharaktér", que remete para "sinal distintivo", se tem por base maus hábitos ver-se-á como algo desprezível ou ignorante. Por outras palavras, o mau hábito é um sinal distintivo dos energúmenos.  

quarta-feira, julho 20, 2022

Los números romanos...

Los números romanos, después de tanto tiempo reducidos a nombrar capítulos y a ordenar siglos, han decidido cerrar filas y recuperar el imperio caído.

segunda-feira, julho 18, 2022

A riqueza de um texto...

A riqueza de um texto não se vê pelo seu estilo ou pelo seu valor literário. Vê-se pela quantidade de frases capazes de sobreviver intactas fora do seu contexto. 

quarta-feira, julho 13, 2022

Divagação a mais de 40 graus...

Nem só os meteorologistas têm medido (e registado) o aumento do número anual de ondas de calor, bem como da sua intensidade. O nosso carro, com quase 30 anos e há 17 nas nossas mãos, nunca tinha registado estes valores e está bem habituado aos calores... 
O Putin também terá culpa da canícula ou só o culparão quando chegar a factura da luz deste mês dependente de A/C? De certeza que os incêndios são culpa dele...
No solo los meteorólogos han medido (y registrado) el aumento del número anual de olas de calor, sino también su intensidad. Nuestro coche, con casi 30 años y 17 en nuestras manos, nunca había registrado estos valores y está bien acostumbrado al calor... ¿Tendrá Putin también la culpa de la ola de calor o solo lo culparán cuando llegue la factura de la luz de este mes dependiente del aire acondicionado? Seguramente que los incendios son culpa suya... 



De tanto repetirem...

De tanto repetirem "quem não sabe fazer ensina" o mundo parou. Estagnada, a humanidade continuou a respirar, mas esqueceu-se de como e porquê. Contudo a natureza não perdeu a curiosidade e continuou generosa, disposta a ensinar ao homem como sobreviver. Tarde demais, este já não tinha interesse e não quis aprender.

Adivinho...

Adivinho: aquele que é omnisciente como o divino. 
Adivino: aquél que es omnisciente como el divino.

Cicatriz: epidermis redimida.

Es un clásico

Es un clásico, no por lo que escribe y como escribe, sino porque escribe siempre con la seguridad de la fuente Times New Roman.

Confucio y Heraclito

Confucio y Heraclito encontraron en la orilla de un río la concisión para la infinitud del cosmos. Pero, una vez dentro del agua, olvidaron el universo y simplemente sintieron el efecto antiinflamatorio en sus cuerpos finitos que tampoco vivirán dos veces.

Aforismo: un mínimo requisito para compreenderse un todo.

Entre tesis y antítesis...

Entre tesis y antítesis, Hegel se tropezó con una buena dialéctica y empezó a hablar de síntesis.

El ámbito del ambicioso...

El ámbito del ambicioso es siempre otro: el ámbito de su ambición.

La defensa personal...

La defensa personal sólo es necesaria si alguien se entera de que está siendo atacado.

Nobreza...

Nobreza, clero, povo ou burguesia (até mesmo a academia), a sabedoria é como a alegria, pode ser vislumbrada por todos e não é conhecer Marx e Engels para sabermos que não distingue classes sociais.

No lo dice Petrarca

No lo dice Petrarca: "lee y puedes comunicarte con los muertos". No sé si me apetece. 

Sofisticado

Sofisticado, adjetivo o sustantivo que deriva de "sofista". Aquí está el motivo porque a los que se sienten cercanos al pensamiento de Sócrates no les suele gustar la sofisticación y encuentran en los sofisticados una vacuidad colosal que no es exclusiva de la retórica. 

Prova de vida

Prova de vida: Passou a vida a prestar provas até que decidiu apagar todas as que algum dia o pudessem denunciar de haver existido. Em ambas empresas não teve grande sucesso.

terça-feira, julho 12, 2022

De bicicleta com Przemek Strzelecki

 


Przemek Strzelecki - me by me 42km/h ;]

 Hungary 08.2020, kentmere 800


14 days on bicycle, 4 countries, 1460 km most of that solo, 14 wild nights in the tent, daily max. 160 km, lot of sun, lot of rain and lot of time. Fantastic !!! / Romania, Hungary, Slovakia, Poland




segunda-feira, julho 11, 2022

Intuye...

Intuye, a través de la música, que probar la existencia de Dios quizás sea más una cuestión de oído que de visión.  

Canneti me recuerda...

Canneti me recuerda que lo que escribimos es tan importante como lo que no escribimos. Abandono las teclas del ordenador, pero lo grabo todo en mi disco duro. 

Los terroristas de la ética...

Los terroristas de la ética sabotean los valores de potencial universal con conclusiones erróneas, dudas infundadas y mala fe. Además, como cualquier vulgar terrorista, son muy difíciles de identificar. 

Un buen café...

(Para Ahmed, que le encanta el buen café - 11/VII/2022)

Un buen café es el que siempre nos cuestiona: "¿Y si viviéramos más despacio?".
Um bom café é aquele que sempre nos questiona: "E se vivêssemos mais devagar?".

Uma fotografia de Sunny Strader

 


Fotografia de Sunny Strader: Celestial, 10, plays with a lizard in Bonita Springs, Florida, s.d.



sábado, julho 09, 2022

Conciencia de clase

Conciencia de clase: innecesaria necesidad para que no se promuevan violentas luchas de clases y podamos vislumbrar un futuro sin clases pero con la necesaria dignidad. 

Fénix fumadora

Finada num cinzeiro, a Fénix renasceu das cinzas com um cigarro no bico. Para quem pudesse pensar em vinganças com estilo, o certo é que esta Fénix fumadora não tardou a morrer outra vez.

Gente de palabra

Gente de palabra: Antes nos dábamos la palabra para confiar los unos en los otros hasta que el capitalismo se asilvestró como un animal insaciable. Y empezamos a preferir la saturación de imágenes, gracias a la ilusión de una propaganda del ego y de la vieja falacia de que una imagen vale por mil palabras. Quien se fija en el verdadero peso de la palabra sabe que jamás veremos a alguien verdaderamente humano dar su "imagen de honor" puesto que carece de calidad moral y suele transmitir más frivolidad que seguridad. ¿Urge recuperar la palabra o urge que la palabra readquiera su honor de antaño? (Quizás ambas, pero como dice un buen amigo y hombre de palabra: "qué difícil o imposible misión y no somos Tom Cruise...").

La primera vez en su vida en que temió...

La primera vez en su vida en que temió morirse fue el día en que sintió su primer síntoma de paternidad. 

Sei muito bem o que é a sede...

Sei muito bem o que é a sede. Sei no meu corpo mas principalmente na minha alma. Sei desde tenra idade o que é uma seca e lembro-me de ver procissões na minha cidade a pedir intervenção divina para chover (já me aconteceu, quando o menciono, alguma gente não acreditar). Sei o que é um animal morto sem nada para beber, sei o que são árvores condenadas pelas raízes secas. Sei o que é ter mais de um poço sem uma gota. Portanto, e sem qualquer metáfora existencial, sei muito bem o que é viver escasso de nascentes. Eis o meu desprezo pela má gestão dos recursos hídricos e pela falta de solidariedade daqueles que exploram furos, barragens, rios ou nascente sem qualquer preocupação com os seus semelhantes, negando ao futuro o que as gerações anteriores nos ensinaram que moralmente não se nega a ninguém ("nem ao nosso pior inimigo"): a água. 
Escrevo isto com uma temperatura superior a 40 graus, a ver o fumo de um incêndio florestal no horizonte, e a lembrar-me do que sempre me matou a sede foi a generosidade de quem menos água tinha e a cuidava como o bem precioso que é: os meus avós maternos. Este pucarinho era seu e continua a matar-nos a sede.
Sé muy bien lo que es la sed. Lo sé en mi cuerpo pero principalmente en mi alma. Sé desde temprana edad lo que es una sequía y me acuerdo de ver procesiones en mi ciudad pidiendo intervención divina para que lloviera (ya me ha pasado que gente no me cree cuando lo menciono). Sé lo que es un animal muerto porque no tiene nada para beber, sé lo que son árboles condenados por las raíces secas. Sé lo que es tener más que un pozo sin una gota. Por lo tanto, y sin cualquier metáfora existencial, sé muy bien lo que es vivir escaso de manantiales. Aquí está el motivo porque desprecio la mala gestión de los recursos hídricos y la falta de solidaridad de los que explotan pozos, embalses, ríos o manantiales sin cualquier preocupación por sus semejantes, negando al futuro lo que las generaciones anteriores nos han enseñado que moralmente no se niega a nadie ("ni a nuestro peor enemigo"): el agua.
Escribo esto con una temperatura por encima de los 40 grados, viendo el humo de un incendio forestal en el horizonte, y recordando que lo que siempre me ha matado la sed ha sido la generosidad de quien menos agua tenía y la cuidaba como el bien precioso que es: mis abuelos maternos. Este vaso era suyo y sigue matándonos la sed. 

"O privilégio da crítica é ser injusta", dizia Pinheiro Torres. (através de Manuel Alberto Valente)

"O privilégio da crítica é ser injusta", dizia Pinheiro Torres. Quantos e quantos escritores não terão repetido esta frase, confrontados com opiniões negativas sobre as suas obras! E quantos não continuarão a fazê-lo, geração a geração. Mas sempre é preferível, digo eu, que a crítica tenha o privilégio de ser injusta do que vê-la substituída por um qualquer algoritmo que decida olimpicamente o valor de cada obra. - Manuel Alberto Valente, "Expresso", 8/VII/2022, p.59.
Leio Manuel Alberto Valente e comprovo como as suas pertinentes palavras se publicam ao lado do "Top Livros" de ficção e não ficção do mercado editorial português. Abstenho-me da crítica, mas não posso deixar de reparar no título do número 1 do ranking: "Apontar É Feio".

"This is music!"

Publicado por mi hijo S. y por mí en Ferreira do Zêzere, hablando de buena música.

sexta-feira, julho 08, 2022

El verdadero gurú...

El verdadero gurú es aquel que nos dice:"Perdona, pero ni se te ocurra que voy a pensar por ti.". 

quinta-feira, julho 07, 2022

Finada num cinzeiro...

Finada num cinzeiro, a Fénix renasceu das cinzas com um cigarro no bico. Não tardou em morrer outra vez.

Una reflexión de Kiko Veneno

Kiko Veneno dixit (05/07/2022): "Es una cuestión profunda: cambian los hábitos de consumo de la cultura. En primer lugar, [los medios] satisfaciendo con la tecnología sus necesidades de consumo y comunicación más inmediatas, consiguen que la gente esté individualizada. Cuando te separas de los demás pierdes las conexiones con tu tribu y tu clase social. La gente joven no sabe ya lo que son las clases sociales, impera la vergüenza de sentirse trabajador. ¡No me llames obrero, por favor, que he estudiado! ¡Si mi hijo tiene una carrera, no lo pongas a recoger aceitunas! Esa es la segunda consecuencia negativa. Y la tercera es la pérdida de la necesidad de observar el entorno. Muchas personas ni siquiera cruzan la calle sin mirar la pantalla del móvil. Eso se traduce en una grave deficiencia de acción que impide a muchos jóvenes manejarse en la vida real, ya sea a nivel político o sexual." 
"É uma questão profunda: mudam os hábitos de consumo da cultura. Em primeiro lugar, [os meios] ao satisfazer com a tecnologia as suas necessidades de consumo e comunicação mais imediatas, consiguem que a gente esteja individualizada. Quando te separas dos demais perdes a conexão com a tua tribo e com a tua classe social. A gente jovem já não sabe o que são as classes sociais, impera a vergonha de sentir-se trabalhador. Não me chames operário, se faz favor, que eu estudei! Se o meu filho tem um curso, não o ponhas a apanhar azeitonas! Essa é a segunda consequência negativa. E a terceira é a perda da necessidade de se observar o entorno. Muitas pessoas nem sequer ao atravessar a rua deixam de olhar para o telemóvel. Isso traduz-se numa grave deficiência de acção que impede muitos jovens de desenvolverem-se na vida real, quer seja a nível político ou sexual." (trad. Luis Leal)



quarta-feira, julho 06, 2022

Uma fotografia de Costa Manos

 



© Costa Manos/Magnum Photos - À porta de um caféGrécia. Creta, 1964.



Abandonó la escuela y se juntó al circo...

Abandonó la escuela y se juntó al circo dónde aprendió lengua con el maestro de ceremonias, historia con el enano de los cuentacuentos, geografía con el "Explorador de la jungla" (y domador de fieras), química con el mago, física con el funambulista y filosofía/psicología con el payaso. Se graduó con matrícula de honor y hoy emplea su talento académico como conductor de los trailers de un circo fallido y ya sin fieras, con un escaso público de abuelos nostálgicos queriendo enseñar su infancia a unos nietos empantallados, pero seguro de que, si tuviera que abandonar otra vez la escuela para juntarse al circo, lo haría y no dudaría. 

As almas elevam-se para além da barbárie e do intelectualismo...

Sentado a tomar o seu cafezinho, vê como o turismo futebolístico traz hordas de hooligans do Norte da sua velha Europa a vociferarem hinos violentos, a beberem álcool na via pública e a espancarem algum mendigo ou algum emigrante sem recursos que se atravessou no seu caminho até um estádio onde os jogadores fazem selfies com estas e outras vergonhas de fundo. É impossível não pensar nas invasões bárbaras e na queda do império que lhe legou a maior parte da língua que fala diariamente. Mas alguém marca golo e as almas elevam-se para além da barbárie e do intelectualismo.

El problema del destino...

El problema del destino, ese fatum, no es que se crea en él o no, es que el gran joputa podía no ser tan sinvergüenza y disimular un poco, ocultando que tiene favoritos.

segunda-feira, julho 04, 2022

Mário-Henrique Leiria - Carreirismo



CARREIRISMO

Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, seu pai admoestou-o.
Depois de ter roubado a caixa do senhor Esteves da mercearia da esquina, seu pai pô-lo na rua.
Voltou passados vinte e dois anos, com chofer fardado.
Era Director Geral das Polícias. Seu pai teve o enfarte.

Mário-Henrique Leiria


Contos do gin-tonic. Editorial Estamapa, 1973



terça-feira, junho 28, 2022

O velho mercenário do bairro suicidou-se.

Disseram-me que se suicidou, que não pôde aguentar a ausência da mulher nem a doença a espalhar-se por dentro e a apagar o homem que fora antes, durante e depois da guerra colonial. Foi o primeiro mercenário que conheci e sem sequer saber o que significava, isto é, um soldado que serve por dinheiro um governo estrangeiro. Impunha respeito e fazia-se respeitar, este antigo comando a quem nunca vi qualquer violência e que tanto estimava o meu avô. 
Sou, somos descendentes de tantos que se estão a acabar e que tiveram de lutar numa guerra sem sentido. Sinto que temos uma dívida para com as suas vidas obrigadas a irem para África matar ou morrer. A violência acompanhou-os durante a sua existência, o sonho também. Eles educaram-nos sem meias tintas, a porem-nos no nosso lugar e muitos ensinaram-nos a lutar para não termos de viver o que foram obrigados a viver. Quero acreditar que alguns conseguiram.
O velho mercenário do bairro suicidou-se. Não tenho pena nem pesar, apenas respeito como quando era pequeno e ouvia histórias da sua vida. Já nenhum exército o vai contratar, nem a sua presença vai levar as crianças a perguntarem aos seus pais: "o que é um mercenário?".


sábado, junho 25, 2022

Uma força da natureza com um coração de ouro

Começou a sua carreira no ciclismo profissional com 25 anos, depois de cumprir o serviço militar em Moçambique onde combateu numa guerra inútil que lhe deixou cicatrizes no corpo e seguramente na alma. Chamava-se Joaquim Agostinho (1943-1984) e foi o melhor ciclista português que o século XX conhecei, mas a sua gente sempre o recordará como uma "força da natureza com um coração de ouro". A sus memória continua viva no "Museu do Ciclismo Joaquim Agostinho" de Torres Vedras e nas bicicletas urbanas desta região: as "Agostinhas". A foto fala por si mesma.
Empezó su carrera en el ciclismo profesional con 25 años después de cumplir el servicio militar en Mozambique donde combatió en una guerra inútil que le dejó cicatrices en el cuerpo y seguramente en el alma. Se llamaba Joaquim Agostinho (1943-1984) y fue el mejor ciclista portugués que el siglo XX conoció, pero su gente siempre lo recordará como una "fuerza de la naturaleza con un corazón de oro". Su memoria sigue viva en el "Museu do Ciclismo Joaquim Agostinho" de Torres Vedras y en las bicicletas urbanas de esta región: las "Agostinhas". La foto habla por sí misma.


domingo, junho 19, 2022

Equilíbrio/Equilibrio Cronológico

No nosso passeio de final de tarde, o meu filho E lembrou-me de que há poucas épocas com tanto equilíbrio cronológico como esta: 9 meses dentro da barriga das nossas mães e 9 meses no mundo extrauterino. O que virá só já vai desequilibrar a nossa balança existencial...
En nuestro paseo de final de tarde, mi hijo E me ha recordado que hay pocas épocas con tanto equilibrio cronológico como esta: 9 meses dentro de la barriga de nuestras madres y 9 meses en el mundo extrauterino. Lo que vendrá ya sólo va a desequilibrar nuestra balanza existencial...

sexta-feira, junho 17, 2022

Emérito/Emérita

En el ámbito universitario (y de algunas monarquías), cuando un docente se jubila después de un vida dedicada a la enseñanza y al conocimiento, se le atribuye el estatuto de profesor emérito. Me pregunto ¿por qué no se hace lo mismo en primaria y en secundaria? ¿Acaso no hay vidas dedicadas a la enseñanza, al conocimiento e incluso a la investigación? Sí que hay, como las de D. Julián García Blanco, mi maestro y compañero, y de mi querida María Teresa Sánchez Tejedor que ahora se jubilan. No hay institución más honesta y creíble que el aprecio para otorgar estos títulos. He tenido el privilegio de contar con estos dos verdaderos eméritos y hoy, que siento una cierta "orfandad laboral" mezclada con alguna nostalgia, solo quiero darles las gracias por su amistad y ejemplo, que jamás olvidaré.

No âmbito universitário (e de algumas monarquias), quando um docente se aposenta depois duma vida dedicada ao ensino e ao conhecimento, atribui-se-lhe o estatuto de professor emérito. Pergunto-me por que não se faz o mesmo na primária e na secundária? Por acaso não há vidas dedicadas ao ensino, ao conhecimento e inclusivamente à investigação? Sim há, como as de D. Julián García Blanco, meu mestre e colega, e a minha querida María Teresa Sanchez Tejedor que agora se aposentam. Não há instituição mais honesta e credível do que a estima para outorgar estes títulos. Tive o privilégio de contar com estes dois verdadeiros eméritos e hoje, a sentir uma certa "orfandade laboral" misturada com alguma nostalgia, apenas quero agradecer-lhes pela sua amizade e exemplo que jamais esquecerei.
"Emérito/a" definición de la RAE


domingo, junho 12, 2022

Nuccio Ordine: "El intelectual de hoy tiene que decir lo que la sociedad no quiere escuchar"

A leitora tatuou...

A leitora tatuou uns versos do poeta na coxa e enviou-lhe uma foto para a posteridade das suas redes sociais. Será um exemplo de literatura à flor da pele ou de escrita puramente dermatológica? Não sei, este tipo de epidermes que não têm ou ocultam calos já pouco me interessam. 

Uma fotografia de Alekos Morianópulos

 



A velha bicicleta, uma fotografia de Alekos Morianópulos (Αλέκος Μοριανόπουλος)



sábado, junho 11, 2022

Uma fotografía de Arjan Beeftink

 


Arjan Beeftink - Riga, Latvia, 2014




Crónica: "Ensaio sobre a (minha) fronteira" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº160, p. 91)

Sempre que leio o “i” de fronteira em português parece-me que foi delineado pela identidade lusa para delimitar-se da invasiva “frontera” de Castela. Note-se que isto não tem nada de teoria, é pura mania e cada um tem as suas, como o facto de ao ter nascido em solo alentejano nunca ter sido propício a semivogais e, desde tenra idade, acostumar-me a abdicar do “i” na “mantêga”, no “lête” e no “quêjo”, o que conscientemente me afastava de algum exagero arrogante de semivogais e do centralismo impositivo de Lisboa e inconsciente me acercava à agrestia da minha paisagem e à que seria a minha “frontera”.

Não nasci na fronteira – apesar de haver quem considere Portugal raiano, ou seja, uma nação toda ela limítrofe –. Há quem veja as circunstâncias de nascer na fronteira como uma oportunidade, houve mesmo uma época em que o julgava assim, no entanto a convicção foi substituída pelas incertezas e isso leva-me a indagação: é a fronteira um lugar ou um “não-lugar” como diria o Marc Augê? Poderá alguma vez ser pátria, dado que é filha de pais separados e, em tantos casos, de pais incógnitos? Pode a fronteira advir de geração espontânea? Eis as minhas reticências quando Glória Anzaldúa enunciava a fronteira “como o único ponto da terra que contém todos os lugares do mundo”. Entendo o seu humanismo, sinto o seu lirismo, porém, para quem, como eu, não se considera um cidadão do mundo (longe está a cidadania como apanágio planetário) impõe-se o fracasso que pode ser morrer na fronteira, esse território de todos, portanto de ninguém.

Até Março de 2020, “vivia a fronteira”, essas passagens constantes e viagens no tempo graças ao diferente fuso horário entre Espanha e Portugal, com um certo idealismo a acompanhar o meu habitat raiano. Instaurado o confinamento em Espanha (possivelmente o mais restrito de toda a Europa), instaurado o medo da primeira onda de Covid em Portugal, fui obstruído e não pude prosseguir nessa perspectiva, porventura ingénua, iniciada com o Tratado de Schengen, e comecei a “pensar a fronteira”, confrontando-me com a sua dimensão contraditória, dado que esse lugar-limite é extraordinariamente ambíguo, pois tanto demarca um início como um final. Refletir sobre a fronteira (uso o singular num sentido de pluralidade) depois dos meses negros, do trauma e da vulnerabilidade a que fomos expostos há dois anos, tem sido catártico e ajuda-me a procurar esse desígnio de lugar no mundo mais além dos versos de Jorge Drexler “yo no sé de donde soy, mi casa está en la frontera” e, efectivamente, “las fronteras se mueven como las banderas”. Uma bandeira a apropriar-se de um lugar remete-me para o egocentrismo, para um etnocentrismo colonizador – passível de encontrarmos até na superfície lunar –, e para a imperiosa realidade que um lugar-limite abre e fecha e tanto se pode converter em lugar de salvação como em lugar a evitar por temor.

Adolfo García Ortega, através do apócrifo filósofo japonês Hiroshi Kindaichi, propõe uma hermenêutica da fronteira como um lugar onde ir para saciar a curiosidade (ao lê-lo lembrei-me das “casas da dúvida” – virtuosa definição – disseminadas raia fora), como um lugar proibido e imaginário, um lugar que tanto atrai como repele, indo ainda mais longe, ao enfatizar a fronteira como “um ponto de conexão estimulante”, pelo simples facto de a nossa presença ali ser um acerto ou um erro, porém algo decisivo de se saber. Como todas, a minha existência é circunstancial e permeável à incerteza. Não sei se foi um acerto ou um erro encerrar tantas vezes a fronteira terrestre luso-espanhola durante estes anos pandémicos. Intuo algumas coisas, contudo, mantenho a convicção que a ausência de fronteiras iguala as pessoas e, por outra parte, impô-las, mais do que demarcar espaços, identifica as elites, revela os seus interesses.

É difícil ser fronteiriço, exige disciplina, obriga a um equilíbrio atento, o único que permite oscilar de um extremo ao outro sem agredir, sem destabilizar, preservando uma identidade harmoniosa. Com Kindaichi medito e, como ele, atento na “transparência uma fronteira” pela qual se facilita a perspectiva. Lamento, mas neste tempo de escrita a minha fronteira não é tão diáfana como outrora, admito mesmo alguma falta de nitidez. 

"Entre duas terras"/Entre dos tierras" - Luis Leal (Fontañera/Galegos)

  



Crónica: "Ensaio sobre a (minha) fronteira" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº160, p. 91)

Este “Ensaio sobre a (minha) fronteira”, talvez por cansaço temático ou alguma crise de identidade derivada de “fartura fronteiriça”, após 7 anos, marca o fim da rubrica “Entre Duas Terras”. É bastante pessoal e necessitava ser partilhado. Porém, o meu caríssimo director António Sancho permite-me enveredar por os meus “Trabalhos&Paixões” (clara homenagem ao Fernando Assis Pacheco) nas páginas da “Mais Alentejo” nº161, já nos sítios do costume, onde continuaremos a encontrar-nos sem qualquer preocupação aduaneira.

Este “Ensayo sobre a (mi) frontera”, tal vez por cansancio temático o alguna crisis de identidad derivada de “hartura fronteriza”, pasados 7 años, marca el fin de la rúbrica “Entre Dos Tierras”. Es bastante personal y necesitaba ser compartido. Sin embargo, mi estimado director António Sancho me permite seguir con mis “Trabajos&Pasiones” (claro homenaje a Fernando Assis Pacheco) en las páginas de “Mais Alentejo” nº161, ya en los locales habituales, donde seguiremos encontrándonos sin cualquier preocupación aduanera. 




sexta-feira, junho 10, 2022

Nos dice: "Odio al Principito".

Nos dice: "odio al Principito". Lo entiendo. También entiendo que la infancia es un lugar donde nunca estuvo y que no tiene el más mínimo interés en visitar.

quarta-feira, junho 08, 2022

Carlos Drummond de Andrade - Estrambote

 

ESTRAMBOTE

Tenho saudade de mim mesmo,
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
penetra longamente seu espinho

(e cinco espinhos são) na minha mão.


Carlos Drummond de Andrade



segunda-feira, junho 06, 2022

"Papi, soy fuerte. Saca una foto para acordarme."

Los vómitos eran intensos y casi que te dejaban de rodillas, pero aún así fuiste por tu pie al hospital, donde estuviste horas y te sacaron sangre por primera vez y te pusieron una via para el suero, dos botellas a las que casi contaste las gotas. Pero ni una lágrima derramaste, ni una queja salió de tu boca. Te molestaba el brazo tendido, sin embargo demostraste tener una paciente inversa a tus escasos siete años. Me pediste "Papi, sácame una foto, soy fuerte.". Aquí está. 
Estamos ya en casa, donde duermes en tu habitación, y solo puedo decirte que eres más valiente que yo, el toro más fuerte, y que solo tengo ganas de llorar, agradeciendo que afortunadamente estás (estáis) bien. Me pediste que lo escribiera. Creo que ya intuyes que apunto cosas. Ya duermes y te escucho.

Diferencia entre un vivo y un muerto

Diferencia entre un vivo y un muerto: uno es provisional y el otro es definitivo.

É avesso ao consolo...

É avesso ao consolo porque acredita que a dor lhe traz prestigio.

Mentecato

Mentecato es aquel que tiene la "mente capturada" por algo o por alguien. Casi siempre se encuentra cautivo de la estupidez o de la maldad propia y/o ajena.

sexta-feira, junho 03, 2022

World Bicycle Day

Dependo do carro, é um facto. Mas sempre que agarro nas suas chaves, obrigo-me a pensar se posso ir de bicicleta (ou a pé). Se os nossos políticos e responsáveis de urbanismo tivessem hábitos semelhantes, talvez a mobilidade sustentável fosse mais determinante em contextos como os que estamos a viver de urgência climática ou com a escalada dos preços dos combustíveis. É mais fácil culpar o Putin.
Dependo del coche, es un hecho. Pero siempre que cojo sus llaves, me obligo a pensar si puedo ir en bicicleta (o andando). Si nuestros políticos y responsables por el urbanismo tuviesen costumbres semejantes, quizás la movilidad sostenible fuese más determinante en contextos como los que estamos viviendo de urgencia climática o con la escalada de los precios de los combustibles. Es más fácil culpar a Putin.