quinta-feira, novembro 05, 2015
"You live because you dance, you live as long as you dance" - Rudolf Nureyev
quarta-feira, novembro 04, 2015
terça-feira, novembro 03, 2015
segunda-feira, novembro 02, 2015
Out of Season (Robert Wyatt)
domingo, novembro 01, 2015
sábado, outubro 31, 2015
Parabéns, Carlos Drummond de Andrade!
Poesia
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
sexta-feira, outubro 30, 2015
quinta-feira, outubro 29, 2015
quarta-feira, outubro 28, 2015
terça-feira, outubro 27, 2015
segunda-feira, outubro 26, 2015
A Gracia disse, realista e bem viva, que conhecia tanta gente com vontade de escrever e de se publicar. É verdade. Para quê?
Talvez para mim seja para que não fique tanta merda cá dentro. Tenho tanta e tão inútil que na casa de banho não fica toda.
Restos de papel... Higiénico como tanta literatura que por aí anda. A minha não é diferente. Talvez seja merda que anseia ser estrume e poder fertilizar a terra de uma flor vindoura.
A Gracia tem razão. Eu não lhe disse nada. Fiquei calado com a sua verdade, mas escrevi a minha numa nota solta a lápis, mais provável de se apagar que de se publicar.
sábado, outubro 24, 2015
Sobre a tradução de poesia (Zbigniew Herbert)
Como um abelhão desajeitado
pousa numa flor
vergando o frágil caule
abre caminho com os cotovelos
através duma fileira de pétalas
através das folhas de um dicionário
quer chegar
onde se concentram a fragrância e a doçura
e embora esteja constipado
e sem gosto
continua a tentar
até que a cabeça choca
contra o pistilo amarelo
e não consegue ir mais longe
é tão duro
forçar a coroa
até chegar à raiz
por isso levanta voo
emerge pavoneando-se
zumbindo:
eu estive lá
e aqueles
que não acreditam nisso
olhem para o seu nariz
amarelo de pólen
Zbigniew Herbert
Tradução de Jorge Sousa Braga
Em Poesia ilimitada
sexta-feira, outubro 23, 2015
quinta-feira, outubro 22, 2015
Confunde-se gratidão com lamber cus.
terça-feira, outubro 20, 2015
segunda-feira, outubro 19, 2015
domingo, outubro 18, 2015
Minorias em sintonía não é sinal de bom senso em democracia?
terça-feira, outubro 13, 2015
Um excerto do prefácio ao livro "Os Lagóias e os Estrangeiros", da autoria de Rui Cardoso Martins, onde fala sobre os "Lagóias" (Cortesia do Miguel Cebolas)
domingo, outubro 11, 2015
Perguntas de um operário letrado (Bertolt Brecht)
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China
para onde Foram os seus pedreiros?
A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Triunfaram os Césares?
A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes?
Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias .
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos . Quem
mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias ,
Quantas perguntas.
Bertolt Brecht
"Não me digam!" - "Os Lagóias e os Estrangeiros", com textos de Carlos Garcia de Castro e fotos de Raul Ladeira (cortesia do meu amigo Miguel Cebolas)
sábado, outubro 10, 2015
Caso "deputado/a"
quinta-feira, outubro 08, 2015
quarta-feira, outubro 07, 2015
Saudade, essa exclusividade…(in Revista "Mais Alentejo" nº129)
terça-feira, outubro 06, 2015
domingo, outubro 04, 2015
Syrinx, ficção pastoral (António Franco Alexandre)
As palavras pouco importam: um murro
no estômago, uma vez, alguns pontapés,
chumbo na escola a português, pra mais depressa ver
como se trama a vida, silenciosamente.
Quando se canta é diferente, a voz
pode quebrar-se contra o corpo, e quebra
alguma coisa por detrás da boca
como uma mão mirambolante e escura
que se viesse, dentro, na explosão
de pedaços de carne incandescente.
Acontece também cantar calado, ou com a boca
fundida nos lençóis, pra me esquecer de quem
agora me cavalga por um jantar no poço,
passeio de automóvel, duche morno,
e depois as moedas que se deixam
caídas no passeio como estrelas.
antónio franco alexandre
quatro caprichos
assírio&alvim
1999
Lido no blogue canal de poesia
GRAMÁTICA DE COENTRO E CAL – Manuel Alegre (in “Alentejo e Ninguém”)
Gramática de coentro e cal
Geometria do branco e do verão
solidão como sinal
quase cigarra quase pão
em seu falar como um cantar de amigo.
Aqui acaba o último e o primeiro
e o um procura o outro seu igual
para dizer um nome entre azinheira e trigo.
Este é o chão mais puro e verdadeiro.
E as sombras sentam-se comigo
à sombra de um sobreiro.
sábado, outubro 03, 2015
Uma fotografia de Helen Levitt
sexta-feira, setembro 25, 2015
Heitor Villa-Lobos - 5 preludios para guitarra
quinta-feira, setembro 24, 2015
Crónica dum quisto simpático e dum sinal filha da puta
segunda-feira, setembro 21, 2015
Êxtase (Miguel Torga)
ÊXTASE
Terra, minha medida!
Com que ternura te encontro
Sempre inteira nos sentidos,
Sempre redonda nos olhos,
Sempre segura nos pés,
Sempre a cheirar a fermento!
Terra amada!
Em qualquer sítio e momento,
Enrugada ou descampada,
Nunca te desconheci!
Berço do meu sofrimento,
Cabes em mim, e eu em ti!
Miguel Torga
domingo, setembro 20, 2015
sábado, setembro 19, 2015
No banco de jardim (da mais pequena capital de distrito de Portugal)
Sunbaker, by Max Dupain, 1937.
segunda-feira, setembro 14, 2015
sábado, setembro 12, 2015
O poeta tem olhos de água (Manuel da Fonseca)
O poeta tem olhos de água para reflectirem todas as cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem.
Em seu olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas,
e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros da miséria,
com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento.
Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos
e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias
e o movimento ululante das cidades marítimas onde se falam todas as línguas da terra
e o gesto desolado dos homens que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas
e a luz do deserto incandescente e trémula, e os gestos dos pólos, brancos, brancos,
e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram
e os tesouros dos oceanos desvendados maravilhando com contos-de-fada à hora da infância
e os trapos negros das mulheres dos pescadores esvoaçando como bandeiras aflitas
e correndo pela costa de mãos jogadas pró mar amaldiçoando a tempestade:
- todas as cores, todas as formas do mundo se agitam e gritam nos olhos do poeta.
Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório,
sai uma estrela voando nas trevas
tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes.
E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta
que escreve poemas de revolta com tinta de sol na noite de angústia que pesa no mundo.
Manuel da Fonseca
(Lido no blogue Fel de Cão - Ourém)
sexta-feira, setembro 11, 2015
Diário: "presente que será passado e talvez história"
quinta-feira, setembro 10, 2015
quarta-feira, setembro 09, 2015
Un monólogo de Ramón Gómez de la Serna (1928)
(Visto en El águila ediciones)
terça-feira, setembro 08, 2015
segunda-feira, setembro 07, 2015
sábado, setembro 05, 2015
A Terceira Mão (João Serra)
João Serra, in Crónicas dos anos 50/60
(Um pequeno presente para o amigo Luís, a primeira publicação de Um reino maravihoso antes de lá aparecer em meados deste mês)
sexta-feira, setembro 04, 2015
quinta-feira, setembro 03, 2015
Alma Lavenson: Autorretrato, Mãos (1932)
(Wikipédia)
quarta-feira, setembro 02, 2015
Como me despiertas - Fernando Ribeiro
A mi lado en todo cuanto amanece,
me clavas un puñal quebradizo en el centro del corazón
antes de que me soples un deseo al oído distraído:
"Espero que tengas un excelente día."
[trad. Luis Leal]
"Encontro" – Czeslaw Milosz
Je bois (Boris Vian)
Je bois
Je bois systématiquement
Pour oublier les amis de ma femme
Je bois systématiquement
Pour oublier tous mes emmerdements
Je bois n'importe quel jaja
Pourvu qu'il fasse ses douze degrés cinq
Je bois la pire des vinasses
C'est dégueulasse mais ça fait passer l'temps
La vie est-elle tellement marrante
La vie est-elle tellement vivante
Je pose ces deux questions
La vie vaut-elle d'être vécue
L'amour vaut-il qu'on soit cocu
Je pose ces deux questions
Auxquelles personne ne répond
Et je bois systématiquement
Pour oublier le prochain jour du terme
Je bois systématiquement
Pour oublier que je n'ai plus vingt ans
Je bois sans y prendre plaisir
Pour être saoul
Pour ne plus voir ma gueule
Je bois dès que j'ai des loisirs
Pour pas me dire qu'il faudrait en finir.
terça-feira, setembro 01, 2015
De "O senhor Brecht" (Gonçalo M. Tavares)
Gonçalo M. Tavares
Do seu livro O senhor Brecht.





























