domingo, janeiro 23, 2022

sábado, janeiro 22, 2022

22 de Janeiro

Dez dias antes é o dia da mulher mais importante da minha vida, mas hoje era o teu, tu que, como tanto gostavas de dizer, foste a minha "segunda mãe" porque a primeira era a tua filha. Escrevo esta entrada de diário para, pelo menos, poder ver-te na minha escrita, nem que seja numa frase lançada ao vazio:
Parabéns avó Lena! Tenho saudades tuas...
Chegou à conclusão que não merecia a pena uma revolução, tão-pouco uma reacção, e continuou um bom cidadão concentrado no seu cão, com quem, por essas esquinas fora, aprendeu a cagar-se para o passado e para o futuro.

Clavícula de mujer

Clavícula femenina: la clave de bellas y eróticas posibilidades.

sexta-feira, janeiro 21, 2022

Quando os ismos se agigantam na sociedade e se atrincheiram em bandos, o homem bom é incapaz de se sujeitar a tal violência...

Quando os ismos se agigantam na sociedade e se atrincheiram em bandos, o homem bom é incapaz de se sujeitar a tal violência. A independência de espírito não costuma empunhar armas porque ela própria é uma arma de lucidez, ameaçadora por si só, quer para o que a empunha, quer para o que a não tem.
Assusta-me o vociferar de alguns políticos que se acusam com ideologias e não com ideias, com reflexões. A sua agressividade é tão perigosa quanto vazia e sinto que já não tenho paciência para isto. Os que se sentem como eu já abdicaram dos dois gumes da lucidez. Não são recrutáveis, nem formarão filas. Vão-se mantendo de pé, tentando honrar a dignidade dos pais no exemplo para com os filhos, porém, há muito que se encontram longe, exilados no seu interior. "A grande renuncia" de que tanto se fala no âmbito laboral americano, com alguna ecos "worldwide", é apenas um exemplo paralelo do exílio interior e é o somatório sintomático de tantas coisas (desigualdades, problemas ambientais, sociedade de consumo, relativismo tóxico - isto é, elevado a dogma - crise de valores, da democracia, projectos de tiranos, pandemia, etc, etc,) que estão na base de uma crise existencial à escala global, mas peculiar, diferente de Sartre e de Camus, pois esta propaga-se também por vía digital.


La cebolla es el mejor ejemplo para la complejidad de la vida.

La cebolla es el mejor ejemplo para la complejidad de la vida porque tiene un sinfín de capas y nos permite saborear lo sublime en un simple guiso, pero frecuentemente también nos hace llorar.

El cero es el Nietzsche de las matemáticas, de todos los números es el más nihilista.

De camino al pediatra...

Morreu o "Bat out of hell"...

Morreu o "Bat out of hell", morreu o artista capaz de contar histórias numa canção com mais de sete minutos, morreu o "Big Bob" do "Fight Club", morreu um gajo capaz de "fazer qualquer coisa por amor" depois de "dormir sobre o assunto"... Caramba, morreu o Meat Loaf e não me apetece olhar pelo retrovisor.
Ha muerto "Bat out of hell", ha muerto el artista capaz de contar historias en una canción con más de siete minutos, ha muerto "Big Bob" de "Fight Club", ha muerto un tío capaz de "hacer lo que fuera por amor" después de "haber dormido sobre el asunto"... Caramba, ha muerto Meat Loaf y no me apetece mirar por el retrovisor.
"If life is just a highway, then the soul is just a car
And objects in the rear view mirror may appear closer than they are"

https://youtu.be/7ooDX1NOzEM

quinta-feira, janeiro 20, 2022

Los personajes principales entraron en profunda crisis existencial cuando se enteraron que no se podían concebir sin el narrador, su Dios, padre y todopoderoso.

«El aforismo guarda un compromiso con el fluir del pensamiento» José Luis Morante

Orgulhoso e aparvalhado...

Sinto-me orgulhoso e ao mesmo tempo aparvalhado, pois tendo a refletir a minha matriz católica de enfrentar as coisas boas como se não as merecesse, até mesmo episódios irrisórios como este. E não é que um autor de referência espanhol (para mim e para o mundo literário ibérico), ao autografar-me um exemplar da sua obra, e depois de lhe dizer o meu nome, me pergunta se eu sou poeta!?
Notei que "Luis Leal" lhe era familiar, quero pensar porque é uma aliteração bonita, nobre de intenções (tive de chegar a adulto para gostar e herdar de verdade o meu nome), ou talvez porque a confundiu com o finado académico mexicano meu homónimo. Creio que era mesmo o meu nome que lhe "sonaba" e não vivessemos nós a realidade das redes sociais onde ambos somos "amigos", mas onde seguramente sou eu quem o "segue" e não o contrário.
Apetecia-me ter falado mais com ele. Temos em comum origens sociais semelhantes e ambos vimos parte das nossas vidas dedicadas à docência e à necessidade da escrita, mas para além de uma pergunta sobre a "alma dos carros" do nosso passado (um pouco para aligeirar o peso do poema final que leu sem vontade), no turno de dar a palavra à assistência, apenas lhe respondi que escrevia umas coisas e que me parecia uma arrogância da minha parte considerar-me um poeta. As ganas de dialogar com ele ficaram ocultas debaixo das máscaras que, literalmente, trazemos estes dias. Dei-lhe os parabéns e reiterei-lhe o quanto aprecio a sua obra. Voltei para casa com um "abraço" escrito e uma assinatura a atestar que um artista me reconhecia como artista. Senti-me alguém quando, e não é que sou estúpido, sempre fui e serei alguém. Bastou-me entrar e dizerem-me que ainda havia um banho para dar ao bebé e que tinha de ver o novo "Space Jam" com os outros dois.

terça-feira, janeiro 18, 2022

Volver a las raíces... Voltar às raízes...

O tempo tem uma direcção de escrita

O tempo tem uma direcção de escrita. A escrita depende das culturas, das várias línguas que libertam diferentes pensamentos. No Ocidente é da esquerda para a direita, em Israel da direita para a esquerda e na China de cima para baixo. O tempo depende das civilizações e passa de distintas maneiras ao longo da história e dos locais da humanidade. O meu tempo não é linear e escrevo-o em várias direcções. A de casa e a do desconhecido.

Só...

Só, minúscula 

existência. Noite

de lua cheia.


Fraco consolo...

Fraco consolo encontrar a meia perdida quando o par há muito que se tornara meia única, acostumado à solidão da gaveta.

Despojado...

Despojado o
verbo conjuga mais
literatura.

Cuidado em não confundir produtivo com fructífero. O primeiro apodrece mais depressa.

segunda-feira, janeiro 17, 2022

sábado, janeiro 15, 2022

Paternidad al exponente

Paternidad al exponente. 

Con el primero la base pierde la seguridad. Con el segundo la base insegura se eleva a dos. 
Y con el tercero es simple inseguridad al cubo.
Posiblemente, con más todo estará en el ámbito de la teoría del caos.

El saber no es tradición ni innovación, es simple atención.

Crónica: "Muralhas" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº158, p. 78)

Não gosto de trincheiras nem de barricadas, costumo associá-las à violência das ideias. Mas de muralhas gosto, talvez porque as associo a um desígnio de protecção da integridade de núcleos mais importantes do que as ideias, como, por exemplo, o pensamento crítico. Vulneráveis e mundanas como tantas outras, estas são as minhas “Muralhas” (publicadas na Mais Alentejo, nº158), foram erguidas com o fundamento que o saber não é tradição nem inovação, é pura atenção. Acredito que gente atenta, edificada no respeito, faz falta e é inconveniente para qualquer tipo de poder pelo simples facto de o seu pensamento ser difícil de derrubar. 

No me gustan las trincheras ni las barricadas, suelo asociarlas a la violencia de las ideas. Pero las murallas me gustan, quizás porque las asocio a un designio de protección de la integridad de núcleos más importantes que de las ideias, como, por ejemplo, el pensamiento crítico. Vulnerables y mundanas como tantas otras, estas son mis “Murallas” (publicadas en Mais Alentejo, nº158), se han erguido con el fundamento que el saber no es tradición ni innovación, es pura atención. Creo que gente atenta, edificada en el respeto, hace falta y es inconveniente para cualquier tipo de poder por el simple hecho de que su pensamiento es difícil de derribar. 

Crónica: "Muralhas" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº158, p. 78)


Crónica: "Muralhas" de Luis Leal (in "Mais Alentejo" nº158, p. 78)

Não gosto de trincheiras nem de barricadas, costumo associá-las à violência das ideias. Mas de muralhas gosto, talvez porque as associo a um desígnio de protecção da integridade de núcleos mais importantes do que as ideias, como, por exemplo, o pensamento crítico. Vulneráveis e mundanas como tantas outras, estas são as minhas “Muralhas” (publicadas na Mais Alentejo, nº158), foram erguidas com o fundamento que o saber não é tradição nem inovação, é pura atenção. Acredito que gente atenta, edificada no respeito, faz falta e é inconveniente para qualquer tipo de poder pelo simples facto de o seu pensamento ser difícil de derrubar. 

No me gustan las trincheras ni las barricadas, suelo asociarlas a la violencia de las ideas. Pero las murallas me gustan, quizás porque las asocio a un designio de protección de la integridad de núcleos más importantes que de las ideias, como, por ejemplo, el pensamiento crítico. Vulnerables y mundanas como tantas otras, estas son mis “Murallas” (publicadas en Mais Alentejo, nº158), se han erguido con el fundamento que el saber no es tradición ni innovación, es pura atención. Creo que gente atenta, edificada en el respeto, hace falta y es inconveniente para cualquier tipo de poder por el simple hecho de que su pensamiento es difícil de derribar. 

"Muralhas"

Vamo-nos mudar e lá começámos a tirar os livros. O meu filho mais velho, depois de se encarregar dos do seu quarto, veio ajudar-me ao escritório. Enquanto, do cimo das escadas, lhe passo volumes, diz-me com dez anos de convicção: “Papi, podíamos construir uma muralha!”. A sua existência ainda não lhe permite grandes metáforas e a proposta é lúdica, para coboiadas com o irmão (de “Nerf” na mão!) e brincadeiras de bonecada entrincheirada. Aceito a ideia, deveras tentadora, e não tivesse de empacotar a minha biblioteca, acumulada em pó que não cobre a sua inutilidade práctica e não me livra de espirrar.

Sei que bastantes destes livros amuralhados nos têm protegido de algumas imposições do exterior. No entanto, não nos escondemos sempre atrás deles. Há que ir para além da muralha e buscar leituras nas pessoas, na natureza, e cultivar o género do diálogo, a conversa enriquecedora que não costuma ostentar títulos de estante carregada, evitando-se assim empilhar em casa barreiras desnecessárias.

Ainda tenho muito para alombar e este é dos piores momentos para se partilhar com um livro, pois deixa de ser potencial, sendo só lastro numa bagagem que se quer ligeira. Se algo aprendi com tantas mudanças de domicílio, é que o melhor é não querer carregar com tudo. O peso exagerado de exemplares, mesmo quando estou em forma, acaba por me encurvar e até embrutecer. Antes até me ia equilibrando, em esforço, com um saco de supermercado em cada braço (esqueçam as caixas de papelão ou de fruta!), mas hoje deslizo num carrinho de transporte feito com uma velha tábua rasa e quatro rodas duma antiga mesa de estudo. Ao tornar-se apenas objecto, o livro abandona o plano das ideias e, para bem da nossa saúde, deve ser tratado segundo as leis da física, contudo, apesar das lombalgias de bibliografia, não me concebo sem livros, sem o grato vício da sua companhia e sem o prazer de os ter no horizonte, quer seja na cabeceira, na mochila do dia-a-dia ou no fundo do “trastero”. 

Antes do minimalismo em voga – resposta ao consumismo e à subsequente falta de espaço numa Terra a abarrotar –, ter uma biblioteca era sinónimo de riqueza e, mais importante, de liberdade. Eis por que os pirómanos da democracia gostam de reduzir a cinzas esta matéria-prima eficaz para amuralhar o espírito crítico. 1933 foi emblemático com um tipo de bigode ridículo a queimar milhões para impor o seu “Mein Kampf”! 

Há também outras formas de se incinerar um livro. Uma delas é sublinhando-o, não para reter o seu conteúdo, com notas pessoais e excertos marcados, mas sim com “lápis azul”, bem realçado na história da censura em Portugal. Actualmente, também se estão a fulminar clássicos pondo-lhes rótulos, isto é, etiquetas de racismo, sexismo, antissemitismo, etc., cujo preconceito leva leitores a julgarem textos conforme um presente que o passado do autor não permitiu contemplar. Pretéritos contextualizados à luz da contemporaneidade, sem moralizar, são perigosos, dado que exigem discernimento e isenção fora de moda. 

Identifico no meu passado o porquê de me abrigar em livros. Vi muitos obrigados a viver ao relento do analfabetismo. Gente que assinava com a impressão digital, envergonhada por dar trabalho a um funcionário com a almofada de tinta onde o seu dedo era menos que um vulgar carimbo. Dói-me a iliteracia massiva do passado (astronómica no nosso Alentejo), mas moralizá-la não altera o facto destas pessoas (entre elas o meu avô) terem sido impedidas do direito de saberem ler e escrever. 

Admito a fluidez do conhecimento, tal como as circunstâncias nas quais é adquirido, porém, o revisionismo dominante, tendencialmente acrítico, em vez de deixar os monstros inertes no passado alimenta-os de descontexto. Talvez a egolatria e a mediocridade elevadas a norma radiquem nos nossos antepassados, contudo, a actual propagação e glorificação da ignorância não têm vergonha. Perdi a conta às vezes que me manifestaram orgulho em desconhecer o básico, tanto na minha profissão, como no quotidiano. E já não penso nem bem, nem mal, sinto uma tristeza que prefiro ocultar. O que não escondo, sobretudo aos meus filhos, é que é possível edificarmos a nossa muralha com pouco e que, alicerçados em obras bem cimentadas, seremos difíceis de derrubar. 

"Muralhas" - Luis Leal



quinta-feira, janeiro 13, 2022

Canto canções de embalar baixinho...

Canto canções de embalar baixinho. 
Canto canções de embalar há anos e sempre duvido se as canto para os meus filhos ou se as canto para mim, um pai inseguro a necessitar de ser tomado em braços, ao colo, e que me sussurrem que "está tudo bem", que alguém aqui vela pelo meu descanso.

Canto canções de embalar baixinho. 
Os meus meninos ouvem-nas entre o desafinar e as letras trocadas e estou aqui inseguro e insignificante, mas estou. Quero estar.

Canto canções de embalar baixinho. Para eles e para mim. Isso é que interessa. É hora de descansar.

Uma fotografia de Morris Zawada

 



Morris Zawada (2012). "Dickey Beach Caloundra Australia. I was photographing the wreck when this Lady just happened to walk by."



quarta-feira, janeiro 12, 2022

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Santa Cruz, 8/I/2022

Santa Cruz é a minha varanda para o Atlântico favorita. Aqui sinto que sou o que tenho de ser, um saloio cujas únicas pretensões se resumem a maresia e a um efeito anti-inflamatório na alma. 

Me dice mi amigo Oxímoron...

Me dice mi amigo Oxímoron, "si quieres estar presente desaparece". Él es de los pocos a quien hago caso y, hasta hoy, nunca se contradijo.

domingo, janeiro 09, 2022

Quando não sei, mas vou morrer, vamos morrer. E porque é que desperdiçamos tanto tempo vital? 
Acho que sei qual é a resposta mas não me atrevo a verbalizá-la. É melhor cultivar a humildade. Arrogância tenho muita ao pôr-me para aqui a enunciar a certeza de um fim.

sexta-feira, janeiro 07, 2022

Poeta da alta competição

Performances, recitais, concursos, prémios, o poeta é ágil por estes meios a lançar mais do que versos. Só de observar me canso, mas está em grande forma, ao contrário de mim, fatigado, a dormir mal e que nem na casa de banho tenho descanso para escrever umas linhas de merda como estas.

segunda-feira, janeiro 03, 2022

sábado, janeiro 01, 2022

Serenidade/Serenidad

2021 foi um ano de "pe(caninas)" coisas, porém grande em emoções e com novos temperamentos ao meu redor, como o do nosso proverbial bebé, sabedor de "quem não chora não mama". Entre o choro, algumas noites mal-dormidas e os montes de fraldas, felizmente, sorri-nos com frequência e, dia a dia, vai crescendo junto aos seus irmãos mais velhos.
Por isso, a pensar em 2022, lembro-me da palavra japonesa "Seijaku" que significa "serenidade no meio do caos". E é o que desejo, para além de saúde, aos que me rodeiam, ao mundo e a mim mesmo. Serenidade quando ao nosso redor tudo é ruído e agitação, contudo que sejamos capazes de permanecer calmos, serenos...

2021 ha sido un año de "pe(caninas)" cosas, pero grande en emociones y con nuevos temperamentos a mi alrededor, como el de nuestro proverbial bebé, sabedor de "quien no llora no mama". Entre el llanto, algunas noches toledanas y los montones de pañales, afortunadamente nos sonríe a menudo y, día a día, va creciendo junto a sus hermanos mayores.
Por eso, pensando en 2022, me acuerdo de la palabra japonesa "Seijaku" que significa "serenidad en medio del caos". Y eso es lo que deseo, además de salud, a mi entorno, al mundo y a mí mismo. Serenidad cuando a nuestro alrededor todo es ruido y agitación pero que seamos capaces de permanecer tranquilos, serenos...

Véase: Alex Pler, "Hanakotoba, el lenguaje de las flores - Pequeño diccionario japonés para las cosas sin nombre", Gijón, Satori, 2020, p.143.

quarta-feira, dezembro 29, 2021

«En mi opinión, el artista no debería tener fronteras» Oscar Isaac

Paradoxos da mobilidade sustentável e da demografia em Portugal...

Paradoxos da mobilidade sustentável e da demografia em Portugal: é o maior produtor europeu de bicicletas e tem a maior fábrica do mundo a fazer cadeirinhas de bebé para duas rodas (a Polisport, a exportar 98% do que produz), no entanto, em 2021, houve menos de 80 mil nascimentos no país e malta a utilizar a bicicleta pelas ruas das cidades portuguesas continua a ser um acto de resistência (que não é propriamente aeróbica.) A foto é holandesa, com certeza...

Paradojas de la movilidad sostenible y de la demografía en Portugal: es el mayor productor europeo de bicicletas y tiene la mayor fábrica del mundo de sillitas de bebé del mundo (Polisport, exportando 98% de lo que produce), sin embargo, en 2021, hubo menos de 80 mil nascimentos en el país y la gente utilizando la bici por las calles portuguesas sigue siendo un acto de resistencia (que no es propiamente aeróbica). La foto es holandesa, seguramente...

quinta-feira, dezembro 23, 2021

Natal (com sentido)/Navidades (con sentido) – Luis Leal

Natal (com sentido) – Luis Leal

    Depois de ouvir uma entrevista à filósofa Emily Esfahani Smith, fiquei curioso com a sua investigação sobre “viver uma vida com sentido” e a vista de olhos que pensava dar às suas páginas acabou por se tornar numa leitura atenta e enriquecedora. Quero dizer, fui prendado pela ocasião e isso, hoje, faz-me pensar nos presentes que gostaria de ver distribuídos nesta época festiva. Portanto, vou aproveitar a rede e o algoritmo do Sr. Zuckerberg (e outras às quais estou subscrito), que me permite divulgar as minhas divagações e aquilo que vou fazendo, para escrever este “miniensaio” e, em simultâneo, vos desejar quatro presentes para além do mais importante de todos: a saúde. Vamos lá a eles:
    Presente nº1: Pertença. 
   Sintamo-nos valorizados e valorizemos os demais. Em casa, no carro, no trabalho, no Facebook (ou no Meta – que mal que me soa... –), no estábulo, numa manjedoura, onde quer que seja, saibamos que, a qualquer escala, em todos existe singularidade e importância, algo bem mais relevante do que simples utilidade no seio de uma qualquer instituição. (Nota pessoal: tens de voltar a ver o filme Um Lugar no Mundo!)
    Presente nº2: Propósito. 
    Por outras palavras, objetivos, causas, motivações, estímulos que sejam o motor e o combustível da nossa acção. Note-se que todos os propósitos são dignos e não se medem nem por prestígio, nem por significância. Logo, tão respeitável é o desígnio de encontrar a cura para a Covid, como a vontade de deixar melhores seres humanos num planeta a precisar de melhoras.
    Presente nº3: Transcendência. 
    E não é que somos minúsculos! Simples vestígios de poeira cósmica! Sejamos como o astronauta quando, sem gravidade, é invadido pela total humildade de saber-se uma partícula microscópica num vasto e incompreensível universo. Ser conscientes da pouca importância da nossa pessoa no cosmos é, paradoxalmente, um sentimento poderoso e profundo. Há quem reze, há quem medite, há quem dance... há quem se transcenda porque sabe perfeitamente o que é e não é.
    Presente nº4: Narrativa. 
    Charles Dickens (esse mesmo do Conto de Natal!) perguntava, através de David Copperfield, “serei eu o herói da minha história ou qualquer outro tomará esse lugar?”. Isto é, que história de vida contamos a nós próprios? Miguel Torga escrevia diários (e não só), o imperador Marco Aurélio meditações, o Zé Manel no Twitter (eu num blog), o António Aleixo quadras populares e Claudio Rodríguez poesia, quando “estava poeta”. Escrever a nossa vida ajuda a retirá-la da fragilidade do nosso corpo, do efémero dos nossos dias, e, com ou sem artifícios, permite editá-la perante os nossos próprios olhos. Decidir organizar os capítulos da nossa existência, decidir pontuar parágrafos, recorrer a vírgulas e pôr pontos finais é o livre-arbítrio na nossa história que, como bem lembrou Victor Frankl, nos pode salvar e este neuropsiquiatra austríaco, formado pelo Holocausto, sabia empiricamente do que nos lembrava. Em resumo, porventura o sentido da vida não será muito diferente da sintaxe numa frase, quanto mais coerente é, mais sentido tem.
    Estes são os quatro pilares para viver uma vida com sentido, segundo Emily Esfahani. Admito existirem mais nos quais possamos apoiar a carga que, por vezes, é viver e encontrar sentido onde não existe. Neste segundo Natal em pandemia, com novas variantes de vírus (e de vidas), contudo com máscaras e vacinas assumidas no quotidiano, tenho a sorte de ainda ter estes quatro pilares edificados: pertenço a uma família inserida numa comunidade, tenho uns quantos propósitos, transcendo-me sempre que possível e vou-me escrevendo, vou pontuando este texto desorganizado que sou e necessita de ter sentido para, por enquanto, não ser apagado.
    Votos de um Natal (com sentido).


    "Navidades (con sentido)" – Luis Leal

    Después de escuchar una entrevista a la filósofa Emily Esfahani Smith, me quedé curioso con su investigación sobre “vivir una vida con sentido” y el vistazo que pensaba echar a sus páginas terminó en una lectura atenta y enriquecedora. Es decir, fui obsequiado por la ocasión y eso, hoy, me hace pensar en los regalos que me gustaría ver distribuidos en esta época festiva. Por tanto, voy a aprovechar la red y el algoritmo del Sr. Zuckerberg (y otras a las cuales estoy subscrito), que me permite divulgar mis divagaciones y lo que voy haciendo, para escribir este “miniensayo” y, en simultáneo, desearos cuatro regalos además del más importante de todos: la salud. Vamos a por ellos:
    Regalo nº1: Pertenencia. 
    Sintámonos valorados y valoremos los demás. En casa, en el coche, en el trabajo, en Facebook (o en Meta – que mal que me suena... –), en el establo, en un pesebre, donde sea, sepamos que, a cualquier escala, en todos existe singularidad e importancia, algo bastante más relevante que la simple utilidad en el seno de una cualquier institución. (Nota personal: ¡tienes que volver a ver la película Un lugar en el mundo!)
    Regalo nº2: Propósito. 
    Por otras palabras, objetivos, causas, motivaciones, estímulos que sean el motor y el combustible de nuestra acción. Fijémonos que todos los propósitos son dignos y no se miden ni por prestigio, ni por significancia. Por lo tanto, tan respetable es el designio de buscar la cura para el Covid, como la voluntad de dejar mejores seres humanos en un planeta necesitando que se mejore.
    Regalo nº3: Transcendencia. 
    ¡La verdad es que somos minúsculos! ¡Simples vestigios de polvo cósmico! Seamos como el astronauta cuando, ingrávido, es invadido por la total humildad de saber que es una partícula microscópica en un vasto e incomprensible universo. Ser conscientes de la poca importancia de nuestra persona en el cosmos es, paradójicamente, un sentimiento poderoso y profundo. Hay quien rece, hay quien medite, hay quien baile... hay quien se transcienda porque sabe perfectamente lo que es y no es.
    Regalo nº4: Narrativa. 
    Charles Dickens (¡ese mismo del Cuento de Navidad!) preguntaba, a través de David Copperfield, “¿seré yo el héroe de mi historia u otro cualquiera ocupará ese lugar?”. O sea, ¿qué historia de vida contamos a nosotros mismos? Miguel Torga escribía diarios (y no sólo), el emperador Marco Aurélio meditaciones, Pepito en Twitter (yo en un blog), António Aleixo décimas populares y Claudio Rodríguez poesía, cuando “estaba poeta”. Escribir nuestra vida ayuda a sacarla de la fragilidad de nuestro cuerpo, de lo efímero de nuestros días, y, con o sin artificios, permite editarla ante nuestros propios ojos. Decidir organizar los capítulos de nuestra existencia, decidir puntuar parágrafos, usar comas y pones puntos y finales es el libre albedrio en nuestra historia que, como bien nos recordó Victor Frankl, nos puede salvar y este neuropsiquiatra austríaco, formado por el Holocausto, sabía empíricamente de lo que nos recordaba. En resumen, es posible que el sentido de la vida no sea muy diferente de la sintaxis en una frase, cuanto más coherente es, más sentido tiene.
    Estos son los cuatro pilares para vivir una vida con sentido, según Emily Esfahani. Admito que existan más en los cuales podamos apoyar la carga que, por veces, es vivir y encontrar sentido donde no existe. En estas segundas Navidades en pandemia, con nuevas variantes de virus (y de vidas), sin embargo, con mascarillas y vacunas asumidas en el cotidiano, tengo la suerte de aún tener estos cuatro pilares edificados: pertenezco a una familia inserida en una comunidad, tengo unos cuantos propósitos, me transciendo siempre que es posible y me voy escribiendo, voy puntuando este texto desorganizado que soy y necesita tener sentido para que, mientras tanto, no sea borrado.
    A todos, unas Navidades (con sentido).

Bibliografia: Emily Esfahani Smith, El arte de cultivar una vida con sentido: Los cuatro pilares para una existencia rica y satisfactoria (trad. Alicia Sánchez Millet), Barcelona, Urano, 2017. 
Foto: CNN, 2019.




terça-feira, dezembro 21, 2021

Paulo Portas recomenda "António Ferro - Ficção" na TVI (12/XII/2021)

Se alguém me dissesse que algum elemento relacionado com a minha existência se iria cruzar com o exviceprimeiro-ministro Paulo Portas, eu diria: “Nah...”. Porém, o antigo líder do PP teve a iniciativa (e a simpatia) de recomendar o nosso “António Ferro – Ficção” (E-Primatur, 2021) no seu espaço de opinião na TVI e só me lembrei que, efectivamente, tudo na vida é “irrevogável”...

Si alguien me dijera que algún elemento relacionado con mi existencia se iba a cruzar con el exviceprimer ministro Paulo Portas, yo diría: “Nah...”. Sin embargo, el antiguo líder del PP (portugués) tuvo la iniciativa (y la simpatía) de recomendar nuestro “António Ferro – Ficção” (E-Primatur, 2021) en su espacio de opinión en TVI y solo me he acordado que, efectivamente, todo en la vida es “irrevocable”...

segunda-feira, dezembro 20, 2021

“contextualise the grief...” - Keanu Reeves

“contextualise the grief, even be inspired by it, even find a certain pleasure in it… Let [the grief] move, and not be trapped inside it… It just put things in a new shape that I could carry or have with me.” - Keanu Reeves 

sexta-feira, dezembro 17, 2021

Festas de Campo Maior são declaradas Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO (15/XII/2021)

Parabéns Campo Maior! Mais de um século de tradição reconhecido e inventariado pela UNESCO! “A Festa das Flores”: eis um património imaterial que não é só de Portugal, do Alentejo, mas também da rai(y)a! Amanhã falamos um pouco deste merecido reconhecimento na Cadena Ser, se vos apetecer ouvir.

¡Enhorabuena Campo Maior! ¡Más de un siglo de tradición reconocido e inventariado por la UNESCO! “La Fiesta de las Flores”: ¡aquí está un patrimonio intangible que no sólo de Portugal, del Alentejo, sino también de la ra(i)ya! Mañana hablamos un poco de este merecido reconocimiento en la Cadena Ser, por si os apetece oír.



sábado, dezembro 11, 2021

La BH...

La BH (Beistegui Hermanos, S.A. - Vitoria, Made in Spain)  parada para que el ciclista pueda comprobar si el otoño se está preparando a conciencia para dar la bienvenida al invierno.

A BH (Beistegui Hermanos, S.A. - Vitoria, Made in Spain)  parada para o ciclista poder comprovar se o Outono se está a preparar conscientemente para dar as boas-vindas ao Inverno.

sexta-feira, dezembro 10, 2021

"António Ferro - Ficção", (Introdução Luis Leal, E-Primatur, Novembro, 2021)

Permitam-me uma sugestão para o Natal: o recém-editado “António Ferro – Ficções”.

Cheguei à figura fascinante (e controversa) de António Ferro ainda no âmbito da História da Arte, porém, foi no seio das vanguardas literárias, graças à recomendação dos meus mestres Antonio Sáez Delgado e José Luis Bernal, que aprofundei conhecimentos sobre o seu perfil de literato. Só pelo prazer de estudar a sua obra literária (que continuarei a investigar) já tinha valido a pena, contudo escrever a introdução à reedição da sua prosa modernista deixa-me muitíssimo orgulhoso e grato, principalmente à minha estimada Mafalda Ferro e ao meu caríssimo Hugo Xavier (criterioso editor da E-Primatur) que creio terem visto na minha perspectiva a isenção e o entusiasmo necessários para convidar os leitores do século XXI a conhecerem esta interessantíssima faceta, relativamente eclipsada por uma biografia com o peso do século XX português (e não só!).

Permitidme una sugerencia para regalo de navidad: el recién editado “António Ferro – Ficções”.

Llegué a la figura fascinante (y controvertida) de António Ferro aún en el ámbito de la historia del arte, sin embargo, fue en el seno de las vanguardias literarias, gracias a las recomendaciones de mis maestros Antonio Sáez Delgado y José Luis Bernal, que profundicé conocimientos sobre su perfil de literato. Sólo por el placer de estudiar su obra literaria (que seguiré investigando) ya había valido la pena, pero escribir la introducción a la reedición de su prosa modernista me deja muchísimo orgulloso y agradecido, principalmente a mi estimada Mafalda Ferro y a mi “caríssimo” Hugo Xavier (criterioso editor de E-Primatur) que creo que han visto en mi perspectiva la exención y el entusiasmo necesarios para invitar a los lectores del siglo XXI a que conozcan esta interesantísima faceta, relativamente eclipsada por una biografía con el peso del siglo XX portugués (¡y no sólo!).

"António Ferro - Ficção", int. Luis Leal (E-Primatur, 2021)



"La muerte es como cuando va a salir el tren y no hay tiempo para comprar revistas". - Ramón Gómez de la Serna

quarta-feira, dezembro 08, 2021

Dignidade sem Liberdade

Diz-me que para termos dignidade, para que voltemos a um não sei quê que eu nunca acreditei que assim fosse, tínhamos de abdicar de umas quantas "liberdades". Ainda pensei em rebater em voz alta, mas tomei a minha liberdade de ficar calado. Quando ninguém te ouve o silêncio é um sábio aliado. Porém, pensei que esta pessoa está longe do conceito de dignidade, pelo simples (e óbvio) facto de sem liberdade não se pode conceber qualquer dignidade. 

sábado, dezembro 04, 2021

Playing with Legos

La tragedia de Ciboure - Por Frédéric Beigbeder

"La tragedia de Ciboure [que es la de la inmigración y de la xenofobia en Europa] plantea un terrible dilema: desde luego, no podemos acoger toda la miseria del mundo... Pero ¿no podríamos simplemente darle los buenos días?" - Frédéric Beigbeder ("Icon" n.°94, 4/XII/2021)

quinta-feira, dezembro 02, 2021

Inquietud(e)

Há 30 anos, no "Expresso", A. Pinto Leite escreveu uma crónica que me marcou ainda em tenra idade e continua presente, tantos anos depois, quando reflito sobre que legado gostaria de deixar aos meus filhos. Sinto e sei que não se resume à ecologia. Partilho a sua inquietação com três décadas (que é a minha do presente), num mundo, já então artificializado e tecnicizado, à procura da sua alma e que hoje parece tê-la perdido. 
"Inquieta[-me] um mundo sem espiritualidade e não quero deixar apenas às gerações futuras os rios e os mares limpos e as florestas e o lince da Malcata intactos, mas também o essencial do Homem, a alma, a sua secreta grandeza, aquilo que o distingue diante do mistério da vida e aquilo que nenhum electrodoméstico, ou automóvel, ou taxa de juro, ou cartão jovem [ou smartphone] consegue iludir."

Hace 30 años, en "Expresso", A. Pinto Leite escribió una crónica que me marcó aún en temprana eda y sigue presente, tantos años después, cuando reflexiono sobre que legado me gustaría dejar a mis hijos. Siento y sé que no se resume a la ecologia. Comparto su inquietud con tres décadas (que es la mía del presente), en un mundo, ya entonces artificializado y tecnicizado, en búsqueda de su alma y que hoy parece haberla perdido. 
"[Me] Inquieta un mundo sin espiritualidad y no quiero dejar únicamente a las generaciones futuras los ríos y los mares limpios y los bosques y el lince de Malcata intactos, pero también el esencial del Hombre, el alma, su secreta grandeza, aquello que lo distingue ante el mistério de la vida y aquello que ningún electrodoméstico, o automóvil, o interés, o carné joven, [o smartphone] consigue iludir."
"Camino del Almendro" - LL


terça-feira, novembro 30, 2021

Apunte del día

Apunte del día: Al final no van a hacer controles fronterizos terrestres en Portugal. Mejor así. Sin embargo, ya veía la frontera imponerse otra vez, recordándome que los pasaportes de antaño contenían sólo nuestra nacionalidad, mientras que los de hoy son también una prueba de nuestra salud física, aunque el presente esté bastante traumatizado. 

Nota do dia: Afinal não vão fazer controlos fronteiriços terrestres em Portugal. Melhor assim. No entanto, já via a fronteira a impor-se outra vez, recordando-me que os passaportes de outrora só continham a nossa nacionalidade, enquanto que os de hoje são também uma prova da nossa saúde física, apesar do presente estar bastante traumatizado.


terça-feira, novembro 23, 2021

3 Aforismos de Luis Leal (in “El Espejo”, nº13, 2021)

3 Aforismos de Luis Leal (in “El Espejo”, nº13)

Era já gaiatão quando soube o que era um aforismo. Descobri este género fragmentário através de Teixeira de Pascoaes, cuja aforística foi recompilada pelo mesmíssimo Mário Cesariny. Desde então tenho guardados uns quantos da minha colheita no blog, em alguns cadernos e até na memória do telemóvel, contudo, estou longe da mestria do meu estimado Elías Moro, aforista de excelência, e de outros nomes que podem encontrar no 13º número de "El Espejo".

Porém, é pura casualidade que a crónica ainda disponível nas páginas da "Mais Alentejo" verse sobre o peso do literato na contemporaneidade. Em poucas palavras, é como estes três aforismos, completamente inútil.

Era ya un buen mozo cuando supe lo que era un aforismo. Descubrí este género fragmentario a través de Teixeira de Pascoaes, cuya aforística fue recompilada por el mismísimo Mário Cesariny. Desde entonces tengo un par de ellos guardados de mi cosecha en el blog, en algunos cuadernos e incluso en la memoria del móvil, pero estoy lejos de la maestría de mi estimado Elías Moro, aforista de excelencia, y de otros nombres que podéis encontrar en el 13º número de "El Espejo".

Sin embargo, es pura casualidad que la crónica aún disponible en las páginas de "Mais Alentejo" verse sobre el peso del literato en la contemporaneidad. En pocas palabras, es como estos tres aforismos, completamente inútil.

*Errata: “perguntou-lhe” em vez de “preguntou-lhe”.






"Sapo y Sepo, amigos inseparables" - Lecturas que te encantan X.

quinta-feira, novembro 18, 2021

Efeitos secundários da "Task Force": naúseas e mal-estar

Efeitos secundários da "Task Force": náuseas e mal-estar.

Apesar de ter abandonado a docência em Portugal, devido à precariedade e à falta de perspectivas de futuro na profissão, sempre fiz questão de acompanhar o sistema educativo português. As poucas vezes que me manifestei sobre o mesmo, foi para reivindicar a qualidade da preparação técnica e pedagógica dos docentes saídos dos, já antigos, cursos de "Ensino de", ministrados por várias universidades, de Norte a Sul do país, e que deixaram uns milhares professores expostos à falta de "novas oportunidades", ao desenrascanso e à "vocação para o desemprego". Alguns, menos estóicos e talvez bafejados pela sorte (nos quais me incluo), ainda tiveram a oportunidade de serem "exportados" para outros sistemas educativos e continuarem a exercer. 
Talvez por isso, por muitas vezes me sentir como um produto exportado, não gosto de me pronunciar sobre as políticas educativas portuguesas, contudo, hoje, ao ouvir na rádio que se vai formar uma "Task Force" para solucionar a falta de professores em Portugal (e o actual recrutamento de pessoal não docente para leccionar), senti os efeitos secundários que não tive com as duas doses da vacina contra este raio de vírus. Senti umas náuseas, um mal-estar que não consegui manter em silêncio, apesar de saber que sou um produto, uma exportação (possivelmente já caducada) do ensino português.

quarta-feira, novembro 17, 2021

Una versión editada de mí mismo

Echando un vistazo a las redes, me doy cuenta que allí tengo una vida bastante diferente de la que tengo en mi casa o en mi día a día. A pesar de que intento ser fiel a una cierta sinceridad, en Facebook, en Instagram (aquí creo que no), tengo una versión editada de mi persona y eso oculta mucho de la realidad, imperfecciones principalmente.

domingo, novembro 14, 2021

Cuando me preocupo...

Cuando me preocupo demasiado en querer ser un ejemplo, la naturaleza se impone en sus infinitas formas y me recuerda que es bastante mejor educadora que yo. 
Quando me preocupo demasiado em querer ser um exemplo, a natureza impõe-se nas suas infinitas formas e lembra-me que é bastante melhor educadora do que eu.

quinta-feira, novembro 11, 2021

Ed Sheeran no "Hormiguero", 11.11.21

Deixei os meus pequenos irem mais tarde para a cama de forma a que pudessem ver o Ed Sheeran em directo, no "Hormiguero", e ainda bem que quebrámos a rotina. Que este cantor inglês é um poço de talento já o sabia há tempos, as suas melodias têm sido a banda sonora da infância dos meus filhos, porém, a sua generosidade (que intuía pela letra de algumas canções) é digna de ser salientada, pois Sheeran podia ter utilizado este talk show, de audiências massivas, para unicamente se promover e aproveitou cada momento que pôde para reforçar o trabalho dos outros, como aquela jovem a quem pediu que cantasse à capela e que dissesse ao público onde a podiam encontrar nas redes.
É marketing, dirão muitos (e possivelmente terão razão), é uma imagem trabalhada ao pormenor, dirão outros (quase de certeza), mas podia ser de outra maneira, isto é, de nariz empinado com exigências de "rock star", à Madonna, "aka mandona", e não o é.
Aproveitei o exemplo para dizer aos meus filhos que quem brilha por fazer brilhar os outros brilha a dobrar, pois a sua luz torna-se mais evidente e persistente por ser natural. Acho que entenderam o recurso a tanta luminosidade ou isso espero, enquanto o Ed Sheeran foi lá à vida dele e os meus putos para vale de lençóis. Que o artista nunca esqueça a indiferença das ruas onde cantou e que os meus artistas possam sempre brilhar sem ofuscarem ninguém.

terça-feira, novembro 09, 2021

"O Big Metabrother" - Francisco Louçã, in "Expresso", 6/XI/2021

"Quiero pensar que no somos solo un montón de vísceras." - Pablo Guerrero

"Quiero pensar que no somos solo un montón de vísceras. Tenemos espíritu y el arte es la plasmación más evidente de lo sagrado. No estoy adscrito a una u otra religión en concreto, más allá de mi partida de bautismo, pero me gusta lo zen. Propicia que hasta algo tan cotidiano como bajar la basura se convierta en un episodio gozoso." - Pablo Guerrero, "El País" (7/XI/2021)

domingo, novembro 07, 2021

Domingo

A manhã, ainda colada à madrugada, começa azeda, triste, e vai evoluindo com os aplausos da gente aos atletas da meia-maratona da nossa cidade. 
Durante o dia os braços pesaram, os sorrisos conjugues não abundaram, e a tarde terminou num sofá a ver um filme francês, uma comédia sobre a pandemia e sobre a nossa estranha humanidades.
Com o pouco descanso que a cama permite, vislumbro poder deitar-me, ler um pouco, escrever esta nota, com um certo sentido de dever cumprido. Passou mais um domingo. Na mesa da cozinha já tenho os dois lanches dos mais velhos para amanhã e acabo de levar o biberão do mais novo para cima. Mais do que a necessidade de descanso, sinto que não devo pensar. Foco-me nas sandes, no biberão e no chá de funcho. 

sábado, novembro 06, 2021

Me pregunto si el artista...

Me pregunto si el artista, para reivindicar su arte, tiene que atacar, insultar o maltratar a otros supuestos artistas, precursores o contemporáneo, es indiferente. ¿Tiene el arte una lógica exclusivamente hegeliana? ¿Es el artista primordialmente un agente de dialéctica o un ser tendente a la creación?
Como no distingo sustancialmente el arte de la vida, como tampoco distingo la física de los movimientos y de los elementos, intuyo una respuesta, pero no la escribo en mis anotaciones. No merece la pena. Me guardo mis antipatías artísticas (y no solo) para mí mismo, pues quiero que mi suelo siga así, pobre en odios pero, al mismo tiempo, un lugar donde no suelen proliferar demasiadas malas hierbas. 


Cuando uno no tiene nada para decir, lo dice mejor en su lengua materna, la de sus entrañas./Quando um tipo não tem nada para dizer, di-lo melhor na sua língua materna, a da suas entranhas. - Theodor Kallifatides

    “En ese momento lo entendí. Mi primera lengua es palpitación. La segunda, cavilación. La primera brotaba de mis entrañas, la segunda de mi cerebro. El problema era ensamblarlas. [...] La conclusión era sencilla, cada lengua tiene su manera de ser escrita. [...] [Sin embargo] Cuando sabes lo que quieres decir, puedes decirlo en todas las lenguas que conoces.
    También puedes guardar silencio en todas las lenguas que conoces.
    Pero cuando no tienes nada para decir, lo dices mejor en tu lengua materna.”

    “Nesse momento entendi. A minha primeira língua é pulsar. A segunda, pensar. A primeira brotava das minha entranhas, a segunda do meu cérebro. O problema era enlaçá-las. [...] A conclusão era simples, cada língua tem a sua maneira de ser escrita. [...] [Contudo] Quando sabes o que queres dizer, podes dizê-lo em todas as línguas que conheces.
    Também podes guardar silêncio em todas as línguas que conheces.
    Mas quando não tens nada para dizer, di-lo melhor na tua língua materna.” (Trad. Luis Leal)


Theodor Kallifatides, Otra vida por vivir (trad. Selma Ancira), Barcelona, Galaxia Gutemberg, 2019, pp. 151-152.

"Silencio" (Foto de SLP - 2021)

sexta-feira, novembro 05, 2021

En la era de lo inmediato... (imagen de Guy Delisle)

En la era de lo inmediato, la eternidad pasa desapercibida.


Na era do imediato, a eternidade passa desapercibida.


Tres aforismos de Stanisław Jerzy Lec


 

Tres aforismos del escritor, poeta y aforista polaco Stanisław Jerzy Lec (1909 - 1966):


Mi odio ha envejecido: se ha transformado en desprecio. 


Desde que el hombre se alzó sobre sus patas traseras no ha recuperado el equilibrio.


Cuando tengo razón estoy alerta




Pensamientos despeinados. Traducción de Elzbieta Bortkiewicz y Abraham Gragera. Pre-Textos, 2014.




quinta-feira, novembro 04, 2021