sábado, maio 07, 2016
Parêntese sobre o Rio Jordão
sexta-feira, maio 06, 2016
Por más vueltas que le dé/Por mais voltas que dê
quinta-feira, maio 05, 2016
[33] na Feira do Livro de Plasencia/ [33] en la Feria del Libro de Plasencia
quarta-feira, maio 04, 2016
Devir#3 (Uma pequena maravilha/Una pequeña maravilla)
terça-feira, maio 03, 2016
Abril no fim
domingo, maio 01, 2016
"Em palco, com a camisa abertas e mangas arregaçadas, Bruce parece um homem que acabou de chegar a casa após um longo dia no escritório, na estrada ou no estaleiro. Só que prefere pegar numa guitarra."
"uma das coisas sobre as quais escrevi em The River foi o tempo. Ontem à noite, um amigo meu disse-me que o tempo nos apanha a todos. Temos uma quantidade limitada de tempo para fazermos o nosso trabalho tomarmos conta da nossa família, para tentar fazer algo bom." Bruce Springsteen
sábado, abril 30, 2016
Boa música de Cabo Verde para o nosso aniversário
Ó Luís! Com licença, depois dessas palavras sobre o suicídio... Venha está música de Cabo Verde para nos acompanhar no décimo aniversário do blogue. Um abraço!
Amigos e discípulos de Ano Nobo em convívio: mazurka "caldo tchitcharinho". Nas violas: Kim di Nanda (solo), Pascoal, Pedro Semedo, Africano (filho de Ano Nobo).
S. Domingos, 3 de Julho 2009.
Para saber quem era o músico Fulgêncio Tavares, conhecido como Ano Nobo (Sociedade Caboverdiana de Autores)
sexta-feira, abril 29, 2016
Auto-retrato possível (aos 35 anos)
Uma resposta/comentário (reflexão) a um ensaio denominado "Suicídio Alentejano" na revista "nós-otros" (28/IV/2016):
quinta-feira, abril 28, 2016
Presentación del libro “Confesiones del apócrifo Cervantes” de Jaime Covarsi (Por Luis Leal – Librería Universitas 28/IV/2016)
Dez anos de “Senderos de Reflexão”...
Até foi coletivo durante algum tempo. Teve participações de
várias pessoas mas afinal, passada uma década, apenas mantém as publicações de
dois amigos: O Pedro L. Cuadrado e eu.
Estes anos deram-me coragem para me assumir como um ser
humano que necessita tanto da escrita como necessita dos outros. Como necessito
aqui do Pedro, a minha verdadeira pedra basilar nestes “senderos”, ele, amigo,
que sempre me faz melhor com a sua presença e conselho.terça-feira, abril 26, 2016
Presentación de "Confesiones del apócrifo Cervantes" de Jaime Covarsí
segunda-feira, abril 25, 2016
¿Cuántas personas fecharon una nueva era en sus vidas a partir de la lectura de um libro? Thoreau
"¿Cuántas personas fecharon una nueva era en sus vidas a partir de la lectura de um libro? Posiblemente, el libro es para nosotros lo que explicará nuestros milagros y revelará milagros nuevos. Podemos encontrar en algún lugar las cosas que en el presente son inexpresables." Henry David Thoreau
Era o meu Fernando José, o meu afilhado. (in "nós-otros")
domingo, abril 24, 2016
sábado, abril 23, 2016
Se a literatura universal comemora as mortes de Cervantes e Shakespeare...
segunda-feira, abril 18, 2016
Ofélia Marques, O menino que queria ser homem à força, ABC-zinho, 27 de Setembro, 1926
domingo, abril 17, 2016
A única certeza que se aceita absoluta é a duma criança
sábado, abril 16, 2016
Onésimo Teotónio de Almeida (sobre Portugal)
"O escárnio e o maldizer entre nós são virtudes que vêm de longe. Quem toma uma atitude positiva, elogiando, acreditando na possibilidade de se alterar o estado de coisas é imediatamente apodado de ingénuo, pateta ou de simplesmente fazê-lo levado por ter interesses escondidos. Sei que estou a simplificar em demasia, no entanto creio que poderia encher umas quantas páginas a dar exemplos concretos de experiências em que me apoio para estas generalizações."
quinta-feira, abril 14, 2016
Día de la República
quarta-feira, abril 13, 2016
Colaboração no "Especial Tradução" da revista "nós-otros" nº5
terça-feira, abril 12, 2016
Estado febril
domingo, abril 10, 2016
É velho mas está pago
sexta-feira, abril 08, 2016
O sabor a Bisonte do Wisconsin na boca
Não sou do tipo de grandes experiências gastronómicas. Gozam comigo a dizer que sou de tripa fraca e têm razão. A minha mulher é a primeira que me atira esse pouco atrevimento à cara quando inova pratos caseiros com aquele paladar atribuido apenas pelos seus temperos.
Na semana passada, tive a sorte de conhecer um grupo de pessoas do estado norteamericano do Wisconsin, da localidade de Ashland. Falei-lhe da nossa cultura transfronteiriça, de Espanha e, ainda mais, de Portugal. Pude falar de "wrestling" (a nossa greco-romana), de viagens no outro lado do mundo, de paisagens de sonho, do Bob Dylan e, inevitavelmente, do Donald Trump.
A ideia estereótipada dum povo tem-se graças a exemplos dum colectivo. Tem tanto de verdade como de injustiça para tantos que dessa verdade deveriam de ser excluídos.
Esta gente podiam, na sua maioria, não prestar muita atenção à nossa história, talvez a única coisa decente que a Europa agora pode dar ao resto do mundo, mas levaram um pouco do que por aqui vivemos para o Novo Mundo.
Para alguém, como eu, crescido no turbilhão das massas "série B" da indústria cultural americana, poder partilhar um pouco de si com malta da terra do Tio Sam, foi uma excelente experiência.
Antes de voltarem para, a ainda fria, Ashland, obsequiaram-me o desafio de comer um "snack" de carne de bisonte com bagas.
Esta tarde convidei o meu amigo Pedro L. Cuadrado a provar esta carne comigo. Como dois exploradores do inóspito gastronómico, acompanhados pelo tinto, terminámos a última revisão do "Dentro del Secreto" com o sabor forte do bisonte na boca. Esta talvez seja a única coisa de pioneiros que ambos temos... O travo a bisonte na boca.
Agradeço aos meus amigos norteamericanos esta atenção para comigo, espero poder devolvê-la um dia no seu país.
O bisonte já está no meu sistema digestivo e na minha memória fica um conselho por estes amigos dado: "Sê negrito ou itálico, mas nunca normal".
quarta-feira, abril 06, 2016
Seres de uso e consumo
Alentejo (Cartier-Bresson, 1955)
terça-feira, abril 05, 2016
Vamos antes a Paris (Olavo d'Eça Leal)
Pensar como o vizinho merceeiro...
Juntar no Montepio algum dinheiro
E fazer-me por todos respeitar.
Normal no porte, feio e regular,
Ter casa própria já, com jardineiro...
Vazio de ilusões, e bom caixeiro,
Ensinar o meu filho a continuar...
Assim envelhecer devagarinho,
Perfeitamente parvo, mas feliz,
E certo de seguir por bom caminho.
Dirás, leitor: "a quem você o diz!
Beber também eu queria desse vinho..."
— Não bebas... vamos antes a Paris!
Julho de 1938.
Olavo d'Eça Leal (n. 1908 - m. 1976), in Presença, n.º 53, 1938. Caído no esquecimento, publicou poesia e ficção, fez teatro e cinema, foi artista plástico. Colaborou na revista Contemporânea, tendo o seu nome ficado associado ao movimento presencista por na revista desse grupo ter publicado alguns dos seus versos. Poeta de leitura agradável, praticou versos simples de refinada ironia.
Post publicado originalmente no blogue antologia do esquecimento a 29 de março de 2016.
segunda-feira, abril 04, 2016
O Prazer é Silencioso
Ao contrário da ideia assente
A palavra não é criadora de um mundo;
O homem fala como o cão ladra
Para exprimir raiva, ou medo.
O prazer é silencioso,
Tal como o é o estado de felicidade.
Michel Houellebecq, in "A Possibilidade de uma Ilha"
domingo, abril 03, 2016
Não necessitamos ensinar às crianças nenhum tipo de guerras civis.
Não necessitamos ensinar às crianças nenhum tipo de guerras civis. Juntos é melhor do que contra. Este olhar lembra-me que nós adultos temos "grandes poderes" mas às vezes esquecemo-nos de que temos "grandes responsabilidades".
sexta-feira, abril 01, 2016
Pobre e Poeta
quinta-feira, março 31, 2016
Música de Cabo Verde: Gabriela Mendes
terça-feira, março 29, 2016
Sou neto de um analfabeto
segunda-feira, março 28, 2016
Luz de presença
O meu filho mais velho está a participar numa atividade do seu colégio chamada "Famílias Leitoras" na qual, para receber um certificado de leitor, tem de cumprir os requisitos de várias leituras livres durante os dias da semana. As suas recentes cinco primavera não lhe permitem ainda ler sílabas sozinho (está no bom caminho, não graças a mim ou à sua mãe, mas graças à Gracia, a sua professora da atividade de leitura).
Acabei de lhe ler um capítulo do "Comboio das Palavras". Dobrámos a esquina da página com carinho e esperança de amanhã continuarmos. Ficou uma luz de presença no seu quarto que ilumina as suas noites e as noites irregulares do seu irmão mais novo (ainda a aprender a dormir à Stivill).
É a única coisa que lhes posso deixar. Uma luz de presença... (e a esperança).
Robert Doisneau: "Le vélo de Tati". Paris (1949)
sábado, março 26, 2016
sexta-feira, março 25, 2016
quarta-feira, março 23, 2016
Guerra Civil (Miguel Torga)
GUERRA CIVIL
É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso,
O que sinto,
O que digo
E o que faço,
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço.
Absurda aliança
De criança
E adulto,
O que sou é um insulto
Ao que não sou;
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou.
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido,
Nem convencido.
E agrido em mim o homem e o menino.
Miguel Torga
A vida é tempo (Vitorino Nemésio)
Com alma, ideias, tempo, luta
Componho um homem, sou sujeito:
Penso-me livre numa gruta
Como pretérito imperfeito.
De era se faz o meu futuro,
Será será o meu passado
Como da hera se faz o muro
Mais que da pedra levantado.
Se horas a nada levam tudo,
Nada nasceu, tudo é que é,
Haja ou não haja Sartre e o mundo
Deus Tudo-Nada havido em fé.
Que ele é Deus mesmo no absoluto
Ser contestado, tão assente
Que se faz Deus na voz que escuto,
Mesmo que o negue, e me desmente.
Vitorino Nemésio
O Verbo e a Morte, Lisboa, Moraes Editora, 1959, p. 22
(Blogue Folha de Poesia)
terça-feira, março 22, 2016
Bélgica, Bruxelas (Sem olhos todos somos cegos e não há rei que nos valha)
A felicidade é voltares sempre que quiseres...
É dia do pai e todos os escaparates mencionam-o da forma mais visível possível. Não é a primeira vez que escrevo sobre efemérides forçadas no calendário e é mais do mesmo.
Curiosamente, este sábado dia do pai tem sido passado em solidão de folga da responsabilidade da paternidade. Estou num dia de chuva enfiado num centro comercial e escrevo ao lado de um cartaz em forma de guru que me diz "a felicidade está nestas ofertas".
Reconheço que hoje deixei a minha coragem a 250km de distância e não me atrevo a buscar os raios de sol sem guarda-chuva. Espero a consumir. A consumir-me tempo e ideias. Penso que o tempo que gastei a trabalhar, o salário auferido com o sal dos meus dias, vale a pena ser investido num filme infantil, num disco de heavy metal, numa novela gráfica e numa revista semanal. Sou induzido a acreditar que o que trago dentro do saco passará pelo filtro das minhas lentes miopes e dos meus ouvidos cicatrizados por otites de miúdo e me enriquecerá como enriquecem os proprietários destas grandes superficies que me desumanizam com a minha autorização por escrito.
Esse sou eu. Um pai só numa tarde de sábado. Um filho que preferia estar com o seu pai. Um neto ausente da morte lenta do seu avô.
Escrevo sentado num teclado dum telemóvel inteligente e suspeito do segurança a observar-me de costas desconfiadas.
Lá fora espreitam uns raios de sol. Tenho medo. Mas vou sair deste templo em que me ajoelho para pagar o dizimo do meu tempo. Na pior das hipóteses apanharei uma molha. A relação dum homem com a chuva traiçoeira é natural... Qual será a minha natureza?
Saio da loja e o guru não me deixa ir embora sem a sua sabedoria.
- A felicidade é voltares sempre que quiseres!
domingo, março 20, 2016
sábado, março 19, 2016
sexta-feira, março 18, 2016
Sou um renegado
Entre as memórias de um chulo e uma Nobel
Naquele tempo éramos donos... (Emanuel Jorge Botelho)
das palavras,
não pagávamos tributo ao dicionário.
Naquele tempo fazíamos dos actos
factos,
ignorávamos os agiotas da decência.
Éramos dragões vomitando fogo,
lava,
origem,
trigo e
irreverência.
Éramos libertinos, libertários,
vagabundos
sentados nas sarjetas da
inocência.
Naquele tempo éramos donos
naquele tempo éramos
naquele tempo...
Emanuel Jorge Botelho
(lido no blogue da luz & da sombra)
quinta-feira, março 17, 2016
Na minha fome mando eu.
Muito se tem falado no dia de hoje duns quantos hooligans adeptos de um clube da liga holandesa e da humilhação a que submeteram os seus semelhantes na "Plaza del Sol". Não percebo porquê tanta indignação dos media, talvez porque o que se passa com os refugiados na Turquia e Grécia não abra telejornais junto com o mediatismo dos golos duma equipa qualquer.
Nunca esperei nada que melhorasse o mundo por parte destas tribos de bárbaros, muito menos quando assumem o seu estatuto acéfalo em massa sob o efeito de álcool e outros estupefacientes.
A falta de recursos, de igualdade e de oportunidades feita miséria, é já, de raíz, opressão e facilmente se lhe soma a humilhação pública.
Para quem não tem nada, dançar e fazer flexões, ser pontapeado, escarrado, etc. é algo sem importância para a sua condição. A miséria já está instalada para além do estômago e não é qualquer espírito que não sucumbe perante tal adversidade de circunstâncias.
Lembro-me de uma história que contava José Luis Sampedro sobre um jornaleiro andaluz cuja condição de miséria não suplantava a tenacidade de espírito ao enfrentar de estômago vazio a imposição do capataz com um digníssimo:
- Na minha fome mando eu!
quarta-feira, março 16, 2016
A apresentação do [33] vista pelo amigo José Kuski Vieira
A espontaneidade é a honestidade dos artistas. Sorte de quem merece a sua arte em forma de generosidade.
O mundo pequenino...
Educamos da forma que pensamos ser a mais honesta e adequada ao nossos valores, tentando que sejam de igualdade e generosidade. O mundo é tão pequenino que a única coisa que podemos fazer é deixá-lo crescer com alguma fé na bondade do ser humano. É difícil, mas eles merecem que continuemos a acreditar na Utopia, principalmente nesta Europa, velha e estéril, tão longe de se refugiar no humanismo da sua história.
terça-feira, março 15, 2016
Walt Whitman (Rubén Darío)
NO seu país de ferro vive o grande velho,
belo como um patriarca, sereno e santo.
Tem na ruga olímpica da sua glabela
algo que impera e vence com nobre encanto.
A sua alma do infinito parece espelho;
são os seus cansados ombros dignos do manto;
e com a harpa lavrada de um carvalho contíguo
como um profeta novo canta o seu canto.
Sacerdote, que alenta sopro divino
anuncia no futuro, tempo melhor.
Diz à águia: «Voa!; «Rema!», ao marinheiro,
e «Trabalha!», ao robusto trabalhador.
Assim vai esse soberbo poeta pelo seu caminho
com seu soberbo rosto de imperador!
segunda-feira, março 14, 2016
A UM POETA (Rubén Darío)
homem-montanha agrilhoado a um lírio,
que geme, forte, que pujante implora:
vítima própria no seu fatal martírio.
Hércules louco que aos pés de Onfália
a porra deixa e o lutar recusa,
herói que calça feminil sandália,
vate que esquece a vibrante musa.
Quem irritou os robustos leões,
fiando, escravo, com a frágil roca;
sem trabalho, sem estímulo, sem acções:
punhos de ferro e áspero pulso!
Não é poeta para pisar tapetes
por onde triunfam femininas danças:
que vibre raios para ferir as sombras,
que escreva versos que pareçam lanças.
Relampejando a soberba estrofe,
o seu sulco deixe resplandecente lume,
e o pântano do escândalo e da troça
que não o veja a águia no seu cume.
Bravo soldado com o seu elmo de ouro
lance o dardo que queima e desgarra,
que invista rude como investe o touro,
que crave firme como o leão a garra.
Cante valente e ao cantar trabalhe;
que ofereça carvalhos se se julga bosque
que a sua ideia no mal irrompa e desbrave
como na selva virgem o bisonte.
Que o que diga a inspirada boca
soe no povo com palavra estranha;
ruído de ondulação a açoitar a rocha,
voz de caverna e sopro de montanha.
Deixe o Sansão da Dalila o regaço:
Dalila engana e corta os cabelos.
Não perca o forte o raio do seu braço
por ser escravo de uns olhos belos.
[Maio, 1890]

















