quinta-feira, janeiro 07, 2016
quarta-feira, janeiro 06, 2016
O Dia das Rainhas Magas (Crónica para o Projecto "Maria Capaz")
Um republicano como eu só poderia celebrar um dia dedicado aos reis se vivesse numa monarquia e é o que me acontece há já algum tempo. Essa intrusão do capitalismo no cristianismo chamada Pai Natal, e as suas renas assalariadas, é bem forte no meu Natal português, tendo mesmo derrotado o tradicional Menino Jesus que nos deixava as prendas no sapatinho. Em Espanha, país onde vivo, está longe de ser assim. São Nicolau é uma marca registada forte, sem dúvida, mas o Baltazar, o Gaspar e o Melchior são uma instituição que, ano após ano, traz aos niños e niñas muito mais do que ouro, incenso e mirra: traz-lhe as manhãs inesquecíveis da sua infância.
Ontem fui com a minha família assistir à Cabalgata de los Reyes. Fazia um frio à Hollywood, só não havia neve para lhe dar estilo. E lá estivemos nós a ver um desfile em que bombeiros, polícias e carteiros, super-heróis do dia-a-dia, acompanhavam os Reis Magos que nos saudavam, lançando rebuçados aos quilos para o jubilo, cáries e diabetes das nossas crianças. Tinha o meu filho mais velho aos ombros e quase não apanhámos rebuçados para que pudéssemos ver o que me pareceu uma bonita presença destes membros da comunidade no desfile. Valeu-nos a minha mãe e a minha mulher, afastadas do corso, com o carrinho do nosso bebé (extasiado com tantas luzes e cânticos natalícios), tal como a generosidade dum chico simpático, com uns 9 ou dez anos, que nos ia dando alguns rebuçados, com o argumento:
- Isto é só pelo prazer de os apanhar, os caramelos, porque no final nunca os como!
A véspera de Reis passou fria e feliz, com essa felicidade que espero que se estenda ao resto do ano para todos nós mas, ao chegar a casa, com a televisão sintonizada no telediario, deparei-me com a notícia de que uma autarquia espanhola, creio que a de Valência, organizara a Cabalgata de las Reinas Magas.
Esta iniciativa, de reconhecimento pelo papel fundamental da mulher na sociedade, para alguns, e de atrevimento e heresia constrangedora, para outros, trouxe as Rainhas Liberdade, Igualdade e Fraternidade a desfilar junto das crianças e a encerrar esta época natalícia repleta, como é normal todos os anos, de todos esses estereótipos positivos e negativos que lhes queiramos atribuir.
Pessoalmente, estes dias remetem-me para a infância, a minha de outrora e, agora, a dos meus filhos, dos familiares e amigos que vivem os seus verde anos. Quando se atribui a esta época a máxima hipócrita de que “Natal deveria ser todos os dias”, não sou capaz de contra-argumentar. Seria perder o meu tempo e o do outro. Mesmo assim prefiro pensar, nem que seja apenas uma vez ao ano, em alguns valores de partilha e solidariedade, arrastados por esta quadra. Se para isso é preciso uma data no calendário, que assim seja! Se estou constantemente a marcar coisas inúteis na agenda, é só uma questão de marcar mais uma e logo se vê.
No passado, só sabia que se celebrava o Dia de Reis pelas janeiras e pelo bolo-rei. Nunca fui fã de fruta cristalizada, pior ainda se me calhava a fava. Hoje dou por mim a construir manhãs de Lego com os meus filhos porque, felizmente, a minha mulher e eu, tivemos a possibilidade de lhes trazer estes “presentes de reis” que queremos ver transformados em cenários povoados por rainhas, bem ao género feminista, como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.
Cá em casa assumimo-nos heréticos e adorámos ver esta iniciativa do “Ayuntamiento” de Valência! Pergunto-me porque tornou a história tão convenientemente invisível a presença das rainhas? Onde é que já se viu uma visita de estado, mesmo que monárquico, do mais alto dignitário, sem ir de braço dado com a sua Primeira Dama?
Para o ano, temos a certeza que os nossos filhos quererão ver bombeiros, polícias e carteiros a desfilar com Reis Magos bem acompanhados pelas suas respectivas!
terça-feira, janeiro 05, 2016
literatura subsidiada
segunda-feira, janeiro 04, 2016
"Lewis Hine and The Baddest of Bad-Ass Messengers"
(ARI)
Lewis Hine (Oshkosh, Wisconsin, 26 de setembro de 1874 – Hastings-on-Hudson, Nova Iorque, 3 de novembro de 1940) foi um fotógrafo e sociólogo estadunidense pioneiro da fotografia documental e importante figura da mudança na legislação de trabalho infantil nos Estados Unidos, com mais de 5 mil fotografias sob a guarda da Biblioteca do Congresso.
(Wikipédia)
sexta-feira, janeiro 01, 2016
quinta-feira, dezembro 31, 2015
"Oração" - Héroes Del Silencio
Oração – Héroes del Silencio
Perco tempo a pensar no essencial
que às vezes deixo passar.
Quantas vezes ignorei já
capazes de me terem mudado!
E não há oração
capaz de decidir por mim.
Ó, senhor!, não resta outra opção
e jamais me voltarei a arrepender.
Sempre há uma disjuntiva
ante a qual sempre há que eleger,
não resta outra alternativa
rapidamente há que decidir.
E não há oração
capaz de decidir por mim.
Ó, senhor!, não resta outra opção
e jamais me voltarei a arrepender.
quarta-feira, dezembro 30, 2015
Morte ao meio-dia (Ruy Belo)
No meus país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o sol consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente tem saúde e assistência cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meus país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
e o colégio do ódio é a patriótica organização
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e o povo em vão requer
curvado o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer.
Ruy Belo
Boca Bilingue (1966)
terça-feira, dezembro 29, 2015
Momento (Jorge Barbosa)
MOMENTO
Quem aqui não sentiu
esta nossa
fininha melancolia?
Não a do tédio
desesperante e doentia,
Não a nostálgica
nem a cismadora.
Esta nossa
fininha melancolia
que vem não sei de onde.
Um pouco talvez
das horas solitárias
passando sobre a ilha
ou da música
do mar defronte
entoando
uma canção rumorosa
musicada com os ecos do mundo.
Quem aqui não sentiu
esta nossa
fininha melancolia?
a que suspende inesperadamente
um riso começado
e deixa um travor de repente
no meio da nossa alegria
dentro do nosso coração,
a que traz à nossa conversa
qualquer palavra triste sem motivo?
Melancolia que não existe quase
porque é um instante apenas
um momento qualquer.
Jorge Barbosa
Mais poemas e dados sobre o autor em Lusofonia.
segunda-feira, dezembro 28, 2015
Envidia 3
"La envidia es mil veces más terrible que el hambre, porque es hambre espiritual." Miguel de Unamuno
Envidia 1
"El tema de la envidia es muy español. Los españoles siempre están pensando en la envidia. Para decir que algo es bueno dicen: "Es envidiable". Jorge Luis Borges
domingo, dezembro 27, 2015
Apontamentos soltos.
Ora choro, ora canto. Diz-me Afonso Lopes Vieira cuja alma é de Deus mas o corpo, como o meu, deseja o mar.
Um indivíduo só no rebentar das ondas que lhe prendem o olhar de apontamentos soltos, liberdades toráxicas de verdades tóxicas, e, no mar, a esperança que se diluam.
Saber ser. Consciente de ter apenas uma vida, pergunto a uma árvore como é que ela é.
O vento encarrega-se de lhe tirar a palavra dos ramos.
- Então és tão cego que não vês que ela se adapta à disposição de onde venho e de como sopro?
Pus-me a seu lado e também o meu tronco se adaptou à solidão do vento que me falara.
Entendemo-nos bem.
Morreu Fernando Pessoa. (Diário de Miguel Torga)
"Vila Nova, 3 de Dezembro de 1935 - Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade sem ao menos perguntar quem era." Miguel Torga
sábado, dezembro 26, 2015
Huyo para escapar de lo que debo
Huyo para escapar de lo que debo
A la vida que no fue ni acaso importa
Que merezca la pena. Me moría.
La emoción del paisaje me la llevo
Y al hombre que me implanta y me soporta
Y al milagro de huir donde volvía.
"Huir", de Jesús Delgado Valhondo. Libro póstumo. 16 poemas breves.
quinta-feira, dezembro 24, 2015
No Natal odiava receber pijamas, cuecas e meias.
quarta-feira, dezembro 23, 2015
Diários: Grande parte do que escrevo não dorme
Fábula (Bertolt Brecht)
O lobo foi ter
com a galinha
e disse-lhe:
«Devíamos conhecer-nos
melhor para vivermos
com amor e confiança»
A galinha achou bem
e foi com o lobo.
Foi por isso que as suas
penas ficaram espalhadas
por todo o lado.
Bertolt Brecht
segunda-feira, dezembro 21, 2015
Tenho 35 anos e aprendi hoje a lançar o pião
domingo, dezembro 20, 2015
Día 19/XII/2015 Presentación en mi pueblo... Valencia de Alcántara
sábado, dezembro 19, 2015
33 chega em papel à "campiña" que o concebeu em Valencia de Alcántara
Sentado ao lado de uma alma irmã, com vistas para o campo "extremeño", um "33", assumidamente caducado abriu-se aos amigos que o quiseram conhecer.
Agora, sentado na comodidade dum teclado, guardo em diário este dia em que a poesia esteve a ser partilhada enquanto o futuro se nos impunha ao momento através das vozes inquietas de crianças. Obrigado amigos. Obrigado José Antonio, obrigado Jorge, David y Johnny, obrigado Jaime... Obrigado crianças por me mostrarem, nos vossos rostos felizes, a face que me mantém a acreditar em Deus...
Vou deitar-me com o peito cheio de mar. Sinto-o a querer escorrer-me pela cara feliz à procura de enrolar-se na areia silenciosa da minha almofada... Espero adormecer a agradecer esta tempestade que o boletim metereológico já estava à prever.
sexta-feira, dezembro 18, 2015
Uma citação de Agostinho da Silva
Agostinho da Silva (1906-1994)
quinta-feira, dezembro 17, 2015
A criança que já não sou – Gabriel Celaya
"Cuéntame cómo vives, cómo vas muriendo" - Gabriel Celaya
Cuéntame cómo vives;
quarta-feira, dezembro 16, 2015
Zeitgeist (Fernando Pinto do Amaral)
Os meus contemporâneos falam muito
e dizem: «Então é assim»,
com o ar desenvolto de quem se alimenta
do som da própria voz, quando começam
a explicar longamente as actuais tendências
das artes ou das letras ou das sociedades
a pouco e pouco iguais umas às outras
neste primeiro mundo em que nascemos,
agora que o segundo deixou de existir
e que o terceiro, mais guerra, menos fome,
continua abstracto, em folclore distante.
Parece que está morta a metafísica
e que a verdade adormeceu, sonâmbula,
nos corredores vazios onde, às escuras,
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos. Todavia,
falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade, enquanto saboreiam
a cerveja sem álcool, o café
sem cafeína e sobretudo
o amor sem amor, para conservarem
o equilíbrio físico e mental.
Os meus contemporâneos dizem quase sempre
que não são moralistas, e é por isso
que forçam toda a gente, mesmo quem não quer,
a ser livre, saudável e feliz:
proíbem o tabaco e o açúcar
e se por vezes sofrem, tomam comprimidos
porque a alegria é uma questão de química
e convém tê-la a horas certas, como
o prazer vigiado por preservativos
e outros sempre obrigatórios cintos
de segurança, pra que um dia possam
sentir que morrem cheios de saúde.
Quando contemplo os meus contemporâneos
entre as conversas trendy e os lugares da moda,
«tropeço de ternura», queria ser
plo menos tão ingénuo como eles,
partilhar cada frémito dos lábios,
a labareda vã das gargalhadas
pla madrugada fora. No entanto,
assedia-me a acedia de ficar
assim, mais preguiçoso do que um Oblomov
à escala portuguesa — ó doce anestesia
a invadir-me o corpo, a libertar-me
desse feitiço a que se chama o «espírito
do tempo» em que vivemos, sob escombros
de um céu desmoronado em mil pequenos cacos
ainda luminosos, virtuais
estrelas que se apagam e acendem
à flor de todos os écrans
que os meus contemporâneos ligam e desligam
cada dia que passa, nunca se esquecendo
de carregar nas teclas necessárias
para a operação save
e assim alcançarem a eternidade.
Fernando Pinto do Amaral
leyapoemas, jl 2009
(canal de poesia)
terça-feira, dezembro 15, 2015
"Crónica, saudade da literatura" de Manuel António Pina
Já há muito tempo que um livro me terminava com ele. A última página, a última crónica, encerra a vida de um dos poetas que mais me fizeram acreditar que a poesia é dos dias e não exclusiva da literatura.
As crónicas são efémeras filhas de Cronos, dizia o Manuel António, estou de acordo, mas esta caducidade não se aplica às suas páginas partilhadas na imprensa portuguesa...
Se eu, simples leitor, sinto a sua falta, imagino o peso da sua ausência junto dos que com ele privaram ou se eram do seu círculo de afectos.
Acredito que enquanto te podermos dizer, aqui estará a tua enorme e humilde obra. Nós rodear-te-emos, aconchegar-nos-emos, como os teus gatos, para quem escrevias por amor e para dar de comer...
Ardem as perdas (in "Mais Alentejo" nº129)
segunda-feira, dezembro 14, 2015
El niño que ya no soy - Gabriel Celaya
El niño que ya no soy
Logré el uso de razón.
Perdí el uso del misterio.
Desde entonces, la evidencia,
siempre rara, me da miedo.
Me da miedo cuando ladra
en la perrera mi perro.
Quizá me esté saludando.
Mas no lo entiendo. No entiendo.
El niño que fui recuerda.
Me trabaja como un hueco.
El niño que fui me llama
a gritos con su silencio.
Me he mirado en mis retratos,
de marinera, riendo
con rizos rubios y un aire
impertinente y despierto.
¿Quién eras tú? ¿Qué sabías?
Ahora sólo siento sueño.
Me aturde tu desafío
y tu risa me da miedo.
Ya no puedo, sin romperlos,
atravesar los espejos.
Mi sistema no funciona
como solía. Lo siento.
Si funcionara, quizá
no escribiría estos versos.
Lloraría de otro modo.
Lo diría todo en perro.
Pero me creo que soy
algo más que un niño muerto,
y como estoy medio calvo
me hago bucles con mis versos.
Gabriel Celaya
domingo, dezembro 13, 2015
As ovelhas negras do presépio.../Las ovejas negras del portal de Belén...
sexta-feira, dezembro 11, 2015
"O Pai Samurai" in Maria Capaz (18/XI/2015)
Rosita Sánchez
quinta-feira, dezembro 10, 2015
Diário: "Declaração Universal dos Direitos Humanos" e "Que o meu pai encontre um trabalho digno"
quarta-feira, dezembro 09, 2015
Nasceu-me um filho há cinco anos...
Nasceu-te um Filho
Nasceu-te um filho. Não conhecerás,
jamais, a extrema solidão da vida.
Se a não chegaste a conhecer, se a vida
ta não mostrou - já não conhecerás
a dor terrível de a saber escondida
até no puro amor. E esquecerás,
se alguma vez adivinhaste a paz
traiçoeira de estar só, a pressentida,
leve e distante imagem que ilumina
uma paisagem mais distante ainda.
Já nenhum astro te será fatal.
E quando a Sorte julgue que domina,
ou mesmo a Morte, se a alegria finda
- ri-te de ambas, que um filho é imortal.
Jorge de Sena, in 'Visão Perpétua'
O caminho para Ítaca (Konstantinos Kavafis)
Se partires um dia rumo a Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posídon te intimidem!
No teu caminho jamais os encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se subtil emoção o teu corpo e o teu espírito tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posídon hás-de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás-de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egipto peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor será muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te punhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu.
Se a achas pobre
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.
Konstantinos Kavafis
(Tradução de José Paulo Paes)
terça-feira, dezembro 08, 2015
segunda-feira, dezembro 07, 2015
terça-feira, dezembro 01, 2015
domingo, novembro 29, 2015
quarta-feira, novembro 25, 2015
Obrigado João (desde o coração…) 25/XI/2015
sábado, novembro 21, 2015
Ouvido aqui e ali (blogue tralapraki)
Três horas da tarde. Uma tasca às moscas. (Muito poucas, visto que estamos no Inverno)
- Não lhe posso servir o cafezinho porque não sei trabalhar com a máquina das facturas.
- Sendo assim, quando me pode tirar o café?
- Só a partir das 6 horas que é quando o meu puto vem da escola.
- Não me pode servir o café, mesmo sem factura? Só desta vez…
- Nem pensar. Por quem me toma? Eu sou um indivíduo sério, não fujo aos meus impostos e é se queremos que o nosso país vá para a frente…
- Então o que sugere?
- O costume. Vamos sentar ali a jogar uma cartada até às 6 horas. Aí, o meu amigo já pode tomar a sua biquinha. E grátis, se me ganhar à bisca…
(tralapraki - 2013)
segunda-feira, novembro 16, 2015
Veo a través de las ramas del sauce
Veo a través de las ramas del sauce
el río blanco a la luz de la luna.
Al otro lado del río, entre la neblina crepuscular,
el leve tañido de una flauta
alcanza el corazón del viajero.
Seihaku Iraku
domingo, novembro 15, 2015
Diário
Tardes de eternidade
As tardes de sol imortal
Refletem o brilho da cumplicidade
Sem sequer se preocuparme
Se existe ou não eternidade.


































