terça-feira, fevereiro 07, 2017
Encontrar o equilíbrio
Eu hei-de amar uma pedra (Vitorino & Janita Salomé)
Musica Tradicional do Alentejo
Recolha, adaptação, arranjo e voz (alto), Janita Salomé
segunda-feira, fevereiro 06, 2017
Para bem e para mal
domingo, fevereiro 05, 2017
"Morerías" de Elías Moro (“Ediciones Liliputienses”)
Companhia... e cafeína
"Queres um café?" é uma pergunta que gosto de fazer. Quase sempre junto à máquina, à espera que aqueçam as resistências, sou grato pela companhia e o meu corpo agradece a cafeína...
sábado, fevereiro 04, 2017
sexta-feira, fevereiro 03, 2017
Pousos
Kunta Kimte
quinta-feira, fevereiro 02, 2017
O meu Jesus de plástico
80 anos do Fernando
Súbdito? Só deles.
terça-feira, janeiro 31, 2017
Voltar a onde pensamos que pouco vamos voltar
A memória é uma ficção - Manuel António Pina
«De qualquer modo, a memória é uma ficção e o passado uma espécie de sonho que nos sonha tanto quanto o sonhamos nós.» in "Os papéis de K.", p.75
domingo, janeiro 29, 2017
Rádios resintonizados com o prazer duma rotina
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sábado, janeiro 28, 2017
Valsa Brasileira (Zé Nogueira e Nelson Faria )
sexta-feira, janeiro 27, 2017
De "Detergente" - Ruy Ventura
"Uma bebedeira não precisa de metáforas. Overdose e falta de equilíbrio sujam o ritmo, as palavras, o olhar. (...) Não bebo deste vinho. Não me encontro no lixo, embora tenha os pés enterrados no monturo." in "Detergente" de Ruy Ventura.
Caminhamos com os pés embarrados mas, com este "Detergente", há fé de que se converta em húmus...
Foto de Nuno Matos Duarte.
quinta-feira, janeiro 26, 2017
Nota do meu pai para mim e minha para os meus filhos:
Lembra-te que o não está garantido, mas o sim ainda se pode conquistar.
segunda-feira, janeiro 23, 2017
The Spur (W.B. Yeats)
You think it horrible that lust and rage
Sould dance attention upon my old age;
They were not such a plague when I was young;
What else have I to spur me into song?
W. B. Yeats
domingo, janeiro 22, 2017
Patti Smith by Paul Kasko
Raízes
sábado, janeiro 21, 2017
Tordesillas
sexta-feira, janeiro 20, 2017
Valladolid, 20/I/2017
quarta-feira, janeiro 18, 2017
terça-feira, janeiro 17, 2017
"Todos os bons e firmes são alegres" - Ernest Hemigway (trad. Monteiro Lobato)
segunda-feira, janeiro 16, 2017
A bondade é o melhor detergente..
domingo, janeiro 15, 2017
Castelo de viae - Ángel Campos Pámpano
Não fica longe
de casa a fronteira:
esse silêncio
da luz entre castanheiros
que te aproximam da infância.
Só procuras
o amparo inocente
e mineral
duma terra estendida
que não te reconhece.
Tarda em chegar
a palavra que diz
o equilíbrio
deste céu azul
como nenhum, fundo.
sábado, janeiro 14, 2017
El mundo íntimo de mi padre II (Jiro Taniguchi)
sexta-feira, janeiro 13, 2017
O frustrado e o poeta
O frustrado encontra na palavra que o define um silêncio que nunca será susurro, muito menos voz. Justifica-se com a queixa e chora a versos derramados a metro.
O frustrado vê-se vate aos olhos do lamento. As trevas da escrita ocultam-lhe, em noites brancas, o sol do dia. A melanina não conhece tez diferente que a da proteção do abrigo, do casaco, da rede de literato.
O frustrado é-o por condição de decisão pessoal. O poeta não. É-o porque teve de ser e nunca saberá totalmente reconhecer-se uma única palavra.
quarta-feira, janeiro 11, 2017
Mais um pum!
O AR (O VENTO )
Estou vivo, mas não tenho corpo
Por isso é que eu não tenho forma
Peso eu também não tenho
Não tenho cor
Quando sou fraco
Me chamo brisa
E se assobio
Isso é comum
Quando sou forte
Me chamo vento
Quando sou cheiro
Me chamo pum!
Boca Livre
Manuel António Pina a propósito dum mundo de escritores...
«É um mundo de intrigas. Vive muito dessa coisa da posteridade. Valoriza coisas ridículas: se aquele tipo teve mais linhas de crítica do que eu. É muito triste, o mundo dos escritores. É igual ao dos músicos, ao dos professores, ao dos jornalistas.». in "Dito em voz alta - entrevistas sobre literatura, isto é, sobre tudo", p.210.
terça-feira, janeiro 10, 2017
"Oh, João! Foste tu, porcalhão?" de David Roberts
O que é um bom publicitário?
O que é um bom publicitário? Um poeta que se passou para o lado negro da força da palavra.
Mas os poetas, como bem mo recorda outro poeta, apesar das suas almas viverem do ar, o corpo e a família necessitam de pão em cima da mesa.
George Orwell - 1984
segunda-feira, janeiro 09, 2017
Excerto de “Da Ibéria e do Iberismo” de Fernando Pessoa
sábado, janeiro 07, 2017
Um homem assume-se até ao fim
Morreu o Mário Soares. O Presidente da República da minha infância e o político pelo qual nunca nutri grande simpatia. Quando comecei a interessar-me por história, abordei através do estudo e do testemunho a sua figura fundamental para a democracia em Portugal e para a cultura portuguesa do século XX. Atrevo-me a pensar que também para a Europa e para o seu sonho (talvez impossível) europeu...
O homem e político assumiu-se até ao fim. Um dos últimos políticos por vocação e consciência antes da leva assumida de tecnocratas. Mesmo sem simpatizar com uma pessoa deste tipo, a política actual necessita da convicção humana e ideológica de homens como Mário Soares.
Se existe um além, desejo-lhe a companhia de Álvaro Cunhal e do Sá Carneiro... todos eles melhores exemplos do homem político que os nossos representantes mais preocupados com a militância do que a constância ideológica.
O céu... (por Jiro Taniguchi) in «Barrio Lejano»
O céu é tão alto...
mas, ao olhar as nuvens, quase parece poder tocá-las com a mão...
O céu é tão misterioso...
Parece imutável, como se estivesse mais além do tempo.
Talvez a eternidade seja simplesmente isso, o céu...
(trad. Luis Leal)
Dia de Reis (06/I/2017)
Findou o dia de Reis. Passámo-lo em Évora com os meus pais. Não sei se já alguma vez o escrevi, mas só me apeteceu abraçar a cidade. Abraçar cada recanto, apertar contra o peito, envolver-me nos braços de quem me criou.
Em Évora só me apetece falar mesmo sem fazê-lo. Desabafar a minha insegurança, libertar tudo o que trago oprimido pelo tempo, agarrar-me a essa pequena medida de paz da minha meninice feliz num bairro cada vez mais longinquo.
Preciso desta cidade, deste toque humano, preciso de adormecer nela e ir lá a cima a pé e voltar ao bairro carregado de luz e histórias. Acordo nela, mas não sei se em mim...
Digo tantas vezes «filho, foi aqui que nasci». Chamam-lhe «cidade museu». Ele parece entender o que é nascer, viveu o nascimento do irmão, mas não entende o que é nascer ali. Não tem porque entender.
Voltámos a casa. Voltámos a ser em espanhol, a sentir o abraço da sua mamã, que nos esperava como rainha no meio dos seus principezinhos.
O meu corpo já não tem uma só morada, uma única cidade, porém a alma é de Évora...
Paco Ibáñez - El lobito bueno
EL LOBITO BUENO
Érase una vez
un lobito bueno
al que maltrataban
todos los corderos.
Y había también
un príncipe malo,
una bruja hermosa
y un pirata honrado.
Todas estas cosas
había una vez.
Cuando yo soñaba
un mundo al revés.
sexta-feira, janeiro 06, 2017
Emmanuele
Reconheço a beleza da composição como também as horas adolescentes de contemplação. Hoje um amigo recordou-me o porquê do erotismo subliminar de nos sentarmos num cadeirão de verga. Sylvia Kristel está no além, bem sentada, neste trono de memória, de fronteira entre o eros e o materialismo sexual explícito...
quarta-feira, janeiro 04, 2017
Noite delinquente , 8/I/2017
O ambiente do local onde vivo é calmo, mas o ano novo trouxe violência e ameaças de morte a uns vizinhos da urbanização. Vizinhos esses que não me inspiram confiança e com os quais apenas intercambiamos os bons dias.
A cena foi representada para todos os vizinhos bem próximo da meia-noite. Meteu gritos, insultos, pontapés às portas, litronas partidas, polícia e gente assustada por delinquentes que me fizeram as suprarenais trabalhar mais do que é normal.
Tendo em conta de que falamos do terceiro dia do ano, o microcosmos do meu bairro não começou com o pé direito. O mundo também não.
Deitei-me preocupado com o crescimento das duas crianças, que não acordaram por um triz, deitadas no quarto ao lado. Não as consigo proteger do mundo real. Oiço-as com o sono perturbado, com laivos de pesadelos. Vou tentar dormir para amanhã poder acompanhá-las. É a única coisa que posso controlar, o querer estar com eles.
Ao contrário destes vizinhos com relacionamentos problemáticos, um pai que ama os filhos, mesmo carregado de inperfeições, não pode ser uma má companhia... não pode...
O ÚLTIMO OLHAR NO INSTANTE DE PERIGO - Jorge Riechmann (Trad. Luis Leal)
terça-feira, janeiro 03, 2017
So long, John!
ON YOUR ISLAND
On your island
does the night fall later?
Am i walking a little ahead of you
so that no snake will bite
your sandalled foot?
The balance is never made
This is why the stars are silent
offering no account.
How to measure
a season
against
the calender of your absence?
How to measure
the stream
of my tangled light
in the mountain
of what has been
and will be?
The balance is never made.
Yet in the night your eyes and mine
sounding one another
show no trace of vertigo.
John Berger
"Morreu John Berger, um artista (e um espectador) total" (Público)
John Berger na Wikipédia (português) e na Wikipedia (english)
sábado, dezembro 31, 2016
quinta-feira, dezembro 29, 2016
terça-feira, dezembro 27, 2016
"Pássaros dum tiro" por Luis Leal (in revista "Mais Alentejo" nº 136)
domingo, dezembro 25, 2016
"Uma ideia de Bíblia" - Frederico Lourenço
sábado, dezembro 24, 2016
Luzes de Natal
sexta-feira, dezembro 23, 2016
Alarme: Bicicletas! (por Eduardo Galeano)
quarta-feira, dezembro 21, 2016
Aproxima-se o Natal...
Aproxima-se o Natal. O mundo afasta-se da solidariedade da época. Em Alepo não há milagres. Na Alemanha os mercados natalícios são vítimas de atentados. Nos EUA, um tirano de cabeleira loura prepara-se para subir ao poder com a amizade duns russos que veem morrer os seus às mãos dum vil alcoolismo que se consola, na ausência do vodka, com garrafas de colónia...
No quarto ao lado, dorme uma estrelinha e um pinheirinho. Por eles vivo o Natal e por aqueles que se afastam de serem humanos... Por mim, que me afasto de mim.
Civilidade (Alberto Pimenta)
CIVILIDADE
não tussa madame
reprima a tosse
não espirre madame
reprima o espirro
não soluce madame
reprima o soluço
não cante madame
reprima o canto
não arrote madame
reprima o arroto
não cague madame
reprima a merda
e quando estourar
que seja devagarinho
e sem incomodar, ok madame?
ok, monsieur.
Alberto Pimenta
Recitado por Luís Gaspar em Estúdio Raposa
quinta-feira, dezembro 15, 2016
Lembra-me um sonho lindo (Fausto)
terça-feira, dezembro 13, 2016
domingo, dezembro 11, 2016
Seis anos, parte II (9/XII/2016)
sexta-feira, dezembro 09, 2016
6 anos
quinta-feira, dezembro 08, 2016
Ferramentas e afeto
quarta-feira, dezembro 07, 2016
Víctor Erice - El sur
terça-feira, dezembro 06, 2016
segunda-feira, dezembro 05, 2016
A propósito da necessidade de levar o ego a cagar à rua
domingo, dezembro 04, 2016
Fidel
Fidel morreu fiel à revolução cubana. "Com muitas luzes e sombras" dizem alguns. Não duvido e não tivesse ele sido um dos símbolos do seu próprio século, o século XX.
Durou como um dos seus discursos. Foi longo, estruturado, argumentado e findou coerente. Mas a coerência individual, a culminar num culto ao líder de sabe deus quantos dias de luto nacional, é impositiva.
Olho para este barbudo, que associo à k7 de tango do meu pai, com a minha coerência individual, nada impositiva, era um ditador com as suas circunstâncias... Todos têm as suas com mais ou menos bloqueios e sanções económicas mesmo a sul do seu arquinimigo. A circunstância não pode justificar tudo... O mal menor justificado por alguns não deixa de estar mal.
O Bunker
Na Suiça, é comum os edifícios terem bunkers, fiscalizados de 5 em 5 anos, não vá o diabo tecê-las. Se alguém me contasse iria ter dificuldade em acreditar, mas vi para crer como São Tomé.
A neutralidade da história desta nação não lhe confere um estatuto de ingenuidade, todo o contrário, de cautela, precaução e estratégia. Vejo isso como sabedoria e visão a longo prazo.
Hoje, na Áustria, não muito longe donde nos encontramos, houve umas eleições renhidíssimas das quais sair vencedor, por escassos votos, o candidato dos verdes, seguido, quase ombro a ombro, pelo candidato de extrema-direita.
Ouro valem estes momentos partilhados com amigos, sem impedimentos de línguas e com crianças a crescerem iguais em oportunidades pelas convicções de quem as educa. Ouro imaterial, invisível para trocas de sobrevivência comercial, como a de tantos refugiados da história e do presente.
O Jorge receia o pior. É cauto como o país em que vive. Tem razão em sê-lo. Não o sou da mesma maneira porém entendo-o com a mesma certeza que tenho para com a minha intuição. Isso não significa que não deteste que ela tenha constantemente razão.
O tempo também deveria ter bunkers com compartimentos úteis para a sobrevivência da história, revistos com frequência e ensinados por lei... ou não... Talvez só lá se protegesse a história de alguns.
Este diário digital é um bunker de bytes, escrito para resistir ao olvido do cérebro de quem o escreve. Tem a arquitectura defensiva do betão e a consistência do papel. O que fará em caso de urgência? Apagar-se-á? De certeza que sim. Até lá pode ser que alguém o tenha lido, construa o seu próprio bunker e proteja a liberdade do seu próprio pensamento.
Badajoz, Lisboa, Zurique
Nada como a hospitalidade dum colchão e um saco de cama na casa dum grande amigo. Família a reboque e carregado que nem um burro, lá cheguei a Zurique depois dum dia intenso - desses que parecem uma semana - de trabalho, estrada, aeroporto e avião...
O corpo ainda vai aguentando, mas já se começa a queixar da intensidade da jornada e das poucas horas de descanso compensatórias... Vale o abraço das boas-vindas e as boas notícias que nos esperam!
quinta-feira, dezembro 01, 2016
Estado civil: pânico (Odyr Bernardi)
terça-feira, novembro 29, 2016
segunda-feira, novembro 28, 2016
Milagre da casa...
Acredito em milagres porque a casa da minha infância esteve em tijolo vivo, taipais nas janelas e esquentador onde tomávamos banho.
Acredito em milagres porque quem lá viveu tornou-se essa casa. Um edifício com história, precário de construção, austero em luxos, inseguro por ser tão fácil de arrombar, mas com gente dentro. Uma família de arquitectura imperfeita, e por aprovar as plantas na câmara municipal, com pobreza energética, mas com o valor de manter-se de pé, lado a lado, digna de não envergonhar a vizinhança.
domingo, novembro 27, 2016
"Digam-me como é uma árvore" – Marcos Ana (Trad. Luis Leal)
Que gentileza, que simpatia, que paciência para aturar-me...
Até hoje, nunca um desconhecido me tinha abordado pessoalmente a dizer que lê este blog e lhe agrada o que vai sendo escrito e publicado.
Fiquei algo desconcertado mas visivelmente agradado com tamanha gentileza e simpatia. Não tive ocasião para lhe dizer que este não é um dos melhores fóruns para aprender a língua portuguesa sem um, ou outro, erro de ortografia, tal como desculpar-me por esse facto me envergonhar. Tento rectificar essas lacunas com frequência, pesa-me na consciência, porém sei que continuarei a dar umas calinadas, na gramática e na sintaxe, por estas bandas de quando em vez.
Grafar os meus dias, os meus pensamentos, está a tornar-se o que algumas vezes imaginei no passado. Não profanarei a palavra "escritor" por purismo. Tantos anos de estudos literários nunca renunciaram a prática da literatura, o acto de escrever por si só, bastante mais antigo em mim que análises e teses.
A rapariga que me abordou disse-me o seu nome. Quis a imediatez do momento não memorizá-lo. Outro motivo para desculpar-me...



















