sábado, setembro 28, 2024
Cada uno tiene su propia onda...
segunda-feira, setembro 23, 2024
Uma fotografia de Gil Barez
sexta-feira, setembro 20, 2024
Jean Dujardin...
Viernes, 20/IX/2024: Jean Dujardin recorre los 1300km de Sylvain Tesson en una película que me apetecía mucho ver. Caminar, solo o acompañado, siempre será una metáfora de la vida, incluso cuando la misma te impide hacerlo físicamente. Todos tenemos nuestros "Caminos Interiores", el mío empieza a aceptar la compañía de las artrosis. A lo mejor estas degeneraciones me acercan a un ascetismo que la excusa de la falta de tiempo siempre justifica.
Sexta-feira, 20/IX/2024: Jean Dujardin percorre os 1300km de Sylvain Tesson num filme que me apetecia ver muitíssimo. Caminhar, sozinho ou acompanhado, sempre será uma metáfora da vida, inclusivamente quando a mesma te impede fazê-lo físicamente. Todos temos os nossos "Caminhos Interiores", o meu começa a aceitar a companhia das artroses. Talvez estas degenerações me aproximem de um ascetismo que a falta de tempo sempre justifica.
domingo, setembro 15, 2024
segunda-feira, setembro 09, 2024
"Descendente" - Crónica de Luis Leal in “Mais Alentejo”, nº 166, p. 110
"Descendente" - Luis Leal
Desde miúdo que sei o que é um “esgazeado”, quero dizer, sei bem o que é ter os olhos abertos de espanto, medo ou estar ofegante e esbaforido, a roçar a loucura. Nascer no Alentejo dotou-me desse vocabulário de forma tão natural que só na vida adulta me apercebi de ser parte da história de tantas famílias à qual a minha não escapou.
Sou descendente de esgazeados, concretamente os meus bisavôs maternos Leopoldo e Umbelino, combatentes da 1ª Guerra Mundial, vítimas das trincheiras e do gás mostarda. O meu bisavô Leopoldo até foi dado como morto no Redondo e ressuscitou de volta a Portugal depois do cativeiro alemão. Pouco mais sei sobre ambos, a miséria do Estado Novo assolou os seus filhos e poucas histórias me ficaram para genealogia.
Os meus avós João e Ventura também andaram pelas lides militares, nos anos 40, mas a “neutralidade” de Salazar apenas os levou a cumprir o serviço militar obrigatório e a única experiência que me legaram foi de humor, com o meu avô João a guardar, toda a noite, no Forte da Graça de Elvas um morto qualquer. Isso e irem e voltarem, a pé ou de bicicleta, nas licenças, da raia para a zona de Évora. Gente rija, mas, dessa época, também foram parcos em informação, sendo o meu tio António quem, por profissão (carpinteiro) e posição social (presidente da junta), mais me ilustrou como se vivia nessa época, relatando negócios ao longo das vias do comboio (arrancadas na minha juventude) e passagens de espanhóis em direção ao Atlântico. Hoje, mais ou menos com uma experiência e cronologia de vida semelhante, sinto-me muito identificado com esta geração, enquadrada numa transição que nasceu de uma guerra, viveu revoluções políticas, crises económicas e, dada a turbulência dos tempos, aplaude enquanto nos tiram a Liberdade.
E chegámos à geração dos meus pais e dos meus tios. Esses jovens, entre 1961 e 1974, educados num colonialismo de metrópole longínqua a quem a instituição militar portuguesa abriu os quadros de sargentos e oficiais devido ao esforço de guerra em África (em proporção, sete vezes superior ao do Vietnam) e não por democratização de castas. É óbvio que não se obrigaria os descendentes de alta patente a irem para o mato de G3, camuflado básico, boné abas de grilo em vez de um capacete, ainda por cima com um macuto cheio de fome. Haveria cunhas no regime para ficar livre ou, no pior dos casos, atrás de uma secretária, em mangas de alpaca. A brigada do reumático recrutou na casa de quem menos tinha e, por si só, já sobrevivia. Gente como o meu tio Manuel, o meu pai e os seus camaradas, que foram parar com os costados ao Ultramar devido à sede de poder e recursos que a história nos acostumou.
Aqui entro eu, duas décadas depois, livre da tropa (mas com cédula militar e inspeção testicular na Calçada da Ajuda), filho da madrugada de Abril, nascido nos hospitais do SNS, formado pelo ensino público português, a fazer a mala para rumar onde quer fosse (quis a vida que fosse Espanha), num dos momentos mais marcantes da minha existência a falar com o meu pai. Durante anos queremos afastar-nos da sua personalidade, crescer, ser e ter a nossa individualidade. Sou e quero ser diferente do meu pai (apesar de emular com os meus filhos, as velhas fotografias às suas cavalitas). Ele não foi criado como eu, às mãos do afecto, e a reserva, a timidez, levaram as suas emoções a não aflorar a cores e, muitas vezes, continuam no preto e branco da RTP dos anos 70. Porém, como descendente, jamais esquecerei esse dia em que o meu desânimo e imaturidade me faziam crer estar na pior situação do mundo. O meu pai, pouco dado às palavras e aos meus dilemas, disse-me: “Luis, eu, com a tua idade, estava no Ultramar e nem pensava se ia ter trabalho ou não, nem sequer sabia se ia voltar vivo…”. É possível que o meu olhar regressasse ao esgazeado dos meus bisavós e os meus testículos tenham reagido de forma mais natural do que ao toque do médico militar, mas sei que esse dia o meu pai fez de mim um homem.
Escrevo esta crónica no 50º aniversário do 25 de Abril, e, com toda a incerteza do presente, há algo que quero reivindicar para sempre: o legado de uma geração que, com todas as suas conquistas e fracassos, teve tomates para lutar pela democracia. Eu não sei se os teria…
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| Foto de Mário Ventura (1974) |
domingo, setembro 01, 2024
quinta-feira, agosto 29, 2024
domingo, agosto 25, 2024
Ambiguo o no, es profundamente irónico...
sábado, agosto 24, 2024
Viver na diagonal, mais do que cansar, chateia
quinta-feira, agosto 22, 2024
Todo el ser humano...
quarta-feira, agosto 21, 2024
segunda-feira, agosto 19, 2024
"Zen" - Harold Alvarado Tenorio
sábado, agosto 17, 2024
Iluminou em casa dos meus avós...
16/VIII/2024: Iluminou em casa dos meus avós, andou pela arrecadação dos meus pais, a minha irmã pintou-o de azul, deixando funções de iluminação em prol da decoração, até que este candeeiro a petróleo chegou ao meu escritório, onde hoje o dissequei e tenciono dar-lhe mais uma vida, talvez mais ecológica (inclino-me para uma electrificação básica), contudo mantendo a sua alma de "Hipólito", fabricada em Portugal, o mais fiel possível à luz que a outros deu no passado... Serei capaz? Chegarei a tempo? É uma prioridade? Não sei, apenas sei que sou bastante complacente com o que nos vai sobrevivendo...
16/VIII/2024: Iluminó en casa de mis abuelos, pasó por el trastero de mis padres, mi hermana lo pintó de azul, dejando de lado sus funciones de iluminación en favor de la decoración, hasta que este candil de petróleo llegó a mi despacho, donde hoy lo he diseccionado y tengo la intención de darle una nueva vida, quizás más ecológica (me inclino por una electrificación básica), pero manteniendo su esencia de "Hipólito", fabricado en Portugal, lo más fiel posible a la luz que dio a otros en el pasado... ¿Seré capaz? ¿Llegaré a tiempo? ¿Es una prioridad? No lo sé, solo sé que soy bastante complaciente con lo que nos va sobreviviendo...
sexta-feira, agosto 16, 2024
segunda-feira, agosto 12, 2024
Coger la pluma...
sábado, agosto 10, 2024
Subrayar a otros muchas veces es subrayarse a uno mismo (recordando a Claudio Rodríguez)
Subrayar a otros tantas veces es subrayarse a uno mismo: "A mí me encanta mirar –me dijo [Claudio Rodríguez] en una ocasión–, disfruto mucho viendo a la gente trabajar, viendo cómo se hacen las cosas. ¿Te has fijado en que hoy en día ya sólo nos relacionamos con el objeto "acabado", que ya no lo vemos hacer? Un campesino de Zamora me dijo un día que la paciencia se aprende y ejercita mirando crecer las plantas. Yo puedo tirarme horas y horas contemplando cualquier actividad o la quietud de las cosas cotidianas, no sólo la naturaleza". - Luis Jambrina
Sublinhar outros tantas vezes é sublinhar-se a si próprio: "Gosto muito de olhar - disse-me [Claudio Rodríguez] numa ocasião -, desfruto muito a ver a gente trabalhar, a ver como se fazem as coisas. Já reparaste que hoje em dia só nos relacionamos com o objeto "acabado", que já não o vemos a ser feito? Um camponês de Zamora um dia disse-me que a paciência se aprende e exercita a ver as plantas a crescer. Eu posso ficar horas e horas a contemplar qualquer actividade ou a quietude das coisas quotidianas, não apenas a natureza". - Luis Jambrina
(En "Casi una leyenda", artículo publicado en la revista Zurgai [Euskal herriko olerkiaren aldizkaria - Poetas por su pueblo], julio de 2006, titulado "Con Claudio Rodríguez")






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