Visita ao zoológico com a família. Não era necessário vir de tão longe para mostrar-lhes como se paga para ver que privamos a natureza de ser livre. Nós que somos natureza.
terça-feira, julho 05, 2016
domingo, julho 03, 2016
9- Penso que neste momento (Roberto Juarroz, 1925-1995)
sábado, julho 02, 2016
sem nome
quarta-feira, junho 29, 2016
Correspondência ao mar (Vitorino Nemésio)
Quando penso no mar
A linha do horizonte é um fio de asas
E o corpo das águas é luar,
De puro esforço, as velas são memória
E o porto e as casas
Uma ruga de areia transitória.
Sinto a terra na força dos meus pulsos:
O mais é mar, que o remo indica,
E o bombeado do céu cheio de astros avulsos.
Eu, ali, uma coisa imaginada
Que o Eterno pica,
Vou na onda, de tempo carregada,
E desenrolo...
Sou movimento e terra delineada,
Impulso e sal de pólo a pólo.
Quando penso no mar, o mar regressa
A certa forma que só teve em mim ‑
Que onde acaba, o coração começa.
Começa pelo aro das estrelas
A compasso retido em mente pura
E avivado nos vidros das janelas.
Começa pelo peito das baías
A rosar-se e crescer na madrugada
Que lhe passa ao de leve as orlas frias.
E, de assim começar, é abstrato e imenso:
Frio como a evidência ponderada.
Quente como uma lágrima num lenço.
Coração começado pelos peixes,
És o golfo de todo o esquecimento
Na minha lembrança que me deixes,
E a rosa dos Ventos baralhada:
Meu coração, lágrima inchada,
Mais de metade pensamento.
terça-feira, junho 28, 2016
São Miguel (Açores), 24/VI/2016
Um dia estranho. Deito-me com o rádio a anunciar uma possível vitória do "sim" à União Europeia e acordo com um "não" num cenário real de "Brexit". Curiosamente a minha intuição dizia-me que isso ia acontecer.
Voo para São Miguel nos Açores e em Ponta Delgada apercebo-me que ser insular não é diferente de peninsular. Agarramo-nos ao que temos. Nós aos Pirinéus que nos colam à Europa e o povo açoriano uma língua (herdada de tanto povo por esse sul de Portugal) que o une ao continente.
"Tranquilo" foi uma das palavras que mais me disseram neste dia. Lembrei-me tantas vezes do Algarve da minha família, de pescadores e gente que vive do turismo, da Galiza com as suas hortênsias, da Holanda com as suas vacas e queijinho que me aumentam os trigliceridos. Lembrei-me que a distância não interessa, muito menos o conceito de quilómetros.
Fui à procura do Vitorino Nemésio e não o encontro em nenhuma das poucas livrarias que visito.
Fui aos Açores, a uma das suas nove Ilhas, depois de anos a pensar que talvez não fosse possível conseguir forma de poder fazê-lo.
Durmo à beira da Lagoa das Sete Cidades. Há uma neblina constante num silêncio verdejante. Por momentos, pensei que a natureza no seu esplendor se aproxima a isto. Durou pouco. À meia-noite um carro, tipo "tunning" aproximou-se da autocaravana que tenho alugada para a minha família e, com acelaradelas acéfalas e música altíssima para intimidar, me relembrou que nem no paraíso se deve baixar totalmente a guarda. Apesar da minha intuição com o "Brexit", hoje poderia ter acontecido algo grave por ter descuidado o meu instinto de sobrevivência... Tenho sorte por aprender esta lição a escrevê-la neste diário. Perdoem-me a expressão, apesar da sinceridade, com os ingleses fora da UE passo bem, mas com a minha mulher e filhos assustados (ou, nem quero imaginar, outro tipo de intenções) despertam-me um lado capaz de fazer coisas que a minha razão não escreveria aqui.
quinta-feira, junho 23, 2016
Patti Smith - Advice to the young
terça-feira, junho 21, 2016
Os Nossos Santos (in revista "Mais Alentejo" nº133)
segunda-feira, junho 20, 2016
Sirlanney - Alguns chamam de dormir, eu chamo de desmaiar.
sábado, junho 18, 2016
ângulo morto
sexta-feira, junho 17, 2016
sal da terra
segunda-feira, junho 13, 2016
A música, sim a música... (Fernando Pessoa)
Piano banal do outro andar.
A música em todo o caso, a música..
Aquilo que vem buscar o choro imanente
De toda a criatura humana
Aquilo que vem torturar a calma
Com o desejo duma calma melhor...
A música... Um piano lá em cima
Com alguém que o toca mal. Mas é música...
Ah quantas infâncias tive!
Quantas boas mágoas?,
A música...
Quantas mais boas mágoas!
Sempre a música...
O pobre piano tocado por quem não sabe tocar.
Mas apesar de tudo é música.
Ah, lá conseguiu uma música seguida —
Uma melodia racional —
Racional, meu Deus!
Como se alguma coisa fosse racional!
Que novas paisagens de um piano mal tocado?
A música!... A música...!
19-7-1934
Álvaro de Campos - Livro de Versos. Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. - 190.
domingo, junho 12, 2016
É assim que gosto de estar. Junto aos meus./ Así es que me gusta estar. Con los míos.
sábado, junho 11, 2016
Desejos (Konstantinos Kavafis)
Belos corpos de mortos que nunca envelheceram,
com lágrimas sepultos em mausoléus brilhantes,
jasmim nos pés, cabeça circundada de rosas –
assim são os desejos que um dia feneceram
sem chegar a cumprir-se, sem conhecerem antes
o prazer de uma noite ou a manhã luminosa.
Konstantinos Kavafis
sexta-feira, junho 10, 2016
quinta-feira, junho 09, 2016
II Premio Hispano-Portugués de Poesía Joven "Ángel Campos Pámpano"
quarta-feira, junho 08, 2016
Mãos ausentes (Diário)
"Moñino Times" nº10 ("Na Brasileira" - Luis Leal)
terça-feira, junho 07, 2016
«Papá, depois do Verão vou para a primária!»
segunda-feira, junho 06, 2016
O difícil não é ser-se poeta, é compreender-se poeta.("Leituras a Sul", Biblioteca de Elvas, 10/VI/2016)
domingo, junho 05, 2016
Hoje é dia mundial do ambiente (5/VI/2016)
sábado, junho 04, 2016
O século XX foi nocauteado (Morreu Muhammad Ali)
Blog Malomil: "Spinola na América"
domingo, maio 29, 2016
Final madrileña
Ontem, uma final da mesma cidade entre eternos vizinhos de rivalidade. Estava a ver o jogo com um sentimento dividido por a originalidade colchonera, com essa garra de bairro trabalhador que tanto a caracteriza, contra o imperialista capital que dá trabalho ao talento emigrante pátrio.
Arrastados num relvado de igualdade de oportunidades, sempre impera a resistência do que tem mais dinheiro no bolso.
Será que 600 000€ no bolso como prémio de jogo ajudam a controlar os nervos nos decisivos penaltis?
sábado, maio 28, 2016
Passear de bicicleta junto a ti (Riccardo Cocciante)
sexta-feira, maio 27, 2016
Ar de Família (Diário 27/V/2016)
As raízes começam a tremer numa terra cada vez mais árida. A visão falha mas o toque não esconde essa tremura. Aqui estou a ser o que foram para mim, presentes. É difícil ser presente quando a distância, e a necessidade, impede verbos como o estar ou ficar. Não me sinto mal por isso, apenas sinto o que vivo.
Ao lado do meu pai estava um senhor nascido em 1927. Na escuridão de pupilas dilatadas falámos de como o hospital foi uma obra embargada durante décadas, de como tudo era um descampado até que a vontade edifica para paliar a necessidade. Gota a gota, entrava uma enfermeira que nos tratava com a dignidade pouco habitual num sistema de saúde que divinizou os discípulos de Hipócrates.
Gota a gota, dilatou-se um dia em que fui filho, pai e, cansado e talvez alérgico, esse presente tão carregado do pó levantado ao percorrer a aridez do caminho.
Mas a visão também só chega até onde o corpo o permite. Fanhoso, com tosse, dei graças por ter um "Ar de Família".
quinta-feira, maio 26, 2016
O valioso tempo dos maduros (Mário de Andrade)
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!
Mario de Andrade
(1893 - 1945)
quarta-feira, maio 25, 2016
terça-feira, maio 24, 2016
Texto para uns amigos (a quem, por casualidade, tive o privilégio de dar aulas)
Mãos sujas (Diário 23/V/2016)
domingo, maio 22, 2016
Diário (22/V/2016)
sexta-feira, maio 20, 2016
"Sorria e não pisque"
quinta-feira, maio 19, 2016
quarta-feira, maio 18, 2016
"Bike Day" (Noruega, Portugal, Itália, Espanha e Países Baixos)
terça-feira, maio 17, 2016
segunda-feira, maio 16, 2016
Estrada branca (Caetano Veloso)
domingo, maio 15, 2016
Desde miúdo que há uma um clube que coincide com a cor do meu sangue. Excepção apenas para aquele campeonato dos meus sete ou oito anos em que, sei lá porquê mas ainda bem, tive um ano sabático de leão.
Todos os dias Portalegre é tarde (Carlos Garcia de Castro)
sexta-feira, maio 13, 2016
Dor de Cotovelo Peninsular (in “Mais Alentejo” nº132)
quarta-feira, maio 11, 2016
MEMORIAMEDIA - Seeing Stories roda de contos
Resumo da roda de contos com narradores do projecto Seeing Stories no Museu do Fado, durante o Contemfesta 2014.
July 24th - 26th, Alfama, Lisboa and Pereiro de Palhacana, Alenquer
The 4th edition of this feast of stories and storytellers has as its theme the relations between human beings and the environment. The stories that will be shared over this gathering have been collected both in rural and urban communities around several European countries, as part of the EU project "Seeing Stories – Recovering Landscape Narrative in Urban and Rural Europe".
The festival starts with a story circle featuring storytellers from Scotland, Germany, Italy and Portugal at Museu do Fado, in Lisbon, followed by a narrative tour through Alfama neighbourhood, continuing along the paths and wineries of Pereiro de Palhacana's village, in Alenquer, and ending right there with a traditional dancing ball.
Organization: MEMORIAMEDIA e-Museu do Património Cultural Imaterial
Incorporated in the Festivals Network "Seeing Stories – Recovering Landscape Narrative in Urban and Rural Europe": Aachen (DE), Edinburgh (SC), Firenze (IT), Lisbon (PT).
domingo, maio 08, 2016
Para o livro de Literatura de segundo grau (Hans Magnus Enzensberger)
Não leias odes, meu filho, lê os horários
(dos trens, dos ônibus, dos aviões):
são mais exatos. Abre os mapas náuticos
antes que seja tarde demais. Sê vigilante, não cantes.
Chegará o dia em que eles, de novo, pregarão listas
no portão e desenharão marcas no peito daqueles que dizem
não. Aprende a ir incógnito, aprende mais do que eu:
a mudar de bairro, de passaporte, de rosto.
Entende da pequena traição,
da salvação suja de todos os dias. Úteis
são as encíclicas para se fazer fogo,
e os manifestos: para a manteiga e sal
dos indefesos. É preciso raiva e paciência
para se soprar nos pulmões do poder
o fino pó mortal, moído
por aqueles, que aprenderam muito,
que são exatos, por ti.
Hans Magnus Enzensberger
(Tradução de Kurt Scharf e Armindo Trevisan)
Lido aqui: modo de usar & co



































