sábado, novembro 11, 2017

Moscas emigrantes

Bem que eu podia enxotá-las, conduzir de janelas abertas, mas as maganas queriam vir comigo. Duas moscas entraram clandestinas no meu carro em território português, duas varejeiras atrevidas que, por algum motivo, queriam mudar de ares e decidiram vir chatear para Espanha.
Na fronteira, na bomba de gasolina onde costumo comprar a imprensa pelo prazer do papel impresso em português, abri as quatro portas, usei a Sábado, comprada neste sábado, mas o duo dinâmico de moscas acrobatas esquivou a revista até eu desistir por falta de tempo para dedicar a dois insectos voadores. Lembrei-me que o Antonio Sáez também já foi vítima deste carjacking dum gangue de moscas e como o deixou bem patente no seu En otra pátria
A atitude persistente destes dois insignificantes seres vivos, fáceis de matar com a palma da mão ou com um mata-moscas de plástico que nunca se tem à mão, fez-me pensar se não haveria por detrás motivos políticos, quem sabe até um possível exílio. Deixei que se pousassem no tablier enquanto as conduzi como conduzo tantas vezes acompanhado da família. São gulosas as moscas, mas estas duas eram ágeis em malabarismos, algo que um tamanho mais pequeno do que o habitual (quem sabe são moscas infantis ou teenagers) dava jeito. 
Enfim, já cá estão com sus hermanas moscas, sabe Deus em que carro, casa, caixote do lixo ou acolhedora caca. Talvez até já saibam o motivo porque me forçaram a dar-lhes boleia. Tendo em conta as notícias de Portugal, não me custa pensar que, à semelhança da bactéria da legionella, só agora é que as moscas se aperceberam que tinham sido proibidas de voarem pelo anterior governo do Passos Coelho. Por cá voarão livremente mas convém não irem para os ares da Catalunha, porém não as censurarei. É lutar contra a sua natureza e, mesmo com o artigo 155, é onde há mais porcaria.

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